7. Complications du diabète
7.3. Microangiopathie
Inicialmente a arquitetura informacional da Internet foi concebida com aplicativos P2P1 (peer-to-peer), possibilitando uma integração ponto a ponto dos indivíduos e serviços por meio da rede. Pressupunha-se que os computadores estivessem sempre ligados e conectados com o endereçamento IP (Internet Protocol) fixo, de modo que a conexão entre os pontos tivesse uma conexão direta e simétrica. Isso permite uma proporção equilibrada no fluxo de dados entre o recebimento e o envio das informações, o que se traduz numa maior colaboração e integração direta com os usuários. A popularização da Internet levou a uma tendência assimétrica, representada pela desproporcionalidade do fluxo das informações mediada pelos grandes sites; o que mostra o exercício de utilização da Internet com um fluxo maior de recebimento em detrimento ao envio das informações. Alguns posicionamentos abordam que a tendência assimétrica compromete o viés de colaboração proposta pela arquitetura original da Internet.
A Internet começou como uma rede peer-to-peer (P2P), totalmente simétrica, de usuários em cooperação. Quando a Rede cresceu de modo a conciliar os milhões de pessoas on-line, as tecnologias existentes a dividiram em um sistema com relativamente poucos servidores e muitos clientes. Ao mesmo tempo, algumas das expectativas básicas da cooperação estão apresentando o risco de ruírem, ameaçando a estrutura da rede.
Esse fenômeno impõe desafios e obstáculos aos aplicativos P2P: tanto a rede com os aplicativos precisa ser concebida em conjunto para trabalharem em série. Autores de aplicativos devem projetá-los para que sejam resistentes e possam funcionar no ambiente complexo da Internet, e os projetistas da rede devem incorporar recursos para lidar com aplicativos peer-to-peer. Felizmente, muitas dessas questões são familiares, devido à experiência da antiga Internet; e as ações aprendidas ali podem ser utilizadas em sistemas que venham a ser aproveitadas no futuro (HORAM,2001:21).
Não está em questão uma abordagem crítica da inteligência afluente no ciberespaço em relação à assimetria das redes, pois há movimentos que fazem uso do
contexto atual do ciberespaço para quebrar o contexto da simetria, como exemplos das Comunidades Virtuais, BLOG´s e E-Mails. A idéia é elucidar os aspectos na relação individuo x grupo, que representam uma tendência da utilização do meio digital móvel com desdobramentos no contexto social e tecnológico, baseados numa maior liberdade para a colaboração das informações e utilização democrática da tecnologia. A evidência deste movimento é abordada por Rogério Costa, e citado por Lúcia Leão (LEÃO,2004: 61-62).
O fato de indivíduos estarem em grupo não significa que haverá entre eles uma sinergia de idéias que resultará numa ação conjunta. Essa é a razão do nosso interesse específico no campo da ação coletiva, pois ela é a expressão genuína de uma inteligência afluente, que também chamamos de ação coletiva inteligente. Howard Rheingold 24 narra em seu último livro SmarMobs, como um recente movimento social nas Filipinas, que depôs o então presidente Estrada, resultou da inteligência afluente da população. No dia do julgamento do processo de impeachment do presidente, mensagens enviadas através de celulares conseguiram mobilizar em questão de minutos mais de um milhão de cidadãos diante do congresso.
Entretanto, também não estão em questão os fatores que motivaram o contexto assimétrico predominante da Internet atual: o aumento da largura de banda, a implementação de firewall para segurança das informações e o controle de acesso aos outros computadores; ou as pressões comerciais que levaram aos moldes da rede que vemos hoje. O foco está relacionado ao ambiente dos dispositivos móveis como uma alternativa no contexto da simetria das redes, remontando a idéia Peer-to-Peer25 (P2P13) inicial da Internet e apresentando uma cartografia multidimensional e distribuída das
24 RHEINGOLD Howard. Smart mobs: The next social revolution, Perseus, 2002.
25http://www.openp2p.com/ . Portal de informações sobre padrões de rede ponto a ponto (P2P).
Arquitetura de rede distribuida se pelo compartilhamento de parte de seus recursos de hardware (impressoras, armazenamento e processamento) e serviços (compartilhamento de arquivos, aplicativos e banda de rede). De modo que cada ponto se caracteriza tanto como provedor quanto cliente para colaboração mútua de informações sem , obrigatóriamente, passar por nenhuma entidade intermediária.
informações. O sinal desta evolução vem se consolidando desde o surgimento das redes corporativas privadas on-line, passando pela popularização da Internet até a emergência da tecnologia dos dispositivos móveis e redes Wi-Fi/Wi-Max3, que proporciona uma rede para conexão dos dispositivos eletrônicos móveis voltados para a colaboração das informações e a mobilidade dos indivíduos.
A utilização do meio digital apresenta uma relação direta ou indireta com a centralização ou descentralização das informações, apresentando cenários que ora enfatizam a centralização e ora descentralização, de modo que a utilização do meio caracteriza a representação de um palco fértil para a implementação de ambos os cenários. Apesar do viés da associação direta entre a simetria/assimetria com a descentralização/centralização das informações respectivamente, há aspectos que desmontam a relação entre a arquitetura e o poder da comunicação das informações, conforme abordado por Henrique Auntum26 (2004, pág. 8-9).
A teoria da necessidade do estado coercitivo, nascida com Hobbes27, considera que o egoísmo competitivo faz com que o estado natural seja a guerra de todos contra todos, o que dilapidaria o bem comum e imporia a miséria e sofrimento, a menos que um soberano impusesse o terror a todos, forçando a cooperação. Se a soberania despótica não é capaz de promover o bem comum ela ao menos consegue impedir a dilapidação pela administração de seu uso. Locke vai discordar de Hobbes, considerando que os homens podiam se governar melhor através da propriedade privada, não apenas impedia sua dilapidação, mas provia a sua multiplicação pela expectativa de ganho gerada, tornando o interesse de cada um por si mesmo num poderoso vetor de cooperação e alargamento do bem público. [...] Em ambas as teorias, a cooperação é uma servidão imposta pela soberania e as mediações das instituições do Estado o veículo adequado para administrar as sanções.
A proposta de liberdade baseada na descentralização e conectividade da arquitetura ponto a ponto, proposta pelo ambiente descentralizado, está sob a
26 ANTOUN, Henrique: O poder da Comunicação e o Jogo das Parcerias na Cibercutura , 2004.
administração das corporações que são detentoras da tecnologia das redes sem fio, sites, meios de comunicação e fabricação dos dispositivos eletrônicos para mediação da conexão sem fio. A importância da relação do ambiente WEB com as e rede móveis WI-FI/WI-MAX através das mídias móveis28 representa dois universos que se somam, apresentando uma cartografia lógica das informações entre o ambiente digital móvel e a Internet a fim de proporcionar a comunicação e a garantia do processo fim-a-fim das informações. Esse cenário caracteriza uma nova fase para a sociedade da informação, conforme observa Lúcia Leão (LEÃO,2004, 18).
O que está em jogo nesse começo de século XXI é o surgimento de uma nova fase da sociedade da informação, iniciada com a popularização da Internet na década de 80, e radicalizada com o desenvolvimento da computação sem fio, pervasiva e ubiqua, a partir da popularização dos telefones celulares, das redes de acesso à Internet sem fio (“WI-FI” e “WI-MAX”) e das redes caseiras de proximidade com a tecnologia de conexão “bluethooth”.
Na diversidade de aplicações na WEB, podemos citar os sites Napster e Amazon para ressaltar as soluções que apresentam características simétricas e assimétricas respectivamente. O Napster representou principalmente, até a sua extinção, uma alternativa para oferta de serviço de compartilhamento do banco de dados dos arquivos entre seus usuários segundo a qual cada computador compartilhava os arquivos de música, proporcionando uma cooperação direta dos arquivos distribuídos entre vários computadores conectados na rede. O site Amazon é uma solução para comércio na rede com várias ofertas de produtos enquadrados no modelo e-comerce29 já que as
transações de venda permanecem centralizadas com as informações controladas e restritas ao próprio site.
28 Assunto sobre as particularidades das redes e aplicações móveis serão discutidas nos capítulos 4.2
e 4.3.
O advento tecnológico do Midlware30 significou um crescimento na integração de serviços entre ambientes. Este consiste numa plataforma híbrida de hardware e software que funciona como canal de comunicação e integração entre ambientes heterogêneos e que por meio da arquitetura dos serviços (SOA)31 permite uma colaboração mais inteligente das informações disponíveis em outros sites na Internet. Este é um fator relevante para as mídias móveis devido ao surgimento de mais um canal de acesso ás informações distribuídas no ambiente WEB através dos dispositivos sem fio, além da arquitetura sistêmica32 para o acesso aos serviços e controle das funcionalidades dos aparelhos eletrônicos móveis.
Portanto, as aplicações desenvolvidas para o ambiente móvel vieram agregar à cartografia do ciberespaço, que já não está mais restrita somente aos aplicativos na Internet. A rede móvel, por meio dos dispositivos sem fio, veio proporcionar a inclusão das mídias móveis no cenário descentralizado e simétrico das informações no meio digital.
Nos cenários da simetria ou da assimetria das informações o papel do DNS (Domain Name System) e do endereço IP (Internet Protocol) constituem um papel importante no conceito da centralização e da descentralização das informações. Os equipamentos numa rede digital são referenciados através de um nome simbólico associado ao seu endereço IP. Esta associação é implementada pela colaboração de um conjunto de servidores (WebServer) conhecido como DNS que representa a organização de domínios com o objetivo de evitar a utilizar o mesmo nome para mais de um
30 Termo genérico usado na área de tecnologia da informação para qualquer programação que
junte ou medie a integração de dois programas/sistemas separados e existentes. (BOTTO, Renato: Arquitetura Corporativa. 2004, p.232).
31 Arquitetura voltada a serviço (Service Oriented Architecture) como uma evolução da idéia dos
Web Services que iniciaram com os protocolos SOAP, UDDI e WSDL. E está se apresentando como uma evolução natural dos Web Services, permitindo a viabilidade técnica para disponibilizar os sistemas de informação distribuídos (Fonte: BOTTO, Renato. Arquitetura Corporativa de Tecnologia da Informação,2004:108).
equipamento. Dividindo-se a Internet em domínios administrativos distintos, e
garantindo que cada domínio não cadastre equipamentos com endereços iguais, o que garante uma única referencia (endereço IP) para cada equipamento na rede (BRÁS e MENEGUEL,1999:18-19). Os domínios na rede são administrados e segmentados de uma maneira institucional ou geográfica, no caso do Brasil, sob a governança do Comitê Gestor da Internet Brasileira (CGI.Br – www.cgi.br) e no cenário global sob
administração centralizada da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN – www.icann.org).
O DNS representa um serviço para resolução de nomes entre a conexão e troca das informações, entre computadores e demais equipamentos de uma rede baseada no endereço IP de origem e destino, entre os atores que trocam informações no meio digital. Dessa forma, um endereço http://www.xpto.com está relacionado ao respectivo endereço IP do servidor sem a necessidade do conhecimento do número do endereço. Portanto, quando há necessidade de acessar um endereço como o http://www.xpto.com, o protocolo DNS em conjunto com o protocolo TCP/IP (Transmission Control
Protocol/Internet Protocol) precisam resolver qual o número IP está associado com o endereço solicitado. Se não for possível “descobrir” o número IP associado ao nome, não será possível acessar o recurso desejado. O papel do DNS se resume à atividade de resolver qual endereço IP está associado a um nome e é constituído por um grande banco de endereços distribuído em diversos de servidores DNS na rede .
O endereço IP nomeia de forma única os computadores de uma rede a fim de permitir o envio e o recebimento das informações. No protocolo de comunicação, (cap. 2.7) estão definidas todas as regras necessárias para que o computador de destino receba
e interprete as informações no formato em que foram enviadas pelo computador de origem. A conectividade para troca de informações é viável se os computadores trabalharem com o mesmo protocolo ou se houver uma integração entre os protocolos. À medida que a Internet se populariza, o protocolo TCP/IP e o endereço IP tornam-se viáveis um padrão utilizado não só na Internet, como também nas redes internas das empresas e no meio móvel. Desse modo, cada equipamento inserido numa rede sob o protocolo TCP/IP está habilitado para comunicar-se com sucesso e trocar informações com os demais equipamentos da rede (BATISTI, 2007).
A leitura técnica dos conceitos sobre a simetria/assimetria das informações no meio digital abordados neste capítulo relaciona o DNS (Domain Name System) e o protocolo IP (Internet Protocol) como os dois principais atores reponsáveis pela idéia da centralização e descentralização das informações. O DNS como um centralizador das informações e o IP como representante do endereço de cada o usuário com a finalidade de identificar e proporcionar uma liberdade para conexão com outros endereços numa rede P2P ou outros dispositivos.
A centralização ou descentralização no meio digital acompanha o ciclo da espiral dos movimentos sócio-tecnológicos que ocorrem no meio digital e a representação deste contexto está caracterizada pelo próprio desenvolvimento do meio digital: a Internet nasceu com o conceito P2P representado pela topologia IP com o tráfego da informação unicast3 ponto a ponto. Entretanto, movimentos como IPTV, Redes Móveis, IPTV e rádio sobre IP denotam uma característica multicast4 com a distribuição das informações de um para muitos e muitos para muitos.