5.1
C
ONCLUSÕES SOBRE OS RESULTADOS OBTIDOSOs ensaios laboratoriais e piloto incluindo coagulação-floculação e filtração realizados por
Alves (2012), levaram à conclusão que o sulfato de alumínio seria o adequado para o
tratamento da água do rio Vouga na Captação do Carvoeiro. No final do estudo verificou- se um excesso de alumínio na água após o tratamento.
No intuito de encontrar uma solução para o problema verificado com o residual do alumínio, foram realizados ensaios laboratoriais para verificar a influência das condições de operação na qualidade de água tratada.
Inicialmente foi comparado o sulfato de alumínio e o cloreto de ferro para ver quais as diferenças entre si no tratamento de água do rio Vouga. Nestes ensaios de comparação foi possível concluir que os dois resultam em eficiências de remoção algo semelhantes. O sulfato de alumínio apresenta uma ligeira vantagem sobre o cloreto de ferro ao nível da remoção de turvação. Em baixas dosagens o sulfato de alumínio tem uma maior eficácia que o cloreto de ferro, devido ao cloreto de ferro apresentar a formação de pequenos flocos com dificuldade de sedimentação. No que toca à produção de lamas o cloreto de ferro leva vantagem sobre o sulfato de alumínio, produzindo um menor volume.
Com a aplicação de um coagulante adjuvante, o Magnafloc LT31, foi possível obter uma visível melhoria na formação de flocos, uma maior remoção e uma maior compactação das lamas produzidas. Ainda foi possível uma redução na dose de ambos os coagulantes.
Por fim com a aplicação do processo de pré-oxidação conseguiu-se obter uma melhoria na remoção, principalmente ao nível da turvação e absorvância UV. Para os diferentes tempos de contacto não houve diferenças significativas. Com a aplicação deste processo também foi possível a redução da dose ótima. Após a pré-oxidação a adição de Magnafloc LT31 não resultou em qualquer formação de flocos, isto possivelmente à deterioração do próprio coagulante orgânico.
Nos ensaios laboratoriais foi verificada a importância do processo de filtração para atingir os valores requeridos para a água tratada. Importância verificada na diferença entre a turvação do sobrenadante e do filtrado.
Nos períodos onde se verifica a baixa precipitação e uma redução das partículas presentes na água do rio, o processo convencional de tratamento que incorpora os processos de coagulação-floculação, flotação e filtração não será necessário para o tratamento visto que a água não necessita de um tratamento para remoção de partículas suspensas.
Ao nível do residual de ferro obtido no final dos ensaios com o cloreto de ferro foi sempre inferior a 40 µg/L, mesmo quando a concentração na água bruta era superior, demonstrando que o residual de ferro neste processo não será um problema como verificado no alumínio.
Em relação aos ensaios realizados com o alumínio houve problemas com os residuais de alumínio. Com a aplicação de sulfato de alumínio nos ensaios de comparação com o cloreto de ferro, os valores de residual de alumínio em alguns casos ultrapassavam os valores limite e sempre os valores recomendados. Com a aplicação de um coagulante adjuvante e com a aplicação do processo de pré-oxidação atingiu-se uma melhoria no processo. Consequente levou à diminuição na dose de sulfato de alumínio aplicada, os resultados alcançados para os residuais nem sempre foram os desejados. Com a aplicação do coagulante adjuvante apesar da melhoria bastante positiva verificada no processo, o residual de alumínio aumentou. Já com a aplicação do processo de pré- oxidação o valor de residual não sofreu grande alteração.
Tendo em conta as duas doses equivalentes conclui-se que o sulfato de alumínio funciona numa gama de doses maior que o cloreto de ferro, principalmente a doses mais baixas. No caso da água bruta é necessário uma maior dose de cloreto ferro para ser atingida a mesma eficiência que sulfato de alumínio. O cloreto de ferro tem as vantagens sobre o alumínio de produzir um menor volume de lamas e o residual de ferro não apresentar um problema como o do alumínio
No caso da escolha do coagulante recair sobre o alumínio terão de ser conduzidos outros estudos e outros processos para que seja possível reduzir o residual do alumínio no final do processo de tratamento.
5.2
L
IMITAÇÕES DO TRABALHOAs principais limitações encontradas neste estudo prenderam-se com a distância à ETA do Carvoeiro, aumentando o tempo necessário para a realização dos ensaios desejados. Foi por isso necessário armazenar a água procurando evitar a degradação da amostra
recolhida. Outro fator limitante foi referente às condições do rio que nem sempre se apresentavam com as características favoráveis para os ensaios pretendidos, isto é durante este ano a água do rio manteve baixa concentração de sólidos e algas.
O conhecimento dos valores dos residuais de alumínio e de ferro apenas no final de todos os ensaios levou a limitação da prática de outros ensaios de possível correção destes valores.
5.3
S
UGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROSTendo-se verificado uma melhoria com a utilização do coagulante orgânico e do processo de pré-oxidação nos ensaios laboratoriais seria interessante visualizar os resultados obtidos à escala piloto com a utilização do processo de filtração direta e da filtração convencional após sedimentação ou flotação. Só assim será possível verificar se a concentração residual de alumínio, após filtração, vai permitir a utilização deste coagulante, uma vez que os resultados laboratoriais exibem alguns problemas com a concentração de alumínio.
Verificar qual a influência da nova barragem do Ribeiradio na água de captação superficial, uma vez que a barragem pode levar a diminuição do efeito das enxurradas (menor presença de material particulado) e no verão pode levar a um aumento mais acentuado da presença de algas.