Chapitre 2. Stratégie expérimentale
2.2 Mesure des propriétés thermiques
2.2.2 Mesure de diffusivité thermique
2.2.2.2 Modèle bicouche 3D avec pertes thermiques
1) – Estudo de caso Metropolis
Ficha Técnica
Título Original: Metropolis Ano: 1927
Realização: Fritz Lang
Argumento: Thea von Harbou e Fritz Lang, baseado na novela de Thea von Harbour Metropolis
Intérpretes: Brigitte Helm (Maria/andróide), Alfred Abel (Johann ‘Joh’ Fredersen),
Gustav Fröhlich (Freder), Rudolf Klein-Rogge (Rotwang)
Produção: Erich Pommer Fotografia: Horst von Harbou
Montagem: Eugen Schüfftan, Ernst Kunstmann Música: Gottfried Huppertz
Género: Ficção Científica Origem: Alemanha Duração: 118 minutos
Distribuidora: UFA – Filmverleih GmbH, Berlin
Justificação da selecção
Metropolis, realizado pelo alemão Fritz Lang, constitui a primeira grande utopia
tecnológica da história do cinema. Filme mudo inscrito na corrente expressionista,
Metropolis foi, na época, uma superprodução com elevado orçamento, cujo fracasso
inicial conduziu à falência os seus financiadores. É hoje considerado uma obra-prima, tendo-se tornado num filme de culto. A sua selecção justifica-se também pelo facto de ser um filme de produção europeia, ao contrário dos restantes, e, sobretudo, pelo seu conteúdo se manifestar ainda muito actual.
Sinopse
A acção deste filme situa-se por volta do ano 2000, numa cidade governada pelo super empresário industrial Joh Fredersen. Metropolis é uma cidade moderna, bela, limpa, organizada e rica, onde impera todo o tipo de tecnologia e na qual todos os habitantes levam uma existência saudável e hedonista. Apresentando-se como uma metáfora do paraíso prometido, esta cidade esconde, no entanto, no seu subsolo uma terrível realidade: milhares de operários escravizados vivem e trabalham num ambiente constituído por uma parafernália de máquinas tecnologicamente avançadas. Os operários têm na doce Maria a sua líder, que apela à espera paciente pela chegada do «Mediador», uma espécie de Messias que virá um dia para os arrancar da escravidão. Entretanto, Freder, filho de Fredersen, ao conhecer Maria, apaixona-se por ela.
Fredersen rapta Maria e ordena ao louco cientista Rotwang que crie um andróide à imagem dela, todavia mau e malévolo, de modo a que este a substitua no sub-mundo dos operários. Sem que os operários se apercebam desta troca, o robô Maria passa a incitar à rebelião, instalando o caos e precipitando uma espécie de apocalipse com a iminente explosão de toda a maquinaria existente na fábrica de Fredersen. A catástrofe, contudo, não chega a seu termo, devido à libertação da Maria humana e à atempada destruição do andróide que a substituíra.
O filme termina com a reconciliação entre Fredersen e os operários, promovida por Freder, que assim personifica o «Messias» libertador.
Qual a resposta de Metropolis aos desafios da Modernidade?
Realizado há mais de oitenta anos, Metropolis constitui uma notável reflexão sobre os grandes desafios que se colocavam à concretização da Modernidade na sua época, mantendo-se, contudo, impressionantemente actual no início deste século XXI. Apesar de se tratar de um filme mudo, a interpretação das suas respostas aos desafios da Modernidade revela-se clara num misto de pessimismo e de renovação da esperança.
Desafios ao cumprimento de uma sociedade moderna
1º desafio - Transformar a democracia num modelo de organização política de natureza participativa e, ao mesmo tempo, torná-la autónoma em relação ao modo de produção capitalista.
Na sua antecipação do futuro, este filme prevê que o mundo venha a ser governado pelo poder dos poucos, neste caso pelos grandes empresários capitalistas. As classes trabalhadoras não têm qualquer direito de participação na política da cidade, limitando-se à sua miserável rotina de trabalho numa indústria perigosa, na qual são frequentes os acidentes de trabalho perpetrados por máquinas tecnologicamente avançadas, mas de difícil controlo. É esta indústria que sustenta a fortuna e o poder daqueles que governam. Trata-se de uma visão que preconiza o triunfo do capitalismo e a concentração de poder nas mãos dos grandes empresários, numa sociedade claramente desigual. Todavia, a insustentabilidade deste sistema acaba por se revelar, o que conduz ao happy end da reconciliação entre poderosos e oprimidos.
A utopia tecnológica de Metropolis oferece-nos, assim, um cenário em que a supremacia da racionalidade cognitivo-instrumental, patente na detenção da tecnologia por parte do grande capital, significa o idílio apenas para uma pequena minoria. A reconciliação final - que constitui a verdadeira utopia deste filme - propõe-nos o entendimento entre todos os homens, o que só se torna possível após a destruição das máquinas que simbolizam o poder daqueles que as detêm. Uma democracia de todos e desligada do capitalismo é perspectivável, mas só quando a utopia deixa de ser tecnológica.
2º desafio - Criar uma consciência universal para a protecção do ambiente.
Metropolis apresenta-nos um futuro com dois tipos de ambiente distintos: a
mega-cidade moderna, ordenada, limpa, com belas moradias e jardins luxuriantes onde habitam os ricos e poderosos, e o sub-mundo industrial, poluído, escuro e caótico no qual habitam os operários. A antevisão de dois mundos com diferentes atmosferas não deixa de ser curiosa aos olhos do observador dos dias de hoje: a crise do ambiente é global, mas sabe-se que são os habitantes dos países pobres quem mais sofre com as suas consequências. As indústrias poluentes também se têm vindo a deslocalizar, cada
vez mais, para países menos desenvolvidos e mais populosos, nos quais a mão-de-obra é barata e abundante. Deste modo, os países ricos, com uma actividade económica fortemente terciarizada, vão-se assemelhando a uma Metropolis, enquanto que os países em vias de desenvolvimento se vão aproximando paulatinamente do sub-mundo industrial que este filme nos apresenta.
Porém, a anunciada catástrofe no sub-mundo dos operários não deixa Fredersen indiferente. É certo que aquilo que o move sãos os seus interesses ligados ao lucro, e não a solidariedade com aqueles que se encontram em estado de pré-agonia. O fim desse sub-mundo significa o fim do seu poder: é lá que se encontra a sua gigantesca indústria repleta de máquinas sofisticadas. Contudo, os diferentes interesses convergem para salvar um mundo que se encontra perto do seu fim: uns procuram salvar a pele, outros, a fortuna. Os esforços conjuntos do capitalista e dos operários demonstram-se insuficientes em relação às máquinas, mas permitem poupar a vida dos muitos que ali habitam.
É possível encontrar, na utopia tecnológica de Metropolis, a consciência de que o avanço da tecnologia industrial coloca o ambiente em perigo, fazendo perecer as condições de sobrevivência de milhares de seres humanos. Mas, a intervenção de todos só se vislumbra perante o iminente apocalipse do sub-mundo. No final, a catástrofe destrói as tecnologias, a atmosfera é salva e os operários sobrevivem. Mais uma vez a utopia é possível quando deixa de ser tecnológica.
3º desafio - Construir uma sociedade da informação que configure uma oportunidade de participação de todos no sistema democrático.
Metropolis foi realizado muito antes da massificação dos media e da era da
informática. Talvez por isso, não se encontrem alusões significativas à sociedade da informação nesta antecipação do futuro. Parece, no entanto, relevante referir que no gabinete de Fredersen existem ecrãs nas paredes, nos quais os seus contabilistas vão realizando todo o tipo de cálculos. Despesas, receitas e lucros são apurados a partir da introdução de dados nestes dispositivos tecnológicos, numa clara antevisão do escritório da era digital. De observar ainda, que a todos os operários são associados códigos numéricos, de forma a permitir uma rápida identificação dos mesmos. O processamento de informação é uma realidade em Metropolis, mas não lhe é dado um tratamento
suficientemente aprofundado, para que lhe possamos interpretar qualquer resposta a este terceiro desafio da Modernidade.
4º Desafio - Impedir que a globalização se transforme num instrumento de domínio do Ocidente, conduzindo-a no sentido da criação de uma comunidade do bem-estar universal.
O fenómeno da globalização pós «Guerra-Fria» estava muito longe de acontecer na época em que este filme foi rodado. A equipa comandada por Fritz Lang não teve como equacionar esta questão na sua abordagem ao futuro. No entanto, é notável a forma como Metropolis antecipa uma das principais questões que a globalização hoje nos coloca: a existência de dois mundos no mesmo mundo. O mundo dos poderosos, rico, limpo e organizado pode ser considerado uma metáfora do Ocidente dos nossos tempos, enquanto que o mundo dos operários, pobre, sujo e caótico pode bem representar a vida nos países em vias de desenvolvimento. A existência destes dois mundos tão diferentes e desiguais inviabiliza a realização de uma comunidade do bem- estar universal. A mensagem de Metropolis a este respeito é, contudo, uma mensagem de esperança. A reconciliação final entre Fredersen e os operários pretende demonstrar que o desejo de um outro mundo, mais fraterno e mais justo, deve ser mantido. Sem esse desejo de utopia não parece ser possível realizar a Modernidade.
Desafios à assumpção de uma existência humana moderna
5º Desafio - Obliterar o individualismo e o neo-tribalismo como formas de viver em sociedade, procurando um sentido de existência social mais abrangente e integrador.
As formas de vida em sociedade que Metropolis nos apresenta não se parecem com o individualismo ou com o neo-tribalismo. Quer no mundo dos poderosos, quer no mundo dos operários o existir social é fortemente comunitário. Apenas os representantes da racionalidade cognitivo-instrumental, o empresário Joh Fredersen e o cientista Rotwang, parecem levar uma vida mais isolada e solitária. No entanto, há que salientar uma cena de Metropolis que exprime bem como formas de neo-tribalismo podem emergir nas sociedades comunitárias. O auto de fé que condena Maria à morte na fogueira é promovido por iniciativa popular, após os operários concluírem que esta é
a causadora do iminente apocalipse. Sem saberem que se a condenada é o robô ou a Maria humana, uma vez que não as conseguem distinguir, os carrascos sacrificam uma delas rejubilando durante o atroz espectáculo. Esta passagem do filme recorda-nos que comportamentos considerados banidos das sociedades modernas (motins, revoltas populares), voltam a recrudescer nos dias de hoje demonstrando o quanto a nossa Modernidade se encontra inacabada.
Deste modo, é possível concluir que o futuro que esta utopia tecnológica nos propõe é marcado pelo sentido de comunidade, embora o individualismo e o neo- tribalismo sejam tomados em consideração enquanto manifestações pontuais de uma existência menos salutar.
6º Desafio - Evitar a ignorância da especialização, apelando a um tipo de educação mais humanista e menos centrada na racionalidade cognitivo-instrumental.
O futuro que Metropolis nos apresenta foi imaginado há mais de oitenta anos, num tempo em algumas das questões que nos ocupam neste trabalho ainda não se colocavam com a mesma agudeza com que se manifestam hoje. Não obstante, a especialização baseada na racionalidade cognitivo-instrumental imposta ao mundo moderno faz parte do perfil de alguns dos personagens desta utopia tecnológica. O empresário Joh Fredersen ocupa-se das contas relacionadas com as suas indústrias, o cientista Rotwang vive centrado nas suas investigações e nos seus inventos, enquanto que os operários obedecem à sua rotina fabril. Todos parecem ser inteiramente competentes nas funções que desempenham o que permite manter o status quo deste mundo planificado. Mas é precisamente esta especialização que conduz à cegueira sobre as possíveis consequências de uma sociedade baseada no capitalismo e na tecnologia. Fredersen não se apercebe que a escravidão dos operários pode transformar-se em revolta, Rotwang não antecipa os efeitos que o seu robô pode causar e os operários vão- se resignando à sua infelicidade sem perspectivar outra condição para as suas vidas.
O desejo de outro sentido para a vida formulado por Maria vem alterar este estado de coisas. Entendendo que todos os seres humanos devem partilhar dos mesmos direitos e da mesma dignidade, Maria inicia um processo de esclarecimento junto aos operários de modo a que estes se apercebam da sua miserável condição, apelando, contudo, a uma paciente espera pelo «Messias» libertador. Entretanto, Freder e Maria apaixonam-se e aproximam-se. É então que a jovem mostra ao seu amado o verdadeiro
mundo de Metropolis, para além dos clubes de desporto e de diversão que o filho de Fredersen frequenta. Impressionado com as condições de vida no sub-mundo dos operários, Freder passa a apoiar Maria na sua luta pela dignidade universal.
Freder e Maria são, assim, os personagens que incarnam a cultura humanista contra os excessos da racionalidade cognitivo-instrumental do capitalismo e da técnica, posição que conseguem levar a bom porto no happy end desta utopia tecnológica. Depois de destruída a maquinaria das indústrias de Fredersen e aniquilado o robô que se fazia passar por Maria, Freder assume o papel de mediador entre o seu pai e os operários conseguindo promover a reconciliação final. Freder é o «Messias» anunciado por Maria, o tão desejado e aguardado libertador do sub-mundo dos operários.
É assim que Metropolis nos transmite uma mensagem de esperança, fazendo-nos acreditar que é possível edificar uma outra Modernidade.
7º Desafio - Rejeitar a concepção maquínica e inumana do Homem que a tecnociência nos tem vindo a impor.
O robô concebido por Rotwang, para substituir Maria no sub-mundo dos operários, é tão perfeito que ninguém dá conta da diferença entre mulher humana e mulher-máquina. Só o louco cientista e Fredersen conhecem todo o segredo em torno desta troca, aliás, foram eles que a engendraram. É assim que a racionalidade cognitivo- instrumental, representada por estes dois personagens, aceita e realiza a concepção maquínica do humano sem antecipar as consequências que a circulação de um ser com estas características pode acarretar.
O andróide Maria, programado para ser malévolo e desgraçar os operários, acaba por se exceder nas funções que lhe são confiadas, escapando ao controlo dos seus mentores e promovendo a destruição do sub-mundo industrial. Esta espécie de apocalipse aterroriza os operários, que não querem ter um fim tão atroz, e Fredersen, que não quer perder a base da sua faustosa fortuna e do seu enorme poder.
A destruição do andróide e o salvamento da Maria humana simbolizam a rejeição da dimensão maquínica e inumana inerente aos seres programados e manipulados que a tecnologia nos permite conceber. Mais uma vez, Metropolis nos deixa uma mensagem optimista sobre as opções que a Humanidade deverá fazer no futuro.
Síntese crítica dos resultados
Metropolis consuma o grande ideal de reconciliação da Humanidade que a
Modernidade nos legou. Mas isto só é possível porque se trata de uma utopia tecnológica que no final se desembaraça da sua tecnologia. Desenvolvendo-se na resolução da tensão entre afirmação utópica e negação da técnica, Metropolis constitui uma visão para o cumprimento da Modernidade que precisa de utopia, mas dispensa a tecnologia.
2) – Estudo de caso O herói do ano 2000
Ficha Técnica
Título Original: Sleeper Ano: 1973
Realização: Woody Allen
Argumento: Woody Allen e Marshall Brickman
Intérpretes: Woody Allen (Miles Monroe), Diane Keaton (Luna Schlosser), John Beck
(Erno Windt), Mary Gregory (Dr. Melik), Don Keefer (Dr. Tryon).
Produção: Charles H. Joffe e Jack Rollins Fotografia: David M. Walsh
Montagem: Trudy Ship Música: Woody Allen
Género: Comédia / Ficção Científica Origem: EUA
Duração: 83 minutos
Distribuidora: Informação indisponível
Justificação da selecção
Realizado em 1973, O Herói do Ano 2000 constitui a grande utopia tecnológica de uma década marcada pela crise internacional e pelo pessimismo. Abordando de forma satírica todas as grandes questões que se colocavam a um futuro incerto, este filme é entendido como uma antevisão crítica do mundo que nos é possível construir. Mais de trinta anos passados, é ainda hoje um filme muito actual.
Sinopse
Depois do apocalipse causado pela guerra nuclear e da reedificação do novo mundo, um homem submetido ao processo de criogenia (congelamento para adiamento da morte) há cerca de duzentos anos, é devolvido à vida, confrontando-se com um tempo diferente do seu, ao qual terá que se adaptar. A sociedade que o recebe no ano 2173 parece estar dividida em dois grandes grupos: os que vivem atormentados por um regime totalitário que controla tudo e todos, e os que vivem de forma acrítica compensados pelo conforto proporcionado pelo elevado grau de sofisticação científica e tecnológica e pela organização limpa e asséptica do meio ambiente. É precisamente uma equipa de cientistas inconformados quem tem a ideia de trazer Miles para este mundo do futuro. Numa sociedade em que todos os indivíduos são identificados, catalogados e controlados por poderosas tecnologias, poucos são os que se arriscam a participar em actividades consideradas subversivas pelo «Grande Líder», o ditador que governa este mundo unificado. Miles não consta no sistema informático, podendo por isso movimentar-se no sentido de apoiar a resistência sem ser identificado e, assim, derrubar o regime totalitário.
As inúmeras peripécias vividas pelo protagonista mostram-nos um mundo único, dominado pelo capitalismo das grandes multinacionais e pela lógica da tecnologia, onde qualquer dissidência é tratada com recurso à «lavagem cerebral». Robôs antropomórficos, vegetais em tamanho gigante, fatos espaciais e uma polícia sempre vigilante e interventiva são alguns dos ingredientes que, à mistura, complicam a missão de Miles neste mundo do futuro. Mas a ligação a Luna, dona de Miles enquanto este se faz passar por robô, e sua companheira de aventuras a partir do momento em que o mesmo se revela como homem, permite-lhe escapar de um destino atroz.
Qual a resposta de O herói do ano 2000 aos desafios da Modernidade?
Apesar de se apresentar em registo de comédia, esta utopia tecnológica afigura- se como a mais completa, de entre as seleccionadas, do ponto de vista da reflexão que nos sugere. A história é-nos contada de forma muito viva, a sociedade é-nos caracterizada de forma muito complexa e os personagens são muito críticos e opinativos.
Desafios ao cumprimento de uma sociedade moderna
1º desafio - Transformar a democracia num modelo de organização política de natureza participativa e, ao mesmo tempo, torná-la autónoma em relação ao modo de produção capitalista.
Nesta visão do futuro, Woody Allen apresenta-nos um mundo unificado governado por um homem a quem chamam «Grande Líder». A presença deste ditador faz-se sentir na vida quotidiana da população planetária: aparece todos os no encerramento da emissão televisiva e faz um discurso semanal ao qual todos devem assistir. Aliás, não assistir a este discurso ou perder parte dele é considerado um pecado a redimir no confessionário electrónico. Todas as pessoas suspeitas de conspirar contra o «Grande Líder» são capturadas pela polícia e submetidas a um processo de «lavagem cerebral», ou seja, de simplificação do cérebro.
É sob este totalitarismo que um grupo de resistentes, escondido na floresta, começa a organizar uma revolução. Todavia, a resistência teme que o novo projecto governamental – o Projecto Aires – tenha por objectivo aniquilá-la. A missão de Miles é descobrir em que consiste este projecto.
O objectivo deste Projecto Aires é, porém, bastante diferente: trata-se de um projecto de clonagem do «Grande Líder», uma vez que este foi morto num atentado que não chegou ao conhecimento público. A cúpula política que assessorava o ditador não conseguiu, entretanto, identificar alguém ao nível da sua sucessão. Todavia, cientistas próximos do poder conseguiram conservar o nariz do «Grande Líder». A única solução possível para manter o status quo em que vive a sociedade mundial é reconstituir o homem que a governou a partir da parte do corpo que se salvou.
Miles consegue boicotar o Projecto Aires com a ajuda de Luna e, assim, abrir caminho à tomada do poder por parte da resistência. Contudo, Miles procura refrear o entusiasmo de Luna em relação à nova liderança de Erno, antecipando que este, uma vez no poder, não será muito diferente do ditador anterior. Segundo o protagonista desta utopia tecnológica, não existem soluções políticas para os males do mundo.
Em O herói do ano 2000, a sociedade normalizada sob a liderança do «Grande Líder» encontra no capitalismo a sua forma de organização económica. Neste mundo único, a economia é dominada pelas grandes multinacionais, curiosamente aquelas que
conhecemos hoje (a MacDonald’s, por exemplo). O capitalismo permite que a sociedade seja suficientemente rica através de uma tecnologia que produz a abundância para todos. Os campos agrícolas exibem bens alimentares em tamanho gigante cultivados com o recurso a alimentadores electrónicos. As indústrias produzem em série