2.2 Étalonnage de la distorsion de la mesure de profondeur
2.2.2 Modélisation de la FCD
Na pergunta 4, solicitou-se aos alunos que abordassem o tipo de relacionamento que existia entre os alunos e entre estes e:
- a Direcção da Escola; - os professores;
- os funcionários administrativos.
Em relação ao relacionamento entre alunos, os entrevistados de um modo geral dizem que habitualmente se davam melhor com os colegas da turma e do ano (destacam
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Pensámos tratar-se de uma Comissão de Estudantes que foi criada no último período do ano lectivo de 1991/92 e que vigorou durante algum tempo (não pudemos, contudo, apurar a duração da mesma nem a data da sua extinção). Segundo o artigo “Associação de Estudantes diz-nos…” da publicação escolar “Laço de União” nº1, de 8 de Dezembro de 1992, a Associação foi eleita no dia 11 de Maio de 1992, pelos estudantes da EPM. Do artigo consta um plano de acções que a Associação pretendia levar a cabo, como a dinamização de diversos grupos de actividades desportivas, recreativas e culturais. A Comissão de Estudantes no artigo publicado apela ainda a um encontro entre a Associação e os Órgãos da Escola e agradece todo o apoio prestado. Nessa mesma página da revista escolar podemos também encontrar o seguinte texto: “A Direcção Escolar agradece ao grupo de jovens que compõe a Associação de Estudantes a maturidade, responsabilidade e honestidade com que tem colaborado connosco na detecção e solução de problemas surgidos na comunidade estudantil como também na implementação das actividades extra-curriculares.”
147 que havia “grupos” de amigos), mas que também se relacionavam bem com os colegas de outros anos e ciclos.
Um dos ex-alunos refere que “… embora fôssemos muitos, como o meio era pequeno todos nos conhecíamos e, de um modo geral, prevalecia a amizade”.
Na opinião de outra aluna, “era notável o respeito e admiração pelos colegas mais velhos”.
“O relacionamento entre alunos na FACIM era óptimo, salvo raras excepções. Em geral os alunos davam-se muito bem, tanto dentro como fora da escola. Dentro da escola havia um ambiente de entreajuda muito saudável.” – refere outro antigo aluno.
Segundo outra estudante,
Havia muito convívio durante os intervalos e, após as aulas, era frequente as turmas organizarem mini torneios de futebol e outros desportos nos intervalos. Era dada bastante liberdade aos estudantes o que, de certo modo, retirava a vontade de quebrar as regras.
Ainda a respeito das relações mútuas entre alunos, uma das entrevistadas diz: Os alunos conheciam-se já há muito tempo e o facto de não se mudar de escola nas mudanças de ciclo fez com que as turmas e os amigos se mantivessem por muitos anos e que se criassem laços muito fortes. É assim que muitas dessas amizades ainda prevalecem hoje em dia, ficaram para a vida.
Um dos antigos estudantes vê as relações entre alunos de um prisma diferente:
O relacionamento entre os alunos foi sempre de competitividade, em todas as vertentes, das notas ao estilo de vida, o que só até certo ponto era saudável. … Quanto ao estilo de vida, o uso do fardamento veio nivelar as disparidades que se notavam.
Em seguida abordaremos as relações entre os alunos e a Direcção da Escola. Não houve da nossa parte qualquer indicação de “qual direcção”, isto é, não houve distinção entre a Direcção da Cooperativa e a Direcção Pedagógica, pelo que pensámos que os alunos provavelmente referiram aquela que deles esteve sempre mais próxima, ou seja, a Pedagógica.
Este relacionamento é apresentado da seguinte forma por um dos antigos alunos: “Ao longo do meu percurso escolar a Direcção sofreu várias alterações e com cada uma delas o relacionamento era diferente. Numas chegou a haver uma relação de amizade, noutras era profissional.”
Uma ex-aluna refere:
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mas quando isso acontecia não se notava nada de estranho no comportamento de ambos. Respeito e simpatia de ambas as partes.”
Outra aluna considera que “a Direcção da Escola sempre foi muito acessível e disponível para resolver os nossos problemas.”
Um antigo estudante indica “nunca tive razão de queixa, sempre que tinha algum problema para resolver era bem recebido e o problema resolvido.”
Segundo outra aluna a situação nem sempre foi cordial e democrata:
“O relacionamento teve fases que era mais distante, onde a opinião dos alunos não era ouvida, e outra fase em que nos era dada a oportunidade de expressarmos as nossas ideias.”
Por último, um ex-aluno diz “não me lembro de haver ligação entre os alunos e a Direcção. Se existiu, foi certamente muito distante.”
Passando para o relacionamento entre os alunos e os professores, as respostas dadas foram praticamente unânimes: eram boas relações, em muitos casos quase familiares.
Não sabemos até que ponto o facto de a entrevista ser conduzida ou solicitada por uma professora, ex-professora de quase todos os jovens entrevistados, poderá ter condicionado as suas respostas, mas a verdade é que não houve qualquer resposta desabonatória em relação aos professores.
Seguem-se parte de algumas respostas a este ponto:
“Os nossos professores eram os nossos pais fora de casa, mesmo com todas as peripécias que aconteciam tínhamos um grande respeito por eles.”
“Entre os estudantes e os professores sempre se criaram ligações afectivas. Até hoje sinto carinho por certos professores que mais me marcaram.”
“Existia uma certa cumplicidade entre alunos e professores. Havia alunos que procuravam os seus professores ora para confidenciar problemas, ora para partilhar os momentos mais felizes.”
“Os professores estavam sempre disponíveis para conversar e conviver com os alunos; a sala dos professores estava sempre de porta aberta para quando precisássemos de falar com um professor.”
“No máximo éramos 25 alunos por turma, o que permitia aos professores conhecerem-nos e acompanharem o nosso desenvolvimento escolar convenientemente. O relacionamento era muito bom.”
149 o nível de qualidade dos professores era elevado.”
“Os professores sempre foram muito próximos dos alunos, uma vez que muitos os acompanharam desde uma idade muito tenra, tornando-se quase tão próximos do seu crescimento quanto os seus próprios pais.”
A este propósito, a aluna mais velha do grupo (actualmente professora na EPM- CELP) indicou que esta proximidade com os professores, tão salutar na sua opinião, não era habitual nas escolas portuguesas. Assim, quando prosseguiu os estudos em Portugal, na Escola Superior de Educação de Santarém, os professores estranhavam a sua abertura e espontaneidade para se lhes dirigir e interrogavam-na no sentido de querer saber de onde vinha e quais eram os hábitos na anterior escola. Também elogiavam a sua cultura geral (acima da média, comparativamente aos outros estudantes) e a aceitação do outro, facto esse que vários outros alunos também apontaram, pois sentiram que nos estabelecimentos onde continuaram a sua formação não havia a tolerância, o respeito, em suma, os valores incutidos na EPM, onde todos estavam habituados a conviver com a diversidade.
De igual forma, o relacionamento entre alunos e funcionários (auxiliares: contínuas, serventes, porteiros) também é marcadamente positivo e alguns deles são recordados com carinho pelos antigos estudantes, como se pode comprovar pelas respostas/ comentários registados:
“Era um relacionamento impecável. Lembro-me de algumas situações em que os funcionários se culpavam para proteger os alunos.”
“Se calhar os funcionários não eram tão respeitados como os professores … , mas lembro-me de terem um espírito brincalhão que atraía os alunos.”
“Os contínuos eram adorados por nós, mesmo quando se zangavam connosco. Devemos muito da nossa educação a essas pessoas.”
“… era uma relação engraçada: entre o medo, o respeito e o amor.” Outros ex-alunos desenvolveram mais a resposta:
A relação era fantástica. A D. Ana, a D. Palmira, a D. Fátima, o Sr. Carlos,… e tantos outros que nos ficarão sempre na memória… … puxões nas orelhas nas alturas certas nunca fizeram mal a ninguém. Não há aluno da EPM que não se recorde deles com carinho e amizade. Éramos uma autêntica família! A maior parte dos funcionários eram muito simpáticos e sabiam o nome de todos os alunos. Existia um bom relacionamento, excepto quando ocorriam pequenos desentendimentos quando os alunos faziam asneira, é claro. … Até hoje muitos deles ainda nos reconhecem, mesmo passado tanto tempo.
Tendo começado a estudar na EPM aos 4 anos de idade, sempre tive bastante respeito pelos contínuos e demais funcionários, que me tratavam pelo meu
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nome próprio. Sempre impuseram respeito e mantinham a ordem na escola, proibindo certos jogos em determinados sítios e controlando as brigas e zaragatas entre alunos.
Não há ninguém que frequentou a escola que não tenha bem presente a imagem da D. Ana e da D. Palmira e até do Sr. Carlos. … Desde pequena vivi e fui crescendo com a imagem da D. Ana a tocar o sino e a D. Palmira a levar-nos a bola porque já tinha tocado. Eram pessoas bem mais velhas que nós, que na altura devida impunham a ordem, mas quando precisávamos eram nossas amigas e davam-nos apoio incondicional, desde levar-nos para o gabinete médico quando tínhamos um “dói-dói” no joelho, até dar um abraço e beijinhos quando estávamos tristes.
Duas alunas, certamente mais perspicazes, não deixaram de notar, porém, alguns aspectos relacionais negativos:
“Era uma relação de respeito e amizade embora houvesse quem desrespeitasse o trabalho deles e os ofendessem, sendo mal-educados.”
“Havia respeito por alguns funcionários mais carismáticos, mas recordo-me de situações em que alguns contínuos e serventes sofreram algum desrespeito por parte de alguns (poucos) alunos.”