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The model of the collapsing star

Dans le document RAPPORT SCIENTIFIQUE (Page 63-68)

187

Convencionou-se denominar os dados referentes à capacidade de armazenamento de água 188

no solo, precipitação, temperatura e déficit de pressão de vapor máximo de “variáveis 189

edafoclimáticas” e os dados referentes à densidade básica e ao incremento médio anual da 190

madeira de “variáveis de produção”. Assim, de modo a responder pela influência das variáveis 191

edafoclimáticas sobre as variáveis de produção foram realizadas análises de correlação canônica, 192

componentes principais e agrupamento com auxílio do programa Statistica 7.0. (STATSOFT, 193

INC, 2009).

194

39 A análise de correlação canônica objetivou resumir as variáveis originais do conjunto de 195

variáveis edafoclimáticas e de produção de todos os sítios avaliados e de cada clone em 196

combinações lineares, a fim de maximizar a correlação entre o conjunto de variáveis 197

edafoclimáticas e o conjunto de variáveis de produção (MINGOTI, 2005). O coeficiente de 198

correlação canônica utilizado foi o valor absoluto do coeficiente de correlação de Pearson, entre 199

as variáveis canônicas de cada par canônico, conforme sugerido por Mingoti (2005) (p-valor = 200

0,05). 201

O primeiro par de variáveis canônicas foi definido como sendo o par contendo as 202 combinações lineares: 203 U1 = a1’ X e V1 = b1’ Y 204 205

Em que: a1 e b1 são vetores de constantes de dimensões px1 e qx1, respectivamente, selecionados de modo que a

206

correlação entre as variáveis U1 e V1 seja máxima. X e Y são vetores correlacionados entre si.

207

O segundo par de variáveis canônicas foi formado a partir das seguintes combinações 208

lineares: 209

U2 = a2’ X e V2 = b2’ Y

210

Em que: a2 e b2 são vetores de constantes de dimensões px1 e qx1, respectivamente, selecionados de modo que a

211

correlação entre as variáveis U2 e V2 seja maximizada no conjunto das combinações lineares de X e Y, que são não

212

correlacionados com o primeiro par de variáveis canônicas U1 e V1.

213 214

Formaram-se duas novas variáveis (U1 e V1), onde as variáveis edafoclimáticas

215

estabelecidas a partir dos dados de PPT, T, DPV e CAD pertencem ao Grupo 1 (U1) e, as

216

chamadas variáveis de produção (DB e IMA), formaram o Grupo 2 (V1). Confirmada a

217

correlação canônica, buscou-se ranquear os locais conforme os respectivos dados para o 218

incremento médio anual (IMA) e para a densidade básica da madeira (DB) por meio da análise 219

dos componentes principais (ACP) e análise de agrupamentos. 220

A análise de componentes principais foi realizada baseando-se em combinações lineares 221

das variáveis originais para explicar a estrutura de variância a partir de valores denominados de 222

escores. Cada componente principal gerou um escore em que seu valor explica o “peso” de cada 223

variável resposta utilizada (DB e IMA) na variância dos dados. Com base na semelhança dos 224

escores dos componentes principais formados, estes foram comparados para agrupar os sítios 225

40 (MINGOTI, 2005). Assim, foi possível realizar a análise de agrupamentos, em que buscou-se 226

organizar os 10 sítios (locais) em grupos relativamente semelhantes. 227

A partir da análise de agrupamentos, organizou-se as unidades (sítios) através de 228

sucessivas fusões dos 10 locais em grupos, representados por um dendrograma. A delimitação 229

dos sítios foi realizada a partir da computação de uma matriz de distância euclidiana, sendo 230

adotada como 1,0, conforme Mingoti (2005), também denominada de similaridade entre os 231

indivíduos, onde estas fusões ocorrem mediante a proximidade ou similaridade entre as unidades 232 (MINGOTI, 2005). 233 234 3. Resultados 235

A correlação entre o conjunto de variáveis edafoclimáticas e de produção, resumiu 236

informações das variáveis originais de clima e de solo em combinações lineares, formando as 237

variáveis canônicas (U1 e V1) e formaram-se dois pares canônicos, em que apenas um foi 238

significativo (p>0,05). O valor de p referente a segunda correlação canônica foi maior que 0,05 239

(p-valor = 0,8838), sendo esta não significativa. 240 241 U1 = 0,591737.PPT – 0,914481.T + 0,346556.DPV - 0,142651.CAD 242 V1 = 0,005582.DB + 1,003221.IMA 243 rU1V1 = 0,7174 (p-value = 0,0144) 244 U2 = 1,6480.PPT + 2,688575.T – 0,433009.DPV + 1,84354.CAD 245 V2 = -1,22642.DB – 0,70547.IMA 246 rU2V2 = 0,1592 (p-value = 0,8838) 247 248

Em que: PPT é a precipitação média anual expressa em mm.ano-1; DB é a densidade básica da madeira (g.cm-3); T é

249

a temperatura média anual expressa em ºC; DPV é o déficit de pressão de vapor (kPa); CAD é a capacidade de

250

armazenamento de água no solo (mm); IMA refere-se ao incremento médio anual medido aos 4 anos; U1 o conjunto

251

de variáveis edafoclimáticas (PPT, T, DPV e CAD); V1 o conjunto de variáveis de produção (DB e IMA); rUiVi é a

252

correlação canônica do primeiro par canônico entre as variáveis edafoclimáticas e as de produção; rU2V2 é a

253

correlação canônica do segundo par canônico entre as variáveis edafoclimáticas e as de produção.

254 255

O primeiro par de variáveis canônicas forneceu uma correlação significativa (rU1V1 =

256

0,7174, p-valor = 0,0144) sendo verificada uma alta correlação entre as variáveis edafoclimáticas 257 1º Par ca nô nico 2º Par c an ôn ico

41 e de produção. Isto, portanto, é um indicativo de que há influência das variáveis edafoclimáticas 258

analisadas sobre as variáveis de produção, para os três clones de eucalipto. 259

Na Figura 2 estão apresentados os coeficientes de correlação simples entre as variáveis 260

originais edafoclimáticas e as variáveis canônicas das combinações lineares de produção (DB e 261

IMA = V1) de modo a responder sobre a influência de cada variável edafoclimática sobre as

262

variáveis de produção. 263

Observou-se que a precipitação (A) apresentou maior correlação sobre as variáveis de 264

produção (V1), seguida da temperatura (B), do DPV (C) e da CAD (D), sendo esta última não

265 significativa (0,16). 266 7 267 (A) (B) 268 269 (C) (D) 270 0 10 20 30 40 50 60 70 0 500 1000 1500 2000 V1 Precipitação (mm/ano) r = 0,64 0 10 20 30 40 50 60 70 17 19 21 23 25 27 V1 Temperatura (°C) r = - 0,59 0 10 20 30 40 50 60 70 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 V1 DPV (kPa) r = - 0,52 0 10 20 30 40 50 60 70 0.0 100.0 200.0 300.0 V1 CAD (mm)

42 Figura 2. Relação entre as variáveis do grupo de produção (V1) e cada variável edafoclimática:

271

precipitação (A); temperatura (B); déficit de pressão de vapor (C) e capacidade de 272

armazenamento de água no solo (D). 273

As características de produção (DB e IMA) estão correlacionadas positivamente com a 274

PPT e negativamente com a T e o DPV. A PPT apresentou correlação forte com a variável 275

canônica V1 (0,64) (Figura 2 - A).

276

Correlações fortes com a variável canônica de produção (V1) foi verificada para a

277

variável T (correlação de -0,59)(Figura 2 – B). Resultado similar foi verificado para a variável 278

DPV, uma vez que é calculado em função da temperatura (Figura 2 - C). 279

A avaliação da PPT, T e DPV para a variável canônica V1 é considerada importante pois a

280

interação das mesmas com as variáveis de produção (V1) é significativa e provocam efeito nos

281

valores de DB e IMA, o que significa que as variações anatômicas na madeira em decorrência da 282

sazonalidade climática, traduzem-se em diferentes respostas de densidade básica e incremento 283

médio anual, devendo ser estas variáveis consideradas na escolha dos sítios de crescimento, a 284

depender da demanda e fim produtivo. A CAD não apresentou tendência significativa para ser 285

considerada na atuação das variáveis edafoclimáticas sobre a DB e o IMA (Figura 2-D). 286

Com base na correlação canônica, foi executada a análise de componentes principais 287

(ACP) e obteve-se como resultado um escore com representatividade de 78,95% da variância 288

total dos dados. Este resultado numérico (escore = 78,95%) significa que a componente principal 289

formada representa 80% das variáveis originais. Esta componente, portanto, foi utilizada para 290

ordenação (ranking) dos sítios, com base na similaridade ou dissimilaridade nos valores 291

observados para as variáveis de produção. A Figura 3 fornece o dendrograma de similaridade 292

obtido da análise de agrupamento. 293

Pelo ponto de corte estabelecido, conforme distância euclidiana adotada (1,0) como 294

sugerido por Mingoti (2005) e indicado na Figura 3 pela linha tracejada, observou-se a formação 295

de três grupos de condições edafoclimáticas distintas, sendo o primeiro, Grupo (A) - locais 30 e 296

26; o segundo, Grupo (B) - locais 31 e 15 e o terceiro, Grupo (C) - locais 20, 13, 7, 4, 22 e 2. 297

O escore significativo obtido na análise de componentes principais (aproximadamente 298

80% da variação total encontrada para as variáveis de produção) permitiu a formação de um 299

dendrograma consistente. A Tabela 2 representa os três grupos de sítios obtidos pela análise de 300

agrupamento e apresenta os valores médios das variáveis de produção e edafoclimáticas de cada 301

43 grupo. Observa-se que os sítios pertencentes a um mesmo grupo são similares entre si, com 302

relação às variáveis de produção e edafoclimáticas. 303

304

305

Local 306

Figura 3. Agrupamento dos 10 sítios em função das variáveis de produção quanto às variáveis 307

edafoclimáticas, obtido pelo método de ligação simples com uso da distância euclidiana. 308

309

O agrupamento dos sítios a partir de semelhanças em seus valores de variáveis de 310

produção, permitiu elucidar à influência das variáveis edafoclimáticas no ranqueamento dos 311

sítios, pois as respostas à estas variáveis traduziram em semelhança quanto aos valores de 312

densidade básica e incremento médio anual da madeira. 313 314 315 316 317 318

44 Tabela 2. Agrupamento dos sítios em função da similaridade dos valores de produção, a partir da 319

análise de componentes principais e do agrupamento pelo método de ligação simples, com base 320

na distância euclidiana. 321

Grupo Sítio Variáveis de produção Variáveis edafoclimáticas

DB IMA PPT T DPV CAD A 26 0.535 16.9 611.6 24.1 2.13 114.6 30 0.563 22.3 616.3 23.9 2.09 269.9 Média 0.549 19.6 614.0 24.0 2.11 192.3 B 15 0.480 19.5 1273.5 25.9 2.08 44.4 31 0.537 29.6 1130.7 23.1 1.27 73.6 Média 0.508 24.6 1202.1 24.5 1.68 59.0 C 2 0.463 48.9 1483.5 18.0 1.02 276.9 4 0.480 33.3 887.7 22.5 1.62 204.3 7 0.507 44.6 1540.3 23.0 1.88 21.8 13 0.499 44.1 1122.6 25.0 2.11 58.8 20 0.462 37.4 1384.4 22.0 1.76 167.7 22 0.450 49.6 1532.6 18.0 1.02 232.9 Média 0.477 43.0 1325.2 21.4 1.57 160.4 Média Geral 0.497 34.6 1158.3 22.6 1.70 146.5

PPT: precipitação média anual (mm.ano-1); DB: densidade básica da madeira (g.cm-3); T: temperatura média anual

322

(ºC); DPV: déficit de pressão de vapor máximo de água no ar (kPa); CAD: capacidade de armazenamento de água

323

no solo (mm); IMA: incremento médio anual medido aos 4 anos (m3/ha/ano).

324 325

Para compreender o comportamento dos clones em função das variáveis edafoclimáticas 326

foram elaborados gráficos de superfície. Esses gráficos expressam a análise exploratória dos 327

dados de incremento médio anual (IMA) e densidade básica da madeira (DB) de cada um dos 328

três clones (E5, G7 e P7), em resposta às influências da precipitação e da temperatura, sendo 329

estas variáveis as que mais contribuíram nos valores das variáveis de produção (Figuras 4 e 5). 330

Observa-se que os clones E5 e G7 são mais sensíveis com relação às variações climáticas 331

do que o clone P7, dado que a superfície contínua para o clone P7 apresenta-se menos inclinada, 332

o que pode ser um indicativo de pouca expressão quanto às variações climáticas. No entanto, é 333

possível inferir que vantagens podem ser verificadas em clones que sofrem pouca influência dos 334

fatores ambientais, principalmente, para àquelas empresas que buscam novas fronteiras 335

florestais, o que exige maior segurança quanto à escolha de um material genético que apresente 336

pouca variação às mudanças ambientais em diferentes sítios, e, promover maior estabilidade de 337

suprimento de madeira e segurança nas predições do comportamento dos clones. 338

45 Figura 4. Superfície de resposta para o incremento médio anual (IMA) dos clones E5, P7 e G7 em função da precipitação e da temperatura no período de 2012 a 2015.

46 Os clones E5 e G7 apresentaram-se mais responsivos com relação à densidade básica às 341

variáveis precipitação e temperatura do que o clone P7, sendo esta mesma tendência verificada 342

para as superfícies de resposta da variável incremento médio anual (IMA). 343

Figura 5. Superfície de resposta para a densidade básica da madeira (DB) dos clones E5, P7 e G7 em função da precipitação e da temperatura no período de 2012 a 2015.

47 Os menores incrementos médios anuais observados para o clone P7 traduziram-se em 344

maiores valores de densidade básica da madeira (Figura 5). Entretanto, há pouca ou nenhuma 345

variação da densidade básica quanto às características climáticas de precipitação e temperatura 346

para o referido clone. Por outro lado, os clones E5 e G7 diferiram vigorosamente em resposta à 347

temperatura e a precipitação. 348

349

4. Discussão

As técnicas de análises multivariadas de correlação canônica e componentes principais 350

(ACP) possibilitaram uma simplificação estrutural dos dados, de modo que a diversidade, 351

influenciada pelo conjunto de variáveis edafoclimáticas (PPT, T, DPVmax e CAD) possa ser a 352

avaliada por um complexo bidimensional (U1 (variáveis edafoclimáticas) x V1 (variáveis de 353

produção)). 354

As variáveis de qualidade da madeira e produtividade (DB e IMA) se relacionam e são 355

influenciadas pelos fatores ambientais, o que permite uma análise mais eficiente, informativa e 356

real ao serem exploradas em conjunto, como ocorre no meio ambiente. A análise de correlação 357

canônica permitiu identificar o grau de influência que cada variável edafoclimática têm sobre a 358

variável de produção (V1 = DB e IMA) de forma conjunta. Na análise de correlação canônica as 359

variáveis são analisadas conjuntamente e, por o IMA sofrer maior influência dos fatores 360

ambientais do que a DB, o IMA se altera em maior proporção, prevalecendo a correlação 361

positiva entre PPT e V1 (Figura 1 A), pois IMA e PPT se correlacionam positivamente. 362

Correlações lineares altas foram encontradas em 11 locais do Brasil entre as variáveis 363

climáticas (precipitação, temperatura, déficit de pressão de vapor, deficiência hídrica e índices de 364

sazonalidade de temperatura e precipitação) e a densidade básica e o incremento médio anual da 365

madeira de híbridos de E. urophylla, E. saligna, E. grandis x E. camaldulensis e E. grandis, aos 366

4 anos de idade (ROCHA, 2018). 367

A taxa de crescimento e a densidade básica da madeira podem ser fortemente 368

influenciadas em resposta às variações na temperatura. O comportamento do Eucalyptus 369

tereticornis relativo à diferentes faixas de temperatura, apresentou fortes declínios na capacidade

370

fotossintética e na respiração noturna das folhas com o aumento dessa variável (ASPINWALL et 371

al., 2016). 372

48 A ampla gama de respostas dos clones em função do gradiente geográfico estudado pelo 373

projeto TECHS, possibilita compreender a combinação de genótipos x sítios (BLINKEY et al., 374

2017). Isso é fundamental na seleção de clones para plantio operacional e na predição de 375

modelos estatísticos para estimar produtividade e qualidade do material genético. 376

A técnica de ACP, ao gerar escore que correspondeu a 80% da variância dos dados 377

originais, foi importante para pré-definição de três grupos por similaridade pela análise de 378

agrupamentos (clusters). Assim, 80% da variação da densidade básica e do incremento médio 379

anual dos clones foram explicados pelas variáveis precipitação, temperatura e déficit de pressão 380

de vapor máximo. O padrão de distribuição dos sítios nos grupos evidencia a diversidade de 381

resposta dos clones quanto às variáveis ambientais, gerando informações importantes para as 382

empresas que buscam aliar produtividade e qualidade da madeira a depender da demanda e do 383

fim produtivo. 384

Os sítios 30 e 26, correspondentes, respectivamente, a Bocuaiúva - MG e Coração de 385

Jesus - MG (Grupo A), apresentaram as menores médias de PPT e clones de menores IMA 386

(Tabela 2). Por outro lado, os sítios apresentaram maiores médias de DPV e os clones maiores 387

médias de DB (0.549 g.cm-3). Embora tenha sido constatado altos valores médios para a CAD

388

nos sítios do Grupo A em função dos solos serem mais argilosos (Tabela 1), as condições de 389

baixos índices pluviométricos para o período de 2012 a 2015, traduzem maior densidade básica e 390

menor incremento médio anual da madeira para os três clones (E5, G7 e P7). 391

Em sequência, o Grupo B, composto pelos sítios 15 e 31 (respectivamente, Brejinho do 392

Nazaré - TO e Eunápolis - BA), onde assemelham-se por apresentarem menores valores para 393

CAD, maior temperatura média e IMA com média de 24.6 m3/ha/ano. Apesar de possuírem

394

índices pluviométricos considerados altos (1202.1 mm.ano-1) com relação ao Grupo A,

395

provavelmente, as baixas médias para CAD reflitam em uma menor produtividade dos clones no 396

período avaliado, uma vez que, menor seria a quantidade de água no solo para absorção pelas 397

raízes, pois isso facilita a evaporação e perda de água do solo, tornando-a menos disponível. 398

Mesmo que neste estudo a variável CAD tenha sido estatisticamente não representativa ao se 399

considerar sua influência na DB e IMA, esse parâmetro fisico-hídrico tem importância 400

significativa em estudos de produtividade florestal, pois está relacionado com a disponibilidade 401

de água no solo. 402

49 O Grupo C (sítios 2, 4, 7, 13, 20 e 22) expressou os menores valores médios de densidade 403

básica, por outro lado, altos valores médios para incremento médio anual de madeira. Condições 404

ótimas de pluviosidade somado à menores temperaturas médias, exprimem em maior 405

produtividade florestal. Além disso, menores valores de DPV associado a baixas temperaturas, 406

garantem a eficiência de trocas gasosas e a realização de fotossíntese não é comprometida. No 407

entanto, é preciso considerar que o eucalipto responde bem à altos DPV (MACFARLANE; 408

WHITE; ADAMS, 2004) desde que tenha água disponível no solo, assim o crescimento não será 409

alterado, mas a combinação de alto DPV e deficiência hídrica no solo limita o crescimento. 410

Assim, com base na formação desses grupos, pode-se afirmar que, em geral, os sítios que 411

apresentaram maiores médias de índices pluviométricos (Grupo C - 2, 4, 7, 13, 20 e 22) 412

apresentaram os menores valores de DB e maiores médias de IMA. Adiciona-se a isso, as 413

menores médias com relação a temperatura e DPV, sendo indicativo de melhores condições de 414

crescimento para os clones de eucalipto. 415

Os maiores valores médios de DPV foram encontrados nos sítios 30 e 26. Estes valores 416

indicam que nestes sítios a umidade do ar é baixa, favorecendo o fechamento estomático e as 417

plantas ficam passíveis de redução da absorção de CO2 para realização da fotossíntese. Isto

418

dificulta a absorção de água pelas raízes que se dá pela diferença de pressão, provocando 419

menores taxas de crescimento e maiores densidades básicas (SANTIAGO et al., 2004). 420

Maiores IMAs foram encontrados para os clones E5 e G7 (Figura 4), por apresentarem 421

maiores sensibilidades às variações climáticas. Desse modo, maiores valores na variável 422

precipitação e menores temperaturas promoveram IMA interessantes para esses clones, acima de 423

40 m3/ha/ano. A taxa de crescimento do tronco da árvore é correlacionada com a precipitação e

424

temperatura, e estas variáveis aumentam a taxa de fotossíntese e, em seguida, a atividade cambial 425

(WIMMER et al., 2002; LACLAU et al., 2005; DREW et al., 2008). 426

A maior expressão do IMA é principalmente atribuída pela precipitação média anual, 427

visto que para temperatura, nota-se menor variação da curva, apesar de ser significante nos 428

valores da variável de interesse. Em estudo sobre as relações entre variáveis climáticas e 429

produtividade em lenho de árvores de Eucalyptus grandis, Sette Jr et al. (2016) notaram que as 430

variáveis precipitação e temperatura média estavam entre as selecionadas para explicar o 431

incremento do diâmetro do tronco. 432

50 A curva de sensibilidade para o clone E5 (Figura 5) mostrou que em condições de 433

menores precipitações e temperaturas, a densidade básica foi afetada negativamente. Esperava-se 434

o contrário para esta situação já que a densidade básica tende a aumentar sob condições críticas 435

de crescimento, como o déficit hídrico. Portanto, apesar de haver uma tendência quanto às 436

respostas da densidade aos fatores ambientais, esta não pode ser considerada uma regra, pois o 437

comportamento de cada clone sob diferentes condições de crescimento é inerente a cada material 438

genético. 439

Embora a densidade básica da madeira seja uma característica herdável (TAN et al. 440

2018), os estímulos causados pelas condições climáticas na atividade cambial das plantas, 441

principalmente pela disponibilidade de água no ambiente, causam mudanças significativas nas 442

características da madeira e no crescimento do tronco (DREW et al., 2009, 2010; SETTE Jr, 443

2010). Em geral, o aumento da densidade básica da madeira é resultado de baixas condições 444

hídricas (IBANEZ et al., 2017). 445

Valores contrastantes de densidade básica podem ser encontrados em eucaliptos em 446

função da variação na largura da parede celular e do tamanho do vaso (DOWNES et al., 1997). 447

Plantas que crescem sob condições de menor disponibilidade hídrica, induzem a formação de 448

vasos de tamanho reduzido. Isso é uma estratégia da planta para maximizar a condutividade 449

hidráulica e assim, maior densidade básica é encontrada pela área reduzida do vaso. O 450

incremento na densidade básica também pode ser devido ao aumento da espessura da parede 451

celular ocasionada pelo acúmulo de macromoléculas de celulose nas paredes secundárias das 452

fibras (SETTE Jr. et al., 2016). 453

É importante destacar que existem casos em que alguns clones não sofrem alteração de 454

densidade básica em diferentes ambientes. Isso foi observado por Barbosa et al. ( 2019), 455

estudando clones de E. grandis x E. urophylla, aos 6 anos de idade, encontraram que a variação 456

de densidade básica foi baixa quando sobre influência das condições edafoclimáticas. Entretanto, 457

neste estudo, as diferenças entre os regimes de precipitação e temperatura eram muito baixas, 458

impossibilitando conclusões sobre ambientes realmente contrastantes. Por ser considerada uma 459

característica herdável, a densidade básica geralmente sofre modificações, primariamente, em 460

função da idade e depois pelas condições edafoclimáticas (TAN et al., 2018). 461

A densidade básica da madeira está associada à outras características das árvores 462

relacionadas ao seu uso final. Seu conhecimento pode ser utilizado como indicador de manejo e 463

51 conservação, possibilitando a escolha do material genético que confira qualidade aos produtos 464

finais, impulsionando potenciais usos da madeira (PADILHA; MARCO JR, 2018). 465

É evidente que diferentes materiais genéticos, mesmo ao serem implantados nos mesmos 466

ambientes apresentam divergências em suas respostas quanto aos valores de densidade básica e 467

incremento médio anual da madeira. Contudo, o IMA apresenta maior responsividade às 468

variáveis meteorológicas do que à densidade básica da madeira com base no perfil de 469

desempenho dos gráficos de superfície, sendo estas respostas importantes para fins práticos, 470

quando da escolha dos clones conforme suas respostas à produção volumétrica e de densidade 471

básica. 472

473

5. Conclusão

A precipitação, temperatura e o déficit de pressão de vapor máximo foram as variáveis 474

mais correlacionadas com as variáveis-resposta (DB e IMA). Por outro lado, não foi verificado 475

correlação entre as variáveis de produção e a CAD. 476

As variáveis ambientais (PPT, T, DPV e CAD) quando analisadas de forma conjunta 477

permitiram uma avaliação representativa do ambiente e indicaram diferentes relações com a DB 478

e o IMA. 479

A densidade básica e o incremento médio anual da madeira dos três clones de eucalipto 480

(E5 – E. urophylla; G7 – E. urophylla e P7 – E. urophylla x E. brassiana) expressaram respostas 481

diferentes às variáveis climáticas de temperatura e precipitação. Os clones E5 e G7 mostraram-se 482

mais sensíveis às variações climáticas nos diferentes sítios do que o clone P7. As respostas de 483

DB e IMA são clone-específicas e o IMA altera-se em maior proporção frente às variações 484

ambientais do que a DB. 485

Além disso, é importante destacar que o material genético ainda é muito jovem e a

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