3.2 Principes de la modélisation
3.2.1 Modélisation des branchements
A abordagem chomskyana da problemática da linguagem nasce do encontro das perspectivas da Lógica Simbólica, da Matemática e da Linguística e propõe-se a superar os limites da Linguística Estrutural, acusando-a de reduzir a investigação linguística à tarefa de estabelecer inventários e classiicações de unidades e de apresentar, assim, uma visão taxonômica das línguas naturais (PONZIO, 1974; LOPES, 1979).
Do mesmo modo que a Matemática e a Lógica Simbólica se ocupam em construir línguas artiiciais, a teoria linguística pretende reconstruir a gramática das línguas naturais, isto é, das regras que per- mitem ao falante produzir, a partir de um número inito de elementos, uma quantidade ininita de expressões linguísticas novas.
Acusando o Estruturalismo clássico de concentrar-se nos aspectos fonológico e morfológico e de relegar a sintaxe a segundo plano, a gramá- tica de Chomsky elabora uma teoria sintática que ocupa uma posição cen- tral nos quadros de uma descrição sincrônica da língua (LOPES, 1979).
entre dois posicionamentos antagônicos e não porosos: um pensamento político avan- çado e um pensamento linguístico conservador.
Tal teoria aponta para a existência, na gramática de qualquer língua (mecanismos mentais responsáveis pela elaboração das frases), de uma componente capaz de gerar estruturas abstratas de todas as pos- síveis orações. Além dessa componente, denominada componente sin-
tática de base, a teoria sintática distingue também uma componente
capaz de transformar tais estruturas abstratas em estruturas supericiais (sintático transformacional).
Noutras palavras, para Chomsky, a componente sintática de uma gramática tem duas missões: gerar as estruturas de base, ou profundas, das frases, e transformar tais estruturas em estruturas supericiais. Tal operação pode ser descrita representando-se cada etapa de aplicação das regras por símbolos de categorias gramaticais que se hierarquizam em forma de árvores.
Assim, a descrição do processo de geração de frases começa pelo símbolo F, que designa o nível mais abstrato, passa por diferentes símbolos de categorias gramaticais (como SN – sintagma nominal, SV – sintagma verbal, V – verbo etc.) e termina por certo número de ele- mentos lexicais e gramaticais.
A base da frase “Pedro golpeava o cão” poderia, por exemplo, formar-se da seguinte maneira:
A essa teoria sintática, o Gerativismo Transformacional integra uma teoria semântica, que dá uma interpretação das frases geradas pela componente sintática da gramática gerativa, e uma teoria fonológica,
que atribui uma representação fonética à estrutura supericial de tais frases. A gramática de uma língua se apresenta, portanto, como um sis- tema de regras que pode ser analisado em três componentes: a compo- nente fonológica, a componente sintática e a componente semântica.
A partir dessa concepção de gramática e de língua, Chomsky trata de deinir o papel da linguística. Em primeiro lugar, a ela não caberia apenas descrever as estruturas dos enunciados existentes, como faz o Estruturalismo de Saussure. O problema é, principalmente, reconstruir e explicar o comportamento do sujeito falante que, na base de uma ex- periência linguística limitada, é capaz de produzir e compreender ilimi- tado número de frases novas (SCHAFF, 1975).
Em segundo lugar, a análise linguística deve estabelecer quais são as frases gramaticais de uma língua, distinguindo-as das não gra- maticais, que não fazem parte da língua. Deste modo, a gramática gera- tivo-transformacional deve gerar, isto é, caracterizar todas as possíveis frases de uma língua, estabelecendo a modalidade de sua formação.
Em terceiro lugar, ela não pode se limitar a elaborar lista de frases ou elementos. Ela deve dar conta não só das estruturas, mas das transformações que tais estruturas podem sofrer.
Em suma, o estudo linguístico deve tematizar as regras que sub- jazem à formação das expressões linguísticas, isto é, reconstruir racio- nalmente o sistema implícito de regras generativas.
Percebe-se que a teoria chomskyana distingue sua teoria18 – que
pretende ocupar-se de uma capacidade linguística, de enunciados pos- síveis, de processos gerativos – de uma teoria que se ocuparia de uma atuação linguística, de enunciados especíicos efetivamente proferidos. Tal distinção é formulada a partir de dois conceitos básicos: a compe-
tência, ou seja, o sistema de regras que o falante possui e põe em fun-
cionamento no momento da execução efetiva, e a performance, isto é, o uso efetivo da língua em situações concretas. A linguística chomskyana pretende ser, então, uma teoria da competência linguística.
18 É importante alertar que Noam Chomsky tem, durante as últimas décadas, reelabo- rado esse modelo teórico. Porém, não houve alterações significativas do ponto de vista epistemológico.
A teoria chomskyana da linguagem, como se vê, não se limita à linguística. Estende-se também aos problemas da psicologia e da ilosoia da linguagem.
No plano da psicologia, Chomsky trava uma polêmica com as te- orias psicolinguísticas comportamentalistas, que tentam explicar a aqui- sição da linguagem baseando-se em sistemas de conexões de estímulos e respostas, em fatores como repetição e adestramento e na redução da língua a um sistema de disposições, a uma rede de conexões associativas.
Para Chomsky, a teoria de Skinner é insuiciente não só porque se limita à observação dos dados iniciais e dos dados inais (a re- lação input-output), mas também, e sobretudo, porque toma por único objeto de seu estudo os estímulos exteriores, ignorando a estrutura interna do organismo e a maneira como este transforma as informa- ções obtidas (SCHAFF, 1975).
Chomsky não rejeita a tese sobre o condicionamento e o reforço e sua função no processo de aprendizagem, mas observa que as reações aos estímulos signiicantes são determinadas geneticamente e se desen- volvem sem aprendizagem. Além disso, Chomsky refuta a teoria se- gundo a qual o sujeito falante compreende novas frases por comparação com modelos anteriormente adquiridos. Para ele, tal teoria não con- segue explicar o caráter criativo do comportamento linguístico, isto é, o fato de o falante ser capaz de formular e compreender um número ini- nito de frases de sua língua, embora tenha tido à sua disposição, no pe- ríodo de aprendizagem, um número inito de frases. Segundo Chomsky, a teoria comportamentalista da linguagem não consegue explicar o comportamento linguístico porque se ocupa do uso efetivo da língua em situações determinadas e deixa de lado a competência linguística, o conhecimento que o falante-ouvinte tem de sua língua e que torna possível o comportamento linguístico. Na medida em que a Linguística deve realizar-se como teoria da competência do usuário linguístico, e sendo a competência uma realidade mental, a teoria linguística deve ser, segundo Chomsky, necessariamente mentalista. A linguagem seria, então, o produto complexo de uma estrutura inata, presente em todos os seres humanos normais, independente do grau de sua inteligência. A tese das estruturas inatas responsáveis pela linguagem conseguiria
explicar por que uma criança consegue aprender qualquer língua, per- mitindo a Chomsky deduzir a existência de uma gramática universal. Assim, Chomsky postula que, em cada gramática gerativa das línguas particulares, há elementos característicos próprios, que permitem espe- ciicar essa língua, e elementos universais presentes em qualquer língua humana. Decorre daí que uma teoria explicativa da linguagem deve dar conta do estudo de uma gramática universal, o que signiica a compre- ensão também das propriedades gerais da inteligência humana.
Como se pode perceber, a teoria linguística de Chomsky pre- tende deslocar o foco de atenção do sistema linguístico (situado “fora” do falante) para o sistema de regras que regeriam a perfor-
mance individual (a competência – situada “dentro” do falante). Uma
das características principais desse sistema seria a particularidade de ser criativo. Como já se disse, o conhecimento de uma língua equi- vale à capacidade de produzir um número indeinido de frases que pertencem a essa língua – mesmo que não tenham ainda igurado no quadro de experiências do falante, ou mesmo na história da língua – e de compreender, da mesma forma, as produções linguísticas dos ou- tros. O uso linguístico identiica-se, então, com a capacidade criativa, com produção. A produção linguística que interessa a Chomsky é a produção individual. Ela encontra-se ao nível da fala saussuriana. No entanto, para Chomsky,
[...] a teoria lingüística ocupa-se primariamente de um falan- te-ouvinte ideal, numa comunidade completamente homo- gênea, que conhece sua língua perfeitamente e não é afetado por condições gramaticalmente irrelevantes, tais como limita- ções de memória, distrações, desvios de atenção e interesse e erros (casuais ou sistemáticos), ao aplicar seu conhecimento da língua no desempenho atualizante (CHOMSKY, 1967, p. 3 apud ELIA, 1987, p. 12).
Ademais, o conhecimento que o falante tem da língua não é consciente. Trata-se de um conhecimento tácito, quer dizer, o conhe- cimento linguístico consiste na capacidade de falar sem saber por que e como se fala.