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CHAPITRE 5 EXTRACTION D’INFORMATION APPLIQUÉE AU DOMAINE BIOMÉDICAL

5.3. D ÉTECTION D ’ INFORMATION CONCERNANT LA LOCALISATION SUBCELLULAIRE

5.3.1. Vocabulaire

Ao entrelaçar a discussão expressa no pensamento filosófico nietzscheano e à realidade da profissão do bombeiro, considero pertinente mencionar o hino dos bombeiros, citado anteriormente nesta tese.

Para Nietzsche, a vontade de potência está ligada ao destino de busca pela contradição, admitindo, portanto, a copresença flexível das antinomias. Nesta direção, está tecida a trama em que, assim como feio deseja se tornar belo, o frágil busca se fortalecer e o covarde se transformar em bravo. Deste modo, o hino do soldado de fogo simbolizaria essa metamorfose de potência e antinomia a qual está subjugado o bombeiro. Recorrendo às palavras de Nietzsche, na obra Assim falava Zaratustra, ele confirma esta questão dizendo:

Se o mais fraco serve ao mais forte, é que a isso é persuadido por sua vontade que quer dominar sobre alguém mais fraco ainda. E essa é única alegria de que não se quer privar. [...] onde há sacrifício e serviço e olhares de amor, há igualmente vontade de ser senhor. Por caminhos secretos desliza o mais fraco até a fortaleza e até mesmo ao coração do mais poderoso, para roubar o poder. (NIETZSCHE, 1989, p. 107).

A partir das ideias suscitas acima, algumas indagações tomam força: seria a vontade de potência a força que mobilizaria os bombeiros? A missão de preservar a vida do outro, sem que seja possível recuar (ainda que, implique no sacrifício da própria vida), representaria a existência em si mesma, portanto o nível

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superior de potência? Ou, por força da antinomia, estaria o “vilão” lutando para se tornar “herói"?

Figura 8 – O risco e o Bombeiro

Fonte: Santos (2012).

As indagações que estão postas foram concebidas no território da reflexão, não parece pertinente a busca por respostas ou verdade absolutas, pois segundo Nietzsche (1978, p. 92) “Não há fatos eternos, assim como não há verdades absolutas.” Contudo, face os questionamentos acima, devo retificar a perspectiva de luta entre ser x não ser, através da qual se atingirá a força em movimento, ou seja, a vontade de potência. Diz respeito à atitude psíquica de uma alma que é forte e quer alimentar sua potência e que, portanto, não abre mão de legitimar sua coragem, validando o exercício do que havia sido instituído: “vidas alheias e riquezas a salvar”.

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Figura 9 – A farda legitimando a coragem e o risco

Fonte: Santos (2012).

Figura 10 – Bombeiro, o herói poderoso ou virtuoso?

Fonte: Santos (2012).

A fim de aprofundar a discussão sobre o contexto de trabalho dos bombeiros militares, retomarei os princípios que demarcam sua realidade profissional, descritos no Art 1o da Lei Nº 13.438, de 07 de janeiro de 2004 (CEARÁ, 2004), e já apresentados nesta tese.

Observando o que descreve a lei supracitada, penso que a vontade de potência atravessa a realidade profissional dos bombeiros na medida em que esta aparece norteada por leis que simbolizam a vida. Embora paire sobre a profissão do bombeiro uma eminente confrontação com a morte, ainda assim, seria factível admitir que tal profissão esteja circunscrita pela vontade de potência como vida, pois

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a vida é apenas um aspecto particularizado desta vontade, não devendo ser compreendida precisa e necessariamente como uma vontade de viver. A vontade de potência sinalizaria sua relação estreita com a profissão de bombeiro na medida em que se refere às pulsões que fazem a roda da vida girar. Assim para Nietzsche “Uma criatura viva quer antes de tudo dar vazão à sua força - a própria vida é vontade de potência.” (NIETZSCHE, 2006b, p. 20).

Ao produzir uma vinheta, fruto de observação participativa no Quartel Central do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, em obra anterior (MOITA, 2007, p. 50,) descrevo:

Percorrendo o corredor, no primeiro andar do prédio onde ficam os alojamentos dos bombeiros, avista-se uma frase em letras maiúsculas, na

cor vermelha, escrita na parede de cor amarela do prédio principal, parede

esta que fica de frente aos alojamentos dos bombeiros que estão em escala para serviço operacional; a frase é a seguinte: “A palavra covardia não

existe no dicionário do bombeiro”.

A descrição acima põe em evidência a apologia à coragem e à bravura que permeia a profissão do bombeiro, atributos que aparecem legitimados na estrutura física ou mesmo no hino do soldado de fogo (citado anteriormente). Tais evidências convergem para concepção de vontade de potência em seu pleno significado de autossuperação (vontade de potência sobre si próprio), desvelando a ideia nietzscheana de (re)velar os mecanismos da vida.

Compreender a vontade de potência, sob a óptica da profissão de bombeiro, implica em relacioná-la com um desejo insaciável destes profissionais de se fazerem potentes, referenciando a incansável, orgânica e inorgânica força interior geradora de movimento; será nesta direção que o bombeiro se apropriará do jogo de forças que está posto e disponível, atribuindo-lhe sentido.

Ao declarar “Para frente! O que importa a tormenta” (citado por HOLANDA, 1997, p. 348), fica implícito a vontade de ir avante, assenhorando-se de quaisquer coisas, ainda que seja o fogo ou as enchentes, que atravessarem seu caminho. A toque de caixa e clarim, o hino do soldado de fogo, assim como a vontade de potência, proclama e recruta toda a energia vital (pulsão incessante) do indivíduo superior.

O exame desses elementos deixa patente que vontade de potência é uma força que justifica o dinamismo presente no ser humano. Dinamismo este que o leva a realizar suas ações. Significa, pois converter obstáculos em estímulo.

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Para Nietzsche (1998, p. 149), “O homem prefere querer o nada do que nada querer; a vontade de nada, a revolta contra as condições fundamentais da vida, ainda é vontade de potência.” Nesse sentido, parece factível dizer que o bombeiro prefere a “tormenta”18, “o incêndio horroroso e dantesco”19, como fundamento da vida, através do qual ele pode se constituir como ser potente, autossuperado, ao considerar que seus “peitos são férreas muralhas”20, capazes de “vencer o vulcão infernal”21, afinal são “indomáveis leões”22. Corroborando com esta perspectiva e através de um trocadilho entre os verbos viver e escrever, Nietzsche (1989, p. 56) diz: “Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.” Ao trilhar o caminho em que vive (escreve) com fogo (sangue), o bombeiro se aproxima da possibilidade de aprender que fogo (sangue) é vida (espírito), conforme simbolizado a figura 11.

Figura 11 – Escvreve com fogo a luta pela vida

Fonte: Santos (2012).

Por fim, seguindo a mesma direção do pensamento nietzschiano, ressalto que a vida não se movimenta no horizonte de verdades absolutas, portanto a discussão aqui suscitada, bem como as articulações entre vontade de potência e a profissão de bombeiro, não tinham o intuito de elaborar conclusões resolutas,

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Palavra pinçada do hino do bombeiro e articula teoricamente à análise existencialista nietzscheana.

19

Frase pinçada do hino do bombeiro e articula teoricamente à análise existencialista nietzscheana.

20

Frase pinçada do hino do bombeiro e articula teoricamente à análise existencialista nietzscheana.

21

Frase pinçada do hino do bombeiro e articula teoricamente à análise existencialista nietzscheana.

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inquestionáveis e acabadas, mas, sobretudo, de compreender o conceito proposto por Nietzsche, refletindo seus vieses na experiência vivida de ser bombeiro.