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- MODALITÉS DU CONCOURS D’ENTREE

Dans le document REGLEMENT DES ETUDES (Page 34-37)

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7.1 Um conjunto de mirabilia ou elementos de um projecto urbano integrado

A acção edificatória de D. Miguel da Silva, no couto de São João da Foz, desenhada por Francesco da Cremona parece lançar os princípios de uma fundação urbana, concebida à imagem de uma cidade portuária antiga. A sua viabilidade começa a ganhar contornos mais claros com um surto de crescimento populacional que se dá em meados do século XVI332.

O projecto global surge como uma evocação e a imitação de exemplos de antigo. A cidade de

Halicarnassso, citada por Vitrúvio e pelos tratadistas de Quatrocentos, concede uma referência de princípio, mas poderá ter sido a sua figura recriada por Cesare Cesariano, na ilustração do tratado de Vitrúvio, publicado em 1521, a deter um lugar importante na concepção do projecto da Foz.

O reconhecimento de que terá sido visado um plano alargado será feito em dois momentos de análise: (1) através dos aspectos que qualificam o projecto da Foz como assento de urbanidade; (2) através dos sinais que identificam positivamente os elementos de uma estrutura portuária.

A fundação de um lugar urbano, esse parece ter sido o projecto de Francesco da Cremona, e não apenas uma tematização de um antigo imaginado como um conjunto de mirabilia: o mausoléu de Halicarnasso, o colosso de Rodes, o farol de Alexandria e o porto romano de Ostia, evocado na obra de um templete que se ergueria, no meio do rio, com uma estátua apresentando o deus Portunus.

Do mesmo modo que as citações de natureza literária informaram a ideia de D. Miguel da Silva, a investigação das obras do antigo, o seu levantamento e desenho traçam os contornos do trabalho de projecto de Francesco da Cremona. Uma síncrese de figuras literárias invocadas no princípio da ideia. Na sua conformação, o debate arquitectónico que desenha a sua interpretação.

7.2 Ostia, o porto e o farol

Na perspectiva de estudo do antigo, o porto e a cidade de Ostia suscitam uma intensa trama de referências que remonta aos fundamentos da história latina e se entrecruza com a fundação e a história da cidade de Roma.

No Renascimento, o conhecimento da antiga colónia romana era fundamentalmente diferente do actual. Continuava a prática de centúrias antecedentes de exploração de materiais das ruínas das edificações antigas. Em especial os mármores começam a ser encaminhados, desde a segunda metade do século XV, para a fábrica de São Pedro de Roma333. Têm início estudos científicos que implicam o levantamento de obras e a recolha de elementos de epigrafia334, mas ainda permanece por descobrir uma grande parte da estrutura urbana335.

332. Em 1527, o Numeramento registava 286 habitantes no couto de São João da Foz. Já em 1551, o lugar teria cerca de 450 vizinhos e fogos, «os quais eram todos mareantes e pescadores» e, ao que parece, eram eles quem, nessa altura, abasteciam a cidade de peixe fresco». Silva 1988, Vol. I : 187-188. Os números reflectem a dinâmica das indústrias do mar, da navegação e do comércio do burgo portuense.

333. Ilaria Bignamini, "Histoire de la découverte et de la recherche: du Moyen Age à 1800", in Ostia : port et porte de la Rome antique, sous la direction de Jean-Paul Descoeudres (Genève : Musées d'Art et d'Histoire ; Georg Editeur , 2001) : 42. (=Bignamini 2001).

334. As memórias de Fra’ Giocondo contêm informação sobre inscrições de Ostia. A presença do arquitecto no local atesta um interesse erudito pelo estudo do antigo, mas sobretudo poderia estar relacionada com a exploração de materiais e escolha de mármores para a obra da basílica nova. (R. Lanciani,

Storia degli scavi di Roma e Notizie intorno le Cellezioni Romane di Antichità, 7 vol. 1989 sq, I : 216-221. In Bignamini 2001 : 46(14)). Este facto é parti-

cularmente interessante, porque, em 1514, Francesco da Cremona encontra-se a trabalhar no estaleiro da fábrica de São Pedro, numa parte da obra cuja res- ponsabilidade pode ser reconduzida a Fra’ Giocondo. Ver .

335. Aliás, os portos de Cláudio e de Trajano, que surgiam como lagos ou lagoas, apenas começam a ser compreendidos no decurso de trabalhos realiza- dos na embocadura do Tibre a partir de 1539. As obras são suspensas em 1557, após uma enchente do rio que altera profundamente a morfologia de Ostia. Bignamini 2001 : 42.

A imaginação da obra, referências de iconografia antiga | Ostia, o porto e o farol

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De Ostia para a obra de São Miguel o Anjo, interessaria, neste contexto, anotar os pontos que parecem ter tido alguma incidência na formação da ideia da obra e no desenho do projecto, por via de um conhecimento directo e por insondáveis linhas de informação mediada.

7.2.1 O porto e o farol de Cláudio

É importante a iconografia antiga e medieval, conhecida por via de exemplares numismáticos e reportada em imagens de cartografia antiga que singularizou traços distintivos da estrutura urbana. Destacam-se imagens dos portos e do farol que ilustram genericamente uma ideia de porto e dos seus equipamentos, ou

particularizam a configuração hexagonal do porto de Trajano.

Tem especial interesse uma vinheta da carta de Peutinger336 [38] que representa uma estrutura portuária de traçado encurvado, com um molhe ligado a terra, pontuado no seu extremo por um farol que se conjuga com um outro farol implantado num ilhéu no meio das águas337. No século XV, a ideia do porto com molhes encurvados é tematizada por Francesco di Giorgio, no apontamento de vistas de estruturas urbanas e portuárias que integram os Trattati [40]338. E na edição de 1521 de Vitrúvio, o mesmo apontamento do porto de Ostia parece ter inspirado a figura da cidade de Halicarnasso imaginada por Cesare Cesariano [42]339.

Uma outra indicação importante é dada pela figura do farol do porto de Cláudio, considerando as condições da sua implantação e a imagem ícone por meio da qual teria sido conhecido [35,36]. Contudo, seria

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