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Modèle d'intégration de la sécurité et de la conception

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Chapitre II :

2. Modèle d'intégration de la sécurité et de la conception

De um modo geral, as pesquisas que associam História Oral e migração pautam-se na utilização de entrevistas – individuais ou não – com grupos advindos da mesma localidade e investigam sobre as mudanças sociais promovidas pela convivência com moradores do local de origem. Meu interesse, contudo, se estende à percepção da alteridade, ao alcance das mudanças subjetivas, às relações afetivas, entre outros efeitos acarretados pelo deslocamento de cada sujeito entrevistado, já que, como bem elaborou Thomson (2002), se valendo das palavras de John Bodnar,

[...] a história oral é uma ferramenta importante para entender [...] os ‘mundos internos’ dos imigrantes, para explorar como a ‘subjetividade’ e sonhos – de indivíduos família e comunidades informam e moldam a experiência da migração em todos os seus estágios, e é por sua vez transformada por essa experiência (THOMSON, 2002, p. 349).

Para tanto, concentro-me no testemunho pessoal sobre a experiência do migrar (THOMSON, 2002), pois aquele permitirá uma visualização do processo de imigração individual na sua forma mais peculiar: a partir do ponto de vista singular daquele que migra. A contribuição, nesse caso, do campo da História Oral em associação com os estudos sobre mobilidades jaz no ato de conceder visibilidade à narrativa de imigração através das produções de fontes orais, isto é, através das rememorações dos seus deslocamentos posso reconstituir as trajetórias dos sujeitos e contar suas histórias. Alberti (1996b) alerta para o vínculo intrínseco entre experiência e língua, já que a segunda é o veículo de transmissão da primeira. Estarei retomando mais adiante, sobre a influência da língua nos relatos.

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Segundo Joan Wallach Scott (1999, p. 42) a “experiência é uma história do sujeito. A linguagem é o local onde a história é encenada”. Assertiva essa corroborada por Norman Fairclough (2010, p. 93) quando este elenca que os discursos são “[...] formas de significar áreas da experiência a partir de uma experiência particular [...]”. Logo, os discursos enunciados nos remetem às experiências individuais, nos oferecendo nuances do que a pessoa experimenta e, deslindam aspectos acerca da construção imagética, via memória, sobre os percursos de suas vidas.

Em muitas situações, a História Oral, enquanto ferramenta metodológica de investigação, ajuda no momento do “grupo de relacionamento” (PORTELLI, 2005), a revelar a tomada de consciência do entrevistado em relação, no caso da pesquisa que realizo, à ação do migrar, como se ele refletisse sobre suas ações de forma crítica e em relação à coletividade, como é o caso de Steve ao trazer, de forma histórica, uma reflexão sobre seus conterrâneos:

um comentário que eu acho interessante para você e que demonstra a minha diferença com a maioria dos, digamos, migrantes. Bom, não com a maioria dos britânicos migrantes a essa região. Eu vou voltar um pouco no tempo, no século XIX chegaram muitos britânicos, não sei se você sabe eu estudei, eu dei palestra, eu escrevi sobre essa matéria. Por exemplo, Recife, Recife, na segunda metade do século XIX, as primeiras duas décadas do século passado, os britânicos mandaram tudo lá e pouca gente sabe disso. (STEVE, 2012)

Ao mesmo tempo em que Steve se coloca no ponto de intersecção com os conterrâneos ‘enquadrando-se’ na categoria ‘migrante’, ele se distancia dos mesmos apontando ser diferente. Não posso obliterar o fato de Thomson (2002) relatar sobre a continuidade da experiência de migração, já que a mesma não se encerra quando da chegada ao lugar onde se pretende ir. Pelo contrário, uma vez iniciada sua jornada, o sujeito estará sempre construindo a sua experiência migratória, ainda que se considere estabelecido na sociedade-lar. Além disso, a experiência migratória sofre grandes contribuições daqueles que a antecedem no que tange semelhanças e diferenças, como bem destaca Steve.

Através dessa ponderação de Thomson (2002), noto que a relação entre a memória e a experiência do migrar não deve ser considerada como tendo um ponto de conclusão, afinal, tanto a memória

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83! quanto a experiência do migrar são subjetivas. Apesar de poder indicar, sem muita precisão, uma época para seu início, o seu fim é, ‘precisamente impreciso’, indeterminado pela própria circunstância de estrangeiro que migra, pois por mais longa que seja sua estadia no país de estabelecimento, ele se vê na condição de estrangeiro. O relato de Peter sobre se, em algum momento, ele já se sentiu, ou se sente alienado, reflete isso:

hmm, às vezes, não é, é difícil, é um pouco frustrante, eu acho que sempre, como um estrangeiro vivendo no exterior, você sabe, eu aqui ou você na América, ou qualquer um, por mais que saiba a língua e faça amigos, e entenda a cultura, eu acho que você vai sempre ficar, ligeiramente, de fora, se isso faz sentido, porque você não cresceu aqui, você não frequentou a escola aqui, eu não sei. Como, por exemplo, hoje eu fui à academia, pela manhã, e eu tenho um grupo de amigos lá, eles são bons amigos e nós fazemos piada, mas, às vezes as piadas, eu não compreendo completamente, ou eu não acho tão engraçado quanto o resto do pessoal acha, são as pequenas coisas, eu acho, mas não tanto. (PETER, 2013)21

Sua narrativa traduz o viver físico na cultura, mas não o viver mental que fora construído por intermédio da convivência e do passar dos anos. Seus anos de experiência desde a mudança e o estabelecimento talvez não sejam suficientes para lhe dar a base e o conhecimento de mundo que lhe permita compreender piadas, comportamentos e usos vocabulares. Desligar sua mente – e, consequentemente, todo o seu conhecimento cultural – por completo e começar do zero não seria uma estratégia válida, portanto lhe resta observar e refletir, além do constante aprendizado ao que é exposto. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

21 Ahm, sometimes, it is not, it’s difficult, it is a little bit frustrating, I think

always, as a foreigner living abroad, you know, me here or you in America, or anyone as much as like know the language and make friends, and understand the culture, I think you will always gonna be slightly outside, if that makes sense, because you haven’t grown up here, you didn’t go to school here, I don’t know. Like, for example, today I go to the gym, in the morning, and I have a group of friends there, they are good friends and we joke around but sometimes the jokes, I just don’t fully understand or I don’t think of it as funny as everyone else thinks it’s funny, it’s little things, I think, but not too much. (PETER, 2013)

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Ainda que seja naturalizado de acordo com as leis do país, um estrangeiro estará constantemente exposto ao aprendizado de novas tradições e costumes, agregando à sua identidade cultural novas visões de mundo, como em um patchwork identitário. Saliento que tal fato não ocorre somente com estrangeiros, mas igualmente com brasileiros de diferentes regiões do país que, ao se deslocarem dentro do Brasil, se encontram em uma situação favorável à apropriação de outros costumes e tradições do local para onde se deslocam ou podem passar por experiências semelhantes.

Na esteira da vertente italiana que proporcionou uma visão da História Oral como uma metodologia e uma teoria munida de sofisticação e que alia os estudos de subjetividade, aos de memória e aos aspectos linguísticos da narrativa (PORTELLI, 1996a), nada mais natural do que associá-la à Análise Crítica do Discurso, metodologia de investigação linguística que, a meu ver, complementa a análise em História Oral, uma vez que possibilita uma apuração minudente das nuances linguísticas, presentes nas escolhas lexicais, elementos que evidenciam as características subjetivas dos sujeitos em suas trajetórias. ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO

Já indiquei que a metodologia de seleção, produção e condução do material de pesquisa é a da História Oral, que mostra ser plural e interdisciplinar. Isto posto, me inspiro na metodologia de investigação linguística da Análise Crítica do Discurso para refletir a respeito dos discursos, uma vez que “o discurso contribui [...] para a construção do que é referido como ‘identidades sociais’ e ‘posições subjetivas’ para os ‘sujeitos’ sociais e tipos de ‘self’” (FAIRCLOUGH, 2010a, p. 64), categorias que são caras para essa pesquisa, que tem os sujeitos como ponto central.

É importante deixar claro que uso o conceito de self com base nas reflexões de Anthony Giddens (1991, p. 75) que o destaca como um projeto de responsabilidade do sujeito, afinal “somos o que fazemos de nós mesmos”. Para o autor, o processo de reflexividade do self envolve relações contínuas entre o passado e o futuro, que permitem ao sujeito se “auto atualizar” e perceber e ‘agarrar’ novas oportunidades de experiências. As mobilidades aqui descritas estariam em conformidade com o pensamento de Giddens já que os sujeitos aproveitam a chance de deslocamento para outro país e, a partir dela, geram mudanças – não só físicas como também do self.

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85! As narrativas contadas pelo sujeito e que compõem suas identidades, são as narrativas do self, do sujeito reflexivo que recupera seu passado no presente e reflete sobre ações futuras com base nas experiências vividas. São essas narrativas, vistas na forma de discursos que analiso pelo viés linguístico.

A Linguística, em consonância com outras disciplinas da área de Ciências Humanas, não representa uma disciplina exata. Ela configura o estudo das linguagens e suas evoluções no decorrer dos tempos, consequentemente, não pode ser entendida como uma episteme estática, hirta, não passível de transformações. Destarte, o que se compreende ao analisar um discurso pode variar de linguista para linguista, a depender da sua ‘mala de mão’, noção que será abordada no próximo capítulo, quando as reflexões teóricas sobre deslocamentos são apresentadas.

Através da Análise Crítica do Discurso, o enfoque se volta para a organização linguística do discurso e como esta toma sentido quando inserida no contexto da prática social. Carmen Rosa Caldas-Coulthard (2008, p. 29) afirma que “comportamo-nos através da linguagem”, então, abordar as questões discursivas está no escopo de ação de segmentos no exercício da análise social. Falar sobre os significados que os sujeitos atribuem aos fatos e às experiências transcorridas na história e nas suas vivências é considerar os dispositivos linguísticos presentes na oralidade, alguns transferidos para a escrita, e que permitem fazer interpretações acerca do tema pesquisado.

A análise inspirada na metodologia proposta por Fairclough (1989) dispõe de variadas ferramentas que partem desde o texto, passando pela interação do texto com seus interlocutores, até atingir o contexto social que esse texto pode proporcionar. Além disso, o texto pode ser analisado por meio de três estágios: descrição, interpretação e explicação.

Faz-se mister ressaltar o fato de que, se fosse me valer somente das palavras e seus significados isolados, não poderia contar com o aparato sociocultural que cerca as palavras no discurso e promove a presença da “representação de mundo” (FAIRCLOUGH, 2010b, p. 46), de conhecimentos, das experiências e vivências dos sujeitos sobre temas diversos – o background – os quais, por sua vez, são elementos refletidos nos discursos. Fairclough (1989) ilustra que o background representa uma ferramenta que serve aos participantes do ato comunicativo em múltiplas formas, já que tanto serve ao narrador, na produção textual quando leva sua percepção de mundo, como serve ao

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interlocutor que, a partir do material enunciado interpreta o texto de acordo com a sua percepção de mundo.

Como exemplo de background, utilizo o excerto de Robert que, ao falar da origem dos seus pais (Dominica22), é questionado por mim se já esteve naquele país: “sim, sim! Eu já estive lá, eu gosto deles, mais uma vez, a cultura lá, me lembra muito a do Brasil, até um certo ponto, em uma escala menor, você entende?” (ROBERT, 2013)23. A proximidade e, por assim dizer, afinidade com o Brasil parece ter tido no país de origem de seus pais, como também as semelhanças culturais que o entrevistado mencionou, sem especificar quais, a princípio. Enquanto ferramenta de interpretação percebo que a empolgação e o apreço de Robert pelo país (Dominica) demonstra sua percepção positiva quanto à localidade, o que favorece a aproximação com o local. Além disso, a utilização da expressão de confirmação ‘você entende?’ busca no interlocutor interatividade e corroboração da informação o que, nesse caso, refere-se à semelhança cultural entre os dois países.

A forma como o texto é enunciado pelo narrador pode guiar o interlocutor em uma via de interpretação que segue o posicionamento do primeiro. No caso do enunciado de Robert sobre a semelhança cultural entre Dominica e Brasil, sou levada a crer que as culturas de fato se assemelham. Inicialmente, pelo meu modesto conhecimento sobre as Antilhas, o qual já trago comigo em decorrência de leituras e experiências anteriores, e posteriormente, através da representação que Robert descreveu sobre elementos culturais, exemplificados em música e comida. A reprodução ideológica, ou não, de visões de mundo, através das interpretações do interlocutor, dependerá da capacidade crítica deste em se posicionar, sempre que possível, de forma neutra, objetivando munir um tratamento coerente com os objetivos propostos.

Já mencionei que três são os elementos essenciais na análise crítico-discursiva: o texto, o discurso e a prática social, caracterizando a perspectiva tridimensional. Uma análise que não considera tais elementos pode levar a uma interpretação limitada, no mínimo, ou de !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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A Dominica não deve ser confundida com a República Dominicana. A primeira pode ser referenciada como Comunidade das Nações de Dominica e está localizada na porção oriental do arquipélago caribenho, ao passo que a segunda está localizada ao norte do Caribe. Informações disponíveis em: <http://www.dominica.dm> Acesso em: 13 jan. 2014.

23 Yes, yes! I have been there, I like them, again, the culture there, it reminds me

a lot of Brazil to a certain extent, on a smaller scale, you know? (ROBERT, 2013)

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87! pouca intensidade semântica para o contexto investigado. Fairclough (2010a), ao descrever o percurso histórico da Análise do Discurso e da Análise Crítica do Discurso, assevera que não há um sistema ou uma análise do discurso que possa compreender todos os detalhes, os quais podem variar desde o uso de figuras do discurso à paralinguística. Aqui, analisei quais critérios, características e elementos, pertencentes à metodologia de análise, são pertinentes ao projeto de pesquisa. Então, selecionei-os e incorporei-os à abordagem interdisciplinar para aplicá- los. Sabendo da amplitude analítica que a Análise Crítica do Discurso dispõe, acompanho a sugestão do autor e disponho, a seguir, os critérios que transformei em ferramentas úteis para a minha investigação.

Para a análise que segue esta ótica, sigo os procedimentos analíticos através da perspectiva bottom-up, isto é, parto da menor unidade para a maior, isto é, do que o sujeito experimenta de maneira individual para as suas semelhanças, ou diferenças, com outros sujeitos, em situações análogas. Apesar de ser uma análise tridimensional, seria muito difícil segmentá-la. Por isso, considero que a análise textual conduz, automaticamente, às inferências nas dimensões textuais, discursivas e sociais simultaneamente, já que, ao analisar textos são realizadas avaliações de formas e de significados (FAIRCLOUGH, 2010b). Assim, não me detenho em analisar as características formais ou as unidades gramaticais isoladamente, mas sim a importância das mesmas no contexto enunciado pelo sujeito. Quando considerarei necessário, fiz apontamentos e interpretações sobre especificidades vocabulares enunciadas.

Ao iniciar pelo texto, analiso a lexicalização realizada pelo entrevistado e como tais escolhas lexicais podem revelar características subjetivas e sua prática discursiva e social; investigo ainda quais valores esses vocábulos possuem para os narradores (FAIRCLOUGH, 1989); e aproveito a oportunidade para identificar utilizações pronominais e a relevância destas para a compreensão discursiva. Nesta fase, a descrição e a interpretação desses termos auxiliam a compreensão das maneiras diferentes de utilizar o léxico, as quais identificam posições e ou sistemas ideológicos diferentes (FAIRCLOUGH, 2010a), levando-me à prática discursiva. Para ilustrar, ofereço o seguinte excerto de Robert, quando ele descreve a saída de cidadãos das Antilhas para a Grã- Bretanha: “[...] voltando [ao assunto], nós falamos, eu falei contigo sobre várias pessoas vindo para Londres, os ingleses depois da Segunda

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Guerra Mundial [...]”(ROBERT, 2013)24. Fairclough (1989) fala sobre o uso do “nós inclusivo”, quando o pronome serve ao propósito de acrescentar ao discurso a presença do ouvinte, ou do leitor. Se inicialmente, Robert reconhece que o contexto situacional é dialógico – ‘nós falamos’ –, logo adiante ele reforça que é ele quem detém o conhecimento das informações que me fornece – ‘eu falei contigo’ – e reivindica a sua autoridade enquanto entrevistado.

A prática discursiva, por sua vez, representa a percepção da sociedade e como o sujeito absorve ou ignora os discursos, interagindo textualmente (FAIRCLOUGH, 2010a). Aproximo-me mais dessa prática, ao fazer referência ao plano das ideias daquele falante e como as subjetividades são representadas. Nesse aspecto, os discursos enunciados pelos falantes podem refletir ideias próprias ou, em uma esfera amplificada, noções advindas de discursos propagados na esfera societal, o que corresponde à prática social. Durante a conversa sobre as Antilhas, pergunto ao Robert sobre a língua falada no local ao que ele me responde:

eles falam o que é chamado de pídgin francês, um francês quebrado. Então o francês que eles falam, gramaticalmente, pode estar incorreto, mas é a língua que é usada na ilha. Mas eles falam aquilo com inglês também. (ROBERT, 2013)25.

Sua noção sobre a variação linguística nascida do contato entre os nativos da região das Antilhas e os colonizadores franceses é a de uma língua ‘incorreta’, fraturada por não obedecer, legitimamente, às regras léxico-gramaticais do francês, noção provavelmente difundida pelos franceses entre os cidadãos do local. Se ao mesmo tempo ele defende a prática social sobre uma língua ‘quebrada’, em paralelo, ele mostra-se resignado em reconhecer que aquela é a língua usada pela população, se posicionando enquanto sujeito crítico e que não aceita a noção de língua ‘quebrada’.

Mais adiante, quando pergunto se seus pais e irmãos falam inglês, ele me responde: “sim, eles falam em inglês é claro. Aquela [pídgin francês] seria a primeira língua para a qual eles se voltam. É !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

24 […] just going back, we talked, I talked to you about a lot of people coming

over to London, the British after the second World War […] (ROBERT, 2013)

25 They speak what is termed as a pidgin French, a broken French. So the

French they speak, grammatically, it might be incorrect but it is the language that it is used on the island, but they speak that with English as well. (ROBERT, 2013)

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89! conhecida como patoá, você já ouviu falar desse termo?”(ROBERT, 2013)26. A utilização da expressão ‘é claro’ se dá em decorrência do local de habitação da família – Londres – refletindo o contexto linguístico de vivência da família e, portanto, a língua a qual podem recorrer. Contudo, é na figura da variante linguística francesa, o patoá, que eles se apoiam. Durante a entrevista, menciono que, por uma escolha lexical pessoal, prefiro não utilizar a terminologia pídgin e sim o patoá, ao que ele me confirma: “sim, é uma expressão depreciativa, não é? P-A-T-O-I-S [e então soletra]”(ROBERT, 2013)27, o que mostra a crítica de práticas sociodiscursivas acerca da utilização do termo pídgin.

Ao alcançar a prática social, vários contextos (FAIRCLOUGH, 2010b) são trazidos à baila como o de situação, fazendo referência ao momento em que o discurso é enunciado; o contexto institucional, que se remete à institucionalização do discurso como ideologias e pensamentos políticos, para citar alguns; e o contexto social mais amplo, que combina, mescla, inclui ou exclui ideologias, percepções, tudo isso face à cultura em que os discursos são proferidos. A visão de mundo do sujeito é traduzida no seu discurso e revela seu posicionamento:

[...] os ingleses, depois da Segunda Guerra Mundial, os ingleses precisavam de muitas pessoas para vir para Londres para trabalhar e a Dominica era uma dessas ilhas que eles haviam colonizado na época e eles pediam para as pessoas virem e trabalharem em Londres e meu pai aproveitou aquela oportunidade para vir.

(ROBERT, 2013)28

A Grã-Bretanha exerceria certa influência na requisição de mão de obra laboral durante o período do pós-guerra na região da Dominica que, muito provavelmente, não dispunha de um mercado de trabalho amplo. A saída da ilha, localizada na região das Antilhas, e mudança para outra ilha, mas desta vez, parte do continente europeu, significou uma ‘oportunidade’ para o pai de Robert, oportunidade de mudança não !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

26 Yea, they speak in English of course, that would be the first language that

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