6.1. Considerações Finais e contributos específicos do estudo
A realização deste estudo motivou-nos a continuar a trabalhar o laboratório aberto e acessível a todos nós, a Atmosfera.
O estudo apresentado pretendeu motivar os alunos para o estudo da Física e da Química, bem como potenciar as suas aprendizagens. Por outro lado, este estudo também teve como objetivo contribuir para o desenvolvimento de conhecimento didático sobre o tema, promovendo sempre que possível a utilização de estratégias de aprendizagem ativas e de um elemento integrador, numa perspetiva de investigação-ação.
É importante referir que a temática “Mudança Global” foi escolhida para este estudo pela professora investigadora com o objetivo de aperfeiçoar os seus conhecimentos ao nível da Atmosfera, em particular acerca dos parâmetros meteorológicos e como estes podem ser aplicados no ensino da Física e Química. E, principalmente, com o objetivo de responder à questão de investigação que delineou todo o “caminho” deste estudo, ou seja, “Quais as contribuições para o Ensino nas Ciências,
quando se usa a temática “Conforto Térmico”, numa perspetiva de ensino e aprendizagem?”
A resposta à questão central formulada passa pelos seguintes objetivos:
articular as condições atmosféricas com o conforto térmico;
avaliar o conforto térmico numa sala de aula usando instrumentos meteorológicos simples, que podem ser construídos pelos alunos;
avaliar quais os índices térmicos que devem ser usados para avaliar o conforto térmico;
analisar os materiais usados na construção de edifícios escolares que condicionam o conforto térmico numa perspetiva de balanço energético;
sugerir atividades experimentais que podem desenvolver competências na temática Conforto Térmico;
analisar a influência do conforto térmico registado no interior de uma sala de aula e a aprendizagem.
De forma a encontrar a resposta à questão de investigação, que delineou todo o nosso estudo, podemos considerar, que no primeiro ano de estudo considerou-se importante motivar alunos do Clube de Ciência para a temática. Foram construídos
instrumentos de medida simples e interpretaram-se os dados registados (temperatura do ar e temperatura do termómetro húmido). Com base nestes registos e com o auxílio de uma tabela registaram-se as humidades relativas do ar. Com os dados registados em tabela a professora investigadora fez, com os alunos, a aplicação da norma ISO 7730, do índice EsConTer e do diagrama da W.M.O, de modo a suscitar o interesse para a definição de um ambiente térmico. Os primeiros resultados mostraram ser animadores e a entrega que os alunos mostraram deram ânimo para o êxito do estudo. Nesta fase os resultados obtidos mostraram uma concordância de resultados obtidos e a mesma interpretação física. Consideramos nessa altura que estava aberto o caminho para uma contribuição do ambiente térmico como condicionante no processo ensino e aprendizagem.
O segundo ano de estudo foi iniciado fazendo uma contextualização e resumo dos resultados obtidos no primeiro ano de estudo. A escola era diferente assim como os alunos.
No início do ano aplicou-se, previamente, um questionário sobre a temática conforto térmico, o que permitiu concluir que os alunos ao nível do Ensino Básico, nomeadamente no 7º ano de escolaridade, ainda não tinham uma compreensão, como era esperado, relativa aos parâmetros meteorológicos que influenciam o conforto térmico de uma sala de aula, apesar de os terem estudado e trabalhado na disciplina de Geografia. Nestas circunstâncias, pareceu-nos importante que os parâmetros meteorológicos fossem trabalhados numa perspetiva CTSA, como por exemplo usando a temática conforto térmico, na disciplina de Ciências Físico- -Químicas.
Depois da construção e aplicação de atividades laboratoriais, conseguiu-se mostrar que as condições atmosféricas “indoor” de uma sala de aula são condicionadas pelas condições atmosféricas exteriores “outdoor”. Assim sendo, com a realização destas atividades pretendeu-se mostrar e, principalmente, ajudar os professores de Física e Química, e até mesmo professores da disciplina de Geografia, uma forma eficaz e motivante de lecionar o tema “Mudança Global”, nomeadamente no estudo de parâmetros meteorológicos, aliando sempre a teoria à prática. Uma palestra envolvendo uma grande parte da comunidade académica da escola foi realizada
com uma participação invulgar. A temática chamou muitos alunos e até professores de outras áreas, quando se usa a problemática “Conforto Térmico”.
Após todo o trabalho desenvolvido no primeiro ano e segundo ano do estudo, no terceiro ano de estudo finalmente a professora investigadora teve o privilégio de trabalhar com alunos do 8º ano de escolaridade e usar a temática “Mudança Global”.
Aos alunos foram apresentadas, como informação, algumas atividades desenvolvidas em anos anteriores. Contextualizaram-se alguns objetivos a atingir e os alunos mostraram-se recetivos e bastante entusiásticos com a abordagem “será que um ambiente térmico de uma sala de aula pode condicionar o bem-estar
e a aprendizagem dos alunos?”.
Ao longo deste terceiro ano de estudo foi possível mostrar que usando instrumentos simples e diversas atividades, a análise de resultados permitiu perceber, de uma forma simples e acessível a todos, como o conforto térmico de um ambiente térmico influencia o processo de aprendizagem.
No geral, os alunos com a professora investigadora puderam afirmar que a avaliação de conhecimentos adquiridos pelos alunos é condicionada pela sensação térmica sentida para ambientes considerados de “frios” e ambientes considerados de “quentes”.
Concluiu-se, assim, que o processo de aprendizagem é afetado pelas condições termohigrométricas do ambiente que rodeia os alunos. É importante salientar, que a análise de resultados mostrou que quando os valores da sensação térmica sentida pelos alunos é inferior a -0,5, ou superior a +0,5 da escala sétima de cores, os resultados obtidos da avaliação de conhecimentos tendem a ser negativos, ou seja, inferiores a 50% (out 100%). No entanto, quando a sensação térmica sentida pelos alunos se localiza na zona, considerada de conforto térmico ou seja entre os valores da escala térmica de -0,5 e +0,5, os resultados são, no geral, positivos, o que confirma que os resultados das avaliações de conhecimentos para os alunos envolvidos no estudo depende do ambiente térmico. Foi possível ainda constatar que quando a sensação térmica sentida pelos alunos regista valores baixos com tendência a “frio” (-2) ou altos com tendência a “quente” (+2) os resultados obtidos pelos alunos são, no geral, bastante negativos.
Ao avaliar-se o grau de insatisfação previsto para cada ambiente térmico quando se usou o índice EsConTer, os resultados obtidos mostraram concordância com a sensação térmica sentida pelos alunos e registada na escala de sensação térmica de cores.
A professora investigadora em cada ambiente térmico estudado fez um registo do tipo de vestimenta de cada aluno. Em termos gerais pode-se afirmar que a roupa usada é determinante no bem-estar do aluno. No entanto, a avaliação da influência da resistência térmica do vestuário no processo de aprendizagem não foi diretamente considerada neste estudo. Uma das razões deve-se ao caráter inovador da metodologia e ferramentas usadas neste trabalho para determinar a sensação térmica prevista num ambiente térmico, quando se usa a temperatura e a humidade relativa do ar. Podemos afirmar, de forma inequívoca, que um ambiente térmico de uma sala pode ser previsto através da aplicação do índice de Escala de
Conforto Térmico, EsConTer, e que a sensação térmica sentida pelos alunos
através da indicação na escala térmica de cores.
Em jeito de conclusão, podemos afirmar que as considerações retiradas do trabalho desenvolvido permitem confirmar que os métodos usados são inovadores e que é possível determinar a influência do ambiente térmico na construção do conhecimento dos alunos.
Julgamos ter evidências suficientes para afirmar que a abordagem didática utilizada, durante a realização do estudo, na disciplina de Ciências Físico-Químicas promoveu nos alunos o gosto pela disciplina. Esta conclusão é muito importante, porque é aceite que a disciplina de Ciências Físico-Químicas apresenta dificuldades de aprendizagem para os alunos, e que estes sentem alguma desmotivação por ser considerada, de uma maneira geral, uma das disciplinas mais “difíceis” dos currículos nacionais. Esta situação é, a cada ano letivo, confirmada pelos resultados nacionais registarem, em média, valores negativos.
Os resultados obtidos pelo estudo desenvolvido indicam que:
os alunos sentiram interesse e motivação pela disciplina, conseguiram compreender a sua importância para o seu futuro e para o seu dia-a-dia, pois conseguiram ver a aplicação dos diversos conteúdos abordados na disciplina em diversas situações do seu quotidiano.