Chapitre IV: Phospholipide structuré à DHA : AceDoPC
Chapitre 2: Etude in vivo de captation cérébrale du DHA non estérifié ou estérifié
I.7 Modélisation Moléculaire de l’AceDoPC et de la lysoPC-DHA
A partir da revisão sistemática de literatura realizada, nota-se que várias pesquisas acadêmicas estão em andamento e visam a resolver ou minimizar o problema de mobilidade urbana de pessoas com algum tipo de limitação. Entretanto, nota-se que, na prática, ainda há pouco resultado que contribua para melhorar a vida dos usuários finais, na prática.
Um aspecto interessante que é discutido em alguns dos trabalhos analisados (Bardaro et al., 2015; Iwasawa et al., 2015; Palazzi et al., 2010; Sumida et al., 2012) é a captura automática de informações, a partir de sensores em aparelhos celulares, ao se realizar uma rota, a fim de melhorá-la. Nas soluções apresentadas, os dados capturados dos sensores são constantemente enviados a um servidor, que os utiliza para melhorar a rota atual ou a rota do próximo usuário. Alguns dados úteis que são coletados se referem à elevação do terreno e, em consequência disto, ao esforço físico exigido do usuário cadeirante para percorrer um determinado trajeto. Entretanto, é necessário considerar o consumo da banda de rede para transmitir tais dados em tempo real, o que pode representar um problema, principalmente em lugares onde a qualidade da Internet não é boa (Belson et al., 2016).
Percebe-se que alguns dos trabalhos que possuem o foco em mapas ou rotas para usuários com deficiência física motora já exploram a inteligência coletiva dos usuários. Por meio dos próprios aplicativos, os usuários conseguem realizar marcações para atualização dos mapas (Cardonha et al., 2013; Holone & Misund, 2008; Kulakov et al., 2015; Menkens et al., 2011; Mirri et al., 2016, 2014; Prandi et al., 2015a, 2015b; Rashid et al., 2010; Shigeno et al., 2013; Völkel & Weber, 2008). Nenhum destes trabalhos, contudo, utiliza as informações públicas extraídas de redes sociais com grande audiência de usuários, como o Twitter, por exemplo, conforme proposto por Russell (2014). Incluir este tipo de fonte de informações pode permitir que muitos outros usuários contribuam, além daqueles diretamente interessados e afetados pela aplicação. De maneira um pouco mais tímida, alguns trabalhos com foco em usuários com deficiência visual também abordam o uso da inteligência coletiva para atualização de seus mapas. Guy & Truong (2012) criaram uma aplicação web em que usuários classificam e ou realizam um detalhamento de informações de pontos de interesse e locais com fotos do Google Street View. O uso de crowdsourcing juntamente com o formato SVG foi indicado como uma possibilidade interessante para realizar anotações nos mapas (Calle-Jimenez & Luján-Mora, 2015). Focando-se em um público mais amplo de deficiências, Karami et al. (2014) sugerem o uso de uma rede social de navegação (SoNavNet), especificamente concebida, como ferramenta para tornar os mapas mais atualizados, utilizando uma abordagem de “dados centrados na experiência do usuário”, complementando as outras origens de dados existentes.
Uma pequena parcela de trabalhos procura fomentar a inteligência coletiva, oferecendo alguma recompensa pela contribuição dos usuários, como ranqueamento (Menkens et al., 2011), gamificação (Cardonha et al., 2013; Prandi et al., 2015b) ou uma pequena
recompensa financeira paga a usuários através do Amazon Mechanical Turk27 (Guy & Truong,
2012). Outros trabalhos mais recentes (Bolten et al., 2015; Kozievitch et al., 2016; Mirri et al., 2014) usam dados abertos disponibilizados por órgãos públicos para incrementar seus algoritmos próprios para o cálculo de rotas. Nestes trabalhos, não foi identificada a participação dos usuários como fonte adicional de informação para atualização dos mapas, apenas a utilização de fontes de dados abertas, em alguns casos. Karimi et al. (2014) não abordam uma técnica para motivar novos usuários, mas relatam a dificuldade de motivar as pessoas para a geração da inteligência coletiva, atração de novos usuários e garantia da qualidade da informação gerada.
Pôde-se identificar oportunidades de novas funcionalidades, principalmente associadas à participação voluntária dos usuários na geração de informações para as plataformas, algumas oferecidas pelos autores dos artigos que fizeram parte do corpus da RSL. Dentre elas, destacam-se: (i) melhorar a audiência do sistema, incluindo outras funcionalidades, tais como dados de trânsito. Esta feature é citada como trabalho futuro por Mirri et al. (2016); (ii) utilizar tags e posts em redes sociais, como uma fonte alternativa de coleta de dados geográficos, conforme proposto por Russell (2014); (iii) como não foi identificado nenhum sistema que faça identificação de pisos táteis nas calçadas, sugere-se incluir informações de existência de guias/pisos táteis instalados nas calçadas para deficientes visuais, conforme ilustrado na Figura 7.; (iv) explorar novos mecanismos de motivação e recompensa, além do ranqueamento, da gamificação e da recompensa financeira. Estes motivadores estão baseados nos aspectos “glória” e “dinheiro”, destacados por Malone et al. (2009), mas o aspecto “amor” pela causa também pode representar um importante motivador, segundo esses mesmos autores. Se os desenvolvedores forem capazes de demostrar a relevância social do sistema, a importância da confiança e o valor do conhecimento dos moradores locais a respeito do lugar em que vivem para melhorar a qualidade da informação, as pessoas também poderão ser motivadas a contribuir em função disso.
Notou-se que todos os trabalhos que utilizam dados abertos (Bolten et al., 2015; Kozievitch et al., 2016; Mirri et al., 2014) ainda têm áreas de cobertura pouco abrangentes, limitando-se, muitas vezes, a algumas cidades ou bairros. Entende-se que isto possa estar relacionado à falta de padronização destes dados, pois cada fonte compartilha as informações em um formato diferente (Ferreira da Silva et al., 2014). A criação de uma padronização para
estes dados abertos poderia ajudar na coleta de dados, a partir de outras fontes, melhorando assim a abrangência desses sistemas, sem ter que haver um desenvolvimento específico para cada fonte (Auer et al., 2007).
Figura 7. Informação da existência de pisos táteis para deficientes visuais
Fonte: elaborada pelo autor.
Karimi et al. (2014) abordam o uso das experiências relatadas pelos usuários por meio de uma rede social especificamente concebida (SoNavNet) como ferramenta para atualização dos mapas, independentemente do público alvo da aplicação, sejam deficientes físicos motores ou visuais, como fonte de informação complementar às fontes de dados existentes ou já utilizadas pelos sistemas. Nesta rede social o usuário pode relatar como foi sua experiência ao realizar um caminho, e também pode incluir qual seu nível de limitação, para que os demais usuários com determinada característica de deficiência possam analisar o relato de outros usuários com limitações semelhantes. Isto pode ajudar a garantir a qualidade da informação disponível, a respeito das rotas utilizadas, levando em consideração a experiência de quem mora no local e utilizando esta experiência para aumentar o conhecimento do sistema (Passos et al., 1999).
A grande maioria dos trabalhos relacionados a mapas e navegação para usuários com deficiência visual, ainda está mais preocupada com o design de equipamentos e mapas, e em como tornar possível o reconhecimento de caminhos e pontos de interesse por estes usuários, do que em permitir a navegação pelos trajetos em real-time. Também é pouco explorada a
inteligência coletiva destes usuários para gerar informações para atualização dos mapas. Entretanto, foram identificadas algumas soluções de software que estão tentando mudar esta situação, conforme relatado.
Por meio dessa RSL fomos capazes de identificar as várias abordagens que têm sido utilizadas para melhorar mapas acessíveis e a mobilidade urbana para pessoas com deficiência, entre as quais, as técnicas de crowdsourcing mereceram atenção especial. Elas foram usadas para permitir a marcação nos mapas por usuários ou para transformar usuários em sensores humanos. Uma rede social foi projetada especificamente para este propósito, em que os usuários compartilham suas experiências ao realizar uma rota/caminho. Embora a motivação para participar dos esforços da IC não fosse parte da preocupação da maioria dos autores, algumas técnicas, como ranking e gamificação, e mesmo recompensas monetárias foram utilizadas. Utilizaram-se, ainda, técnicas de design participativo para conseguir o envolvimento dos usuários na concepção dos projetos, com a intenção de obter a aceitação da solução pela comunidade.