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Importance des Zones de Diffusion Gradient et Contre-Gradient

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Portela (2004) considera que o ato de fazer deduções, a partir das informações explícitas de um texto, constitui uma das mais importantes habilidades de leitura, visto que, através dela, o leitor consegue sair da superfície textual e avançar para camadas mais profundas, desvendando os sentidos implícitos, que demandam mais esforço para quer se ocorra uma compreensão mais efetiva.

Ao tratar dos implícitos, Ducrot (1972, p.13) afirma que as línguas não podem ser vistas como simples códigos decifráveis pois, segundo ele, pensar assim “seria admitir que todos os conteúdos expressos graças a elas são exprimidos de maneira explícita”, o que não acontece somente assim de fato, visto que, segundo o autor, num enunciado, existem formas e expressões que permitem deixar entender e alcançar o não-dito pelo autor do texto.

Assim, o implícito seria “aquilo que não pode ou não deve ser dito por inúmeras e diferentes razões” (PORTELA, 2004, p. 74) e que se encontra submerso na superfície textual, necessitando que o leitor se esforce para desvendá-lo. Desse modo, Ducrot (1972, p. 17) afirma que “o implícito não deve ser procurado no nível do enunciado, como prolongamento do nível explícito”, mas que precisa ser buscado no nível mais profundo do texto através da realização de deduções.

A manifestação dos sentidos implícitos pode se realizar através da pressuposição, dos subentendidos e das implicaturas (PORTELA, 2004), que, por sua vez, apresentam elementos que, em associação ao repertório sociocultural do leitor, permitem a interpretação do conteúdo implícito e a identificação, no enunciado, das intenções, dos valores e das ideologias defendidas pelo produtor do texto (PORTELA, 2004).

Baseada nos estudos de Ducrot e Zandwais (1990) afirma que, no componente linguístico, existem tanto significados literais como significados não-literais e que, por conta disso, o autor denomina de posto as significações literais e de pressuposto as significações não-literais, que podem ser inferidas da enunciação de uma sentença. Em vista disso, segundo a autora,

[...] se o interlocutor é capaz de reconhecer os pressupostos contidos na enunciação, pode refutá-los, desafiando o locutor, fazendo com que este assuma a responsabilidade de suas acusações, ou simplesmente cessando o debate, já que a recusa à confirmação de determinados sentidos implícitos nos enunciados pode desarmar o locutor (ZANDWAIS, 1990, p. 24).

Tal fato acontece porque a pressuposição é vista, pela autora, como um ato particular de fala que permite aos falantes de uma língua veicular um número ilimitado de informações que não podem ser colocadas sob sua responsabilidade a não ser que sejam apreendidas pelo leitor/ouvinte, através da associação entre a informação apresentada e o conhecimento que possui. Assim, para que essa associação aconteça, é necessário, também, que o leitor/ouvinte esteja atento às pistas deixadas pelo autor/falante no momento da comunicação.

Existem, segundo Koch (1998) algumas palavras ou expressões que funcionam como operadores, cuja função é introduzir conteúdos pressupostos nos enunciados, como as palavras já, ainda, agora; os verbos que indicam mudança ou permanência de estado como ficar, começar a, passar a, deixar de, continuar, permanecer, tornar-se; os verbos “factivos”, de estado psicológico como lamentar, lastimar, sentir; e alguns conectores circunstanciais como desde que, antes que, depois de que. Esses operadores, para Moura (1999), servem para ativar os pressupostos e permitir que eles sejam inferidos a partir do sentido literal das palavras existentes em uma sentença, favorecendo a compreensão.

Os subentendidos, por sua vez, segundo Ducrot (1987), constituem a maneira pela qual o sentido dos enunciados deve ser construído pelo interlocutor o que, em outras palavras, segundo Portela (2004, p. 83), significa as “informações que estão escondidas por trás de uma afirmação em um contexto determinado” e podem ser apreendidas pelo leitor/ouvinte através da conclusão a que se chega a partir de um conteúdo dado, possibilitando várias interpretações, uma vez que a associação de informações explícitas com o conhecimento do leitor, em determinado contexto de comunicação, pode gerar conhecimentos diversos para cada interlocutor.

Outra forma de realização dos implícitos empregada com frequência são as implicaturas que, de acordo com Moura (1999, p. 13), constitui “um tipo de inferência pragmática baseada não no sentido literal nas palavras, mas naquilo que o locutor pretendeu transmitir ao interlocutor” numa situação de comunicação.

Ao estudar os efeitos de sentido que vão além do sentido literal das palavras, Grice, filósofo norte-americano, em seu artigo Lógica e Conversação, tenta explicar como é possível que um enunciado signifique mais do que está expresso nas palavras que o compõem. Segundo o autor, existe um princípio básico para que a comunicação ocorra, o “Princípio da Cooperação” (GRICE, 1982 apud KOCH, 1998, p. 27). Segundo esse princípio, “quando duas pessoas se propõem a interagir verbalmente, elas normalmente irão cooperar para que a interlocução transcorra de maneira adequada” e essa cooperação acontece quando

os envolvidos no ato de comunicação respeitam as quatro máximas ou postulados que regem a implicatura conversacional, apresentadas por Grice (1982 apud KOCH, 1998). São elas:

a) Máxima da Quantidade: ser informativo na medida certa, sem falar mais ou menos que o necessário;

b) Máxima da Qualidade: ser sincero e não falar o que não seja verdadeiro;

c) Máxima da Relevância: ser relevante e falar somente o que é importante para o contexto de comunicação;

d) Máxima de Modo: ser claro, evitando a obscuridade e a prolixidade.

Caso alguma dessas máximas seja violada ou se sobreponha às outras, Kato (1990, p. 44) afirma que deve existir um “acordo tácito” entre o locutor e o interlocutor, a fim de que a intenção do falante ou do autor não seja prejudicada, esse acordo corresponde ao princípio de cooperação apresentado por Grice (1982 apud KOCH, 1998) e contribui para que a construção de sentidos, no momento da comunicação, aconteça, de modo a produzir a menor quantidade possível de ruídos ou de falhas.

O Princípio da Cooperação postulado por Grice (1982 apud KOCH, 1998), para tratar das construções de sentido no ato comunicacional, também pode ser aplicado à leitura, uma vez que, para Marcuschi (1985, p. 20) “o texto é uma espécie de estímulo intermediário entre o autor e o leitor” que “submete-se a estabilizadores internos e externos para formar uma unidade de sentido”, favorecendo para que a construção de inferências aconteça através da associação entre esses estabilizadores, como forma de garantir o sentido do texto.

Ao realizar esse processo, o leitor utiliza-se de estratégias variadas, como a realização de previsões, a construção de hipóteses que poderão ou não ser confirmadas e a reflexão por meio de deduções e induções. Desse modo, Kato (1993) afirma que o leitor utiliza pistas confirmadoras de suas antecipações e, caso suas hipóteses não se confirmem, ele opera com omissões, substituições e acréscimos, de modo a estabelecer uma relação de sentido para o que está lendo.

Como estamos tratando da leitura sob a perspectiva da construção de sentidos através da compreensão das informações implícitas e da construção de inferências para o texto, na seção seguinte abordaremos a respeito da Teoria da Relevância, que nos apresenta um modelo de comunicação inferencial ostensiva.

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