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Chapitre III : Extraction de l’huile de grignon

III.3/ Méthode d’extraction

III.3.3/ Micro-ondes et extraction

Durante o período em que o Brasil foi conduzido por governos militares, “A política educacional faz parte desse contexto, em que o Estado assume um cunho ditatorial, a economia apresenta um forte crescimento em alguns períodos, e os interesses do capital prevalecem enormemente sobre as necessidades de trabalho.” (Germano, 2005, p.104),

O cenário político brasileiro, no início de 1968, agravado pelo constante estremecimento da sociedade brasileira, sobretudo, com manifestações públicas que reivindicavam ações para resolver os desafios educacionais, dentre outros, exigia do Estado ações urgentes para se evitar mais agitações sociais, o que, certamente demonstrava para os mandatários, a elevação da consciência popular.

O que se apresentava, naquele contexto,

No início de 1968, a mobilização estudantil, caracterizada por intensos debates dentro das universidades e pelas manifestações de rua, vai exigir do governo medidas no sentido de buscar “soluções para os problemas educacionais mais agudos, principalmente dos excedentes” (Fávero, 2006, p.32).

O que é fartamente perceptível é, por parte dos governos militares do Brasil, um ufanismo em relação à importância da educação apresentada como a grande redentora e força capaz de gerar pleno progresso para o país.

A distância entre esse discurso e o atendimento às necessidades de reformas na educação brasileira é gritante, sobretudo, quando se analisa a destinação de verbas para esse segmento e o crescimento acelerado do ensino privado.

É fartamente narrado em estudos diversos sobre o período da imposição dos governos militares as ações de repressão aos movimentos que clamavam por mudanças no seio da sociedade brasileira e suas instituições, sobretudo, das educacionais.

Antes de tudo, importa por um destaque que, no período áureo do Regime, o Estado, numa ‘manobra pelo alto’, concebeu e começou a empreender uma reforma do Ensino Superior (1968) e, pouco depois, a reforma do Ensino Primário e Médio (1971). Entendemos tais reformas como fragmentos de uma ‘revolução passiva’, [...] Por outro lado, elas tinham também a pretensão de atender a uma demanda efetiva e a uma carência real de segmentos da sociedade excluída dos privilégios concedidos pelo ‘centro do poder’ (Germano, 2005, p.104).

Resumidamente,

Entre as medidas propostas pela Reforma, com o intuito de aumentar a eficiência e a produtividade da universidade, sobressaem: o sistema departamental, o vestibular unificado, o ciclo básico, o sistema de créditos e a matrícula por disciplina, bem como a carreira do magistério e a pós-graduação (Fávero, 2006, p.32).

Para o ensino médico, a Reforma universitária de 1968 impôs uma assimilação do modelo das universidades norteamericanas. O que se sabe é que

A partir de 1964, acordos foram feitos entre o MEC e a Usaid – uma agência do governo americano – abrangendo os níveis de ensino. Outros assessores norte- americanos, a serviço do MEC, como Rudolph Atcon, se envolveram também na definição da reforma universitária. Desse modo, a tônica do chamado Relatório Atcon (1966) recaía sobre a necessidade de disciplinar a vida acadêmica, coibindo protesto, reforçando a hierarquia e a autoridade. Além disso, o Relatório enfatizava a importância de racionalizar a universidade, organizando-a em moldes empresariais, privilegiando, assim, a questão da privatização do ensino (Germano, 2004, 117).

Uma ponderação acerca da relação MEC-Usaid, no período que antecedeu a Reforma Universitária é que

[...] não é sensato pensar – conforme a regra corrente no movimento estudantil da época e presente em textos de muitos analistas da política educacional brasileira – que a reforma universitária de 1968 tenha se traduzido numa incorporação pura e simples das recomendações de Atcon e numa imposição da Usaid através dos seus grupos de assessores que trabalharam junto ao MEC. É preciso relativizar a influência de tais assessores, tendo em vista o movimento interno em favor da modernização da universidade existente desde fins da década de 40 (Idem, Ibidem).

Pedagogicamente, com as mudanças trazidas pela Reforma Universitária de 1968, todos os cursos da área da saúde ficaram calcados nos mesmos núcleos de ciências básicas. O impacto mais direto na formação dos novos médicos foi o desconhecimento por parte dos

docentes do ciclo básico acerca dos conteúdos que eram mais relevantes para o futuro profissional médico.

Houve uma desarticulação entre o ciclo de formação do médico e o subseqüente ciclo profissionalizante, em outras palavras, ficou isolado, por um lado o curso básico e na outra extremidade da formação um conteúdo enfocado na especialidade médica. A formação geral do profissional médico ficou comprometida porque fora abandonada a formação do médico clínico geral, do generalista tão fundamental para a maior parte dos atendimentos à população.

Como se percebe, além do aspecto impositivo da Reforma Universitária de 1968, muito criticado acertadamente por muitos estudiosos, no caso específico da educação médica, foram gerados resultados de ordem prática que atingiam diretamente a formação prática dos futuros médicos, o que, naturalmente pode ter rebatimentos na qualidade do atendimento da sociedade.

Essa valorização das especialidades foi de profundas consequências na educação médica porque os docentes requeridos para a atuação nos cursos de medicina passaram a ser os especialistas e nas práticas médicas, os clínicos gerais também passaram a ser trocados por médicos especialistas.

É provável que a grande receptividade social dos especialistas médicos que, via de regra despertaram ótima acolhida social, prestígio em virtude das vantagens financeiras que pareciam obter, tenha gerado uma perversa influência nos jovens acadêmicos sob a forma de desinteresse pela formação generalista. Em qualquer formação profissional, o aumento de especialistas que, naturalmente, tem grandes conhecimentos de profundidade e, em função disso, perdem as referências conceituais em extensão. Quando isso ocorre na educação médica, torna-se tarefa fácil projetar as eventuais consequências, sobretudo, quando se trata de diagnosticar doenças.

Um dos aspectos da política educacional dos militares que ocupavam o governo do Brasil recaia sobre o imediatismo e produtivismo representados pela “teoria do capital humano”, que visava colocar profissionais no mercado, com isso, aparentemente, manifestava uma concepção de educação que guardava muita semelhança com uma linha de montagem industrial.

Não é demais reiterar que esta pesquisa realizada no âmbito da história da educação médica, destacando-se a história das instituições educacionais ao escrever história de uma Escola de Medicina e Cirurgia criada no contexto da Reforma Universitária de 1968, visa, portanto, a destacar as regulamentações da Reforma que tiveram mais impactos diretos nessa modalidade educacional.

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