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Modèle mixte : choix de la structure de corrélation

PARTIE I : Méthodologies statistiques pour l'analyse de la performance

CHAPITRE 4 : EVOLUTION DE LA PERFORMANCE AU COURS DU TEMPS

3.2 Seconde étude

3.2.1 Modèle mixte : choix de la structure de corrélation

As pinturas que constituem o corpus documental de finais do século XV início do século XVI em Portugal são na sua grande maioria de temática religiosa, encontrando-se em ermidas, igrejas, conventos ou capelas. As imagens que constituem estas composições pictóricas, relatam habitualmente passagens da Bíblia, ou figuras de santos, representados com os seus atributos iconográficos auxiliando assim a sua identificação. No caso do Fresco de Monsaraz, não se conhecem exemplares com uma temática semelhante com a qual possamos estabelecer comparações.

Quanto a outras pinturas murais coetâneas em espaço laico e institucional é apenas conhecido um fragmento de uma composição fresquista nos Antigos Paços do Concelho de

164 Túlio Espanca 1978, op. cit. p. 390 165

Idem, ibidem pp. 390-392

64 Estremoz. Trata-se de um elemento decorativo constituído por uma imitação de panos de brocado e que Luís Afonso considera pertencer ao período tardo-medieval. No que resta desta composição fresquista parece haver ainda indícios de inscrições com caracteres góticos.167

Quanto às caraterísticas formais, cores dos pigmentos e técnica, encontram-se semelhanças com variadíssimas pinturas tardo-medievas a norte do país das quais tomamos como exemplo a figura de Cristo de S. Salvador de Tabuado.

Quanto às semelhanças formais, Luís Afonso refere que a pintura de Tabuado lembra vagamente “algumas da soluções encontradas pelo Mestre Monsaraz-Beja no Sul do país.

Nas pinturas realizadas por este Mestre em Monsaraz e em Beja encontramos respostas formais idênticas, nomeadamente no desenho dos olhos ou na articulação da forma nariz – sobrancelha, partilhando ainda o aparente arcaísmo das soluções plásticas.

Em relação à datação, este autor considera que a pintura de Tabuado foi executada no reinado do Venturoso porque (…) esta apresenta o recurso de uma abóboda achatada

como coroamento do espaço (…) recorrendo a mísulas discoides como pendentes esféricos, -uma solução que é própria da época manuelina. Outro exemplo é dado pela modulação do manto de Cristo (…) Pensamos que esta pintura terá sido realizada em torno de 1500, e o último quartel do século XVI.168

Ilustração 8-S. Salvador de Tabuado

167

Luís Afonso 2009, op. cit., pp. 297-298. 168 Luís Afonso 2009, op. cit., vol. II, p. 740.

65 Na Igreja de Igreja de S. Tiago de Adeganha encontram-se diferentes campanhas de pintura. São visíveis semelhanças entre o Fresco de Monsaraz e a segunda campanha de pintura desta igreja que está datada de (c.1510-30)169 e onde a principal figura que se pode observar representa S. Tiago. Esta imagem encontra-se enquadrada por uma barra de motivo geométrico, elaborada com o método de estampilha muito ao gosto da pintura tardo-medieval em Portugal.

169 Luís Afonso 2009, vol. II, op. cit., p. 22.

Ilustração 9- Barra de enquadramento S Salvador de Tabuado, fonte Bessa2007 anexo IIp.31

Ilustração 10- Barra de enquadramento Fresco de Monsaraz

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Ilustração 11- Ressurreição Igreja de Adeganha

Note-se a semelhança no panejamento das personagens das fig. 13 e a semelhanças dos Cristos em ambas as figuras.

É possível encontrar no corpus documental da pintura fresquista tardo-medieval portuguesa, elementos muito semelhantes aos do Fresco de Monsaraz. Apenas para citarmos alguns exemplos, encontramos o mesmo arquétipo do “príncipe em majestade”, com que foram construídas as figuras dos juízes, nas pinturas do Divino Salvador de Tabuado; semelhanças com os Cristos de S. Salvador de Bravães, e S. Tiago de Adeganha, todas estas obras estão datadas de finais do século XV e inícios do século XVI

Outro indicador muito relevante, reside nas grandes semelhanças entre a pintura do Bom Juiz e a pintura mural que se encontra na Ermida de S. André em Beja: “ as duas terão sido

executadas pelo mesmo mestre” que Luís Afonso designa de “Mestre Monsaraz- Beja”. Na

parede onde se encontra o frontão de altar da ermida, são visíveis dois anjos heráldicos que seguram as armas de D. Manuel, pelo que sua datação não oferece dúvidas. Pelas

67 afinidades plásticas entre as duas pinturas, podemos estabelecer uma cronologia próxima para o Fresco do Bom Juiz situando-o no reinado de D. Manuel.

Ilustração 12 - Anjos Heraldicos Ermida de S.André Beja

Note-se a semelhança entre os rostos, panejamento, as mãos, o rosto e os elementos decorativos com o Fresco de Monsaraz.

Em relação à época em que se teriam usado os trajes, as cabeleiras e barba, patentes nas personagens do Fresco de Monsaraz Dagoberto Markl apresenta um estudo em que estabelece comparações entre a pintura de Monsaraz e as gravuras das Ordenações Manuelinas, impressas em Lisboa por João Pedro de Cremona, no ano de 1514., Dagoberto Markl observa que:

“Os chapéus dos Juízes e dos corregedores figuram nas gravuras dos livros III, IV e a espécie de opa que envergam os magistrados, com aberturas para enfiar os braços, vê-se num dos figurantes do livro III, que, para além disso, tem um chapéu idêntico e na personagem em primeiro plano à direita, do livro IV”.

A barba dos intervenientes é importante para a datação. Em Monsaraz cinco figuras ostentam barba: O Bom Juiz; os dois corregedores com uma barba curta que envolve a face mas sem o bigode complementarmos; o homem julgado, a barba hirsutas do

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corruptor com as perdizes, Nestes três tipos de barba encontramos vários exemplos nas gravuras das Ordenações. Particularmente apelativa é a semelhança do rosto do Bom Juiz com o rosto de D. Manuel I” 170.

Pelas razões aqui expostas consideramos que a pintura de Monsaraz foi executada no século XVI, durante o reinado de D. Manuel I, depois da edição das OM de 1514, de João Pedro Buonhomini, que continham de um conjunto de 5 gravuras impressas nos cinco volumes do código legislativo de D. Manuel I impressos por Valentim Fernandes, e o final do reinado do venturoso em 1521.

6. A abordagem de Skinner e a iconografia política