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III. MODÉLISATION DE L’ÉMULATEUR

2. Modélisation en classes

Inicio esse tópico resgatando as principais características da Pedagogia da Alternância, cujo histórico e princípios já foram abordados no segundo capítulo. São eles, o associativismo, o desenvolvimento local e a educação integral; três pilares que articulam diferentes tempos e espaços de formação: escola, família e comunidade. Esse formato é a base que permite a construção de práticas contextualizadas de educação, pois aliam o saber científico ao saber local, trazem para dentro da escola o papel do trabalho na experiência existencial do indivíduo e relacional de comunidades; da cultura na construção de identidades, dos movimentos sociais na emancipação humana. Um modelo que exige um currículo integrado a realidade local, pois “é importante saber que a escola é um espaço que tem uma intencionalidade construída historicamente, essa intencionalidade reflete-se no currículo” (SILVA, 2009, p. 96).

No tocante ao papel do trabalho na educação contextualizada, este se firma no fato de que a Pedagogia da Alternância nasce de uma demanda social e chega à escola, e não o contrário, conforme acentua Arroyo (2012, p. 90): “O trabalho entra nas escolas por meio dos educandos e educadores trabalhadores e membros de famílias de trabalhadores”. Porém, o autor adverte que somente pedagogias diferentes das dominantes poderão fazer com que “[...] o trabalho seja reconhecido como a origem do entendimento e do conhecimento da realidade humana, social, política, cultural e intelectual” (ARROYO, 2012, p. 90). As escolas de alternância do campo procuram elevar o trabalho à categoria formativa integral da pessoa, buscando a conciliar novas tecnologias agropecuárias e antigos manejos, praticados pelos pais dos estudantes. Na EFA Dom Fragoso, essa integração é concretizada nas unidades produtivas instaladas pelos alunos em parceria com suas famílias, base da elaboração do Projeto de Vida da Família Camponesa (PVFC), como é denominado o trabalho de conclusão do curso de técnico em agropecuária. Esse projeto é construído ao longo dos três anos, de forma prática, com assessoria dos educadores. O aluno decide, junto com os familiares, três atividades adequadas à sua propriedade e nela constrói as unidades produtivas, de maneira integrada. Ao final do curso, é apresentado, a uma banca de avaliadores, um projeto com base técnico- científica, viabilidade econômica, planejamento orçamentário e resultados esperados a curto, médio e longo prazos. Dessa forma, o estudante sai da escola com um negócio estruturado que envolve o trabalho familiar para sua manutenção e poderá contribuir para a segurança alimentar, além da geração de renda. Assim, o educando vivencia o cerne da pedagogia do

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campo, de educar com o trabalho articulado ao conhecimento técnico-científico, indo ao encontro do que Silva avalia como uma marca desse modelo educacional:

Não podemos esquecer que o trabalho se dá de forma diferenciada no campo [...] como a maneira como o sujeito do campo produz a existência, como forma de transformação da natureza e do ser humano. Concebemos o trabalho também como método pedagógico capaz de provocar aprendizagens numa articulação permanente entre teoria e prática. A escola tem uma função social que lhe é específica e que diz respeito à socialização e à produção de conhecimentos científicos necessários à vida pessoal e à vida social. (SILVA, 2006, p. 87)

Além do PVFC, a EFA trabalha outro instrumento pedagógico alinhado à pedagogia crítica: o Plano de Estudo (PE). Conforme já apresentado no capítulo dois desse trabalho, essa atividade é norteada por temas geradores que guiam pesquisas dos estudantes em suas comunidades. Os dados colhidos são sistematizados e guiam os planos de aula. Ao final de cada bimestre, os resultados dos PE são compartilhados pelos educandos em suas comunidades, durante reuniões chamadas atividades de retorno. Nas entrevistas semiestruturadas, os Planos de Estudo foram apontados pelos jovens como um diferencial positivo da EFA frente às escolas convencionais:

Foi muito rica a nossa pesquisa. Coisas assim que nem... assim, muitas coisas eu sabia, mas tinha partes sobre a história da família e da comunidade que eu não sabia. E é muito bom, muito diferente, né? A gente costuma estudar em escolas normais só a parte... não estuda a história da gente, da comunidade, da nossa realidade. É muito diferente porque aqui as matérias, quase todas, tem que contextualizar com o que tem no Plano de Estudo, por isso que é bem diferente (Daniel Gonçalves Nóbrega, 24 anos)

A EFA, ela tem como ferramenta principal o PE, que é uma pesquisa de nossas histórias, de nossa origem. Então, você vai pesquisar com pessoas mais experientes, com mais vida no campo, que tem mais anos no campo. A partir disso você já vai pegando aquele afeto, aquele respeito, começa a fazer reunião em conjunto, então, você vai ter um afeto maior pelas pessoas com quem você tá fazendo a pesquisa, assim como as pessoas por você! Então, vai criando aquela harmonia [...] Porque a partir do momento que eu vou praticar o meu PE, fazer a pesquisa, a devolução, a prática, eu estou ali vendo que a gente é diferente, colaborando, ajudando no que é preciso... é assim, não é assim, não é dizer porque é técnico, não bater de frente, impor, porque o saber dele (agricultor) é riquíssimo! Não é porque ele não tem um saber no papel, é na prática, na experiência do fazer, e é da mesma forma, só que a explicação é diferente. (Érica Sousa Santos, 17 anos)

Até então, quando eu participava de outras instituições, de outras escolas, eu não sabia o que era o coletivo, eu era muito individualista, como a maioria das pessoas são individualistas. Eu era muito individualista, tudo eu queria fazer só. E quando eu cheguei aqui na EFA, por meio das circunstâncias e pesquisas, você tem que fazer em coletivo, aí que eu vim aprender como é bom você trabalhar as coisas no coletivo, porque quando várias pessoas se ajudam elas ganham mais força. (Samuel Fonteles Torres, 17 anos)

O ensino da EFA ajuda bastante porque, logo de início, ela questiona, através de sua metodologia de educação, questiona quem você é, qual a sua etnia, o que sua família

192 e comunidade fazem quando reunidos, qual sua cultura, que é o Plano de Estudo. Ela tá sempre incentivando o jovem a estar se questionando, a estar buscando o conhecimento que está perdido, o conhecimento dos nossos avós, tataravós, que foram passados pros nossos pais e que a nossa geração não está mais questionando aos pais sobre essa cultura. (Francisco Raí Fernandes, 22 anos)

A pedagogia que a gente tem aqui, que tem a ferramenta de estudo, como a irmã Siebra diz, que é a coluna da escola, a espinha dorsal, é o PE, que é o Plano de Estudo, e ele abre esse espaço pra gente ser um líder dentro da comunidade. Não um líder de ordenar, de comandar, mas dizer: vamos! De articular, contribuir, ver tudo crescer. (Danilo Braga Rodrigues, 24 anos)

A contextualização dos temas geradores e dos dados colhidos nos PE deve ser acolhida por todos os educadores, em todas as disciplinas. Essa análise é feita pelo próprio educando, que registra no caderno de acompanhamento – espécie de diário de classe, se os assuntos foram contextualizados em sala de aula. Assim, os educadores identificam quais disciplinas ou conteúdos do currículo precisam de mais atenção no tocante à integralidade. A seguir, um exemplo desse acompanhamento:

Imagem 24. Análise de educando sobre contextualização nas disciplinas

Fonte: arquivo da autora

A educação contextualizada, descrita nos documentos da EFA Dom Fragoso, busca a formação crítica e humanística, além da técnica, conforme indica o regimento da escola (EFA, Regimento, 2015, p. 5): “O aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a

193 formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico (grifo deles)”. Conversando com os educandos, muitos deles indicaram que a escola alcança seu objetivo nesse aspecto, conforme se apreende dos depoimentos a seguir.

[...] Aqui, o pai chama a escola da vida., nem é EFA Dom Fragoso, é escola da vida que ele chama. Porque, realmente, já prepara você pra vida, aqui você já convive com vários tipos de pessoas que pensam diferente, que agem diferente, então, a gente já convive aqui que é pra quando for pra fora não se assustar. A convivência em grupo, ela é bastante complicada, porque eu penso de uma forma e a pessoa não gosta do jeito que eu penso e vai ocorrendo aquele atrito, e aqui a gente aprende a conviver com os defeitos e com as potencialidades do próximo. Então, já é uma preparação pra vida, porque lá fora eu já não vou sofrer tanto com essa formação aqui. Pra mim é riquíssimo. (Bruna Glória Pinheiro de Sousa, 15 anos)

Bom, o ensino da alternância ensina você a escutar as pessoas. Então, antigamente eu não escutava ninguém, eu sempre tava certo e também nunca tirava dúvida de ninguém. Aqui eu aprendi muito isso. Aprendi a diferenciar respostas das pessoas. Então, quando a gente faz uma pesquisa, não é sempre a pessoa que dá a mesma resposta. Eu aprendi a assimilar aquelas respostas pra mim poder repassar pra eles, com uma explicação melhor. Aprendi a ouvir o outro e a ficar mais solidário. (Felipe Ramos da Silva, 20 anos)

É muito mais! Pelo menos na minha visão é muito mais. Porque além de estudar a questão técnica na agropecuária, a gente aqui aprende que tem que ter um senso crítico e ter uma visão. Não é toda vida que as coisas são boas, a gente que analisar primeiro. Por exemplo: você pega um documento, você não lê, assina, muitas vezes você... dá errado. Você primeiro tem que buscar informação. (Alexandrino Ribeiro de Freitas, 24 anos)

Mais do que eu esperava ainda, aqui dentro. É uma experiência de viver no meio social, de achar que você pode mudar uma realidade que tá nos oprimindo, e fortaleceu meu desejo de progredir cada vez mais, com planos, com objetivo na vida. (Danilo Braga Rodrigues, 24 anos)

Influenciou demais em questão de tudo, de modo de agir, na família, eu era muito rebelde quando eu entrei na EFA, até agora eu não sou muito essas coisa... mas tô mudando, eles vê a minha mudança, todo mundo de antigamente já vê a minha mudança de agir, de me comportar com as pessoas. Sobre os assuntos do mundo, eu cheguei na EFA fiquei espantada com a maneira de ensinar, porque tem coisas que a gente estuda na EFA que alunos não sabem, não conhecem, porque na EFA não é só ensino técnico, ela te prepara pro mundo. (Maria Luiza de Sousa, 15 anos)

Quando eu vim pra EFA, eu diria que já vim com uma espécie de senso crítico por causa que, graças a Deus, eu sempre tive essa intuição de procurar o que realmente me faz feliz, a ver os dois pontos de vista e eu sempre via realmente que existia um lado desfavorecido. E quando eu cheguei na EFA, eu consegui afirmar tudo isso e ganhar uma base muito mais forte, consegui um argumento bem melhor, eu consegui formar um pensamento que tava ainda primitivo. Hoje, eu tenho um pensamento já mais formado e, graças a Deus, tenho evoluído bastante. Acho que esse processo da EFA nos ajuda entender quem nós somos e o que nós temos que fazer. (Carlos Jaime Almeida de Lima, 17 anos)

Analisando as falas dos educandos, três aspectos sobressaem: a melhoria na convivência por meio do lidar com as diferenças e cultivar posturas solidárias, a formação de uma visão crítica acerca da realidade e o preparo para a vida social, não apenas para o

194 exercício de uma profissão. Além das entrevistas, nas conversas informais com os educandos, pude perceber que a maioria relata ter adquirido maior sensibilidade ao que se passa ao redor, em relação às necessidades do outro e ao cuidado com o meio ambiente, bem como para os fatores que levam à desigualdade social, o que pode sinalizar que a escola busca cumprir o previsto em regimento:

Todas as atividades da EFA terão sempre como objetivo essencial contribuir para a auto-orientação dos/as jovens, promovendo o crescimento gradual e contínuo de todos os requisitos indispensáveis á vivência dos valores humanos mais profundos: consciência de si e do mundo, responsabilidade, liberdade, solidariedade, autonomia, senso crítico e espírito criativo. (EFA, Regimento, 2015, p. 12)

Para alcançar o objetivo supracitado, a Pedagogia da Alternância propõe valorizar igualmente todos os tempos e espaços educativos: o aprendizado no tempo comunidade e no tempo aula, sendo que este não se restringe à sala de aula, mas se estende aos trabalhos de campo nas unidades produtivas e às atividades complementares no turno da noite, que na EFA são chamados serões. Nestes, são realizadas as noites culturais - sobre as quais já discorri em capítulos anteriores-, momentos de orientação educacional por meio de acompanhamentos personalizados que visam a “promover o pleno desabrochar da personalidade do/a jovem, em vista especificamente de atingir os objetivos propostos no presente Regimento” (EFA, 2015, p. 11) e o serão de personalidade, atividade que me chamou atenção pelo propósito de educar através do exemplo. Nesses momentos, equipes de educandos se encarregam de apresentar a história de vida de pessoas consideradas relevantes para a luta popular, ou de momentos históricos marcantes na trajetória dos movimentos sociais. A seguir, a lista de personagens e movimentos revolucionários pesquisados na escola.

195 Tabela 6. Lista de personagens e movimentos populares apresentados no serão das

personalidades da EFA Dom Fragoso Personagens Betinho Che Guevara Chico Mendes Dom Fragoso Dom Helder Frei Tito Ir Dorothy Luiz Gonzaga Margarida Alves Milton Santos Mirtes Souto Nelson Mandela Olga Benário Padre Alfredinho Patativa do Assaré Paulo Freire

Raimunda Boa Hora Rubem Alves Zumbi dos Palmares Movimentos Caldeirão

Canudos Canudos

Ronco da Abelha Fonte: elaborada pela autora

Essas personalidades estão todas estampadas em quadros distribuídos por toda a escola. Abaixo da foto do personagem, há uma breve descrição deste, conforme mostra a imagem a seguir.

196 Imagem 25. Quadro de Chico Mendes, uma das personalidades estudadas na EFA

Fonte: arquivo da autora

A galeria de personagens e os serões de personalidade são uma forma de manter acesa a memória coletiva das lutas populares a partir dos exemplos de lideranças revolucionárias e, possivelmente, passar a mensagem de que cada um pode fazer a mudança no mundo, recriá- lo, como preconiza Paulo Freire (2016, p. 139): Em todas as épocas, os líderes revolucionários que afirmaram que os oprimidos precisam aceitar a luta pela libertação, reconhecem implicitamente o caráter pedagógico dessa luta”. Nas entrevistas semiestruturadas, abordei esses serões, indagando qual personagem foi mais marcante para os educandos. Seguem as respostas.

Sim, tem uma que a gente fez no primeiro ano, que foi Zumbi dos Palmares [...] Zumbi resistiu bastante... Era um grande estrategista de guerra e só foi vencido porque foi traído por um companheiro dele. Ele é um guerreiro bastante inspirador porque a gente tem que seguir assim nesse conceito, de tá lutando contra esses grande, estar lutando contra esse comodismo, pra estar preservando a sua cultura, a sua etnia em si, quem você é e porque você está aqui nesse mundo. Deus botou a gente no mundo pra fazer coisas e pra isso é preciso ter conhecimento de si... (Francisco Raí Fernandes, 22 anos)

Nossa.... eu gosto muito do Che Guevara, o modo dele lutar pelo que ele desejava, mesmo sendo contra poderes maiores do que o dele... ele lutou até o final. Também o Nelson Mandela, por quebrar o tabu. Aquelas pessoas que quebram tabus da sociedade, vamos dizer que sobem no meu ranking, porque o tabu existe muito na sociedade, na mídia... E quando ele (Mandela) se candidatou, foi o primeiro presidente negro... por tudo que ele sofreu pra conseguir o bem comum, é o que acaba me impressionando. (Ana Paula de Lima Pereira, 16 anos)

197 Eu conhecia as personalidades de nome, assim, mas a partir desses serões a gente vê que eles foram realmente pessoas incríveis. O Chico Mendes eu sabia assim, basicamente, que ele tinha sido assassinado no Amazonas, mas a partir do momento da pesquisa que eu fiz, eu vi que ele foi muito guerreiro, que ele desde o início teve que trabalhar com o pai dele nos seringais, não podia estudar e sempre foi tentando mudar a história dele e foi líder de vários sindicatos, foi vereador, ajudou a construir o PT, foi uma figura incrível! (Daniel Gonçalves Nóbrega, 24 anos)

Nelson Mandela. Porque uma coisa que me deixou comovido foi como ele se igualava tanto às pessoas. Quando ele foi colocado na situação de preso, ele ia receber um privilégio além dos outros colegas dele e ele não quis, abriu mão do privilégio e disse que queria ser tratado como todo preso era tratado. O carcereiro disse que ia levar ele pra uma cela especial, trazer roupas especiais pra ele e ele não aceitou, se colocou como qualquer outro que tava lá dentro, ele aceitou o momento que ele tava vivendo. Outra coisa foi abrir mão da família dele. O cara deixou a família pra cuidar da nação, ser o pai da nação, isso me comoveu muito. E dentro da prisão ele se tornou o preso com mais liderança com mais criatividade. Ele não precisou fazer um quebra-quebra dentro da prisão, ele conseguiu fazer hortas, conseguiu trazer roupas novas, conseguiu fazer união, uma paz lá dentro. Me deixou muito emocionado a história de Nelson Mandela. (Danilo Braga Rodrigues, 24 anos) Ô, sou apaixonada! Olga Benário. Desde quando eu entrei no movimento que eu ouvia assim... “Olga Benário..”, aí como a nossa brigada já recebe o nome de Coluna Prestes em homenagem a Carlos Prestes eu disse, “ah, tenho que conhecer”... aí, quando eu vim pra escola, a Eliane falou que o próximo serão seria sobre Olga Benário, aí eu “eita, menino, eu vou me preparar porque Olga Benário não posso perder de jeito nenhum”. Porque pra mim, Olga Benário, ela passa.... além de ser mulher... sou apaixonada por ser mulher, na época dela uma mulher revolucionária é um exemplo pra gente seguir, porque não desistiu até os seus últimos dias lutou, guerreira demais, sempre com a persistência de que queria um mundo melhor, de que sempre vai lutar por um mundo justo e bom em que todos tenham a sua sustentabilidade e que todos conheçam as suas realidades, então Olga Benário pra mim é um espelho! (Bruna Glória Pinheiro de Sousa, 15 anos)

Milton Santos. Porque ele buscou! Sempre com todas as dificuldades na época, por ele ser negro e a questão dele ter sido o primeiro a cursar faculdade, então, ele buscou pra si e não deixou de lutar pelo Brasil. Na época que ele foi exilado, a questão de cor era bastante criticada, negro não podia estudar, ser alguém na vida, deveria trabalhar por migalhas, então ele me inspira bastante. (Felipe Ramos da Silva, 20 anos)

A Olga Benário. Uma história de vida daquela ali, não tem igual. Uma pessoa que lutou até o fim pelo seu objetivo. Foi muito massacrada, tiraram a filha dela, que até hoje é viva, né? Sabe, uma história que você estuda, que você assiste ao filme da vida dela e não cansa de se emocionar com aquelas cenas que você vê? Aquilo ali é manter sua personalidade independente das circunstâncias! Então, é um exemplo de vida, realmente. (Érica Sousa Santos, 17 anos)

Foi a irmã Dorothy. A história dela é muito marcante porque ela foi morta no meio da floresta, e ela é uma inspiração pra mim porque defendeu o meio ambiente e gostava de ajudar as pessoas. (Eugênia Gonçalves da Costa, 18 anos)

Ao justificar a admiração por seu personagem preferido, os educandos destacam três aspectos principais: a resiliência pessoal, a luta pelo bem comum e a quebra de preconceitos pela não aceitação do lugar que a sociedade guarda aos negros, às mulheres, aos pobres etc. Os motivos de admiração podem ser resultantes de uma educação problematizadora, que

198 como diz Freire (2016, p. 133), “[...] tem como fundamento a criatividade e estimula uma ação e uma reflexão verdadeira sobre a realidade”. Ou seja, uma educação crítica que incentiva a conscientização a partir do conhecimento histórico que elucida o presente. Considero que o serão de personalidades é uma das mais fortes ferramentas de pedagogia radical da EFA Dom Fragoso, pois permite conhecer a história de vida de pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para que aqueles jovens estejam em uma escola do campo, totalmente criada e ainda em parte mantida por movimentos sociais, numa espécie de convite aos jovens descobrirem seu próprio caminho na construção do futuro, pois:

A educação crítica é a “futuridade” revolucionária. Sendo profética – enquanto tal, portadora de esperança -, corresponde à natureza histórica do homem. Ela afirma que os homens são seres capazes de se superar, que vão adiante e olham o futuro; seres para os quais olhar o passado deve ser apenas um modo de compreender com

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