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1.3 H´ et´ erog´ en´ eit´ es atmosph´ eriques

1.3.2 Mod´ elisation

Diversos projetos têm encorajado os habitantes a desenhar e modelar seu território e recursos, decidindo o que incluir, o que apagar e como modificar detalhes, argumentando que tais projetos podem aperfeiçoar a administração, identificar questões estratégicas que interessam à comunidade e indicar caminhos úteis para atingir seus objetivos, transformar planos em ações e organizar os membros da comunidade (CRAIG e ELWOOD, 1998; FOX, 1998).

A escolha pelo método a ser usado no mapeamento participativo depende da infraestrutura disponível, da habilidade da equipe facilitadora, do tempo dos e recursos disponíveis para o trabalho. Os mapas impressos, além da fácil utilização e entendimento, apresentam vantagem no uso em locais sem energia elétrica.

Dentre as vantagens no uso do SIG Desktop, destaca-se o baixo custo, já que não envolve o gasto com impressões, e a possibilidade de dar zoom. Entretanto, a maior vantagem observada é a facilidade que o SIG traz para a alteração instantânea do mapa apresentado. Assim, caso haja alguma discordância sobre alguma feição ou algum enquadramento proposto, é possível alterá-lo de imediato antes que o conflito aumente, e só após a discussão e o consenso no grupo, refazer o desenho.

É muito importante considerar o público-alvo na elaboração de um mapa, de forma que há aqueles que preferem informações resumidas e de fácil entendimento e há aqueles que preferem ver um maior número de informações ao mesmo tempo. Em um mapa impresso, a tarefa de agradar a públicos-alvo diferentes é difícil, enquanto que em um ambiente SIG, é possível simplificar a visualização, desligar dados, alterar cores, etc. O QUADRO 9 apresenta uma lista dos pontos positivos e negativos observados no uso das duas técnicas de mapeamento participativo durante os trabalhos executados pela SMA.

QUADRO 9 – PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO USO DE SIG DESKTOP E MAPAS IMPRESSOS NO TRABALHO DE MAPEAMENTO PARTICIPATIVO

SIG Desktop

Mapa em papel

Pontos

positivos

 Sem custos com impressões;  Os participantes conseguem ver

imediatamente suas contribuições no mapa;  Maior confiabilidade de que as alterações

estão sendo incorporadas;

 Possibilita o preenchimento instantâneo da discussão no próprio BDG.

 Simples medição de distâncias e áreas;  Ferramentas de navegação (principalmente

zoom) ajudam a tirar dúvidas sobre o território;

 Possibilita ativar e desativar camadas (planos de informação), permitindo assim que se tenha um maior número de informações disponíveis durante a reunião, sem poluir visualmente o mapa;

 Pode ser facilmente enviado a diversas pessoas sem necessidade de conversão;  Funciona como capacitação de alguns atores-

chave, na medida em que se força o seu uso;  Os jovens tendem a se interessar mais pelos

trabalhos envolvendo tecnologia;

 É mais simples fazer anotações à mão no mapa em papel e em etiquetas;

 Pode-se deixar uma cópia do mapa com os participantes, para conferência e como registro oficial da negociação;

 Pode ser colocado lado a lado com outro mapa, para comparação, o que às vezes é difícil em uma tela pequena.

 Normalmente, as pessoas mais velhas (e que muitas vezes detém o conhecimento histórico do território) se sentem mais à vontade com mapas em papel;

 Pode-se ‘obrigar’ a participação de todos, dando etiquetas identificáveis que ‘precisem’ ser colocadas no mapa.

 Debruçar-se sobre o mapa chama mais atenção do que uma visão do mapa na tela, principalmente com o público mais velho.

Pontos

negativos

 Requer habilidade do facilitador;

 Geralmente, são poucos técnicos capacitados para operar os softwares de GIS;

 A possibilidade de dar zoom, principalmente sobre fotografias aéreas, tende a desviar do objetivo e da escala do trabalho, gerando discussões demasiadamente detalhadas, que podem não ter fim;

 Necessita energia elétrica;

 Pode ocorrer algum problema com o computador ou o programa;

 Pode ocorrer alguma exclusão ou alteração acidental dos arquivos digitais;

 Reprime a participação de pessoas que não tenham familiaridade com computadores, especialmente os mais velhos ou de menor escolaridade.

 Falta de credibilidade pelo corpo técnico, especialmente os mais antigos.

 Maior gasto com plotagens e impressões diversas;

 Pode gerar desconfiança por parte dos participantes, se a equipe técnica colocará todos os acordos no mapa;

 Medição de distâncias e cálculo de área é complicado e depende da leitura da escala;  O arquivamento dos mapas nos autos, com

anotações e etiquetas não é prático;  Dependendo do número de anotações, pode

ser difícil entendê-las após a reunião;  A inserção no SIG das anotações no mapa

precisa ser feita logo após a reunião, para não correr o risco de esquecer os acordos;  Dependendo da qualidade das canetas e

etiquetas, as anotações podem se perder com o tempo.

Ressalta-se que, mesmo para o trabalho com os mapas em papel, houve uma etapa preliminar que utilizou o SIG para confeccionar os mapas, e uma etapa posterior para o lançamento das alterações no SIG. Portanto, não se consideram como pontos negativos, a necessidade de bases cartográficas ou imagens, ou o tempo de organização do BDG ou ainda o tempo de confecção dos mapas, pois entende-se que ambas as técnicas demandam esforço e tempo semelhante para a montagem dos mapas, seja impresso ou em arquivo digital.

Eu sou favorável a esse tipo de ação, porque instrumentaliza os caras e para com esse vai-e-vem aqui na sede. Não precisa nada disso. [...] Pra que mandar o gerente do interior vir aqui, se você pode fazer a mesma conversa on-line, na tela? Não é muito mais simples? Conferência virtual, por exemplo. E tem mais: a tecnologia está ficando cada vez mais barata. Por que não usar? (Entrevistado 1)

Alguns pesquisadores de PGIS (SIEBER, 2006; WOOD, 2005) retratam possíveis problemas de exclusão social com o uso de SIG para a tomada de decisão, argumentando que ao mesmo tempo em que empodera aqueles que detêm o domínio das ferramentas SIG (ou, ao menos, a facilidade para aprender as técnicas), prejudica aqueles que possuem maiores limitações (técnicas e financeiras), o que desbalanceia o processo de tomada de decisão. Assim, o trabalho envolvendo mapeamento participativo com mapas impressos, principalmente com as comunidades rurais ainda deve continuar sendo utilizado. Por outro lado, quando se fala dos atores técnicos, como o pessoal das prefeituras, o encorajamento para o uso de SIG é importante não só para o produto final, mas para o processo em si, como forma de capacitação.