4.3 Mod`ele `a ´etats
4.3.3 Mod`ele `a ´etats et protocoles de service instantan´ement stabilisants
6.1.1.CONSTRUÇÃO EM TERRA
A construção em terra é um sistema geralmente proposto por via da ecologia, da nostalgia estética, da economia ou das vantagens técnicas que este possui em certos parâmetros.
É um material que está ao alcance de todos, sendo inesgotável, fácil de trabalhar e duradouro, quando tomadas as devidas precauções. Uma casa construída em terra apresenta uma boa resistência à compressão, bom comportamento térmico e acústico devido à grande inércia das suas paredes, que se comportam como uma barreira eficaz contra as intempéries, e sendo a terra uma material incombustível, apresenta um óptimo comportamento ao fogo. A terra é o material perfeito em termos de recursos, poluição e clima interior, e quando o edifício não é mais necessário, o material pode regressar ao seu estado anterior.
As construções em terra apresentam uma elevada durabilidade desde que devidamente protegidas, é necessário efectuar uma manutenção cuidada neste tipo de construção.
Em termos ambientais, a produção de uma habitação em terra destaca-se pelo baixo consumo de água e baixo consumo energético, especialmente quando se recorre a materiais existentes nas proximidades do seu local de implantação.
Este material tem dois pontos onde ainda é necessário desenvolver algum trabalho e que limitam o seu pleno funcionamento, que é a sua fraca resistência à água e à humidade, e a fraca resistência à tracção. Têm sido feitos vários estudos e investigações com o intuito de reduzir estas limitações da construção em terra, como é o exemplo das técnicas de estabilização e do isolamento sísmico, que actualmente são aspectos que condicionam bastante a opção por este sistema construtivo em detrimento de outros com melhor comportamento nestes domínios.
A viabilidade deste tipo de construção será determinada pela capacidade de responder a questões práticas e de ultrapassar as suas principais limitações, onde a rapidez de construção, a resistência sísmica e a estanquidade à água são exemplos. São desafios que apelam à criatividade própria dos arquitectos e engenheiros e também à utilização combinada deste material com outros. É uma técnica que existe há muitos anos e deve ser uma alternativa existente e viável para quem a queira pôr em prática, pois todos devemos ter o direito a essa opção.
6.1.2.CONSTRUÇÃO EM PEDRA
A alvenaria de pedra apresenta bom comportamento a acções verticais, sendo preferível a sua utilização em edifícios que não excedam os 3 pisos. É um material incombustível, estanque, e o isolamento de uma parede de pedra aos ruídos aéreos é satisfatório. As paredes de alvenaria em pedra possuem uma elevada durabilidade, superior às alvenarias de outros materiais.
É muito difícil conseguir um isolamento térmico que satisfaça o grau de conforto desejável recorrendo apenas à alvenaria. Para isso, é necessária a incorporação de outros materiais como a cortiça, a espuma rígida de poliuretano, o poliestireno expandido moldado ou extrudido, a espuma de PVC, a lã mineral (placas ou mantas), os grânulos de argila expandida, etc.
As patologias observadas neste tipo de parede estão quase sempre relacionadas com o comportamento que apresentam face à ocorrência de um sismo, ou ainda em causas relacionadas com o comportamento deficiente das fundações e da própria parede. Como solução para contornar estas limitações temos várias técnicas, utilizadas principalmente na reabilitação de edifícios, que são a aplicação de reforços e o confinamento das paredes.
Em termos ambientais, a pedra não é responsável por um grande nível de gastos energéticos. Relativamente ao transporte, o elevado peso da pedra faz com que seja preferível a sua utilização em locais próximos da sua extracção. Por fim, todas as pedras são recicláveis e podem ser reutilizadas na maior parte das vezes. Os materiais recicláveis apresentam vantagens ambientais, pelo facto de, esgotada a sua vida útil, poderem vir a gerar outros materiais.
6.1.3.SÍNTESE CONCLUSIVA SOBRE OS DOIS MODELOS CONSTRUTIVOS ABORDADOS
Procurou-se salientar as qualidades dos diversos materiais e sistemas da construção tradicional, e exemplificar com exemplos recentes que a aplicação dessas técnicas de construir na construção actual pode resultar em edifícios bem conseguidos, quer ao nível estrutural quer ao nível de exigências técnicas e estéticas. Os casos de estudo aqui apresentados são exemplos construtivos onde se verifica uma preocupação de integração do edifício no meio envolvente, a utilização de materiais presentes nas proximidades da construção e criteriosamente adaptados ao clima de cada região, e a utilização de sistemas construtivos tradicionais conjugados com os ensinamentos e técnicas contemporâneas, reinterpretando assim os sistemas tradicionais sem por em causa as exigências actuais, naturalmente mais elevadas.
Ao observarmos as alvenarias resistentes nas construções populares, podemos identificar as regras de composição de cada material e cada sistema, desde o seu dimensionamento, à sua forma, aberturas, etc. Haverá que analisar os conhecimentos empíricos que chegam até nós, sistematizá-los e tentar optimizá-los. Haverá ainda que fazer um trabalho de integração e síntese entre os materiais tradicionais e os industriais. Então poderemos entrar, em termos de construção, na era da pós- industrialização (já comum em outros domínios do conhecimento).
Quer nas construções em alvenaria resistente de pedra, quer nas alvenarias de terra, é notória a falta de um conhecimento mais profundo sobre o seu comportamento. Actualmente é necessário que este tipo de construção consiga satisfazer as exigências funcionais actuais, de modo a competirem em pé de igualdade ou pelo menos de forma satisfatória com a construção corrente. Essas exigências, naturalmente crescentes ao longo dos tempos, actualmente contemplam não só aspectos estruturais, mas também aspectos estéticos, acústicos, térmicos, de resistência ao fogo e de estanquidade.