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10 000 4,317 1,604 0,109 0,051 1,727 0,007 Les résultats des tests de Wilcoxon pour l'égalité des médianes et des tests de Fisher pour

3.3 Le modèle d'estimation de coût des reservoirs à carburant

É possível identificar estudos realizados nos Estados Unidos que se dedicam a compreender o fenômeno denominado de welfare stigma que seria o estigma gerado pela exposição pública da participação do indivíduo em programas de bem estar, ou seja, a vergonha, o constrangimento, embaraço e a desaprovação social que afeta o beneficiário de um programa de bem estar que é observado por outras pessoas (BESLEY, COATE, 1992; YANIV, 1997; BARR, 2000; STUBER, SCHLESINGER, 2006; MANCHESTER, MUNFORD, 2009).2

Grande parte da sociedade norte-americana, sobretudo em função dos valores da cultura protestante, percebe a pobreza como uma forma de desvio social, consequentemente pessoas que necessitam de assistência pública são rotuladas como preguiçosas, desprovidas de ambição, indolentes e até mesmo maus pais (RAINWATER, 1982; SOSS, 2000).

Walker (2014) aponta que as políticas de combate à pobreza deliberada ou inadvertidamente potencializam a vergonha experimentada por pessoas em situação de pobreza o que poderia levar a corrosão da agência individual.

Stuber e Schlesinger (2006) a partir da consideração do desenho de programas de bem estar nos EUA postulam as seguintes hipóteses acerca da formação de estigma relacionado à participação em programas sociais: 1-atribuições individuais de responsabilidade sobre a pobreza levará a um aumento de estigma; 2- atribuições sociais de

2 No Brasil não é possível identificar um corpo de estudos robustos que se dedicaram a entender o fenômeno denominado de welfare stigma nesses termos, entretanto é possível apontar trabalhos que se dedicam a analisar o discurso predominante feito pela mídia acerca do Bolsa Família no qual seria possível perceber uma narrativa marcada por falas associadas ao paternalismo, clientelismo e assistencialismo do programa (MARQUES, ROCHA, 2007; CASTRO et al, 2009). Popularmente é comum ouvir expressões tais como Bolsa Esmola, Bolsa Preguiça etc. como maneiras de desqualificar o programa e seus beneficiários.

responsabilidade sobre a pobreza levará a uma diminuição de estigma; 3-a experiência negativa em acessar esses programas levará a um aumento do estigma e; 4-indivíduos com maior necessidade perceberão menos o estigma. Os autores destacam a interação dos múltiplos estigmas e os efeitos do contexto social nesse fenômeno. Nesse sentido, negros apontam níveis mais altos de estigma do que brancos, e negros que vivem em comunidades com maior concentração racial de minorias relatam menos estigma, por exemplo.

Stuart (1975) comparou os níveis de estigma reportados pelos destinatários de dinheiro em espécie em relação a aqueles que receberam o benefício em forma de produtos e constatou que os beneficiários de prestações pecuniárias relataram significativamente maior estigma.

O sentimento de estigma ao participar de programas sociais é dependente do foco do programa, mas também de características dos indivíduos e sua história de vida (ROGERS-DILLONS, 1995). Baseado em entrevistas com dez mulheres americanas que receberam recursos da assistência pública, o autor argumenta que o estigma social é forjado na interseção entre a “plateia” social, a situação e a história de vida do beneficiário e, portanto, é mais dinâmico e fluido do que tem sido reconhecido. Desse modo, Rogers- Dillons (1995) questiona o pressuposto de que o estigma social seria um fenômeno coerente e relativamente constante. O autor destaca também a aplicabilidade do quadro teórico do interacionismo simbólico para o estudo do welfare stigma, visto que esse é capaz de iluminar os aspectos situacionais e relacionais do estigma social, particularmente em termos de gestão dos símbolos de estigma.

Nos Estados Unidos, beneficiários da previdência social que se identificam com a classe mais baixa e acreditam que o país propicia oportunidades iguais aos indivíduos sentem maior impacto negativo do estigma (GOODBAN, 1985). O autor identifica três estratégias que os beneficiários se utilizam para lidar com o estigma social: 1- distanciamento quanto ao fato de serem beneficiários; 2-internalização do estigma negativo, o que leva a uma sensação de desamparo e baixa autoestima e 3-aceitação participação no programa sem internalizar o estigma baseado na crença de que essa situação é causada por uma sociedade injusta.

Mattos e Ponzek (2009) buscaram investigar a relação entre estigma, às decisões de emprego e frequência escolar nas famílias que participam de algum programa de transferência de renda. Os autores utilizam dados quantitativos coletados de famílias

pobres e os resultados encontrados indicam que o estigma é maior entre os ocupados e os mais escolarizados, e é menor entre homens e indivíduos brancos.

No Brasil, é possível identificar estudos que buscam analisar os efeitos das políticas de transferência de renda na vida dos seus beneficiários no que diz respeito a aspectos menos tangíveis. Entretanto, tais estudos não têm se dedicado a entender possíveis processos de estigmatização associados à participação nesse tipo de programa social. A avaliação de impacto do Programa Bolsa Família (Cedeplar, 2007) realizada com beneficiários no ano de 2005 aponta que o programa tem efeitos no poder de barganha feminino na família. Isto é, em razão de sua condição de sua titularidade preferencial do benefício, a mulher ganha maior autonomia decisória quanto à alocação e uso dos recursos nos domicílios - sendo esse efeito maior para o Nordeste do país.

Bronzo e Prates (2011), em análise do Programa Bolsa Família no município de Belo Horizonte, encontram indícios de efeitos do programa no que diz respeito à ampliação da esfera de sociabilidade das mulheres, alterações das relações intrafamiliares e na percepção da autoeficácia das beneficiárias.

Internacionalmente, a avaliação do Programa Progresa, programa mexicano de transferência de renda, evidenciou o efeito da participação no programa na decisão feminina de se divorciar em razão da maior independência feminina e de conflitos gerados em razão da alocação do recurso recebido (BOBONIS, 2011). No que diz respeito à violência doméstica a avaliação do mesmo programa encontra resultados controversos, a participação em programas de transferência de renda pode resultar em aumento da violência no domicilio em razão de conflitos quanto à posse e uso do recurso recebido, como também atua empoderando financeiramente as mulheres e reduzindo episódios de violência doméstica (BOBONIS; GONZÁLEZ-BRENES; CASTRO, 2013).

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