A análise dos sentidos discursivos que constituem o discurso do MVR –
diferente do que ocorre no discurso do MBL – não explicitam as correntes econômicas que os substanciam. Eles compartilham com o movimento anterior a defesa da propriedade privada e da livre iniciativa, mas se afasta na medida em que compreende ser dever do estado a garantia mínima de certos direitos.
Esclarecem as lideranças do MVR que “acreditamos que o capitalismo seja o único sistema que esteja de acordo com as qualidades humanas, promovendo
inclusive melhores condições de vida” (MVR, abril de 2016)349. Nesse sentido,
defendem eles que “qualquer medida que restrinja a livre-iniciativa deve ser banida,
348 MOVIMENTO BRASIL LIVRE. Disponível
em<https://www.facebook.com/mblivre/posts/81521560860654534932023238 >Data da postagem jun. de 2016. Data de acesso: Out. de 2017
349 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve em:<
https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/p.912731328908216/912735563 >Data da postagem: abr. de 2016. data de acesso:Out. de 2017
porque ela ataca o direito fundamental a propriedade e a liberdade. Os direitos
humanos devem ser respeitados, acima de qualquer coisa” (MVR, agosto de 2016)350.
Inserido nessa lógica, esclarecem eles que “acreditamos que o Estado deve se conter, não assumindo um tamanho maior do que o necessário. Os impostos devem
ser revertidos em benefícios aos cidadãos” (MVR, maio de 2016)351. As lideranças dos
movimentos consideram “complicado dizer, em termos estatísticos e monetários, o que o Estado deve ser. Tem certos momentos que se exige mais e outros que se exige
menos. É tudo causal” (MVR, fevereiro de 2016)352. Explicam eles que,
Tem gente que acha que o Estado deve ser máximo. Outras, que ele deve ser mínimo. A gente acredita que ele não deve onerar as empresas com impostos abusivos e deve otimizar ao máximo o dinheiro do contribuinte. A sociedade brasileira é muito desigual e algumas políticas são importantes para construir um futuro melhor. Acreditamos que os investimentos na educação básica, por exemplo, devem ser priorizados. Já o acesso ao ensino superior, cremos que deve ser privado. Depois dos 17 anos, vale mesmo a meritocracia (MVR, abril de 2016)353.
O trecho acima destaca dois pontos cruciais no projeto econômico defendido pelo MVR: o Estado precisa reduzir a carga tributária como forma de incentivo ao empreendedorismo, ao mesmo tempo que deve otimizar a arrecadação para tornar mais eficientes os serviços públicos. Diz o MVR que “o Estado tem que oferecer segurança, infraestrutura e saúde para todos e só. A intervenção dele na sociedade
deve diminuir” (MVR, abril de 2016).354
Nesse sentido, assume especial importância o questionamento sobre a estrutura tributária do país e seus reflexos na vida dos empresários e trabalhadores brasileiros. Explicam as lideranças do movimento que:
No Brasil, hoje, pagamos ao todo 12 impostos diferentes, além de contribuições e taxas. Desses impostos, 6 deles vão para a União, 3 para o
350 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/p.9127313289082165643 >Data da postagem: ago. de 2016. data de acesso:Out. de 2017
351 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/9127313289082493432 >Data da postagem: mai. de 2016. data de acesso:Out. de 2017
352 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/3483943921013843232321 >Data da postagem: fev. de 2016. data de acesso:Out. de 2017
353 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve em:< MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/3483943921013843232321 >Data da postagem: abr de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
354MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponíve
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/0389432039109347374832 >Data da postagem: abr de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
Estado e 3 para o Município. Agora eu pergunto a você: quem mais sabe das suas necessidades, o prefeito ou o presidente? A não ser que você more em Brasília, quem mais conhece as dificuldades do povo é o prefeito. Mas ele pode fazer pouca coisa pra melhorar a situação da cidade, porque o grosso da contribuição está no Governo Federal. Esse número, além de evado, é pouco expressivo se a gente pensar nossa realidade local. Nós temos que repensar todas essas questões (MVR, janeiro de 2016)355.
Para reduzir a carga tributária, o movimento propõe repensar a distribuição de competências para arrecadação dos recursos decorrentes dos impostos. Explica ele que “o dinheiro dos impostos é um dinheiro que entra livre no Brasil. Isso quer dizer que o governo pode gastar no que quiser, ele não está vinculado a nenhuma área
específica” (MVR, maio de 2016)356. Apesar de tal liberdade ser bem-vinda, porque
permite que o Estado aja nos momentos e nas áreas que julga ser mais importantes, “é preciso ter atenção para que a prestação dos serviços esteja de acordo com as
demandas da população” (MVR, julho de 2016)357. O movimento explica que:
Hoje nós pagamos um valor absurdo de impostos. É muita coisa mesmo. E que retorno nós temos? Segurança de primeira qualidade? Escolas bem estruturadas com professores bem pagos? Hospitais em pleno funcionamento, com uma equipe preparada para atender as nossas necessidades? Claro que não. Temos políticos opulentos e uma população miserável. E como fica o empresariado no meio disso tudo? Buscando sobreviver com muita criatividade (MVR, março de 2016)358.
O trecho vem a demonstrar o descontentamento do movimento com a alta incidência tributária sobre a produção de riqueza nacional, agravado pela incapacidade do Estado em reverter o investimento em serviços de qualidade. Eles acreditam que a transformação exige “um Estado mais eficiente e desinchado, com
prioridades mais bem definidas” (MVR, agosto de 2016)359. “Defendemos um muito
número muito menor de ministérios e uma diminuição radical do número de cargos
355 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponível
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/videos/313721382103920 >Data da postagem: jan. de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
356 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponível
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/48347309203921328321302030 >.Data da postagem:mai de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
357 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponível
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/48347309203923213982334094 >.Data da postagem: jul. de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
358 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponível
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/483473092039472348340290211 >.Data da postagem: mar. de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
359 MOVIMENTO VEM PRA RUA. Disponível
em:<https://www.facebook.com/vemprarua.net/photos/483473092039472348323239203 >.Data da postagem: ago. de 2016. Data do acesso: Out. de 2017
comissionados – pelo menos 50% deles” (MVR, maio de 2016)360. Além disso,
“acreditamos que o governo devesse eleger segurança e educação como prioridades, investir pesado nesses dois campos. O resto, transferir para a iniciativa privada” (ibidem).
O movimento defende um projeto econômico no qual “o Estado atue em favor
do mercado, não contra ele” (MVR, junho de 2016)361. Para que o Brasil se adapte a
tais propósitos, é imprescindível que ele reduza a carga tributária para não comprometer o excedente indispensável ao empreendedorismo e estabeleça prioridades para um investimento mais qualificado de recursos. “É impossível, para qualquer orçamento, satisfazer todas as demandas. Até o cara mais rico do planeta tem prioridades, porque o dinheiro é escasso e as demandas são ilimitadas” (MVR,
abril de 2016)362.
Há de se frisar que, embora o MVR não se filie a uma corrente econômica específica, ele adota certos princípios econômicos que servem como norte econômico: 1) o Estado precisa atuar em favor do mercado, não contra ele; 2) A carga tributária deve ser baixa e deve ser revertida em serviços públicos de qualidade; 3) O estado precisa eleger prioridades para investimento e se esforçar para satisfazer as demandas da população nessas áreas. Com base nesses três pressupostos, eles desenham um projeto de desenvolvimento nacional baseado no empreendedorismo, livre iniciativa, criatividade e liberdade.