1.3 Réfraction négative des ondes élastiques 39
1.3.4 Inuence de la structure de bande
1.3.4.2 Milieux phononiques et réfraction de Bragg
Propomos que a ação coletiva dos jovens fortaleça os meios de cultura e socialização. Frente às práxis do dia a dia, cabe-nos não nos debruçarmos sobre conceitos apenas, mas sim, nas produções que a juventude é capaz de compor.
Para Sposito (2009), os estudos sobre juventude ganharam forças na última década, se tratando de Brasil. Carrano e Sposito (2003) destacam que as políticas públicas asseguram novos direitos e ações para a adolescência a partir da década de 1990. Neste
46 período, alguns programas e locais foram criados pelos ministérios para garantir a participação juvenil na sociedade.
É importante que façamos a correlação entre a adolescência e a juventude, seus direitos e a expressividade dessa população, a fim de aprofundarmos as teorias e o prisma de análise em torno da temática “jovens”.
Abramovay (2007) ilumina alguns pontos da juventude como centrais da cultura juvenil: “o que define a juventude mais frequentemente é a sua consciência, responsabilidade e compromisso, a sua criatividade e a sua forma de expressão. (ABRAMOVAY, 2007, p.38).
Tais características constroem a figura do jovem, sob o respaldo das políticas e da garantia dos direitos, enquanto sujeitos de consciência e de necessária participação social. A articulação política dessa população traz outras vertentes para o exercício da cidadania e do pensamento. O jovem deixou de ser visto como um problema social.
Outra importância da participação política juvenil para a cultura política destes tempos é a linguagem juvenil apelando para artes, dança, música, o deboche, a crítica cultural, evitando as departamentalizações entre estética e política, como tão bem ilustra o hip hop, assim como para formas de comunicação que recorrem a avanços da tecnologia, como a cibermilitância (ABRAMOVAY, 2007, p. 111).
Notemos que as artes e as expressões culturais são parte da linguagem dos jovens, como nos alude o trecho acima. Há, pois, um eixo central diante da cultura juvenil: as diversas maneiras de expressão. As artes vêm, portanto, como dispositivo dessa expressividade.
Segundo Pais (2005), na juventude se encontra potência e criatividade que possibilitam grandes resultados para os próprios sujeitos que as produzem e para os que os cercam. Portanto, para além de problemas que caracterizam o cenário da adolescência e a juventude como vulnerável e frágil, é cabível se pensar que no mesmo espaço onde a cultura, a educação e as relações sociais estão constantemente em xeque, podemos ter a possibilidade de mudança e interação.
Através da leitura de mundo e da cultura juvenil, jovens criam mecanismos de representações com aquilo que os cercam (HALL, 1996). Assim sendo, a arte, a cultura e a criatividade fazem parte desse processo representativo e constroem arcabouços para que esses grupos possam existir e expressar suas existências diversas.
47 As comunidades juvenis se reorganizam sob novos moldes: diferentemente do que já está posto, a juventude se reinventa com novas maneiras de agir, através de processos de subjetivação particulares dessas novas comunidades. A juventude se expressa com independência e inovação. Outros simbolismos são construídos e reconhecidos no universo juvenil (JÚNIOR, 2003).
Dentro da cultura jovem o sentido das ideias e das ações se tornam centrais, as significações de existência dão voz ao que podemos chamar de comunidade de sentido (JÚNIOR, 2003).
As Comunidades de Sentido são definidas pela forma diferenciada como enformam os sentidos, independentemente das geografias locais. É esse recorte diferenciado que determina quem são seus membros, pois cada comunidade delimita fronteiras na massa amorfa de sentidos, privilegiando certos valores em detrimento de outros, em meio a um cenário desterritorializado (JÚNIOR, 2003, p. 6).
Logo, a resistência se mostra não na negação da cultura ou nos moldes de escola, mas se dá dentro desse mesmo espaço. No mesmo contexto de vulnerabilidades, reprodução e dominação podemos exercer práticas dialógicas (FREIRE, 2014) que corroboram com a interação entre os sujeitos e com os elos sociais mais substanciosos, produzindo, antes de mais nada, vida e experiência.
A criatividade ganha lugar na discussão acerca das possibilidades de atuação da juventude na escola. Essa nova criação e agrupamento dão seus próprios sentidos no mundo.
A criatividade juvenil tem sua verve no cotidiano simples, nas periferias, na relação com o outro, nas composições musicais, teatrais e artísticas. As múltiplas maneiras de criação se evidenciam sobre a forma de música, desejo, danças, poesias, escritos, falas, práticas e ações que a cultura juvenil incorpora com propriedade. Segundo Amaral (2011) a juventude, em especial da periferia, constrói modos de ser particulares.
Os jovens representam coletivos traduzidos em inúmeras formas de expressão, principalmente no campo da cultura, além de vivenciarem problemas que estão no centro dos conflitos sociais, os campos sobre os quais se desenvolvem os “jogos” de confronto para o controle de recursos estruturais decisivos (AMARAL, 2011, p. 10).
Segundo Pais (2001) os fenômenos sociais que causam a exclusão sociais têm ganhado visibilidade no cenário público, por isso, devemos nos atendar às práticas que permitam o contato da juventude com fatores que maximizem sua identidade e não o
48 contrário. Programas de integração, bem as atividades culturais conferem uma ampla rede de suporte.
A grosso modo [...] pode-se dizer que a maior parte desses programas está centrado no enfrentamento dos “problemas sociais” que afetam a juventude (cuja causa ou culpa se localiza na família, na sociedade ou no próprio jovem, dependendo do caso e da interpretação), mas, no fundo, tomando os jovens eles próprios como problemas sobre os quais é necessário intervir, para salvá-los e reintegrá-los à ordem social (ABRAMO, 1997, p. 26).
Considerando a criatividade e as expressões artísticas como parte desse vínculo criado diante de um cenário de múltiplas identidades individuais, mas que se agregam em uma identidade mais substancial e plena: a coletiva. Ao ressignificar os contextos e histórias, é possível criar o novo. Os processos se desenham diferente quando a relação com o outro se apresenta menos individualista. Através das artes e das criações, o coletivo se torna um caminho distante da competição, como exemplo. A substituição de paradigmas, que outrora compuseram a sociedade, nos traz novos horizontes (SANTOS, 1999).
Foca-se sobre uma parte da população juvenil do Brasil: a que se encontra na periferia. De acordo com Amaral (2011), a juventude de periferia tem estado nas discussões e ações sociais e em programas paliativos como o “Mais educação”, a Central Única de Favelas (CUFA), dentre outros, por viverem os dilemas de qualquer juventude com o acréscimo de sua condição social. Para o autor, essa população pode se encontrar diante de um cenário marcado pela precarização das moradias e do trabalho, bem como do acesso aos direitos humanos e à cidadania (AMARAL, 2011).
A cultura juvenil da periferia surge de uma peculiaridade que não se desenha apenas em condicionantes de exclusão ou vulnerabilidade. As culturas se expressam de maneiras distintas em relação à outras culturas jovens, pois o processo de identificação vivido pelos jovens é também outro. Suas experiências, experimentação e seus cotidianos podem ser distintas. A experiência como novos caminhos conferem aos jovens, novas formas de se enxergar no mundo e o seu próximo. Logo, a criação se comporta como algo novo e plena de novos significados. Os espaços que venham a contribuir com a potencialidade desses processos são facilitadores dessas experiências.
A partir da emergência do cotidiano como espaço social no qual os sujeitos constroem seus modos de agir, limites e potencialidades,
49 desloca-se a atenção das estruturas sociais para a particularidade dos detalhes e a unidade dos acontecimentos (AMARAL, 2011, p. 40).
Outra característica da criatividade juvenil é que tal ação se torna dispositivo nos processos de sensação de pertencimento e subjetivação. De acordo com Zanella (2005), a arte e a criação conferem através de suas emoções e sentidos a concretização dos processos de construção subjetiva do ser humano.
A ideia de subjetivação, em sua grande parte, é dada a partir de uma relação individual do sujeito com suas vivências e experiências. Entretanto, alguns autores discorrem sobre o processo coletivo de subjetivação. De acordo com Néspoli (2004), a subjetividade não é passível de totalização ou centralização em um único sujeito. Tal subjetividade é chamada de modular (aquela cujos resultados vão se construir dentro de uma perspectiva de coletivo; em relação aos outros) (NESPOLI, 2004).
O contato com a arte e com as expressões artísticas pode alavancar e dar novos sentidos aos processos de subjetivação. Ainda segundo Néspoli (2004), as performances artísticas produzem subjetividades que transformam a realidade. “A performance artística assim como os rituais religiosos atualiza o universo de experiências dos atuantes através da manipulação do corpo e dos elementos estéticos e simbólicos” (NÉSPOLI, 2004, p.10).
A criatividade abre um leque de possibilidades de interpretação e de relação com o mundo. Supõem através das experiências vivenciadas, que haja evolução desses sujeitos em grupo. Ou seja, a subjetivação nada mais é que o decorrer de etapas de internalização de bagagens culturais.
A criação, bem como vimos sobre a subjetividade, também pode ser dividida em fases. Parte-se então, para uma ideia de micro processual, onde a criatividade coletiva e seus efeitos passam por nível de evolução. Outra vez, mais importante do que definir conceitos, é analisar os efeitos das práticas coletivas para dentro de seu campo e para fora dele.
As quatro fases centrais do processo de criação se denominam: preparação, incubação, iluminação e verificação (WECHSLER, 1993). A primeira delas, preparação: refere-se à problematização das questões e as investigações de como se traçarão os caminhos para se compor um produto, é também um grande processo de pensamento de como se comporão as ações. Após, na segunda fase, nenhum esforço mental é realizado:
50 as ideias fluem (pois ainda é um plano onírico da criação). Na terceira, a solução do problema ou da temática proposta é efetivamente alcançada e na última fase, colocam-se novas ideias e lapidam-se as criações, bem como é discutido quais os efeitos que tal criação trará ao público (NÉSPOLI, 2004).
Se transpormos para o cenário do ensino musical, poderemos notar claramente tais fases. Ao se agruparem para a realização de uma atividade de composição musical de um arranjo com letra e melodia, por exemplo, os alunos elucubram temáticas, assuntos, os caminhos de tal composição, seus recursos para a realização, experimentam sonoridade dos instrumentos disponíveis para a criação. Depois, elegem palavras e frases para a iniciação do processo composicional, bem como entoam possíveis melodias. Em seguida, sistematizam isso em um papel através de cifras e partituras e, por último, ensaiam e fazem modificações até que o resultado final seja alcançado. Tais etapas ocorrem em qualquer processo de criação, seja ele musical, cênico, dentre tantos. O que é sólido de se ressaltar é que tais etapas vão constituindo um sujeito de maneira singular em seus processos de subjetivação e criação.
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