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A ocupação de terra é importante estratégia utilizada pelos movimentos socioterritoriais, que reúne em torno de si famílias vítimas das injustiças do campo, que sofrem exclusão, expropriação, exploração e repressão por parte dos latifundiários. É através da ocupação que essas famílias tem um perspectiva de mudança da realidade, da conquista do território e da inclusão no sistema de produção.

Apesar de toda discrepância em torno da criação de assentamentos rurais no Brasil e no estado do RN, essa pesquisa deixa claro que as ocupações, sem dúvida alguma, são indispensáveis para o acesso a terra. Ficou claro também que as organizações sociais do campo, principalmente o MST, são de grande incentivo para que as famílias camponesas sem- terra encontrem uma maneira de pressionar o Estado para a realização da reforma agrária.

Outra informação importante, resultado dessa pesquisa, mostra que o MST é o movimento mais atuante na luta pela terra no Brasil e no RN, principalmente, entre os anos de 2003-2017, tendo esse liderado sozinho todas ocupações realizadas nas Mesorregiões Leste, Agreste e Central Potiguar e participando ativamente nas ocupações ocorridas na Mesorregião Oeste. As demais ocupações foram promovidas por sindicatos rurais, CPT e a FETARN, tendo esses atuado somente na Mesorregião Oeste entre 2003/2017.

É válido destacar que historicamente o processo de construção da organização da luta pela terra no RN contou com fortes resistências, mas desde os grandes proprietários, como da própria Igreja Católica. Daí, esse pode ser um dos motivos que faça do estado potiguar um território com lutas pela terra que acontecem de forma mais branda se comparado a outros estados brasileiros ou nordetinos, como Pernambuco.

Embora todas as dificuldades e a luta por terra no RN não ser tão corpulenta como em outros estados, esse estudo demonstrou que o RN foi um dos estados que obtve números elevados de famílias assentadas no período analisado em relação a famílias que lutaram por terra, em destaque os anos de 2003 a 2010, onde, 4.655 famílias participaram de ocupações, sendo 4.086 assentadas. Totalizando, entre 2003/2017, 6.693 famílias ocuparam terras e 4.126 foram assentadas, um percentual de 61% de famílias beneficiadas. Mas, apesar da ação do

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MST e demais movimentos sociais no RN na luta por terra, e números um tanto quanto otimistas, os dados mostram um enfraquecimento gradativo das ações em prol da reforma agrária no campo potiguar, o que teria por consequência uma concentração ainda maior de terras, gerando assim mais desigualdades e miséria no campo.

Ainda, mesmo com os inúmeros de assentamentos criados no estado potiguar no período ora analisado, concluimos que a terra permanece concentrada e que de fato não há realização da reforma agrária e sim políticas de assentamentos no estado. Nesse sentido, levando em consideração que a maioria das famílias ocupantes de terras foram assentadas em municípios distintas de onde ocorreram as ocupações, isso nos leva crer que não houve desapropriações de latifúndios e muito menos desconcentração fundiária, o que está previsto na política de Reforma Agrária.

No Rio Grande do Norte, a Reforma Agrária caminha a passos lentos, a luta pela terra não tem tanto fólego como em outros estados do Nordeste e demais regiões. A realidade rural no estado é dura, o campo potiguar encontra-se na porção semi-árida do Nordeste, o déficit hídrico característica marcante dessa região, resultante da escassez pluviométrica, além de grande porção do estado possuir condições de solo pouco favoráveis para o plantio, a exploração da mão de obra rural e o domínio do agronegócio detentores de avançadas técnicas agrícolas, concentram latifúndios cada vez maiores.

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