haute interaction
CHAPITRE 3. D´ EVELOPPEMENT D’UN POT DE MIEL HAUTE INTERACTION
3.3.1 Un pot de miel avec VMware
Dos inúmeros documentos colocados online, apresenta-se aqui um (Chivers, C.J., 2010) que ilustra não só o tipo de documento disponibilizado, como também a leitura indirecta possível a partir deste exemplo, estendendo-se para a situação real no terreno e sua evolução.
Criado em 2006 no Distrito de Kamdesh na Província do Nuristão (junto à fronteira Norte com o Paquistão), este pequeno e isolado posto tinha como objectivo firmar relações com aliados de entre os habitantes locais e relacioná-los com a administração central de Kabul, para além de impedir a passagem ilegal da fronteira e deter a insurgência local. Fisicamente encontrava-se numa região montanhosa e escarpada, com florestas densas em seu redor, vales profundos e colocado em terreno exposto a cotas superiores à sua; para além de a população local ser conhecida pela sua pouca colaboração com estranhos e por toda a área ser conhecida como um corredor logístico dos insurgentes.
Quase desde o início do seu funcionamento relatórios constatavam a grande dificuldade em guarnecer os seus bunkers e efectuar patrulhamentos ao mesmo tempo devido ao reduzido número de tropas aí colocadas. Ainda assim e apesar da actividade insurgente marcadamente se afirmar, a batalha pelas mentes e corações dos locais era vista com expectativa. Em Dezembro de 2006, as ofertas de lápis, cadernos, afiadeiras bem como de tapetes para oração e luvas causaram um impacto positivo junto das crianças de povoações próximas e com reflexos nos adultos, pois conseguiu-se debater abertamente assuntos
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relativos à segurança com os anciões. Desta interacção, recolheu-se informação em como os insurgentes controlavam activamente a área, até à entrada do posto. Em termos de segurança, a situação era má, com a estrada de acesso ao posto controlável pelas cotas superiores envolventes e consequente vulnerabilidade de todo o tráfico; com os abastecimentos e rotações de forças a limitarem-se a voos de helicópteros (em reduzido número e frequência, para além de vulneráveis a fogo vindo das montanhas envolventes); com os helicópteros de ataque a mais de 30 minutos de voo em caso de apoio aéreo; com uma força policial que não era paga e que como tal se alheava de tudo e com um avanço gradual e metódico das forças insurgentes a cortar ligações e a restringir acessos:
“17 de Fevereiro de 2007- Homens armados e fardados de Polícia Afegã atacaram 3 camiões afegãos quando estes saiam do posto Keating após entrega de abastecimentos….os condutores saíram com vida. Mas um havia sido ferido por estilhaços…os outros tiveram as suas orelhas cortadas.”;
-“29 de Abril de 2007- Homens por si identificados por “Nós os Mujahedeen” colocaram cartas na mesquita…queixavam-se dos infiéis americanos e dos mullahs vendidos, polícias, soldados que trabalhavam com eles. Listava os nomes dos Afegãos que trabalhavam como guardas no Posto”.
E estas últimas cartas deixavam também uma certeza; “ cedo começaremos as nossas
operações”. Os habitantes locais rasgaram as cartas e logo no dia seguinte seis insurgentes
interpelaram e mataram o líder local da shura36, enviando uma clara mensagem. A partir de então, os voos nocturnos de helicóptero marcavam a única ligação com o exterior, sendo que a acção dos insurgentes se fazia sentir forte. Na sequência de estas e muitas outras informações recolhidas em todo o Nuristão, no verão de 2009 37 chega a ordem de fechar o posto.
Contudo, antes de o posto ser desmantelado, a 03 de Outubro, os insurgentes atacaram com fogo de morteiro e RPG, para além de dominarem as elevações em redor e daí efectuarem disparos de metralhadora pesada e pelo menos 175 insurgentes avançaram sobre a vedação exterior do posto. Os primeiros relatórios classificados do ataque demonstram como esta pequena unidade ficou presa entre as guerras da actualidade e as do
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Conselho tribal.
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Com o General Stanley McChrystal a assumir o comando das operações e a chamar a si a necessidade de concentrar forças em detrimento da ocupação de pequenos postos como Keating.
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passado; incluindo mensagens em tempo real para o Quartel-General e relatórios de pilotos que acorreram a dar apoio aéreo.
“ESTAMOS AO CONTACTO” foi um dos primeiros relatórios, seguido de pedidos de apoio aéreo. A batalha escalou e não tardou a seguir o primeiro relatório de baixas seguido de um “TRAGAM QUALQUER COISA PARA AQUI!”, sendo que a resposta avisava de um voo de 40 minutos até Keating. Os seus próprios morteiros não podiam fazer fogo, pois estavam sujeitos a fogo inimigo tanto da povoação próxima, da mesquita à estação de Polícia, como das montanhas. Com a aviação a chegar e a ser dirigida para alvos, quarenta minutos após o início do combate, do posto seguiu a informação que as minas claymore38 iriam ser detonadas (um claro sinal que o Posto se encontrava prestes a ser assaltado). “INIMIGO NA VEDAÇÃO” foi a mensagem a que se seguiu “ PRECISAMOS DE
APOIO”, enquanto os insurgentes entravam no posto. Com a chegada dos helicópteros de
ataque ao solo e em apoio da aviação e sistemas de empastelamento de comunicações, o fogo começou a ser direccionado para a mesquita e outros pontos e as forças restantes no posto começaram a contra-atacar e consolidar posições. À quarta hora de combate, do posto seguia a informação que não tinham mais homens para consolidar e reorganizar, sendo que ainda havia combates no exterior do posto. Somente à nona hora de combate se conseguiu consolidar a posição e reunir todos os feridos para evacuação.
Mais tarde nesse dia chegaram reforços, já com os combates terminados. Oito militares norte americanos e outros afegãos haviam morrido, para além de doze feridos e muitos outros feridos afegãos. Nos dias seguintes o posto foi abandonado, tão depressa que nem forma retirados equipamentos e munições, destruídas pela aviação enquanto os insurgentes o saqueavam. O Posto Keating havia aguentado, mas por pouco. Mas mais que isso, é o espelho do tipo de documentos que chegaram a conhecimento público através da
WikiLeaks. Este, como muitos outros, ilustra um episódio no terreno (que apesar de se
poder considerar de pouca importância táctica e nenhuma estratégica) que dá forma ao reduzido número de forças no terreno, da sua imensa dependência de meios aéreos, da volatilidade das vontades dos afegãos e um adversário feroz, habilidoso e determinado.
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Afirmando-se como um exemplo das frustrações aliadas no Afeganistão e exemplo da documentação vertida online.