III.3 MICROSCOPES MICRO-ONDES CHAMP PROCHE BASES SUR LA
III.3.2 Microscope champ proche basé sur la technique interférométrique en réflexion
Nas manifestações dos adolescentes, que são próprias da fase, o conflito está presente. Os diretores afirmam que não sabem como fazer, pois estes assumem posturas que são difíceis de lidar, como, por exemplo, o desrespeito pela autoridade dos professores e diretores e até mesmo dos pais deles. Uma das diretoras, porém, aponta que se utiliza do recurso do diálogo e da conversa para tentar sempre a aproximação do estudante com a escola. A forma como os adolescentes vivem é um conflito em si. Diante disso, os diretores manifestam tentativas de aconselhamento, de fazer com que os professores sejam exigentes na cobrança de atitudes mais comprometidas com o estudo, mas dizem que eles vivem de forma diferente. O adolescente, segundo os diretores, apresenta conflito, isso é normal.
Porque essa faixa etária é uma faixa etária difícil, é para arranjar namorado e isso faz com que alguns meninos vêm, eles são namoradinhos que vêm e ficam na escola aí junto uns namorados e um bocado de malandro que é para puder aproveitar da situação passar droga enfim, a gente já sabe o que acontece na porta da escola....o que eu não abro mão é da minha autonomia de diálogo com os meninos, porque eu não acredito que os policiais tenham a preparação de manter esse diálogo com eles é assim (D4).
Segundo Neusa Curbelo “Os jovens são mais vulneráveis, porque eles mesmos estão em processo entre a infância e as responsabilidades da vida adulta. Isso cria insegurança, não é cômodo. Como planejar sua vida para um, cinco, dez anos frente à insegurança reinante?” (2005, p. 34).
Diante das muitas diferenças na forma de ver a escola que os adolescentes apresentam em relação à visão dos diretores, alguns expressam que há tentativas da parte dos diretores para melhorar o ambiente da escola. São tentativas isoladas, muitas vezes, mas como eles se sentem angustiados com o contexto da escola, então buscam alternativas. Também nem sempre compreendem de onde vêm os conflitos e como podem fazer para melhorar. O conflito na adolescência é algo que eles não sabem como lidar, a comunicação entre a escola e os adolescentes parece ser difícil.
Os alunos tinham momentos de desrespeito, falta de limites, entendeu então aqui na escola, estava tendo um grande índice de crime nos horários da saída, o diretor dessa escola em 2006 ele foi ameaçado de morte pelo aluno, foram várias situações de violência mesmo, de ameaças, coisas assim, um risco grande (D3).
Pelo menos dois mundos convivem na mesma escola. O mundo dos adolescentes e o dos gestores. A comunicação entre eles é interrompida pelos conceitos de cada parte. O espaço da argumentação fica comprometido e é frágil. O que Paulo Freire (1996) apresenta como um dos pontos necessários para o educador:
Na compreensão da história como possibilidade, o amanhã é problemático. Para que ele venha é preciso que o construamos mediante a transformação do hoje. Há possibilidades para diferentes amanhãs. A luta já não se reduz a retardar o que virá ou a assegurar a sua chegada; é preciso reinventar o mundo. A educação é indispensável nessa reinvenção. Assumirmo-nos como sujeitos e objetos da história nos torna seres da decisão, da ruptura. Seres éticos. “A humanidade nos ajuda a reconhecer esta coisa óbvia: ninguém sabe tudo; ninguém ignora tudo. Todos sabemos algo; todos ignoramos algo (p. 76-77).
O acolhimento do modo de vida dos adolescentes parece ser ponto necessário para a possível problematização posterior das questões que estão ‘coladas’ na vida dos adolescentes. Os conflitos são inerentes na vida dos adolescentes. O que se percebe, pelas falas dos estudantes, é que a escola não tem conseguido estabelecer o método para o trabalho educativo diante dos conflitos vivenciados pelos adolescentes. É possível identificar esse sentimento nas falas: “Eles não demonstram pra ter desempenho, mas a gente olha assim, mas eles têm insegurança, medo não, insegurança. É muito ridículo porque eles (alunos) são crianças. Só que eles são grandes” (GF3).
Para Morim (2003), o método de trabalho para uma proposta de educação que responda às necessidades do momento precisa levar em conta a situação concreta do sujeito. O método é o que ensina aprender. A situação de violência na escola necessita de aprendizado
por parte de todos. Por isso, é importante considerar, por exemplo, o que os adolescentes e os professores sentem em relação à violência. Não há como ter respostas prontas para o momento, é preciso um caminho de construção coletiva. É da experiência concreta e, a partir do que está sendo sentido, que o grupo terá possibilidade de reverter a situação. Nesse sentido, é importante atentar para o princípio dialógico, que inclui a ordem/desordem/organização como parte integrante do sistema.
O nosso foco principal é esse, porque essa falta de credibilidade ela atrapalha em todos os sentidos, por exemplo, nossos problemas até no rendimento escolar tudo isso reflete nesse aspecto, porque se a criança está na escola ela não tem uma assistência da família dificilmente ela vai vencer na escola, então por isso a gente foca muito esse lado, mas melhorou muito, muito mesmo.
Uma vez por mês, aqui na nossa escola, nos temos dois professores participam, um servidor da cantina, um da portaria, um da limpeza, três pais, duas mães e um pai, e dois alunos, e a direção, a diretora e a vice.
Aqui, o grupo é muito bom, os professores, tudo que vem pra acrescentar, eles acham bom, porque a gente trabalha numa área perigosa, é, uma área muito carente, tudo pra gente, tudo que venha acrescentar é bom.
Não, temos um grupo de professores, diariamente cada dia é um grupo diferente, esse grupo fica ali na hora do intervalo, fiscalizando para evitar maiores problemas (D5).
Estou trabalhando em cima desse projeto, implementando o projeto, trazendo grupos, pessoas de fora que possam colaborar com o projeto da segurança aqui na escola, grupos de trabalho com os pais, que eu acho que é o grupo que está mais distante e precisando, vamos promover seminários para os pais, embora eles saibam da dificuldade deles na participação dos pais durante a semana, estaremos propondo a eles encontros aos sábados, nós vamos trazer uma pessoa de fora como parceiros gentilmente que vão colaborar com a gente, pra tentar buscar esse pai bem pra pertinho da gente, então por isso acredito eu acho que vai continuar funcionando (D4).
Eu notei a mudança dos professores. A partir do momento que eles saíram da sala e começaram a andar no intervalo eu prestei mais atenção que está melhorando. Agora está mais organizado. Não tá sumindo coisa na sala porque eles ficam na escada. Com os professores no intervalo as brigas diminuíram muito (GF 5).
É possível perceber o movimento de construção coletiva, com as possibilidades que os diretores dispõem no momento. Ainda falta uma articulação mais viva, mas é possível perceber o desejo deles em fazer algo para melhorar o ambiente da escola.