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4) Modélisation de la turbulence

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Chapitre II : Matériels et méthodes

II- 4) Modélisation de la turbulence

Seguindo as atividades da pesquisa previstas no cronograma, as entrevistas com o professor João Rubens seriam as últimas a serem realizadas, entretanto, em diversas passagens da entrevista ele me disse: pergunte para a Olívia, você já falou

com ela? A Olívia deve lembrar, ela é desse tempo, em tentativas de aproximar as

histórias que me contava com o passado da minha família. O nome dela já havia surgido nas entrevistas com a professora Ariolina e com o professor José e estava frequentemente presente nos documentos que havia selecionado para o corpus

documental. Ao longo do processo de pesquisa percebi que minha tia Olívia havia iniciado a sua carreira no contexto em que desenvolvo a minha pesquisa. Na dúvida em entrevistar ou não alguém com quem tenho intimidade, optei por realizar a entrevista, considerando “[...] saber que nenhuma escolha deixaria o escolhedor livre da responsabilidade pelas suas consequências” (BAUMAN, 1998, p. 249).

A professora Olívia é a filha mais velha dos meus avós maternos, aprendeu a ler com a minha vó Cassimira, estudou com uma professora particular, contratada por um vizinho fazendeiro até ingressar na Escola Presidente Kennedy, na comunidade de Porteira do Pinhal. Iniciou o Ginásio na Escola Nossa Senhora da Luz13, em Esmeralda e concluiu na cidade de Paim Filho, era interna e trabalhava com as freiras para conseguir estudar. Concluiu o ginásio em 1969 e retornou para Pinhal da Serra.

Contou que teve que insistir com o meu avô Francisco para que pudesse iniciar a carreira em 1970, pois ele não queria que saísse de casa. Iniciou lecionando na Escola Sagrado Coração de Jesus, na comunidade Encruzilhada dos Silveiras, Serra dos Gregórios e assim como a professora Erci, foi recebida por uma família da comunidade. Em 1971 foi transferida para a comunidade de Nossa Senhora da Conceição, onde acompanhou a construção da estrutura da Escola Miguel Couto, enquanto dava aulas para cerca de vinte alunos no galpão da casa do seu pai, entre eles seus irmãos. Entre 1972 e 1985 trabalhou como coordenadora do setor de merenda escolar na Diretoria de Educação de Esmeralda. No exercício dessa função visitava regularmente todas as escolas rurais do território entregando merenda e realizando cursos para os professores.

A entrevista com a professora Olívia foi a mais longa que realizei, talvez pela proximidade, tive mais liberdade para questionar além do roteiro. Ao encerrar a gravação estava convencida de que havia feito a opção certa, o relato das suas vivências em Esmeralda me oportunizaram compreender aspectos da organização da Prefeitura de Esmeralda sobre as escolas rurais. Seus 49 anos de trabalho na educação a fazem perceber sua experiência nas escolas rurais de Pinhal da Serra ainda como os primeiros passos da sua formação enquanto docente, sua trajetória profissional é um exemplo para mim.

Fotografia 6 – Professora Olívia em 1972 e em 2019.

Fonte: Arquivo pessoal da entrevistada.

Entre os entrevistados, foi possível estabelecer algumas relações, como ilustra-se abaixo:

Figura 2 – Relações entre os entrevistados.

Fonte: Elaborado pela autora.

A imagem auxilia na compreensão das relações estabelecidas entre os entrevistados. O professor João Rubens e a professora Ariolina iniciaram no magistério municipal no mesmo período, um ano depois a professora Erci ingressou como professora municipal. A partir de 1972, a professora Olívia passou a visitar as

Erci Ariolina

João Rubens

Olívia

escolas rurais municipais e estaduais, como orientadora da Campanha Nacional de Alimentação Escolar (CNAE); nesses trajetos, visitava tanto as escolas estaduais como as municipais e, assim, contatava os demais entrevistados. O professor José, que lecionou apenas nas escolas estaduais, conheceu as demais quando exerceu a função de secretário da administração municipal. Além disso, o professor José e a professora Olívia trabalharam na prefeitura de Esmeralda no mesmo período.

Tais relações nos auxiliam na compreensão das diferentes representações e as narrativas de memórias possibilitam perceber como sujeitos diferentes apropriaram-se das práticas escolares e como as recordam; por vezes, uma mesma situação pode ser lembrada de maneira quase contraditória (BELUSSO, 2016).

A partir da análise dos documentos orais e escritos foi possível construir o Quadro 3, com as escolas e comunidades onde lecionaram os/as entrevistados/as.

Quadro 3 – Escolas e comunidades onde os professores atuaram.

Professor (a) Escolas onde lecionou Administração Comunidade

Ariolina

São Nicolau Municipal Santo Antônio /

Fazenda do Boqueirão Epitácio Pessoa Municipal São Pedro

Nossa Senhora de Fátima Municipal Serra dos Gregórios

São Jorge Municipal São Jorge /

Rincão dos Crentes

Erci

Princesa Isabel Municipal Serra dos Gregórios / Campestre da Boa Vista Santo Antônio Municipal Capela Santo Antônio João Pessoa (Antônio

Raimundo dos Santos)

Municipal Capela Conceição

Presidente Kennedy Municipal Porteira do Pinhal

João Rubens

São Luiz Municipal Capão / Campo Alto

São Pio X Municipal Campo Alto /

Porteira do Pinhal São Paulo de Tarso Estadual Pinhal da Serra José Escola Rural

Capela São Jorge

Estadual Capela São Jorge

São Paulo de Tarso Estadual Pinhal da Serra

Olívia

Sagrado Coração de Jesus Municipal Serra dos Gregórios / (Encruzilhada dos Silveiras) Miguel Couto Municipal Capela Conceição

Os/as professores/as entrevistados/as chegaram a atuar na mesma comunidade, mas em escolas diferentes. As professoras Ariolina, Erci e Olívia lecionaram apenas nas escolas municipais e o professor José apenas nas escolas estaduais, enquanto o professor João Rubens vivenciou a docência nos dois espaços.

As entrevistas são momentos de encontros e compartilhamentos; por exercerem a docência no mesmo distrito e no mesmo período, os/as entrevistados/as tiveram vivências comuns, mas também experienciaram momentos únicos. A História Oral “[...] é uma arte que requer vários sujeitos, para os quais a diferença é tão necessária quanto a consonância” (PORTELLI, 2010, p.35).

A nossa intenção ao apresentar os/as estrevistados/as ao longo desse capítulo, considera o argumento de Antoinette Errante:

[...] nossa posição no mundo não somente afeta nossa interpretação do mundo, como também nosso senso do eu serve de intermediário para o nosso modo de contar e rememorar o mundo – e nosso lugar dentro dele – para os outros (ERRANTE, 2000, p. 163).

No capítulo seguinte abordaremos aspectos da história local, com a finalidade de compreender o contexto das práticas escolares.

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