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Microbiological effects

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CHAPTER 4 Impacts of Urbanisation on the Environment

4.4 Urbanisation Effects on Surface Waters

4.4.3 Microbiological effects

O padrão duracional das laterais é um parâmetro importante, sobretudo, para a caracterização de produções mais e menos velarizadas. Laterais velarizadas tendem a ser mais longas devido à coordenação entre os gestos de ponta e dorso de língua (SPROAT e FUJIMURA, 1993). Na Tabela 5 apresentamos os resultados para a duração absoluta e relativa (%) dos sons laterais alveolar, velarizado e vocalizado no falar portuense.

Tabela 5. Valores médios de duração dos sons laterais em função da produção alvo no falar portuense.

Parâmetro Produção (n) Média DP CV 2 p

DA (ms) alveolar 125 63 35 56 23,563 0,00 velarizado 383 85 51 60 vocalizado 92 73 27 37 DR (%) alveolar 125 14 8 57 44,88 0,00 velarizado 383 22 13 59 vocalizado 92 19 9 47

(n=número de dados; DA=duração absoluta; D =duração relativa; n=número de dados; DP=desvio padrão; CV= coeficiente de variação; 2

=valor do teste estatístico; p=nível de significância)

Os resultados mostram diferenças significativas no padrão duracional entre as produções analisadas. Podemos verificar um aumento gradual na duração relativa das produções mais anteriores em direção às produções mais posteriores, o qual pode ser representado na seguinte escala: alveolar<vocalizado<velarizado. Esses resultados confirmam a hipótese desta pesquisa acerca da duração das laterais, sendo mais elevada para a lateral velarizada em relação às outras produções analisadas e parecem ratificar o “atraso” (delay) na coordenação temporal dos gestos dorsal e apical durante a produção desse som (SPROAT e FUJIUMRA, 1993).

A duração é também um parâmetro de discriminação entre produções velarizadas e vocalizadas. Como apresentado na análise do padrão formântico das laterais, as frequências de F2 para a lateral velarizada e o som vocalizado mostraram-se bastante próximas. Então, se essas diferenças em frequência não são suficientemente evidentes, a duração pode atuar como uma pista acústica para caracterizar as duas produções. Retomando, então, as medidas de duração absoluta e relativa obtidas para a lateral velarizada e o som vocalizado (Tabela 5), podemos observar que o padrão duracional da lateral velarizada mostrou-se ligeiramente superior ao padrão duracional da vocalizada.

Os resultados do teste Kruskal-Wallis mostraram diferenças consistentes entre os grupos em comparação para o parâmetro de duração (p0,05). Com base nesse resultado, rejeitamos a hipótese nula (H0) e aceitamos a hipótese alternativa (H1). Mas os resultados do Teste Kruskal-Wallis não informam onde as diferenças encontradas estão e se essas diferenças são significativas. Para responder essa questão, aplicamos o Teste Mann-Whitney e comparamos os grupos

dois a dois. Para a interpretação desses resultados, consideramos a Correção de Bonferrroni (p0,0016).

Tabela 6. Testes de diferenças entre as médias de duração dos sons laterais em função da produção alvo no falar portuense.

Parâmetro Produção (n) anterior posterior vocalizado

Z p Z p Z p DA (ms) alveolar 125 n.a -4,748 0,00 -3,280 0,00 velarizado 383 n.a -,886 0,37 vocalizado 92 n.a DR (%) alveolar 125 n.a -6,532 0,00 -4,532 0,00 velarizado 383 n.a -1,349 0,17 vocalizado 92 n.a

(n=número de dados; Z=valor do teste estatístico; p=nível de significância)

Os testes evidenciaram diferenças significativas entre a lateral alveolar e os grupos velarizado e vocalizado com relação ao parâmetro de duração absoluta e relativa. Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos velarizado e vocalizado, sugerindo que, para o falar portuense, esse parâmetro não se mostrou robusto o suficiente para uma discriminação entre esses dois sons.

Comparando esses achados com o padrão duracional dos sons laterais em outros falares do PE, podemos considerar que estes, no que concerne à lateral velarizada, estão em consonância com os estudos de Monteiro (2012) que reportou, para a lateral velarizada em Bragança, Porto e Aveiro, os valores médios de 63,8 (ms), 78,5 (ms) e 93,3 (ms). Assim, a duração absoluta da lateral para o falar portuense mostrou-se ligeiramente mais elevada em nosso estudo. Também para Aveiro, Marques (2010) registrou, para a lateral velarizada, a duração absoluta de 87,77 (ms)22.

Relacionando os dados de duração e frequência para a lateral velarizada, podemos observar, por exemplo, que o falar brigantino apresentou o valor médio de F2 mais elevado (1022Hz) entre os grupos dialetais e, por outro lado, o valor médio de duração absoluta (63,8ms)

22

Os estudos de Marques (2010) e Monteiro (2012) não investigaram a duração relativa dos sons laterais. Por essa razão, e para fins comparativos, apresentamos a duração absoluta dos sons laterais no falar portuense. Salientamos, no entanto, que, para as análises subsequentes, focalizaremos a duração relativa como parâmetro de análise, atendendo, assim, aos objetivos deste estudo.

menos elevado entre os falares. Considerando que a lateral velarizada envolve um movimento muito mais proeminente de recuo e abaixamento de corpo de língua e que a coordenação temporal entre os gestos de ponta e dorso de língua é assíncrona, e, por isso, manifestaria um atraso (lag) nessa organização bigestual, parece razoável pensar que, para o falar de Bragança, o movimento de recuo e abaixamento do articulador, por ser menos extremo, abrevia o tempo decorrente da coordenação entre os gestos.

Essas observações estendem-se aos resultados obtidos no presente estudo e vão ao encontro da proposta de Sproat e Fujimura (1993) para a coordenação temporal entre os gestos. As respostas acústicas características das duas produções, lateral mais posterior e mais anterior, decorrem da seguinte inferência (articulatória): o movimento de ponta de língua precede, ou ocorre simultaneamente, ao movimento de abaixamento de dorso de língua para a lateral alveolar; para a lateral velarizada, o movimento de abaixamento de dorso precede o movimento de ponta. A organização dos gestos de ponta e dorso de língua na produção desses sons explicaria a diferença observada no padrão duracional dos sons laterais analisados neste estudo.

Os resultados apresentados nesta seção mostraram diferenças consistentes entre as laterais alveolar e velarizada e o som vocalizado, tanto em relação ao padrão formântico, quanto em relação ao padrão duracional. Diferenças significativas entre essas produções também foram confirmadas para o grau de velarização, que se mostrou uma medida consistente para avaliar a qualidade dos sons laterais em relação ao gesto de dorso de língua e confirmar a presença de produções mais e menos velarizadas para o falar portuense. Nas próximas seções, esses sons serão analisados, cada um, em separado com o objetivo de examinar seu comportamento em função da posição na palavra, do contexto de tonicidade e do contexto adjacente.

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