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Le modèle de séquence didactique selon Dolz et Schneuwly :

Chapitre 1 :

2. Le modèle de séquence didactique selon Dolz et Schneuwly :

Nossa pesquisa com foco na temática que permeou a interface entre desigualdade, pobreza e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), com referência de estudo no município de Vila Velha/ES nos conduziu a um conhecimento mais abrangente sobre o tema num contexto social e nos direcionamentos da EJA, enquanto uma política pública educacional. As discussões postas em nossos capítulos colocam em evidência nossa problemática estudada, num processo de conhecimento, onde buscamos compreender a EJA em sua configuração, não apenas como uma educação compensatória e emergencial, mas também como uma política educativa de fundamental importância para a superação de entraves sociais de uma ampla parcela de nossa população, que por diversos motivos permaneceu fora da escola e, portanto, sem escolaridade e sem uma maior inserção social.

Em considerações mais gerais e, relevando o viés “educação e inclusão” da política da EJA e as justificativas das reformas educacionais, sempre voltadas para a lógica do desenvolvimento do país, foi possível observar que as tentativas de cumprir essa tendência são grandes, entretanto também são grandes as dificuldades encontradas para a concretização da mesma, porque não se trata apenas de qualificar para um processo de inclusão pelo viés da escolaridade aliada ao trabalho. A complexidade social do público da EJA é norteada por uma diversidade de problemas, dentre os quais o trabalho está inserido no contexto das situações de precariedades, enfrentadas pela grande maioria desta clientela. Assim, apontamos que a EJA, enquanto política pública, tem base em mecanismos voltados para atuar como uma abertura para a cidadania, na medida em que promove a escolaridade e oportunidades de inserção no mundo do trabalho formal, por outro lado, efetivar essa inter-relação entre a formação básica com formação profissional, ainda se constitui em um desafio, no âmbito deste projeto.

Isso se constituiu em uma preocupação, nesta abordagem final, que buscamos pontuar com os resultados de nossa pesquisa de campo realizada em algumas escolas com o programa da (EJA) no município de Vila Velha/ES, com foco nas suas

condições de vida, comunidade, escola e trabalho. Os resultados obtidos nessa análise nos apontaram para uma expressiva presença de jovens na faixa etária de 15 a 17 anos, o que representa a maioria ou quase totalidade dos alunos em sala de aula. Segundo Di Pierro (2001, p. 64), “[...] é o processo notado em todas as regiões do país, assim como em outros países da América Latina, de juvenilização da clientela”. Isso nos leva a refletir e perceber que a EJA está sofrendo um processo de renovação na faixa etária dos seus alunos, isto é, ela se encontra diante de uma clientela cada vez mais jovem.

Por outro lado, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9394/96, Seção V, Artigo 37, prevê que a EJA seja designada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade na idade regular. Assim sendo, o objetivo da EJA é estimular os jovens e adultos trabalhadores a retornar à sala de aula para melhorar sua condição de vida e trabalho, com maior inserção social na construção da sua cidadania. Porém, diante dessa nova clientela, esse propósito precisa ser revisto perante esta realidade, pois o fato aponta para uma progressiva permuta do ensino regular pela EJA, como uma simples solução para que o jovem conclua a educação básica.

Esse fenômeno de juvenilização da EJA pode se tornar uma categoria permanente nessa modalidade de ensino. Fenômeno que pode estar vinculado à aceleração de estudos de jovens com defasagem de idade escolar, para entrar no mercado de trabalho cada vez mais cedo, ou por alunos que estão migrando do ensino regular para a EJA por carências no sistema do ensino regular público. O fato de a LDB nº 9.394/96, no Art. 38, reduzir a idade para ingresso na EJA, de 18 para 15 anos para o Ensino Fundamental e, de 21 para 18 anos para Ensino Médio está sendo identificado como principal fator no aumento desse fenômeno.

Esses jovens passam a solicitar um espaço diferente desse que a escola oferece, um espaço que é dividido com jovens e adultos com faixa etária, ritmos de aprendizagem, interesses e comportamentos diferentes. A ampliação dos anos na escola e a transferência para mais tarde da inserção no mercado de trabalho são sinais reais das reproduções sociais sobre o jovem na sociedade que vivenciamos, mas esse ideal de jovem liberado das pressões do mundo do trabalho e dedicado ao

mundo do lazer fica muito distante da maioria dos jovens das classes trabalhadoras, porém, isso não impede que esse ideal permaneça a nível simbólico.

Os jovens que constituem a clientela da EJA, incluem-se em uma grande parcela da população jovem que necessita adiantar as obrigações sociais relativas ao mundo do trabalho, mas no pensamento de Carrano (2007, p. 3) “Estes alunos cada vez mais jovem que chegam às classes de EJA carregam para a instituição referências de sociabilidade e interações que se distanciam das referências institucionais que se encontram em crise de legitimação”.

Professores e alunos mais idosos reclamam da presença desse jovem aluno da EJA na sala de aula, que na opinião deles, vieram para tumultuar a ordem, entretanto esses problemas podem ser gerados por falta de conhecimento desses alunos, seu cotidiano, suas histórias de vida, isto é, “torna-se cada vez mais improvável que consigamos compreender os processos sociais educativos escolares se não nos apropriarmos dos processos mais amplos de socialização” (CARRANO, 2007, p. 3).

Contudo, no conjunto dos alunos, estão aqueles em consonância com os propósitos da EJA, retomando os estudos em sua segunda chance, buscando recuperar o tempo perdido, ou mesmo aquele adulto que está na EJA para aprender a ler e escrever, pois nunca antes tivera a oportunidade de estar em uma sala de aula. Neste sentido, essa clientela está em exercício do objeto da conquista da cidadania pela formação escolarizada e ou pela alfabetização.

Constatamos que permanece com forte ênfase o caráter de uma política pública compensatória buscando cumprir uma condição emergencial, o que cria barreiras no desenvolvimento de um projeto maior que possa atingir efetivamente um enfrentamento à questão da desigualdade e de combate à pobreza, na busca de uma sociedade menos desigual em nosso país.

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