Eu concordo com a diminuição da idade penal. Porque muitos menores de idade praticam violência e até mesmo crimes contra as pessoas e não pagam pelo que faze (...)
(...) porque eles têm dinheiro e podem pagar um advogado e sempre ficam em liberdade (...)
• apesar de ainda apresentar algumas repetições (como pronomes e a expressão diminuição da idade penal). Observa-se que, se comparado ao texto oral, como um todo, a aluna diminuiu em grande parte as repetições, por isso, verifica-se que ela lançou mão da estratégia da supressão de repetições.
• a aluna introduziu o seu texto: pontuação e paragrafação, elementos característicos da produção escrita, portanto ela lançou mão da estratégia da inserção da pontuação e da paragrafação.
• encontram-se em sua produção idéias compartilhadas e discutidas no debate.
O seguinte texto foi redigido por Fernanda e apresenta as seguintes estratégias:
Eu concordo porque a violência é causada por adolecente de 14 e 16 anos. Sem alguma responsabilidade nas conseqüências então com a diminuição da penal já irá responder um processo de longos anos de reclusão pelo homicídio, estrupos etc. Então será igual a todos que cometerem seus erros, mas a um grande problema a ser resolvido será que os penitenciário estão bem estruturados para obter bons resultados com a resocialização desses adolecentes para que não se junte com os outros internos mais perigosos, e com penas de longos anos. Será que ira reasocializar ou pelo contrario aumenta a sua pena. E uma lei muito importante é bom ser bem elaborada para não haver riscos aos adolecentes em sua formação, a ser um homens (capaz de ser resocializar na sociedade).
Pontos Positivos: Diminui a criminalidade Violência Liberdade Igualdade Pontos Negativos
Os pontos negativos no caso para os familiares dos adolecentes com criminalidade voltar pior do que era para a sociedade.
Estratégias encontradas no texto da aluna:
Estratégia da inclusão de explicação: a aluna usou essa estratégia quando afirmou que era a favor da diminuição da idade penal e, logo em seguida, explicou o motivo que a leva a ser a favor de tal procedimento.
Episódio12 – Exemplo de estratégia de inclusão de explicação
Estratégia de supressão de repetições: se comparado ao texto oral, o texto escrito apresenta menos palavras repetidas.
Estratégia da inserção da paragrafação e da pontuação: percebe-se no texto da aluna que, apesar de não delimitar os parágrafos de seu texto, ela o dividiu em três momentos específicos: uma introdução colocando seu ponto de vista, os pontos positivos e os pontos negativos. Lançou mão também de sinais de pontuação para procurar deixar o seu texto mais claro.
A despeito de redigir algumas palavras em desacordo com a norma padrão, observa-se em seu texto a presença de palavras que são diferentes das colocadas pelos demais alunos. Percebe-se nessa versão uma preocupação em escrever bem, aproximando-se de um linguajar mais culto. A essa estratégia dá-se o nome neste trabalho de estratégia de padronização escrita.
Reforçando a afirmação feita no parágrafo anterior, chamou - me a atenção no 1º texto escrito pela educanda o uso das seguintes palavras: reclusão, homicídio, ressocialização e elaborada. Diante do uso dessas palavras pela aluna, eu perguntei de onde ela havia retirado - as, e a aluna então me respondeu:
Fernanda: Eu achei um livrinho lá em casa, que traz umas palavras interessantes, parece um dicionário, então todas as vezes que eu quero usar uma palavra nova eu copio dele.(Dados do diário de bordo)
Através da afirmação da aluna, observa-se que, apesar de suas dificuldades ortográficas, ela já está buscando uma forma de escrita mais autônoma o que evidencia uma mudança na sua postura e na sua produção textual.
Em seu texto escrito, pôde-se perceber a presença de algumas idéias abordadas durante o debate, como, por exemplo, os pontos positivos e negativos destacados ao final de sua produção.
O texto a seguir fora produzido por Jeferson.Trata-se de uma produção de difícil entendimento, pois lhe faltavam coerência e coesão textual.
A despeito disso, observa-se que o aluno abordou algumas idéias expressas no debate como: a diminuição da idade penal trará mais igualdade, mas o adolescente poderá voltar pior do que ele era para a sociedade.
Texto 4 – Jeferson (versão inicial)
A diminuição da idade penal seria ruim porque um adolescente fez o crime, tem que ter a mesma tanto de penal do que o adulto, porque desse jeito a criminalidade, a violência e a comunidade vai ter mais igualdade mais sempre tem um ponto negativo, e ele pode voltar até mais pior do que era para a sociedade.
Ao ler a versão escrita do aluno, observa-se que mesmo com o debate o quão difícil para ele foi falar sobre esse tema. Isso pode ser claramente verificado nas suas falas e no seu texto. Devido à falta de sentido apresentada no primeiro texto e pela falta de uma segunda versão escrita, não foi possível fazer a análise das estratégias utilizadas pelo aluno na construção de seus textos.
O texto seguinte foi escrito por Janaína e apresenta as seguintes estratégias:
Texto 5 – Janaína (versão inicial)
Eu acho certo porque, vai diminuir a violência no Brasil todo, acho que todos tem que ter a liberdade no país que nós estamos, hoje em dia todos nós temos medo de sair de casa, medo que aconteça algo de ruim com nós hoje são os bandidos soltos e nós presos, isso não é certo, acho que fez tem que pagar e pagar com trabalho e com seu suor já que nós que pagamos para eles ficarem lá à toa e pensando em coisas piores para fazerem quando forem soltos. Acho que tem que ser prezo, e já que não precisa ter ,idade para roubar, não precisa também ter idade para trabalhar.
O pior é que nem os responsáveis pelo Brasil dão exemplo, eles acabam passando uma imagem tão ruim que nos fazem ter vergonha é nos arrependermos de ter votado neles, isso é tão ruim que passamos a desconfiar até de pessoas meio que proscimas Se uma pessoa tem a mente fraca e ver uma reportagem dessas, e ver que até eles não estão nem aí para a população, porque os ladrões vão estar preocupados.
Acho que todos tem que responder pelo que faz independente de cor ou de classe social.
A partir do texto produzido por Janaína, observa-se que ela faz uso das seguintes estratégias:
• Pôde-se evidenciar no texto da aluna, o uso da estratégia de supressão de repetições, apesar de encontrar, em sua produção textual, repetições de verbos e palavras, evidencia-se que essas repetições acontecem em menor quantidade se comparado ao texto oral como um todo.
• Foram introduzidos a pontuação e o parágrafo, os quais reforçam a premissa de que, apesar das dificuldades relacionadas à escrita, os alunos têm consciência da sua estrutura e procuram pô-la em prática. Destaca-se aqui, o uso da Estratégia da inserção de paragrafação e pontuação.
• A aluna, em alguns momentos, retoma algumas idéias expressas no decorrer do debate.
• Estratégia da inserção de explicação, visando tornar a sua idéia mais clara, conforme exemplo abaixo:
Episódio 13 – Exemplo de estratégia de inclusão de explicação Eu acho certo porque, vai diminuir a violência no Brasil todo (...).
• Estratégia de reforço, quando lança mão ainda de algumas repetições para reforçar sua opinião. Observe o exemplo a seguir:
Episódio 14 – Exemplo de estratégia de reforço:
(...) e já que não precisa ter, idade para roubar, não precisa também ter idade para trabalhar.
Ao observar as produções orais e escritas dos alunos, pôde-se perceber que:
Nos textos orais:
• Os alunos ainda usam algumas repetições (para reforçar uma idéia ou então porque faltam nos seus vocabulários palavras que possam substituir as palavras já empregadas no próprio texto oral).
• Existe a troca dos turnos.
• Os argumentos tornam-se mais fortes à medida que o debate ocorre. • Apresenta coerência e coesão textual.
• As estratégias mais encontradas são as de inclusão de exemplificações, explicações e justificativas; a estratégia reparadora , a estratégia de reforço e a presença de marcadores conversacionais.
Já nos textos escritos, verificou-se que:
• Algumas repetições ainda acontecem, no entanto com menos freqüência, se comparado ao texto falado.
• Os turnos são substituídos por parágrafos e pela pontuação adequada.
• Os alunos lançam mão dos argumentos expostos no debate para produzirem seus textos.
• Existe uma variação entre o uso da linguagem formal e da linguagem informal no mesmo texto, como pode ser verificado no texto escrito pela aluna Janaína.
• Os argumentos foram mais bem colocados no texto escrito, porém esses, em algumas situações retomavam as idéias colocadas no texto oral. Dessa forma, entende-se que a realização do debate influenciou na produção textual escrita dos alunos, uma vez que eles além de fazerem uso do que havia sido discutido durante a atividade, em alguns momentos, inseriram, também, no seu texto elementos novos, como pode ser visto nos textos das alunas: Fernanda e Laura.
• Quando os alunos foram reescrever a primeira versão do texto escrito, observou-se que eles deram ênfase às correções gramaticais.
• Alguns alunos introduziram os parágrafos nas reescrituras.
• O texto apresenta, na maioria das vezes, coerência e coesão textual.
• Encontram-se, nos textos escritos pelos alunos, estratégias destinadas à produção oral, tais como: inclusão de explicações, justificativas e exemplificações.
Considerações finais
Nos textos orais, encontraram-se as seguintes estratégias organizadas nas categorias abaixo descritas:
Nos textos orais foram encontradas as seguintes estratégias:
Categoria A – Uso de repetição em todos os textos orais. (Estratégia de reforço). Categoria B – Uso de argumentos e de exemplos para justificar, exemplificar, ilustrar, suas opiniões. (Estratégia da inclusão)
Categoria C – Uso de marcadores conversacionais. Categoria D – Estratégia reformuladora
Categoria E – Estratégia sociointeracionista Categoria F- Estratégia Cognitiva
Já nos textos escritos, evidenciou-se o uso das seguintes estratégias: Categoria A – Estratégia de supressão de repetições.
Categoria B – Estratégia de inserção de paragrafação e pontuação. Categoria C – Estratégia de inclusão de explicações.
Categoria D – Estratégia de padronização escrita. Categoria E – Estratégia cognitiva.
Categoria F – Estratégia Sociointeracionista.
Em todos os textos produzidos foram encontrados elementos discutidos no debate, os alunos desenvolvem idéias que podem ser utilizadas em seus textos escritos. (Reis, 2000 p. 158) confirma em uma entrevista realizada com Eva (participante do projeto Paranoá) a importância do trabalho coletivo e como esse contribui de forma significativa para o desenvolvimento do aluno :
Segundo Eva, os alfabetizandos chegam, naturalmente, calados, com medo de falar. Mas que com a discussão dos temas em sala de aula, eles conversam e debatem e entre si, se conhecem, e pelo Fórum desenvolvem a capacidade e a coragem de falar em público, uns transformando os outros, uns avançando mais, outros menos, mudando de turma de acordo com esse avanço, e desenvolvendo um sentimento de reconhecimento ao alfabetizador ou alfabetizadora, que nessa relação individual e coletiva, logo se evidencia como presença fundante: com suas várias mediações e das relações de intercâmbio e troca de aprendizagem entre os vários alfabetizandos.
Quanto ao uso da ratificação, primou-se pelo uso da ratificação plena e as categorias mais utilizadas foram: (1) a repetição da resposta da colocação do aluno; (ii) concordância total com a fala do aluno, a partir de expressões, tais como: muito bem! exatamente! perfeito!
Percebeu-se que essas ratificações, contribuíram para que os alunos continuassem a participar das atividades propostas, que naquele momento, tratava-se de um debate. Reis (2000 p. 162) confirma essa colocação ao destacar que:
Pelo que vivi e tenho vivido, a coisa mais importante é a atenção que o alfabetizador passa ao alfabetizando. Que tem cuidado com ele. Com o aprendizado dele. Passar segurança, não com aquela autoridade porque você sabe alguma coisa, sabe mais do que ele. Não, o importante é você passar para o aluno que é uma troca: eu vou te ensinar o que eu sei, mas vou receber daquele aluno o que ele sabe (depoimento de Eva, alfabetizadora do Projeto Paranoá).
Ao finalizar essa atividade, chega-se a algumas conclusões:
Que a produção de um debate foi determinante para que os alunos pudessem ter idéias para produzir seus textos orais e escritos, pois verificou-se que, à medida que o debate ia acontecendo, as participações dos alunos iam aumentando e que, as opiniões dadas no decorrer do mesmo, foram reforçadas em todos os textos escritos, tornando, assim, as produções, apesar de terem sido feitas individualmente, um texto polifônico. Dessa forma, compreende-se que a competência comunicativa dos alunos foi mais uma vez desenvolvida, pois com o debate os alunos tinham condições de perceber o que eles poderiam falar e como deveria fazê-lo, Dell Hymes (1966 apud Bortoni-Ricardo, 2004), além de produzirem textos mais elaborados a partir da produção oral. (Matencio, 2003; Marcuschi, 2007; Fávero, Andrade, Aquino, 2005)
Que os alunos usam estratégias diferenciadas para produzirem seus textos orais e escritos, porém as estratégias de inclusão e de reforço são encontradas nas duas modalidades de textos.
Quanto à ratificação, pôde-se perceber que, quando ratificados e acolhidos em suas participações, os alunos sentiam-se mais motivados a participarem das atividades propostas. Dessa forma, percebe-se que a atividade desenvolvida alcançou os objetivos propostos.
Ao observar os textos produzidos pelos alunos, percebe-se que algumas condições propostas por Fávero, Andrade e Aquino (2005) foram em grande parte contempladas, pois houve:
No texto oral:
• interação face a face;
• planejamento simultâneo à produção;
• criação coletiva, que assim como a interação face a face, deu-se a partir do debate inicial sobre o tema proposto;
• impossibilidade de apagamento, pois as opiniões eram gravadas em fitas de vídeo, à medida que o aluno falava;
• sem condições de consultas a outros textos; • acesso imediato às reações do interlocutor;
• o texto mostra, em si, todo seu processo de criação.
No texto escrito, foram encontradas as seguintes condições:
• interação a distância, pois os alunos retomaram algumas idéias expostas no debate coletivo;
• planejamento anterior à produção, por se tratar de um texto escrito, os alunos tinham condições de planejá-lo antes de redigir uma versão final;
• criação individual;
• possibilidade de revisão tanto no momento quanto após a escritura do texto; • livre consulta, uma vez que os alunos poderiam buscar outros conhecimentos
acerca do tema em debate;
• a reformulação é feita apenas pelo escritor, somente o aluno que escreveu o texto poderia reformulá-lo;
• sem possibilidade de acesso imediato.