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Mode 2 Operation [General]

3. DEVICE APPLICATION

3.1.3 Mode 2 Operation [General]

Qualidade da água

As análises de variância (α=0,05) não identificaram diferenças expressivas entre os níveis de variáveis físico-químicas apresentados entre os tratamentos. O beijupirá pode tolerar a exposição a salinidades baixas de até 5 ppt por curtos períodos de tempo, porém o desempenho em crescimento, capacidade imunológica e sobrevivência são prejudicados tornando seu cultivo inviável. Dessa forma, níveis de salinidade entre 15 e 30 ppt são ótimos para seu cultivo, como demonstrado no trabalho de Denson et al.(2003). Outro ponto ressaltado pelos autores versa sobre a temperatura, cuja faixa ideal está entre 26 a 30 ºC. Durante o período de cultivo do presente trabalho os níveis de salinidade e temperatura mantiveram-se entre valores considerados ideais por Denson.

Os valores de oxigênio dissolvido observados nos dois tratamentos mantiveram-se acima de 4 mg/L-1 em todo o período de cultivo, nível mínimo recomendado para a espécie por LIAO et al., 2004. Nos tratamentos os valores de oxigênio foram discretamente mais elevados no de maior densidade nos períodos entre a primeira e terceira biometria, assim como entre a última e a penúltima, diferente do que foi observado no experimento de Brandão et. al. (2005), cujos valores médios de oxigênio foram menores nos tratamentos com maior densidade em cultivo de matrinxã (Brycon amazonicus).

Entretanto, apesar dos níveis mais elevados no tratamento de maior densidade, a análise de variância ANOVA (α=0,05) estimada para os valores médios de oxigênio dissolvido - em relação aos tratamentos do presente trabalho - demonstrou que não houve diferença estatisticamente significativa entre os resultados.

Segundo Iyasele et. al. (2015), a condutividade elétrica está diretamente relacionada aos sólidos totais dissolvidos, pois estes em sua maior parte consistem em constituintes iônicos capazes de conduzir correntes elétricas. Entre eles estão sais dissolvidos, portanto quanto maiores forem os níveis de salinidade da água, maiores serão os valores daqueles e, consequentemente, da condutividade elétrica. Dessa forma, isso elucida a proporcionalidade nos níveis dessas variáveis, que pode ser visualizada nos resultados obtidos no presente estudo.

A ocorrência de chuvas intensas no período entre a penúltima e última biometria justifica o declínio nos valores de salinidade, consequentemente, houve declínio nos valores de condutividade elétrica e sólidos totais dissolvidos.

Sobrevivência e crescimento

A sobrevivência foi discretamente mais elevada no tratamento de menor densidade, porém a análise de variância (α=0,05) não identificou diferença expressiva entre os dois tratamentos. Segundo Liao et. al. (2004), a sobrevivência em fazendas marinhas de pequeno porte variam de 50 a 70%.

Tabela 25 : Comparação entre trabalhos cujos resultados dos tratamentos com menor

densidade obtiveram o melhor desempenho.

Referência Densidade Peso inicial

Peso final

Ganho

de peso Duração Sobrevivência FCA TCE Este trabalho 5,5 peixes/m³ 4,3 g 144,25 g 139,95 g 64 dias 91,73% 1,24 1,63 %/dia 11 peixes/m³ 4,41 g 118,41 g 113,59 g 64 dias 87,35% 1,5 1,35 %/dia Philipose et al.(2013) 3,5 peixes/m³ 15 g 10.500 g 10.485 g 300 dias 90% 1,4 2,2 %/dia 14,1 peixes/m³ 15 g 3.680 g 3.668 g 300 dias 75% 1.75 1,9 %/dia Webb. Jr et al.(2007) 0,04 g/L 6,7 g 184,05 g 177,34 g 70 dias ≥ 96% 0.96 - 0,22 g/L 6,7 g 169,04 g 162,34 g 70 dias ≥ 96% 1.04 -

Ao final do experimento foi possível identificar diferença estatística de crescimento entre os dois tratamentos, sendo o melhor desempenho observado no de menor densidade. Os resultados deste trabalho foram semelhantes aos observados por Liao et. al. (2004). Segundo ele, em um experimento com alevinos de beijupirá de 4 a 8 g alimentados com ração comercial até a saciedade seis vezes

ao dia, em sistema de recirculação, com quatro densidades de estocagem diferentes (125, 250, 370 e 500 peixes/m³), os resultados obtidos demonstraram que o tratamento com menor densidade obteve melhor resultado em termos de ganho de peso (média inicial de 7,1 g e final de 92,1g), crescimento específico (8.6% / dia), taxa de sobrevivência (97,8%) e fator de conversão alimentar aparente (0,96). Nesse, foi possível notar que à medida que a densidade aumenta, o desempenho em crescimento dos alevinos diminui, assim como seus pesos finais.

Resultados análogos também foram obtidos por Philipose et al., através de cultivo (com 300 dias de duração) em dois tratamentos com densidades 3,5 e 14,1 peixes/m³ em gaiolas flutuantes de uma fazenda marinha, em que os peixes foram alimentados com sardinha fresca picada. Ao final do cultivo, o peso individual médio foi mais elevado no tratamento de menor densidade, nesse 10.500 g e 3.680 g no de maior.

Em contraposição, a presente investigação demonstrou resultados diferentes aos obtidos por Webb. Jr et. al. (2007), ), com juvenis de beijupirá alimentados até a saciedade duas vezes ao dia com dieta comercial, cujas densidades utilizadas foram 0,04; 0,22 e 0,44 g de peixe/L, não apresentando diferenças significativas com relação ao peso médio entre os tratamentos. Apesar disso, Webb obteve melhor eficiência alimentar no tratamento de menor densidade (0.04), cujos dados apresentados foram de 0,96 (± 0,02) e 1,04 (± 0,03) naquele de 0.22 g de peixe/L.

Neste trabalho, cujas densidades médias de peixes/m³ eram de 5,55 (± 0,29) no tratamento 1 e 11,23 (± 0,31) no 2, verificou-se através da análise de variância (ANOVA) que não houve diferenças estatísticas significativas em relação ao comprimento total médio dos tratamentos.

Foram realizadas análises de significância ANOVA (α=0,05) entre os tratamentos para os fatores de conversão alimentar aparente e a taxa de crescimento específico, cujos resultados mostraram que houve diferença estatística significativa entre eles, tendo melhor desempenho naquele de menor densidade. O mesmo resultado foi verificado nos trabalhos de Philipose et al. (2004), LIAO et al., (2004) e Webb. Jr et. al. (2007).

Durante as biometrias os demonstraram sinais de estresse, após a realização delas permaneciam apáticos no fundo dos tanques por cerca de 1 hora, porém poucas horas depois voltavam a apresentar comportamento normal e a se alimentar vorazmente. Pode-se concluir que a metodologia utilizada para reduzir o estresse dos peixes durante as biometrias foi eficaz, pois não houve mortalidade nos dias que as seguiram.

No período experimental foi foram contabilizados 5 peixes de tratamentos distintos que possuíam deformações morfológicas em suas bocas e por isso não conseguiam se alimentar, além disso outros 4 peixes também de tratamentos distintos não demonstravam interesse no alimento nos primeiros dias de cultivo, isso os levou a morte na segunda semana do experimento. Após esses fatos não foram mais registradas mortes dentro dos tanques, porém, por volta da 6ª semana de experimento alguns peixes passaram a pular dos tanques sem motivo aparente, resultando na diminuição da taxa de sobrevivência nos dois tratamentos.

Quanto ao seu comportamento alimentar, foi possível observar que os mesmos se alimentavam tranquilamente nos primeiros dias após as biometrias, porém poucos dias antes das biometrias subsequentes tornavam-se mais agitados durante os horários de alimentação, possivelmente porque a quantidade ofertada não era mais suficiente para suprir suas demandas fisiológicas. No entanto, nos dias seguintes ao reajuste da ração seu comportamento voltava a ficar calmo durante as refeições, esse ciclo perdurou por todo o experimento. Isso pode indicar que a taxa de arraçoamento utilizada (8% da biomassa) foi ideal para o cultivo, pois os animais ficaram saciados e não houve sobras de ração em nenhum momento durante o experimento.

Os valores do fator de condição médios elevaram-se gradativamente no decorrer do cultivo, mostrando-se mais elevados no tratamento 1. As análises de significância ANOVA (α=0,05) entre os tratamentos mostrou que houve diferença significativa entre eles. Esse resultado confirma que a densidade mais elevada do tratamento 2 afetou o bem estar dos animais tornando as condições ambientais menos favoráveis para o cultivo, dessa forma isso acabou influenciando negativamente o crescimento desses animais.

Os resultados obtidos revelaram que à medida que a biomassa dos tratamentos aumentou ocorreu elevação nos fatores de conversão alimentar aparentes e diminuição nas médias das taxas de conversão alimentar dos dois tratamentos, indicando que a densidade influenciou o desempenho no crescimento dos animais. Comparando os tratamentos por meio das análises de variância foi possível concluir que o tratamento com menor densidade obteve melhor desempenho no crescimento.

Dessa forma, com os resultados obtidos no presente estudo - que contemplaram testes com duas diferentes densidades, informações a respeito da influência destas sobre as variáveis abióticas da água e desempenho dos peixes - espera-se que ele possa fornecer dados para o desenvolvimento de técnicas e metodologias que no futuro aumentem a produtividade no cultivo do beijupirá e de outras espécies, a fim de desenvolver a piscicultura no Brasil e contribuir para geração de alimento com alto teor proteico.

6 CONCLUSÃO

De modo geral observou-se que a densidade promove variações no crescimento dos exemplares e na taxa de conversão alimentar dos mesmos. Isso demonstrou que mesmo em condições com baixas densidades, é possível identificar a atuação negativa que a mesma exerce sobre o desempenho dos peixes e seu comportamento.

Ademais, a avaliação desta demonstrou ser importante para o cultivo de peixes em densidades mais elevadas, promovendo possível aumento na obtenção de lucro, assim como da produtividade e economia na quantidade de ração utilizada.

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