I. 2.5 “Lift-off” [V]
I.3 Autres techniques utilis´ ees et leur principe
II.1.2 Micromagn´ etisme
No Brasil, no que se refere à refeição, sua estrutura normal nas grandes refeições é o arroz, o feijão e a mistura que consiste em uma ou mais preparações adicionais. Estas podem ser à base de vegetais (salada, verdura refogada, etc.), massas e pastelarias (torta, bolinho, pastel, etc.) e/ou carne (qualquer preparação que inclua carne, ave ou peixe, podendo ser substituída por ovo). No desjejum, o básico é o café com leite, pão e manteiga, atualmente substituída pela margarina (GARCIA, 1999, p. 49).
No que se refere às principais tendências relacionadas à modificação do comportamento alimentar, a partir da década de 90, com o estudo sobre a evolução do
consumo alimentar realizado por Mondini e Monteiro (1995, p. 79-89), é identificado o fenômeno da transição nutricional no Brasil. Esse trabalho verificou mudanças significativas na composição da dieta da população urbana, como a redução do consumo de cereais e derivados, feijão, raízes e tubérculos; o aumento contínuo no consumo de ovos, leite e derivados; a substituição da banha, toucinho e manteiga por óleos vegetais e margarina.
O Estudo Multicêntrico sobre Consumo Alimentar (EMCA), realizado em cinco cidades brasileiras (Campinas, Curitiba, Goiânia, Ouro Preto e Rio de Janeiro), mostrou os seguintes resultados: inadequação de energia, cálcio, ferro e vitaminas, principalmente nas classes mais pobres, e a adequação satisfatória de proteínas em todas as faixas de renda (INAN, 1997).
Garcia, em 1999 (p. 209-244), analisa as principais tendências relacionadas à modificação do comportamento alimentar no Brasil. A autora avalia a evolução do consumo alimentar sob a influência da renda familiar, comparando a hierarquia dos gastos dos períodos referentes às pesquisas realizadas pelo IBGE, quais sejam: ENDEF de 1978, POF de 1987/88 e POF de 1995/96. Além disso, com o objetivo de obter novos indicadores de tendência de consumo alimentar e avaliar o que o brasileiro tem consumido em substituição aos grupos de produtos avaliados nos estudos do IBGE, o referido estudo analisa os dados da pesquisa de mercado Datamark Ltda – Market Intelligence.
Os resultados desse estudo mostram que, à medida que aumenta o poder de compra da população, há um decréscimo no consumo de carboidratos complexos, como o grupo dos cereais, leguminosas e oleaginosas, farinhas, féculas e massas e tubérculos e raízes; aumento no consumo de carnes, vísceras e pescado e, principalmente, leite e derivados; e aumento no consumo de legumes, frutas e verduras. O aumento no consumo de óleos e gorduras verificou-se em faixas de renda maiores. Comportamento semelhante foi observado no aumento de consumo de alimentos preparados, de refrigerantes e cerveja.
As mudanças observadas mostram tendências que coincidem com a adoção das características da dieta afluente. Famílias com renda mais alta, principalmente a partir de 15 salários mínimos, gastam mais com açúcar e derivados, panificados, óleos e gorduras, leite e derivados, carnes, vísceras e pescados, e também alimentos industrializados e alimentos preparados. A citada autora ressalta que aqueles que têm melhores condições de
renda diversificam seu consumo, principalmente através dos alimentos industrializados; e os alimentos tradicionais, como o arroz e o feijão, vão perdendo espaço.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, realizada entre julho de 2002 e julho de 2003, mostra que em 30 anos o brasileiro diversificou sua alimentação, reduzindo o consumo de gêneros tradicionais como arroz, feijão, batata, pão e açúcar e aumentando, por exemplo, o consumo per capita de iogurte ou de refrigerante sabor guaraná. O leite de vaca pasteurizado, que é o produto adquirido em maior quantidade pelas famílias, teve seu consumo reduzido em 40%. Hoje são consumidos 38 kg por pessoa anualmente (IBGE, 2004).
Além das condições socioeconômicas, Garcia (1999) adverte que a idade pode sinalizar outros critérios de valorização de alimentos. No entanto, a nutrição e a alimentação na terceira idade ainda são áreas pobres em investigação, sendo pouco exploradas e não tendo recebido a atenção que lhes é devida. Particularmente no Brasil, poucos são os estudos relacionados ao comportamento alimentar de idosos (MARUCCI, 1985; HORWITZ, 1988; PEREZ, 1989, NAHAS et al., 1994).
Najas et al. (1994, p. 187-191), com o objetivo de conhecer o padrão alimentar de idosos de diferentes estratos socioeconômicos, realizaram um estudo com 283 indivíduos residentes na zona urbana do município de São Paulo. Os autores observaram, através do método de freqüência alimentar, que no grupo dos alimentos energéticos mais de 90% dos idosos das três categorias sociais consumiam arroz, pão, feculentos e macarrão, porém apenas o arroz e o pão eram consumidos diariamente. Quanto ao grupo dos alimentos protéicos, 70% ou mais dos idosos consumiam feijão, carne de boi, aves, leite e substitutos, e ovos, sendo o feijão e o leite e substitutos os alimentos mais utilizados diariamente. Embora a freqüência de ingestão de carne de boi e de aves fosse elevada para o total de idosos, esses alimentos não faziam parte do hábito alimentar diário desse grupo etário. No grupo dos alimentos reguladores, mais de 85% dos idosos das três regiões tinham por hábito consumir frutas, verduras folhosas e legumes, mas, ao se avaliar a ingestão diária desse grupo, verificou-se que a prática foi maior na região de melhor nível socioeconômico.
Esses resultados demonstraram que o padrão alimentar dos idosos é semelhante ao padrão de outros grupos etários no tocante aos alimentos energéticos, porém diferem
quanto aos protéicos e reguladores (DIEESE, 1987; TUDISCO et al.; 1985; TUDISCO et al., 1987).
No Brasil, as despesas com alimentação representam 23% do total das despesas efetuadas. Com base nos principais estudos realizados pelo IBGE, POF de 1987/88 e a POF1995/96, sobre a despesa média mensal com a alimentação, constata-se que as condições socioeconômicas da população têm uma correlação direta com a alimentação.
Assim, associado à modernização e à melhoria das condições socioeconômicas da população, o tempo produziu mudanças na alimentação, e este panorama retrata duas tendências simultâneas: enquanto a alimentação tradicional vem perdendo espaço, novas práticas alimentares estão em ascensão (GARCIA, 1999, p. 209-244).