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Chapitre 1 : CADRE DE L’ETUDE ET REVUE DE LITTERATURE

1.4. Situation socio-économique

1.4.2. Gestion de la forêt

1.4.2.2. Mise en valeur des produits forestiers

Com o objetivo de viabilizar a concepção de modelos de gestão organizacional,

tanto para organizações públicas como privadas, em bases mais sustentáveis, vem sendo

desenvolvida a teoria dos stakeholders, a qual busca trabalhar a questão voltada para

identificar quais são os atores interessados ou beneficiários do êxito organizacional.

As definições acerca do termo stakeholder são muito diversas, variando de autor

pra autor. Mitchell, Agle e Wood (1997), porém, afirmam que, apesar da diversidade de

entidade poderia ser um stakeholder. De acordo com esses autores, stakeholders tanto podem

ser pessoas, grupos, vizinhos, organizações, instituições, sociedades, ou até mesmo o meio-

ambiente. Assim é que eles podem ser classificados, quer como stakeholders “reais” quer

como “potenciais”.

Dentre essas diversas definições, podem ser destacadas as seguintes:

a) conceito ampliado – stakeholder é qualquer ator (pessoa, grupo, ou entidade)

que tenha uma relação de interesse, com ou sobre a organização (Thompson et al., apud

Martins e Fontes Filho, 1998);

b) conceito restrito – stakeholders são atores (ou categorias de atores, como

empregados, gerentes, fornecedores, proprietários, acionistas, ou clientes), que detêm

interesses e expectativas sobre a organização e sem os quais a organização não poderia existir

(Martins e Fontes Filho, 1998).

O ponto em comum dessas duas definições de stakeholders é a existência da

algumas questões relevantes sobre as organizações, a saber:

a) as organizações são gerenciadas em função de que interesses?

b) as organizações interessam a quem e para que?

c) que interesses tendem a fazer prevalecer os sistemas de gestão organizacional

contemporânea sobre outros sistemas, e em detrimento de quais interesses?

d) quais interesses deveriam prevalecer, ou ao menos não ser ignorados, ou

marginalizados?

Assim, a teoria dos stakeholders vem ao encontro dessas questões, a partir de duas

perspectivas principais:

a) a perspectiva descritiva – que analisa os interesses que prevalecem e quais os

que são subestimados nos sistemas atuais de gestão empresarial; e

privilegiados, ou não-marginalizados, de modo a garantir a sobrevivência da organização no

longo prazo.

De acordo com a perspectiva descritiva, o enfoque dos stakeholders indica que os

sistemas de gestão empresarial estão centrados no mercado, privilegiando os interesses dos

acionistas e dos clientes. Por outro lado, a perspectiva prescritiva, baseia-se na evidência

empírica e no consenso normativo, para afirmar que a ocorrência de uma situação em que um

determinado interesse é prejudicado, em benefício de outros, gera um prejuízo para a

capacidade de sobrevivência da organização, no longo prazo. A perspectiva prescritiva baseia-

se numa visão institucional da organização, definida como um cenário de múltiplos interesses

competitivos, e, às vezes, conflitantes, em um espaço social no qual os stakeholders jogam em

diferentes posições de poder.

Desse modo, pode-se dizer que a grande contribuição da teoria dos stakeholders

para a teoria das organizações é que ela permite um tratamento mais amplo, em relação aos

diferentes campos da racionalidade dos atores existentes na trama organizacional em

contraposição a enfoques reducionistas, que privilegiam, unicamente, o interesse do acionista

(a teoria da firma, por exemplo), ou que só o levam em conta o interesse do cliente (gerência

estratégica da qualidade). Nesse sentido, Selznick (apud Martins e Fontes Filho, 1998),

entende que para que a empresa seja vista como uma instituição, é necessário que a mesma

esteja continuamente preocupada com os stakeholders relevantes e o cumprimento de

compromissos de longo prazo, sem deixar de levar em consideração a estrutura de autoridade à

qual está subordinada.

Em contraposição a essa visão, existem diversos enfoques reducionistas, na análise

organizacional, cuja ênfase é centrada nos clientes e nos acionistas, sendo esses considerados

os únicos atores que deveriam ser levados em conta. Essa visão, segundo Selznick (apud

subordinação e da realidade. Ainda sobre esse ponto, Selznick (apud Martins e Fontes Filho,

1998), afirma que a teoria institucional cumpre o papel de resistir à cultura de estreitamento da

visão, criando espaços para a reflexão sobre a responsabilidade empresarial, e lançando luz

sobre questões tais como a maximização dos lucros ou dos retornos sobre o capital, que

deixam de ser os únicos aspectos relevantes a serem considerados.

Ênfase especial deve ser dada, ao caso da administração pública, a fim de que não

se caia na visão estreita apontada por Selznick (apud Martins e Fontes Filho, 1998). Isso

porque a administração pública é um campo no qual predominam teorias gerenciais baseadas

em visões ortodoxas e nas perspectivas dominantes de stakeholders ligados ao Estado, tais

como políticos e burocratas. Por outro lado, as diversas alternativas à ortodoxia da

administração pública, têm gerado novas propostas, com foco no cliente ou no agente público

como empresário. É o caso, por exemplo, da chamada Administração Pública Gerencial, cujo

“foco no cliente”, ou “foco no cidadão”, tem levado à chamada “revolução gerencial” no setor

público.

É importante, também, ressaltar que a teoria dos stakeholders tem uma estreita

relação com os processos de mudança organizacional. Essa relação está baseada na idéia de

covariância estrutural, que destaca a relação entre a estrutura organizacional e a dinâmica do

ambiente no qual a organização está inserida. Essa idéia está expressa, principalmente na

teoria contingencial e derivações que incorporam elementos da teoria avançada de sistemas,

conforme destacam Martins e Fontes Filho (1998).

Esse conceito de covariância estrutural é muito útil, a partir da constatação da

complexidade da sociedade contemporânea, onde predominam as incertezas, as

imprevisibilidades e as turbulências, que geram oportunidades e ameaças, para as organizações

e os indivíduos. Nesse contexto, afloram as contradições organizacionais, que se relacionam

diferentes atores. Essas contradições, normalmente levam a que sejam favorecidos os

interesses e expectativas de algumas categorias de stakeholders (clientes e acionistas, por

exemplo) em detrimento, de forma segregante, de outros stakeholders. Nessa perspectiva, a

variável fundamental é o grau de estabilidade, ou seja, a possibilidade de que mudanças

bruscas ocorram, seja por pressões derivadas da complexidade ambiental, seja pelas

contradições organizacionais internas.

Desse modo, é aconselhável que as organizações façam esforços diferenciados de

mudança, de modo a atingirem um nível ótimo de flexibilidade, em relação ao grau de

estabilidade do contexto em que atuam, bem como um nível ótimo de estabilidade de suas

contradições internas, o que pode ser conseguido através de uma gestão organizacional não-

segregante. Nesse sentido, pode-se dizer que uma gestão organizacional não-segregante seria

aquela que permitisse uma participação democrática de todos os seus stakeholders, no

processo de definição das suas metas e políticas estratégica, ou seja, onde todos os

interessados pudessem ser ouvidos e/ou consultados a respeito da organização. Através dessa

forma de encaminhamento, entende-se que possa ser obtido um equilíbrio entre os interesses

dos diferentes stakeholders, sem um favorecimento a determinadas categorias de stakeholders

(Martins e Fontes Filho, 1998).

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