Contexte th´ eorique
1.2 Rappels sur la mod´ elisation du noyau atomique
1.2.5 Le mod` ele rotationnel
Os “líricos do ser e da presença (religiosa, erótica ou social)” (Bosi, [...]: 515) –
Murilo, Jorge de Lima, Schmidt e Vinicius – talvez tenham preparado o ambiente literário
para as traduções de Blake no Brasil. Bosi ([...]: 503-4) identifica “certos arrancos erótico-
místicos que lembram a poesia prometeica de William Blake” em poemas como “Amor-Vida”
e “A Marcha da História” de Murilo Mendes. A “direção da objetividade” (Bosi, [...]: 523)
que as pressões históricas deram à poesia brasileira criou condições para um Mário Faustino,
com “a riqueza, subjetiva e inovadora, dos seus textos constelados de mitos dionisíacos e, ao
mesmo tempo, centrados na exploração dos significantes” (Bosi, [...]: 530). Uma riqueza que,
para Bosi ([...]: 530), deve-se em parte “Ao lastro neo-simbolista e surrealista, à influência de
Blake, Rimbaud, Nietzsche, Dylan Thomas e do nosso Jorge de Lima”, somados, na segunda
fase da sua produção, à “presença do imagismo de Pound e de Cummings” (Bosi, [...]: 530).
Como na poesia concreta “o material significante assume o primeiro plano”, parece natural
que os tradutores direta ou indiretamente envolvidos pela tendência concretista se sentissem
atraídos pela primeira fase de Blake, na qual ele, afirma T.S. Eliot, “se interessa pela beleza
verbal” (in Blake, 1984: 19), em poemas “tecnicamente admiráveis” (Eliot in Blake, 1984:
18).
Minha breve pesquisa sobre as traduções de Blake mostra que é uma tendência geral
no Ocidente os livros The Marriage e Songs serem preferidos para as primeiras (re)traduções
do poeta. Percebendo esta tendência, a tradutora espanhola Elena Valentí sugere que Blake
vinha sendo recebido de duas maneiras. Ela afirma que
Al contrario del entusiasmo con que Yeats acogió la poesía de Blake, la
opinión más corriente hasta hace poco entre los pocos que le han leído es
que fue buen poeta lírico en sus tres primeros libros y en los poemas breves
que quedaron en manuscrito, pero se ha considerado sus libros proféticos
como confusos e inteligibles (Valentí in Blake, 1977: 49).
Por outro lado, nota Valentí, “entre los ambientes de la contracultura anglosajona” (Valentí in
Blake, 1977: 49) – os mesmos ambientes que Willer (2005) menciona – “se le ha vuelto a
revalorizar, de nuevo por su anticientifismo, por su peculiar modo de protesta social y,
sobretodo, por su convicción de que el hombre posee una capacidad visionaria que le pone en
contato con un nivel más autenticamente real que el de la realidad objetiva” (Valentí in Blake,
1977: 49-50). Por essas características, diz Valentí (in Blake, 1977: 50), Blake serviu para
justificar a veia psicodélica de certos artistas contemporâneos, apoiando-se eles nas suas
palavras sobre a arte como expressão de um nível superior do espírito.
Assim, diz-se que “Recently, Blake had a particularly marked influence on The Beat
Generation and the English poets of the Underground movement, hailed […] as a liberator”
(Drabble & Stringer, 1996: 60). Um desses artistas é, sem dúvida, Allen Ginsberg (1926-
1997), que inclusive musicou as Songs of Innocence and of Experience. A gravação contou
com a participação de Bob Dylan na faixa “A Dream”
12.
Outro poeta beat declaradamente influenciado pela poesia blakeana é Michael
McClure (Foley, 2001). Atualmente envolvido em vários projetos, de cinema a recitais, com
Ray Manzarek, tecladista da banda The Doors, McClure foi amigo de Jim Morrison, a quem
incentivou a publicar seu The Lords: Notes on Vision (McClure, 2004).
Morrison teria se tornado leitor de Blake através de Michael McClure (Lopes, 2006).
O nome de sua banda, The Doors, foi inspirado no livro The Doors of Perception (1954) de
Aldous Huxley, no qual ele conta sua experiência com mescalina, por sua vez inspirado na
agora famosa máxima de Blake:
If the doors of perception were cleansed every thing would appear to man as it is, infinite.
13Sites (2007) considera que “It is probably not surprising that, among romantic poets,
Blake has been especially popular with rock musicians”. Entre os muitos artistas de rock que
fizeram leituras de Blake, destaco o projeto do cantor e compositor Bruce Dickinson, que
lançou um disco, The Chemical Wedding (1998), inteiramente dedicado ao poeta. O disco foi
um estímulo à tradução de Sorbini & Carvalho (Blake, 2005), conforme consta na página de
agradecimentos: “Os autores gostariam de agradecer a Paul Bruce Dickinson, por ter neles
despertado o desejo de traduzir William Blake” (Sorbini & Carvalho in Blake, 2005: 19).
Para Valentí, não são os artistas da contracultura os que
12 As Canções de Blake musicadas por Ginsberg, incluídas no seu Holy Soul Jelly Roll: Poems And Songs, 1949-
1993, podem ser ouvidas online: <http://www.english.uga.edu/wblake/SONGS/>. Existe um registro em vídeo, Ginsberg Sings Blake: Songs of Innocence and Experience, de Ginsberg apresentando suas composições com Steven Taylor e Heather Hardy (violino elétrico) (Sites, 2007).
necesariamente están comprendiendo mejor a Blake, aunque gracias a la
contracultura se extienda el interés hacia él y actualmente se esté
empezando a acumular estudios críticos que en conjunto aclaran la figura de
Blake, aunque como alguien ha observado, todavía se necesiten una
veintena de años más para llegarle a ver con justeza (Valentí in Blake, 1977:
50).
Talvez este movimento para tradução integral dos livros proféticos ao português, tardio em
relação a outras línguas, seja um sinal de que estamos chegando a esta “leitura mais justa” de
William Blake.
Manuel Portela é o tradutor que inicia este movimento de tradução dos livros
proféticos ao português, com a publicação dos Sete Livros Iluminados. Examinarei também a
tradução de America empreendida por Manuel Portela no terceiro capítulo deste trabalho, mas
antes abordo alguns problemas de tradução de poesia.
CAPÍTULO 2
A TRADUÇÃO DO POEMA
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The DART-Europe E-theses Portal
(Page 33-39)