• Aucun résultat trouvé

Mise en pratique Piles

Dans le document Algorithmique pour l'apprenti programmeur (Page 55-63)

Para o desenvolvimento de um modelo de produção oral em L2, é pertinente, conforme Poulisse (1999), considerar três importantes diferenças entre a produção em L1 e em L2: o conhecimento da L2 é incompleto; o discurso em L2 é menos fluente que na L1; e a produção em L2 carrega traços da L1, principalmente quando o nível de proficiência na L2 é baixo. Segundo a autora, as duas primeiras diferenças representam menos problemas, pois também são encontradas no modelo de produção oral em L1. A terceira, no entanto, é mais problemática, pois exige mudanças no modelo de L1 para acomodar outra língua, ou seja,

ambas as possibilidades de misturar e a capacidade de separar [dois ou mais códigos] necessitarão ser explicadas por modelos de produção de segunda língua (POULISSE, 1999,

p.56)21.

Um dos principais modelos de produção oral em L2 é o Modelo para Controle da Fala em Bilíngues proposto por Green (1986). O autor concebe a existência de sistemas linguísticos diferentes para cada língua e destaca que é possível diferenciar três estados de um sistema linguístico: língua selecionada para a fala; língua ativa, mas não em uso no processamento em curso; e língua dormente, que não está selecionada e nem em uso no momento. Seu modelo é baseado nas ideias de controle, ativação e recursos. Uma falha no controle do sistema, ocasionada por situações de estresse ou desatenção, explicaria os erros

20 […] L2 models of speech production differ from monolingual ones both qualitatively and quantitatively. For

L2 speakers, depending on their level of proficiency, some formulation and articulation processes are consciously attended to (i.e., nonautomatic) and are therefore (at least in certain aspects) serial, slowing down language processing (DORNYEI; KORMOS, 1998, p.355).

21 Both the possibility to mix and the ability to separate will need to be accounted for by models of second

nas produções orais. Sobre a ativação, considera que os falantes bilíngues podem ativar um idioma em detrimento de outro quando ambos estão em uso regular. O autor esclarece, no entanto, que embora apenas um possa ser selecionado, o outro permanece ativo, e a ativação conjunta dos dois sistemas pode provocar erros de interferência linguística. Os recursos, por sua vez, concernem aos meios para ativar ou inibir um componente do sistema linguístico.

Outro modelo de produção oral em L2 de destaque é o proposto por De Bot (1992). Por considerar o modelo de Levelt como de sólida base empírica, o autor fez apenas algumas alterações necessárias para adaptá-lo à L2. Para a consecução desse modelo de produção bilíngue, De Bot (1992) ressalta que é importante considerar que: os dois sistemas linguísticos, dependendo da situação, podem ser usados separados ou inteiramente mesclados; as influências de transferências linguísticas devem ser consideradas; o uso de mais de uma língua não deve ocasionar uma desaceleração significativa do sistema de produção; o controle igual de ambos os sistemas linguísticos dificilmente é alcançado; o modelo deve conseguir lidar com um número ilimitado de línguas e tem de representar as interações entre esses diferentes idiomas.

Seguindo o modelo de Levelt, De Bot (1992) afirma que a língua a ser usada é selecionada na fase da conceptualização, durante o macroplanejamento, e no microplanejamento a codificação linguística é feita com base nessa escolha, de modo que a

mensagem pré-verbal contém informações do idioma específico a ser lexicalizadas pelo formulador (POULISSE, 1997, p.212)22. A opção por um idioma é pautada no conhecimento do falante sobre a língua, o contexto situacional e os interlocutores. No formulador, a mensagem pré-verbal é transformada em um plano fonético tal como apresentado no modelo de Levelt. Os itens lexicais das diferentes línguas são armazenados em um mesmo sistema, mas em subconjuntos diferentes, que podem ser ativados em graus distintos, dependendo do idioma em uso. O plano fonético é realizado por um único articulador para ambas as línguas, o qual armazena seus possíveis sons e elementos prosódicos. Este fato, conforme De Bot (1992), explica a interferência fonológica da L1 na produção da L2.

Apesar das contribuições do modelo apresentado por De Bot (1992) para a compreensão da produção oral em L2, sua proposta traz uma ideia contraditória. O autor afirma que dois ou mais planos de fala podem ser formulados em paralelo, no entanto, postula também que a língua já fora selecionada na fase da conceptualização. Tais afirmações paradoxais comprometem a clareza do modelo.

22 […] the preverbal message contains language-specific information to be lexicalized by the formulator (POULISSE, 1997, p.212).

Outra proposta, elaborada por Poulisse e Bongaerts em 1994, apresenta um modelo de produção de L2, também baseado em Levelt (1989), denominado de Modelo de Acesso lexical. Com algumas semelhanças, mas também diferenças com relação ao que foi proposto por De Bot (1992), os autores buscam resolver a incoerência apresentada anteriormente.

Poulisse e Bongaerts (1994) compartilham das ideias de De Bot (1992) de que a escolha do idioma é determinada no processo de conceptualização e que está incluída como um componente linguístico na mensagem pré-verbal. Ademais, concordam que os itens lexicais estão armazenados em um mesmo sistema, mas explicam que as palavras precisam conter informações específicas sobre a qual idioma pertencem e acrescentam, ainda, que a seleção equivocada de um lema da L1, em vez de um de L2, resulta na mescla das duas línguas. Poulisse e Bongaerts (1994) tratam, ainda, da codificação morfológica e concluem que quando alguém está falando na L1, todas as inflexões vêm da L1, no entanto, ao falar na L2, as inflexões podem vir da L2, mas também, inadvertidamente, da L1, devido, em alguns casos, ao fato do falante não saber todos os morfemas flexionais da segunda língua. No que se refere à codificação fonológica, os autores concordam com De Bot (1992) sobre a existência de um único articulador para ambas as línguas, o qual armazena os possíveis sons e padrões modulares das duas línguas.

Considera-se, pelo exposto, o modelo de produção oral em L2 apresentado por Poulisse e Bongaerts (1994) como o mais abrangente para os fins do presente estudo, pois explicita os processos de produção oral de forma coerente e detalhada, convertendo-se, assim, no modelo mais eficiente.

Para a melhor compreensão dos fatores cognitivos envolvidos na fala, faz-se pertinente, a seguir, conhecer os três principais aspectos presentes na produção oral – acurácia, complexidade e fluência.

Dans le document Algorithmique pour l'apprenti programmeur (Page 55-63)

Documents relatifs