Chapitre VI : Electropolymérisation de l’EDOT
VI- 4 Mise en évidence d’une jonction p-n
Eugene Nida (1982), tradutor da Sociedade Bíblica Mundial, que até 1968 já havia trabalhado com 1.393 línguas, foi o primeiro tradutor de texto clássico a adotar o conceito de língua como código comunicativo nos padrões de Jakobson (1971), apoiado na noção de competência lingüística inata de Chomsky1 e nos estudos antropológicos desenvolvidos à época para reconhecimento do contexto da cultura da língua de chegada.
Sua proposta é que o tradutor trabalhe com unidades de significados a fim de alcançar a equivalência de significado na língua de chegada, mesmo que para isso tenha de preservar o conteúdo e alterar a forma da mensagem.
A expectativa dos escritores bíblicos era que fossem entendidos. Como a função imperativa do texto bíblico era transmitir princípios de conduta, seus receptores deveriam entender como elas foram recebidas no passado bem como serem capazes de adaptá-las ao presente. “Não se trata apenas de informar, mas de tornar o texto expressivo e imperativo a
fim de servir ao objetivo principal da Bíblia que é o de comunicar” (NIDA, 1982, p. 24). À época, o impasse das traduções era alcançar a equivalência formal e cultural do texto para que a mensagem pudesse ser entendida sem que perdesse as características do original conhecida como gloss translation. Com essa equivalência, o tradutor tenta reproduzir
1Competência lingüística. Na terminologia da gramática gerativa, a competência é o sistema de regras interiorizado pelos falantes e que
constitui o seu saber lingüístico , graças ao qual são capazes de pronunciar ou de compreender um número infinito de frases inéditas. (DUBOIS et al, 2001).
42 o mais fielmente possível o texto original, a fim de preservar todas as suas características, se bem elas exijam muitas notas de rodapé para esclarecimentos de seu significado.
Nida minimiza aspectos de preservação da identidade do texto de saída em favor da equivalência de significado e estabelece o procedimento de equivalência dinâmica a fim de advogar a favor da naturalidade de expressão, a seu ver a melhor maneira de as mensagens bíblicas serem entendidas pelas comunidades às quais fossem apresentadas.
Esse parâmetro de equivalência implicou uma nova atitude perante o receptor das mensagens. Para a comunicação ser bem sucedida, cabe ao tradutor respeitar as características de cada língua, nem que para isso tenha de adaptar algumas formas do original, sem correspondência na língua de chegada, a fim de preservar o conteúdo e tornar o texto inteligível para o leitor.
A fim de que a tradução seja, além da simples comparação entre as estruturas correspondentes, cabe ao tradutor refletir sobre os mecanismos mediante os quais a mensagem possa ser decodificada, transferida e transformada nas estruturas de outra língua. À tradução dinâmica, uma vez relacionada à compreensão do texto no contexto de sua recepção, cabe evitar estranhamentos e privilegiar a cultura de chegada, a qual ele chamou cultura do outro.
Em “não deixe que sua mão esquerda saiba o que a direita está fazendo” (Mateus. 6:3), ele traduz por “faça de uma forma que nem mesmo seu amigo mais próximo o saiba”. (NIDA, 1982, p. 26).
A facilidade de adaptação gramatical à língua de chegada pressupõe um ajuste obrigatório à estrutura do receptor, entretanto, é a adaptação lexical que encontra dificuldades semânticas requeridas pela língua de chegada. Sugere, para isso, diferentes ajustes: o das classes de palavras; o das classes semânticas; o da tipologia do discurso; e o do contexto cultural.
43 A fim de alcançar a consistência contextual, cabe ao parâmetro de equivalência dinâmica priorizar o conteúdo à forma e ao pesquisador buscar estruturas, em vez das eruditas, de preferência as orais, mais usadas e aceitas pelo público-alvo.
Considerando que o receptor final de textos bíblicos é o foco de suas pesquisas, Nida estabelece fatores que o auxiliam no dimensionamento da variação de linguagem: o contraste entre os estilos oral e escrito; estilos que refletem diferentes níveis sociais e circunstâncias de uso da fala; relações entre falante e ouvinte; e os dialetos geográficos.
Mesmo que haja ambivalência no uso real da língua, o contexto pode apontar a intenção do significado, cujos termos são analisáveis sob dois aspectos: construção gramatical, que revela a lógica da sintaxe, e aspecto exegésico, cuja interpretação está relacionada a uma palavra específica. É o caso do verbo /run/, em inglês, que pode assumir diferentes significados, dependendo do agente da ação: o cavalo corre, (the horse runs); a água corre (the water runs); a torneira escorre (the tap runs); e o nariz escorre (his nose runs).
“Uma tradução bem-sucedida não apresenta desvios de significado que tirem os receptores da situação de emissão do original da mensagem” (Nida, 1982, p. 138). A adequação da mensagem ao contexto de chegada não se relaciona apenas ao conteúdo referencial das palavras. A apreensão completa da mensagem consiste nos objetos, eventos, abstrações e relações simbolizadas pelas palavras, bem como na seleção estilística e no arranjo desses símbolos, a fim de que o tom emocional seja transmitido com justeza ao discurso.
Para Cristina Rodrigues (1999), Nida recorre ao parâmetro de equivalência mas não o esclarece, apesar de o desdobrar em dois conceitos: equivalência formal, relacionado à estrutura formal, e equivalência dinâmica, relacionado ao significado. A formal busca fundamentar os procedimentos que correspondem aos elementos lingüísticos e
44 extralingüísticos do texto original, à luz das propostas de Mounin (1975) e Jakobson (1971); a equivalência dinâmica, a compreensão da mensagem pelo receptor final.
Apesar do conteúdo não ser desvinculado da forma, uma vez que depende da tipologia textual, os parâmetros se impõem. É o caso da poesia cujo foco preponderante é a forma, diferentemente da tradução da prosa. Conseqüentemente, os princípios de correspondência ficam dependentes da natureza da mensagem, dos propósitos do autor e do tradutor e do tipo de audiência, noção análoga a de Newmark, 1982.
Depois de Nida (1982), Lawrence Venuti (1992) compila artigos de estudiosos de universidades americanas e européias nos quais analisa aspectos de subjetividade e ideologia discursiva aplicados à tradução.
Sherry Simon, (1992) aponta as marcas do colonialismo inglês no francês canadense. John Jonhston (1992) escreve sobre o niilismo, segundo o qual o absoluto inexiste, quer como verdade, quer como valor ético sob Benjamim, mesmo assim é aplicável à tradução pós- saussuriana e às interpretações de alguns filósofos que ressaltam o caráter político e ideológico dessa prática.
Venuti propõe uma teoria crítica para a tradução. A importância da tradução não está na transmissão de um significado ou de um conteúdo essenciais de uma língua para a outra, mas no que ocorre entre ambas como resultado da tradução.
A visão tradicional da tradução como imitação de um texto original prova ser inadequada, seja do ponto de vista prático, seja da visão estática e enganosa da linguagem. Ela pressupõe fatores históricos como colocado por Coseriu (1979), bem como acarreta efeitos de contaminação entre as línguas envolvidas.
Posteriormente, em traduções de textos literários, Venuti (1997) analisa o parâmetro da naturalidade proposto por Nida (1982) como agente de marginalização das marcas da cultura do original em prol do entendimento facilitado da mensagem pelo receptor.
45 Aprofunda a natureza subjetiva e ideológica da tradução de acordo com Schleiermacher (1997, p. 101). O tradutor genuíno é um escritor cujos objetivos são preservar as diferenças lingüísticas e culturais do texto de saída mediante escolhas metodológicas comunicativas que validem o encontro intersubjetivo entre a tradução e o leitor preparado para isso.
Se estudadas como reescrita do original, as traduções refletem uma certa ideologia, que manipula a função da literatura numa determinada sociedade, visto que uma de suas funções é disseminar a cultura do original. Nos últimos três séculos, a tendência dos países anglo-falantes é marginalizar essas formas de expressão em prol da compreensão do produto da tradução pelo receptor final.
Essa re-escritura do original é conseqüência de fatores externos à língua, razão pela qual ela reprime as inovações propostas pelas pesquisas de tradução que, de 1980 até hoje passaram a manipular a literatura.
(...) com isto não se quer dizer apenas que a indústria de tradução toma suas decisões sob ótica ideológicas e políticas. Dependendo dos interesses ideológicos em jogo, as editoras privilegiam certas obras estrangeiras para serem traduzidas e, dessa forma, divulgadas entre o público-alvo. Isso ocorre até mesmo no mundo acadêmico em que, a despeito de todo o discurso a favor da livre circulação de idéias, certas vozes são abafadas e certas bocas amordaçadas com freqüência surpreendente (RAJAGOPALAN, 2001, p. 72).
Aos tradutores profissionais e não–profissionais, Venuti propõe novas formas de tradução, a fim de enfatizar a posição marginal da tradução anglo-americana contemporânea. Ele dialoga com inúmeros estudos críticos e literários e levanta questões sobre a postura de invisibilidade assumida pelos profissionais, segundo ele, relacionada a dois fenômenos: efeito ilusório do discurso, que pressupõe manipulação lingüística do tradutor, e prática da leitura e da avaliação das traduções que prevalecem na Inglaterra, nos Estados Unidos e em outras culturas.
Nessas avaliações, editoras, revisores e leitores privilegiam a naturalidade mencionada por Nida (1982), uma vez que ela facilita a compreensão do texto e torna o leitor capaz de
46 refletir sobre a essência do significado e a intenção do original, bem como sobre a personalidade do autor estrangeiro. Entretanto, essa transparência é resultado do esforço do tradutor em assegurar fácil compreensão do original traduzido.
O ato tradutório é um processo no qual a força interpretativa do tradutor transfere as correntes de significantes do texto original para correntes de significantes o texto de chegada, transporte esse possível graças ao significado cujo resultado é efeito das relações e diferenças de significantes numa cadeia infinita de representações como a polissemia e a intertextualidade sujeitas a infinitas possibilidades de relações uma vez não se constituírem um constructo universal.
O tradutor pode assumir tanto uma atitude domesticadora diante do original quanto estrangeirizante em relação ao produto final, atitude esta cuja função não é tornar-se uma representação transparente da essência do texto estrangeiro em busca da facilitação da compreensão, mas uma construção estratégica de significação que aponta a diferença entre os dois textos mediante a ruptura dos códigos culturais que prevalecem na língua-alvo.
Ao excluir as regras literárias de domesticação, por vezes o tradutor se serve de um discurso marginal, que cria embaraços para as editoras e para a crítica especializada. A propósito, mais uma vez Venuti invoca Schleiermacher
(...) cuja teoria nacionalista de estrangeirização do texto objetivava desafiar a hegemonia francesa não somente para enriquecer a cultura alemã mas para contribuir para uma esfera pública liberal, uma área da sociedade na qual indivíduos pudessem trocar discursos racionais e exercitar influências políticas (1995, p. 109).
Numa retrospectiva histórica, Venuti identifica teorias e práticas alternativas de tradução que procuram estabelecer estratégias que permitam que as diferenças lingüísticas e culturais entre as duas línguas possam ser comunicadas, em vez de retiradas.
A seu ver, há que ser feita uma revisão dos códigos culturais econômicos e jurídicos, que marginalizam e exploram essa prática, a fim de que, no futuro, novas formas de relações
47 culturais impliquem mais autonomia dos tradutores para negociarem as diferenças que ocorrem no processo.
Os modelos de lingüística aplicada à teoria crítica da tradução inserem a noção ideológica que permeia a representação do objeto real observável derivado de fatores externos à língua. Isso representa o rompimento com as expectativas das pesquisas lingüístico- semânticas de que a transferência do significado do original pudesse ser alcançada objetivamente por intermédio de registros sobre o uso da língua.
À vertente sintática, que enfatiza as propriedades formais e as relações semânticas entre as unidades lingüísticas e o mundo, acrescenta-se o aspecto pragmático da linguagem, sensível à motivação psicológica dos falantes, às reações dos interlocutores, aos tipos socializados da fala, entre outros.