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Chapitre III : Modélisation électrostatique de la fiche mâle

III.4 Modélisation électrostatique de la fiche mâle

III.4.1 Modélisation du point triple clip de rétention

A Electrotensão, cuja área de negócio da Energia esteve, desde sempre, presente no núcleo duro das actividades da empresa fundadora e do actual grupo empresarial, constitui-se como sociedade anónima em 1998. Desta forma, autonomiza-se, juridicamente, uma das actividades mais relevantes do grupo: a da produção de equipamentos para a distribuição e transporte de energia eléctrica, assumindo uma importância particular o fabrico de transformadores.

Se, no início do século XX, a aposta recaía no fabrico de motores, a partir, em particular, de 1948, começa a ganhar importância a fabricação de transformadores, tendo arrancado, em 1949, o fabrico dos transformadores de distribuição. A partir desta data, a Electrotensão inicia um percurso em que assume um papel pioneiro, em Portugal, neste ramo das actividades económicas.

Na década de 50, ao fabrico de transformadores vem juntar-se o de disjuntores de média e alta tensão e a potência dos equipamentos fabricados vai, gradualmente, sendo aumentada ao longo dos anos.

Mantendo um percurso de crescimento, o início da década de 60 é marcado pela conclusão da construção das instalações destinadas ao fabrico de transformadores de potência tipo “Shell”. Já em finais da mesma década assinala-se o início da actividade do laboratório de ensaios de alta tensão da divisão de transformadores.

O ano de 1972 é marcado pelo início da actividade de fabricação de construções mecânicas e toda a década de 70 segue a estratégia, já por nós explicitada, de diversificação das actividades, desta feita, também, no âmbito da área de negócio da Energia.

Nos anos 80, temos três unidades de produção em actividade: uma centrada na aparelhagem eléctrica, outra nos transformadores, e uma terceira nas construções mecânicas. Em meados desta década, as duas primeiras subdividem-se em quatro: aparelhagem de média tensão, aparelhagem de alta tensão, transformadores de potência e transformadores de distribuição. Este período constitui uma fase dos “transformadores à boleia”, como refere o responsável pelo departamento de I&D das direcções Aparelhagem de Média Tensão e Transformadores de Distribuição. Isto é, a empresa fabrica a aparelhagem de média e alta tensão e os transformadores de potência e distribuição ao abrigo de uma licença de um outro fabricante que é, na altura, o seu sócio maioritário. Tendo a empresa, apenas, um cliente principal – a EDP – a questão da licença, ainda que limitativa, não colocava, no curto prazo, grandes questões, ao que acrescia o facto de se direccionar, consequentemente, para o mercado nacional.

A partir da década de 90, a empresa abandona a licença com o fabricante, acompanhando a viragem estratégica para o mercado internacional, em concomitância com o esgotamento do mercado nacional159. O crescimento da empresa e as exigências dos mercados impõem uma alteração radical da orientação estratégica ao nível do par produto/ mercado.

Como afirma o responsável pelo departamento de I&D das direcções Aparelhagem de Média Tensão e Transformadores de Distribuição:

Com o decurso da nova política de abordagem do mercado internacional, de facto é uma questão de sobrevivência e também no contexto da política da União Europeia, porque no passado teria sentido haver licenças para países aqui na Europa, de França para Portugal ou de França para Espanha, mas não mais teria sentido, porque as barreiras alfandegárias

desapareceram e portanto nada disso tem sentido. Tudo se perspectivava para que nós tivéssemos a nossa tecnologia própria.

As novas linhas estratégicas da empresa, orientadas para o mercado internacional e para a aposta no desenvolvimento autónomo de tecnologia dos produtos, são, assim, igualmente, contingentes com as transformações que ocorrem no meio externo, devido, em particular aos novos contornos que, com a consolidação

159 Em 2000, os únicos produtos fabricados sob licença são os disjuntores, montados na direcção

da UE, assumem as relações entre os países, bem como, consequentemente, a globalização das relações entre as empresas. A empresa é, necessariamente, influenciada pelas transformações globais que têm lugar aos níveis económico, financeiro, comercial e produtivo, impondo-se o reequacionamento da sua estratégia para conseguir acompanhar as tendências e mutações dos mercados.

Em 1992, são inauguradas novas instalações da empresa destinadas ao fabrico de transformadores de distribuição. Nos anos seguintes, aposta-se, claramente, no lançamento de novos produtos, em particular no domínio dos transformadores de distribuição e de potência, bem como da aparelhagem de alta e média tensão. A par, desenvolvem-se processos de modernização tecnológica assinaláveis, com destaque para o fabrico dos transformadores de distribuição e de potência.

Estes processos de modernização implicam a introdução de mecanismos automatizados vários, uma reorganização dos procedimentos de trabalho e ainda uma ampliação das instalações e modificação do layout fabril.

Como nos diz o director de produção responsável pelos transformadores de distribuição:

Fizemos um grande investimento em termos de infra-estruturas na nossa fábrica e isto tendo em vista um desenvolvimento tecnológico de meios de produção. É obvio que desenvolvemos também a nossa capacidade em termos de engenharia, mas o fundamental em que investimos foi em meios de produção. (...) A grande preocupação foi tornar os

processos o mais automatizados possível devido à concorrência. Foram feitos grandes

investimentos, e a fábrica mudou totalmente. O layout mudou completamente. A própria estrutura do edifício mexeu e remodelamos todas as equipas de trabalho, todos os

processos de trabalho em termos de aquisição de equipamento avançado, em termos de processo tecnologicamente avançado, recorrendo, nomeadamente, à nossa capacidade

interna ao nível de outras empresas aqui sediadas, como por exemplo a robótica que desenvolveu dois centros robotizados, desenvolveu um armazém automático que nos permitiu essa melhoria em termos de equipamento, em termos de tecnologia, e que nos permite

agora, desde há uns anos a esta parte, poder trabalhar para tudo quanto é mundo. (...) Nós dotámo-nos de equipamentos, em termos tecnológicos, avançados, com o objectivo de os produtos que nós fabricássemos pudessem ser competitivos nos mercados internacionais.

A aposta na inovação tecnológica está associada ao esforço de tornar os produtos competitivos e de reduzir os custos de fabricação, vias fundamentais para garantir a presença nos mercados.

Todo o período, que vai desde finais da década de 80 até meados da década de 90, consubstancia-se, deste modo, numa fase de reestruturação da empresa e de aposta na internacionalização. Esta aposta traduz-se, como veremos mais adiante, na expansão da empresa no estrangeiro, marcada pela constituição de joint ventures em diversos países nesta área de negócio, com particular incidência nos transformadores de potência, nos transformadores de distribuição e, numa fase posterior, na

aparelhagem de média tensão. A excepção a este movimento radica no fabrico de construções mecânicas, que começa, progressivamente, a decrescer, a par da redução do seu efectivo, por força da decisão de aquisição deste tipo de produtos a fornecedores externos. O processo de reestruturação é ainda marcado pela aposta na comercialização de produtos de marca própria, como foi acima referido, o que implica um trabalho, particularmente incisivo, sobre a aparelhagem de média e alta tensão.

A constituição da empresa Electrotensão, em 1998, marca o início de um ciclo (que se alarga até ao momento presente) de racionalização das suas actividades, acompanhada por um crescimento de outras empresas do grupo Fasetel. Presenciamos, assim, uma gestão estratégica das actividades da empresa orientada para a rentabilização máxima das suas actividades e para a alienação de todas aquelas que, à semelhança do que já referimos a propósito do grupo empresarial, não constituem apostas centrais ou nevrálgicas da empresa.

A actividade económica da Electrotensão centra-se na concepção e fabrico de soluções integradas e de bens de equipamento para o mercado da transmissão e distribuição de energia. Os seus produtos são, deste modo, direccionados para grandes consumidores.

A empresa subdivide-se em duas unidades de negócio:

- unidade de transmissão de energia, no âmbito da qual são fabricados transformadores de potência, aparelhagem de alta tensão e subestações móveis;

- unidade de distribuição de energia, que garante o fabrico de transformadores de distribuição e de aparelhagem de média tensão.

Estas duas unidades de negócio organizam-se, do ponto de vista das suas estruturas de funcionamento, em quatro direcções, as quais são constitutivas do nosso objecto de estudo, a saber:

- direcção Transformadores de Potência;

- direcção Aparelhagem de Alta Tensão e Subestações Móveis160; - direcção Transformadores de Distribuição;

- direcção Aparelhagem de Média Tensão.

Deter-nos-emos, ainda, sobre a direcção Fabricações Mecânicas, cuja actividade remonta ao início da década de 70, tendo sido extinta em meados de 2001.

160 Esta direcção da empresa é a única que mantém a designação formal de divisão, o que,

possivelmente, se prende com lógicas de funcionamento interno e de promoção dos dirigentes. No entanto, por uma questão de facilidade de exposição e de leitura, optámos por atribuir, igualmente, a designação de direcção, na medida em que a distinção referida não assume qualquer relevância analítica.