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Dans le document GRAN TEATRE DEL LICEU (Page 41-46)

Talmy (2000) apresenta um estudo em que a semântica da causação é analisada con- forme geralmente é representada na linguagem. Ele diferencia diversos tipos de situações causativas e mostra como estes tipos podem ser combinados. Talmy também destaca, como Copley e Wolff (2013), que os estudos sobre causação mostram que não existe uma noção situacional única, como muitos tratamentos linguísticos tem considerado, em que possa ser usado apenas o verbo CAUSE. Ao contrário, os diversos tipos causativos podem ser associados a outros verbos que perfilem, por exemplo, o resultado, o evento em si, o instrumento usado, a autoria ou a agentividade. Nesta seção são apresentados os principais tipos analisados, com algumas sentenças ilustrativas.

B.3.1

Eventos autônomos

O termo "causativo", conforme a análise semântica feita por Talmy, deve ser entendido de maneira diferente da noção científica de causa, no mundo físico. Cientificamente, a totalidade de um fenômeno constitui um continuum causal, do qual uma porção delimitada conceptualmente (um evento) é compreendido como estando relacionado a uma causa externa, além de conter relações causais em si mesmo. O evento da água se derramando de um tanque, por exemplo, é compreendido como a ação da força gravitacional, exercida pela Terra sobre a água. No entanto, linguisticamente, uma sentença pode especificar um evento que é percebido como acontecendo por si mesmo, sem uma relação causal. Por exemplo, a sentença (B.0) é dita não-causativa e especifica um evento considerado autônomo.

(B.0) A água derramou do tanque.

B.3.2

Situação causativa básica

A situação causativa básica considerada por Talmy consiste de três elementos: um evento simples (ou seja, um evento que poderia ser considerado autônomo), "alguma coisa" que imediatamente causa o evento e a relação causal entre os dois. Considerando que "alguma coisa" seja também vista como um evento, esta composição poderia ser representada sintaticamente por uma das duas estruturas (B.1)a ou (B.1)b.

(B.1) (a) [Evento-A] causa [evento-B] (b) [Evento-B] resulta de [evento-A]

Na terminologia adotada por Talmy, o Evento-A é chamado de evento causador (causing event) e o evento-B de evento causado ( caused event). Nas sentenças (B.2)a e (B.2)b, por exemplo, o impacto da bola é o evento causador e a quebra da janela é o evento causado.

(B.2) (a) O impacto da bola quebrou a janela. (O impacto da bola causou a quebra da janela)

(b) A janela quebrou com o impacto da bola. (A quebra da janela resultou do impacto da bola)

Uma observação importante, quando se considera a situação causativa básica como um todo, é em relação ao elemento que funciona como Figura (na relação Figura-Fundo) no evento causador. Este elemento funciona como o Instrumento para a situação causativa inteira. No exemplos (B.2)a e (B.2)b a bola é considerada como o instrumento.

Outra questão de interesse está relacionada à "oposição dinâmica". Nesta situação parece haver uma oposição entre as tendências de repouso ou movimento das figuras associadas ao evento causador e ao evento causado. Por exemplo, na sentença (B.3) o instrumento do evento causador (o vento) se opõe à tendência de repouso do elemento do evento causado (a bola).

(B.3) A bola rolou pelo campo levada pelo vento.

B.3.3

Situações causativas complexas

Talmy também analisa situações causativas mais complexas, como arranjos e composições das duas situações anteriores (eventos autônomos e situação causativa básica). Um terceiro elemento (a intencionalidade) pode também ser considerado e é analisado na seção seguinte. Dentre as situações que não envolvem a intencionalidade, pode-se destacar de forma resumida as seguintes:

a) Destaque (foregrouding) de um elemento: são as situações em que parece haver um destaque de um elemento (por exemplo, o Instrumento) e a relação dele com a situação como um todo.

(B.4) A bola quebrou o vaso caindo sobre ele.

b) Causação inicial (onset causation): são as situações em que parece haver um ponto inicial marcado para o evento.

(B.5) A caixa deslizou com o meu empurrão.

c) Causação serial (serial causation): são as situações em que o segundo evento causa um terceiro, e o elemento atuando como instrumento do evento anterior pode ser também o instrumento do evento seguinte.

(B.6) O vento forte derrubou as folhas que cobriram completamente o chão.

d) Causação habilitada (enabling causation): são as situações em que a ocorrência de um evento possibilita a ocorrência de outro.

(B.7) Ele esvaziou o tanque tirando a tampa do ralo.

B.3.4

Agentividade

Talmy (2000, p. 513) caracteriza a noção de agentividade usando três critérios: uma entidade com um corpo (ou partes), que possui vontade (volição) e age com intenção. O corpo (ou as partes) respondem à volição. A intenção se aplica a estas respostas e, opcionalmente, ao demais eventos consequentes. Um exemplo típico da expressão da agentividade é apresentado na sentença (B.8).

(B.8) Eu matei o caracol batendo nele com minha mão.

Deve-se observar que uma entidade consciente, representada sintaticamente como o sujeito de uma construção causativa, pode ou não intencionar o evento causado. Esta diferença distingue o conceito de "agente" do conceito de "autor", ou seja, na autoria não há intencionalidade. Por exemplo, compare-se a sentença (B.8) com a sentença (B.9).

(B.9) Eu matei o caracol quando minha mão bateu nele.

As noções de "agente" e "autor" também devem ser distintas da noção de "vítima" (undergoer ). Da mesma forma que o "autor", a "vítima" não intenciona o evento mencionado, mas também não possui agentividade sobre as ações que culminam naquele evento. Os eventos são autônomos e "acontecem" com a "vítima".

(B.10) Eu perdi minha caneta em algum lugar da cozinha.

Uma outra perspectiva sobre a agentividade seria a da "auto-agentividade", quando a ação se dá sobre o próprio agente, como ilustrado na sentença (B.11).

(B.11) O homem saltou do penhasco.

Finalmente, é possível ainda considerar a "agentividade causada", quando o exercício da agentividade é visto como um evento (especificamente um evento cognitivo) que pode, ele mesmo, ser causado (sentença (B.12)).

APÊNDICE C – Dinâmica de Forças

Para Talmy (2000), uma característica fundamental da linguagem é que ela possui dois subsistemas: o subsistema gramatical e o subsistema lexical. Enquanto o subsistema gramatical é restrito por regras e representa a "estrutura" conceptual, o subsistema lexical é aberto, não restrito e é responsável pelo "conteúdo" conceptual.

O modelo force dynamics (Dinâmica de Forças - DF) de Talmy faz parte deste modelo cognitivo mais abrangente, que representa a organização dos conceitos especifi- cados na estrutura gramatical. O modelo DF reconhece as motivações morfossintáticas e semânticas das construções causativas como provenientes do subsistema gramatical. Desta forma, a causação é colocada em paralelo com outras categorias nocionais, como aspecto/tempo, negação, número e gênero, que também tem uma representação gramatical na linguagem (TALMY, 2000, p. 410-411). Este nível de análise permite abstrações da noção fundamental de causação no mundo real para outros domínios, através de vários processos cognitivos.

A DF está relacionada a como as entidades interagem com respeito à força, o que inclui o exercício da força, a resistência a tal força, a superação de tal resistência, o bloqueio da expressão da força e a remoção de tal bloqueio. Assim, a DF compreende a expressão da força como a oposição entre entidades e os resultados de tais interações com o tempo. Isto significa que a causação é essencialmente um conceito de dinâmica de forças e a DF é uma generalização da noção tradicional de "causativo" (TALMY, 2000, p. 409). O modelo DF decompõe a noção de "causativo" em "primitivas", para incluir as noções de "permissão", "habilitação", "ajuda" e "impedimento".

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