Recommendations and next steps
6. A mobile first approach for studio and workshop in art and design practice and
Três foram os procedimentos utilizados para a coleta e produção dos dados: (1) o primeiro envolveu a documentação pedagógica utilizada pelas professoras, produzida ou não por elas; (2) o segundo abrange a produção e condução de filmagem das práticas conduzidas pelas professoras em sala de aula; (3) o terceiro abarca a produção de um diário de campo a partir das observações realizadas em sala de aula com base nos três pontos descritos como guia para a investigação.
Considero como documentação pedagógica os planos de aulas, os projetos de ensino, os diários de classe, o material e recursos didáticos, ou seja, os artefatos que as professoras utilizam ou produzem para organizar as práticas pedagógicas do ensino de Ciências no ciclo de alfabetização.
O segundo procedimento utilizado, a filmagem das aulas das professoras, foi amparado pelos estudos de Loizo (2008), Rose (2008) e Duarte e Eisenberg (2011). Para esses autores, a videogravação é um procedimento de pesquisa que permite observar nuances talvez impossíveis de serem observadas pelo pesquisador sem o auxílio de um equipamento como a filmadora. Apontam o recurso de videogravação como profícuo quando o pesquisador pretende pesquisar a prática docente, já que a filmagem propicia ao pesquisador evidenciar não só a fala e a entonação da voz, como também os gestos e posturas corporais da professora e das crianças, em diferentes momentos de relação: entre as crianças; entre professora e crianças; entre crianças e objetos. Todas essas facetas podem ser melhores observadas pelo recurso da videogravação porque o investigador, ao olhar as situações filmadas, terá diferentes situações capturadas, sob diferentes ângulos.
Darling-Hammond et al. (2005) fizeram uso do recurso da videogravação para analisar e problematizar os cursos de formação inicial de professores, apontando a importância da prática aliada à teoria. Um dos estudos feitos em relação ao ensino dos professores que estão em formação foi a proposição da filmagem como “poderoso” recurso para aprender a ensinar. De acordo com Darling-Hammond et al. (2005), a filmagem possibilita ao professor observar os processos de ensino e aprendizagem acontecendo, o que possibilita uma análise real da prática. Segundo os autores, cursos que utilizam a videogravação/filmagem têm um importante recurso para explorar a linguagem que o professor em formação está utilizando e a
ação efetiva dos estudantes e dos professores em formação, possibilitando a discussão de casos reais de ensino e não artificiais.
A partir das contribuições de Darling-Hammond et al. (2005), podemos perceber que a videogravação/filmagem é um poderoso recurso que pode ser utilizado quando a pretensão é a compreensão sobre a formação e ação de professores. Na formação continuada, a perspectiva da utilização da filmagem, trazida por Darling-Hammond et al. (2005) também pode ser utilizada como recurso interessante, pois minha intenção foi de, justamente, utilizar casos reais de ensino de Ciências para a análise.
Sendo assim, disponibilizei uma filmadora para que as professoras registrassem suas práticas em aulas por elas escolhidas. Orientei-as no processo de montagem da câmera, inclusive solicitando que a posicionassem em lugares distintos da sala de aula. Entendo que, como a pesquisa é com as professoras e não sobre as professoras, tornava-se pertinente introduzi-las nos processos de pesquisa, desde a coleta de dados. Esses momentos foram de extrema importância para a sistematização da pesquisa porque as professoras foram entendidas como produtoras e coprodutoras do processo de captura dos dados; as professoras entenderam, compreenderam e aceitaram realizar as filmagens. Minha intenção era de que pudessem, livremente, eleger situações e momentos de suas práticas pedagógicas relacionadas à área de Ciências para serem filmadas. A cada professora foi solicitado que fizessem a filmagem de três ou quatro situações de ensino.
Realizei observações em duas escolas, visto que duas professoras atuavam na escola A e a outra, na escola B. Os registros da observação foram feitos em um diário de campo que sistematizou o que observei sobre as práticas pedagógicas das professoras alfabetizadoras e outros elementos relativos ao processo de relação pedagógica entre professora e crianças. Procurei, por meio da observação, verificar quais outras situações de ensino propostas às crianças traziam conhecimentos relativos às Ciências e como eram explorados. Ao longo do diário de campo fui fazendo anotações sobre impressões e reflexões acerca do processo de observar situações de ensino em sala de aula conduzido por professoras dos anos iniciais e, sobretudo, sobre os conteúdos e as práticas de ensino que eram organizadas e realizadas com as crianças.
A pesquisa produziu um conjunto de dados a partir dos três procedimentos acima destacados, porém, os casos de ensino descritos e analisados no capítulo 7, deste relatório de pesquisa, resultam da sistematização das videogravações, tendo em vista elas foram efetivadas pelas professoras, que escolheram momentos de sua prática para registrar e compor a pesquisa. Os demais dados coletados foram utilizados quando julguei pertinentes para ajudar a entender, a compreender e a analisar os casos de ensino organizados.
Todas as etapas da pesquisa foram conduzidas por meio de acordos, formalizados em forma de contrato, sendo eles de consentimento, de autorização e de esclarecimento. Entendo que tanto o pesquisador como os pesquisados (pesquisados, neste momento, é referido em sentido amplo, ou seja, a secretaria de educação enquanto órgão gestor, a escola enquanto unidade gestora, as crianças e as professoras, sujeitos desta pesquisa) precisam estar respaldados e necessitam, ainda, compreender quais são os acordos e os compromissos necessários para desenvolver a pesquisa. O conteúdo dos acordos e compromissos estabelecidos estão descritos nos apêndices 1, 2, 3, 4 e 5.
Embora a pesquisa com crianças não tenha sido o foco metodológico central da pesquisa, entendo que participaram ativamente porque são sujeitos que atuam na sala de aula, sofrendo e produzindo ações a partir da prática pedagógica que é conduzida pela professora. Entendo, ainda, que a sala de aula, enquanto espaço de trabalho coletivo, exige o dar voz às crianças; por isso, elas também tiveram voz ativa nesta pesquisa e, nesse sentido, também foram informadas sobre a pesquisa e tiveram sua participação, o uso de sua imagem e voz respaldadas mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, feito por seus pais ou responsáveis.
Em síntese, as etapas desta pesquisa foram:
1. definição do grupo de professoras alfabetizadoras;
2. leitura e análise da documentação pedagógica utilizada pelas alfabetizadoras;
3. filmagem das aulas pelas professoras;
4. observação das aulas e produção do diário de campo; 5. preparação e catalogação dos dados;