CHAPITRE 2. ÉTAT DE L’ART
2.1 La modélisation de la QAI
2.1.2 Modélisation nodale de la QAI
2.1.2.5 Modélisation de l’humidité
A accountability, diante do contexto multifacetado em que se insere, permite que pesquisas adotem uma abordagem alternativa, defendida pelos estudiosos (Hopwwod, 2007; Parker, 2012; Hopper & Bui, 2016; Bromwich & Scapens, 2016; Major, 2017) como um movimento de afastamento do paradigma mainstream, que recorre a diferentes lentes para análises de distintos ângulos, possibilitando uma visão mais holística e profunda daquilo que se observa.
Dessa forma, como estratégia para reflexões e proposições a partir de um contexto mais amplo, buscou-se incorporar perspectivas interpretativas da accountability por meio da triangulação teórica entre a Teoria da Contabilidade, a PCT e a TAR.
Embora, de modo geral, os estudos da accountability utilizem, em sua maioria, a Teoria da Agência (Schillemans & Busuioc, 2015), optou-se, nesta investigação, por buscar uma mudança de foco, que, segundo Bovens, Schillemans e Goodin (2014), podem estender o campo de discussões conceituais e variedades de mapeamentos a abordagens teóricas mais dinâmicas acerca do tema.
Assim, buscou-se conciliar essas três teorias, a fim de evitar perspectivas isoladas e de minimizar possíveis vieses de pesquisa, para melhor exposição e reflexão da temática accountability, projetada na Figura 7.
Figura 7 – Triangulação teórica da accountability.
A Figura 7 esboça o desafio analítico levantado de triangular essas teorias e a capacidade de extrair de cada uma delas a linha tênue que as conecta com a accountability. A percepção de que elas possuem implicações práticas no que concerne ao controle do poder e aos atores envolvidos, gera combinações que podem oferecer maior fundamentação para a compreensão dos fenômenos a serem explorados nas pesquisas dessa área.
A partir dessa perspectiva, esta investigação apresenta uma visão sucinta e focada de que a accountability é um elemento fundamental das sociedades e das organizações que operam dentro delas (Hall, Frink, & Buckley, 2017), onde diferentes atores negociam suas relações políticas, jurídicas, profissionais, hierárquicas (Schillemans & Busuioc, 2015). Ressalte-se que,
em contextos de pequenos grupos, ela é mais difícil porque cria tensões e perturba as culturas de consenso (Schillemans & Bovens, 2019). Esses pontos de análise por meio de uma perspectiva multiteórica desencadeiam reflexões e interpretações e contribuem para discussões na área.
No âmbito da Teoria da Contabilidade, a informação contabilística e o controle são elementos fundamentais na capacidade de erguer, operar, transformar e dissolver organizações (Sunder, 1997). Para Merkl-Davies e Brennan (2017), tanto na teoria contábil quanto na accountability, há contribuição de insights a respeito do fenômeno da comunicação contábil para o desenvolvimento de pesquisas na área, onde é vista, principalmente, como a transmissão de informações financeiras, ambientais e sociais para o público externo.
A PCT, por seu turno, tem tido seus ideais e suas interpretações em evidência na contemporaneidade, especialmente em razão da demanda por melhor governança, gerada pelo fenômeno da globalização, que trouxe consigo conflitos quanto às escolhas de gestores e às exigências dos cidadãos (Buttler, 2012). Essa teoria veio esclarecer os problemas inerentes à tomada de decisão coletiva e expor alguns outros, como os “fracassos do governo”: ineficiência
Teoria da Contabilidade Actor-Network Theory (TAR) Accountability Public Choice Theory (PCT)
da administração pública, ausência de incentivos, problemas com obtenção de informação acerca das preferências dos cidadãos, rigidez institucional, permeabilidade à atuação de lobbies, financiamento ilegal de partidos políticos etc. (Pereira, 1997).
Nesse mesmo contexto, compreender a ANT e seu novo conjunto de conceitos amplia, para a contabilidade, uma visão de ligações particulares, contingentes criados, mantidos e(ou) desafiados por tecnologias (Lopes & Beuren, 2017). Um dos primeiros teóricos a se inspirar nos estudos de Law (1984), Callon (1984, 1986) e Latour (1987) foi Miller (1990, 1991), ao enfocar as relações sociais entre os atores em redes.
Assim, a ANT “fornece uma forma de compreensão sobre as origens do poder e da estrutura de uma rede, em que os atores colaboram, cooperam, competem e negociam para formar um sistema de ator-rede” (Hui, 2012, p. 113).
Em síntese, o controle do poder e os atores envolvidos conectam essas teorias à accountability e permitem uma compreensão mais acurada do campo que, aqui, é delimitado. Ademais, pela revisão de literatura, amplia-se a perspectiva de observação por meio de outras possibilidades de análise em que se aplica o rigor científico, advindo da combinação teórica, que poderá amparar estudos empíricos e colaborar com reflexões mais abrangentes e aprofundadas da realidade.
Pela triangulação das teorias, foi possível reconhecer, de forma geral, que a accountability possui conexão com os mais diversos atores envolvidos e está fundamentada no controle da atividade humana relacionada ao exercício do poder e ao ato discricionário de governar.
A partir disso, apresentam-se alguns pontos de contribuição e reflexão que podem vir a suscitar aprofundamentos de aspectos que norteiam a temática, de modo a dirimir confusões e conclusões equivocadas, dependendo da perspectiva que se enfatiza: (i) a accountability pode ser um termômetro para questões comportamentais a serem investigadas nos atores envolvidos; (ii) a ênfase da accountability somente na vertente da prestação de contas ou nas sanções aplicadas à responsabilização, exaltando a linha da desconfiança, acaba por sobrecarregar um aspecto em detrimento do outro; (iii) o custo para assegurar a accountability no setor público é algo que precisa ser mais discutido, principalmente em termos de recursos escassos; (iv) a cultura da accountability, que evolui com a dinâmica das boas práticas de governança, exigirá revisões nas formas de prestação de contas e responsabilização; e (v) o déficit de accountability no setor público é um desafio apontado como lacuna nas pesquisas na agenda internacional, razão pela qual é necessário investigá-lo.
Por se tratar de um termo multifacetado, há que se reconhecer que poderiam ter sido escolhidas outras teorias na metodologia de triangulação teórica. No entanto, as três teorias abordadas nesta tese acabam por limitar e, ao mesmo tempo, delimitar o presente estudo, sem incorrer em prejuízos.
Ainda, levantando abordagens e teorias que ressaltam a dimensão e a complexidade que envolve a temática, pode-se observar que ela ganhou espaço na administração, na psicologia comportamental, na sociologia, na ciência política, mas é pouco discutida na contabilidade.
Esse contexto cria abertura para se explorar o referido termo sob a perspectiva contábil, uma das áreas mais antigas da humanidade. No que se refere à pesquisa científica, o futuro da accountability deve-se dedicar a investigar suas lacunas, seus aspectos teóricos, epistemológicos e pragmáticos, pois há, ainda, um longo caminho a ser percorrido.