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Metodologia de recerca

Dans le document 4.3 Les obres musicals (Page 29-33)

Plantejament, disseny i desenvolupament

5. OBJECTE DE LA INVESTIGACIÓ

5.2 Metodologia de recerca

Os romances psicografados, no Brasil, surgiram invariavelmente com uma finalidade específica. Esta finalidade, por sua vez, derivou de um conjunto de objetivos e expectativas dos editores que, conforme mencionamos, eram as vozes que faziam vir à lume a intenção do autor espiritual: induzir os leitores à reflexão sobre a existência na perspectiva espírita. Norteado por esses princípios, em novembro de 1907, a revista Reformador veicula o artigo intitulado “Do Calvário ao Apocalypse”, que comenta o romance mediúnico Do Cálvario ao Apocalyse, cuja autoria espiritual é atribuída a Bittencourt Sampaio.

Acêrca d’esta importante obra mediumnica, dictada pelo espirito de Bittencourt Sampaio e recebida no “Grupo Ismael”, externou a seguinte apreciação o nosso collega da Evolucion, de Barcelona: “Este livro, que conta de 291 paginas, merece a atenção de todos os adeptos da nossa doutrina. Consiste num detido estudo dos Evangelhos, o qual vem pôr em destaque a magnificência das doutrinas christãs, unidas à fé e à razão.

“O que dá maior merito a este trabalho são os commentarios que se fazem acerca de cada um dos assumptos de que trata, entre os quaes uma boa parte é formulada em favor da caridade, do progresso, da paz e da relação que existe entre os seres incarnados e seus afins do espaço, sendo ao mesmo tempo combatidos com verdadeiro calor todos os abusos commettidos em nome de ideal que sustenta (REFORMADOR, 1907, p. 347).

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Na propaganda do romance Do Cálvario ao Apocalyse, percebemos que a autoria empírica da obra não é divulgada, há somente a citação de que foi recebido pelo Grupo Ismael e apreciado por um confrade espírita de Barcelona. Observamos, nos comentários do crítico, que o romance volta-se para a divulgação de exemplos trazidos pelas lições e pelos princípios do Evangelho, ofertados aos leitores pelo espírito Bittencourt Sampaio. Esta obra tem a finalidade de servir de roteiro e fonte de inspiração, para que o homem conduza a sua vida em termos morais.

Outro trabalho psicográfico expressivo de romances foi o da juiz-forana Zilda Gama (1878-1959). Gama foi considerada a primeira médium, no Brasil, a receber uma vasta literatura do mundo espiritual e a inaugurar um novo ciclo para a literatura mediúnica. Inicia- se na psicografia em 1912, quando psicografa uma mensagem, cuja autoria foi atribuída a Allan Kardec. O codificador, segundo os espíritas, será seu mentor durante quinze anos. Em 1916, conforme relatório biográfico ao qual tivemos acesso88, psicografa seu primeiro romance Na

Sombra e na Luz, pelo espírito Victor Hugo. É importante destacarmos que a FEB publicou de

1916 a 1946, sob a tutela do mesmo Espírito Victor Hugo, os romances Do Calvário ao Infinito (1922), Redenção (1929), Dor Suprema (1939) e Almas Crucificadas (1946).

Quanto ao primeiro romance mediúnico de Zilda Gama, os minuciosos comentários inseridos na revista Reformador, revelam claramente o cunho pedagógico adotado pela crítica a fim de aproximar o leitor do texto da médium. Reproduzimos as partes mais expressivas, voltadas para a crítica do romance. O primeiro comentário do artigo de julho de 1918, da coluna

Echos e Factos da referida revista, informa o início das vendas do romance na livraria da

Federação. O texto faz observações do novo romance e expõe a questão autoral da obra:

88 Em 1931, quando no Brasil houve intenso movimento em prol dos direitos femininos, Zilda Gama foi autora

de tese, aprovada oficialmente, sobre o voto feminino, no Congresso Nacional. Essa tese influiu na Constituição de 1932, a partir da qual a mulher teve reconhecido o seu direito de votar (Federação Espírita do Paraná - FEEP).

Jornal Mundo Espírita, de agosto de 2015. Disponível em: <www.mundoespirita.com.br/?materia=zilda-gama>.

Acesso em: 20 abr. 2016).

Zilda Gama escreveu contos e poesias para vários jornais, destacando-se o Jornal do Brasil, a Gazeta de Notícias e a Revista da Semana, todos da antiga capital federal. Exerceu o jornalismo profissional em jornais de Juiz de Fora, Ouro Preto, São Paulo e Rio de Janeiro. Os livros mediúnicos psicografados por Zilda Gama fizeram época na literatura espírita. Outras publicações produzidas pela sua mediunidade: Solar de Apoleo, Na Seara Bendita,

Na Cruzada do Mestre e Elegias Douradas. Didata por excelência, organizou os seguintes livros: O Livro das Crianças, Os Garrotilhos, O Manual das Professoras e O Pensamento (“Zilda Gama”. Disponível em:

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Talvez em o proximo numero do Reformador possa a Livraria da Federação annunciar a venda de uma novella espirita intitulada “Na Sombra e na Luz”.

Entre as já numerosas obras ditadas do mundo invisivel por esclarecidos e altos espíritos, sempre empenhados em banhar de luz os nossos, que nas trevas da ignorancia ainda se debatem ávidos de esclarecimentos acerca da vida no além, a

novela “Na Sombra e na Luz” occupará logar saliente, pelos modosoriginalíssimos

em que é vasada. Seu autor como que nos quis offerecer palpitanteexemplificação da maneira por que se executam as leis divinas, que a revelação espirita veio tornar conhecidas da humanidade terrena, de reencarnação, de expiação e reparação, de progresso animico.

Ditou-a um espirito que disse ser o do grande Victor Hugo. Para nós outros espiritas, essa questão de nomes, sobretudo em se tratando de espiritos elevados, é absolutamente secundaria, pois bem sabemos que nas eminencias da espiritualidade os nomes se apagam, por inuteis entre seres irmanados e unificados no amor do bem, no cultivo das mais excelsas virtudes e no devotamento ás ovelhinhas retardatarias no immenso rebanho de Jesus, á frente do qual elles caminham, mostrando ás demais as veredas que levam ao aprisco do divino pastor.

Errados andam os que, espiritas ou não, aquilatam do valor de uma mensagem ou de uma obra vinda do Além pelo nome que a firma. A medida desse valor temol-a unicamente na profundeza, na elevação, no cunho de profundidade moral que apresentam os conceitos ou os ensinos que a obra ou a mensagem contenham. Applicada essa medida á novela “Na Sombra e na Luz”, forçoso se torna reconhecer- lhe elevada origem.

Fazendo-nos acompanhar um pequeno grupo de espiritos, durante largo trecho do seu jornadear infinito pela via do progresso, ora encarnados na terra, ora livres no espaço, ella nos traça como que um graphico das expiações de grandes crimes e do processo pelo qual se opera e redempção das almas e a sua ascenção na intermina escla espiritual.

Tem ainda um aspecto de particular e momentoso interesse. Mostra-nos, nesta hora em que as paixões patrioticas avassalaram o mundo, como o espirito, evoluindo, se liberta do predominio do amor patrio, modelo ainda acanhado do amor universal, enchendo-se de egual amor, já mais proximo do amor supremo, a todas as fracções da humanidade.

D. Zilda Gama, distinctissima professora em Minas Geraes, foi a medium que serviu á execução dessa obra, que a Federação tomou a si editar, certa de concorrer para o enrequecimento da bibliografia espiritualista, offerecendo aos espiritas do Brasil um livro de agradavel, instructiva e reconfortadora leitura (REFORMADOR, 1918, p. 220).

O romance Na Sombra e na Luz ganha destaque em outro artigo de dezembro de 1918, da coluna Echos e Factos da revista Reformador. Comenta-se que

(...) O livro encanta de começo ao fim, banhando a alma do leitor de esplendorosa luz que transcorre incessantemente da profundeza moral que é o expoente máximo de seu escopo.

De toda a opportunidade é essa novella nesta prova historica em que a maior das guerras divide em campos oppostos o sentir e o pensar do homem, filho da terra. Ella é a historia de tres individuos que se acharam aqui divididos por uma convenção, separados por uma raça, em cujos corações se radicou o odio filho de preconceito tendencioso ao predominio e por cuja razão tombaram na sepultura todos tres: dois na mais dolorosa das condições – o suicídio – e o terceiro varado pela arma fraticida em um duello de morte.

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Na luz, isto é, no espaço infinito – se desenrola, então através de um caridoso trabalho do guia espiritual, todo o tenebroso passado recente e remoto, o ajuste de contas da sublime justiça, na grande cadeia das existências multiplas dessa trilogia de dôr. Entre descripções interessantissimas da pátria espiritual que nos aguarda, desenvolve o espirito protector tão belas lições e tão estupendos ensinos, que o nosso sêr é como que transportado a essas regiões celestes haurindo por momentos as delicias da felicidade e as fragrancias perfumosas da maior ventura.

Ante as grandezas a conquistar, mostra elle os erros, quédas e crimes que deram causa á fallencia e infortunios dos tutelados. Pinta com côres tão vivas e razões tão solidas a sabedoria infinita e misericórdia absoluta, que a pobreza do nosso intellecto a não póde resumir nestas ligeiras e modestas linhas.

Ante a grandeza do amor do Pae Celestial ligeiramente observada pelos culpados, eil- os reanimados, fortalecidos e promptos para a volta ao ergastulo da carne, á dolorissima expiação.

Foi na gloriosa França, o novo berço offerecido aos tres naufragos da onda revolta das paixões desordenadas.

Cégo um e todos açoitados pela miséria a mais dolorosa, marcharam no entanto, dentro da lei, que é humildade e resignação, fieis ao compromisso tomado com o seu guia em nome do Pae de Infinita Misericordia.

Não falliram, pois; e por isso na volta á Luz, são todos festejados lá na pátria verdadeira, com a alegria perfeita e a intima satisfação do filho prodigo, descripto na parabola de N.S. Jesus Christo.

É um livro de alto valor moral, cuja leitura enleva a quantos tenham a ventura de o conhecer; é um bello subsidio para levar ao espirito do desterrado deste mundo a fé viva de que ele tanto carece e a esperança de gosar em breve as harmonias divinas que elle nos pantenteia. É finalmente uma obra digna do esclarecido espirito a que é attribuida (REFORMADOR, 1918, pp. 381-382).

Em janeiro de 1919, a revista Reformador registra que “O nosso brilhante confrade Dr. Henrique Zamith dedicou ao magnifico livro Na Sombra e na Luz, psiychographado por d. Zilda Gama, um belíssima chronica literária (...)”. Transcrevemos a seguir trechos relevantes da crônica:

A literatura psychica acaba de ser enriquecida com mais uma obra de grande merito, sob qualquer ponto de vista o que constitue um conjunto de paginas admiraveis, onde, a cada passo, fulge a luz forte da verdade, clareando as trevas que embotam a humanidade tropega, que caminha, atravez o imenso sahara da vida, incerta e vacilante.

É bello livro. Livro cheio de matizes encantandores, de ensinos profundos, de uma philosophia sã, extravasando essa moral consoladora que se transfunde, a cada momento, das passagens do Evangelho, unico phanal que nos surge no meio do tumultuar incessante da luta pela vida, em que quasi sempre no sobram incertezas e decepções. (...)

Na Sombra e na Luz é uma novella interessante, cujo entrecho agrada sobremaneira,

além de escripta em um estylo suave e encantador.

O facto de ter sido dictada no mundo invisivel, não deve surprehender, porque hoje está mais que provada, scientificamente, a relação entre os dois mundos, mas para aquelles que desconhecem a doutrina espirita, poderá trazer ao canto dos labios um riso amarelo de descredito.

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Não importa. Para esses terá valor como joia literaria que surge, ao passo que, para os que estudam o psychismo, esse livro se apresenta sob o duplo aspecto de literatura e doutrina.

Aquelles poderão não acceitar a sua transmissão por meio de um apparelho mediumnico, nem as suas conclusões, mas não poderão deixar de admirar as bellezas que encerra, tanto quanto estes se deleitarão, quer na magnificência litteraria, quer na sublimidade da doutrina que contem, porque Na Sombra e na Luz é um livro que, ao mesmo tempo, instrue e deleita.

No seu todo traz o nome de Victor Hugo, mais isto, porém não importa áquelles que conhecem a philosophia codificada por Kardec, sendo-lhes merito apenas, além da belleza litteraria, o ensino e as verdades apregoadas.

Na Sombra e na Luz é um livro que agrada desde a primeira pagina a ultima, pela

beleza da frase construida, desvelado, cuidado e carinhoso engenho, caprichosamente burilada com arte, pelas colorações multiformes, suavidade, variação polychromica dos matizes, encantos differentes que, a cada passo, apparecem, pelo entrecho suave, cujos factos se vão desenrolando, naturalmente, diante dos olhos do leitor, como se reproduzidos numa tela cinematographica.

Por todas as paginas erra um perfume agradavel, deixando-nos entrever o sentimentalismo de uma alma bôa devotada ao bem, ardentemente desejosa de caminhar para a Perfeição e de, nessa trajectoria, arrastar após si os seus semelhantes, irmãos que são todos, filhos do mesmo Pae Amantissimo e Eterno-Deus.

Ao iniciar a sua leitura, tem-se o desejo de chegar rapidamente ao fim, e, quando se o attinge, lamenta-se ter finalizado á ultima pagina. Tem-se, então, vontade de recomeçar a sua leitura muitas vezes, porque ha ahi, além das bellezas literarias, além dos encantos naturaes da arte, a sublimidade dos conceitos, a magnitude dos juizos expendidos, que mostram ao homem a verdadeira trilha a palmilhar, para a escalada do Absoluto.

Nesse pelago immenso que é o mundo, onde as dores e as tristezas nos rodam a todo instante, onde só temos incertezas e soffrimentos, maguas e dissabores e onde a todo minuto nos apavora a idéa da morte, a leitura do Na Sombra e na Luz é um balsamo consolador ao nosso coração chagado; é um linitivo a todo o espirito que soffre, dando-nos a certeza de que a morte não é o espectro terrificante que nos amedronta, mas a libertadora da alma pela ruina do corpo.

Aquelles a quem na sua peregrinação terrena sobram agruras e desesperanças encontram nesse livro encantador uma nova fonte de energias para caminhar á conquista do Summo Bem; vém; diante de si o phanal de uma epoca mais propicia; descobrem novos horizontes, mais bellos, paysagens mais pittorescas, oasis mais verdejantes, conprehendendo-se, emfim, que a morte é um transformista e que longo de ser o somno eterno, como dizem, é o despertar da alma, constrangida no estojo

carnal.

Continúa a distincta psychographa a trabalhar, a lutar pelo aperfeiçoamento da humanidade, fornecendo-lhe obras do jaez do Na Sombra e na Luz, servindo de transmissora das mensagens do mundo invisivel, porque está escripto que cada um

receberá segundo suas obras, e fique certa que passarão os céus e a terra, mas minhas palavras não passarão. Dizer, nesta chronica, que me encantou a obra

psychographada pela senhorita Zilda Gama, é ridiculo, diante das palavras que ahi ficam; o que, porém, não será tolice, é dizer que encantará a todos (ZAMITH, 1919, pp. 28-29).

A revista Reformador reproduz, em fevereiro de 1919, o artigo “Na Sombra e na Luz”, extraído do jornal Gazeta de Leopoldina, que ressalta as influências lítero-doutrinárias nas quais se baseou a educação espírita de Zilda Gama:

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(...) Tendo lido e assimilado as obras philosophicas de Léon Denis, de Flammarion, de Paul Gibier, de W. Crockes, Gabriel Delanne e outros, teve sua fértil imaginação elevada á altura transcendental desses notáveis psychistas.

A cultura intellectual constituiu-se desde então, em Zilda, um apparelho psychico, forte pela penetração da intelligencia, brando pela sentimentalidade fraternal, e ainda eminentemente social pela acendrada dedicação ao problema da “Regeneração

humana”, por meio do amor familiar, do amor patriotico e do amor divino, em um

conjunto harmonico.

Tornou-se, portanto, um apparelho psychico, por assim dizer, realmente digno das sublimes inspirações de Victor Hugo ás quaes a erudita excriptora ajustou suas proprias aspirações, seus sentimentos sociaes e o brilho de suas armas, - intelligencia e coração, - contra os graves desvios que têm afastado, para muito longe, a concordia das pessoas e confraternização dos povos.

E assim, verdadeiro apparelho - psychico - afina-se, musicalmente falando, com as symphonias do amor humano e divino, simultaneamente, e nos apresenta, em sua novella original, o genio de Victor Hugo a se bater brilhantemente pelo engrandecimento moral do Homem.

A perfectibilidade humana, segundo o systema philosophico da autora, é continua no espaço e successiva em varias e multiplas manifestações ulteriores: - ascende sempre pelos degráos da moralidade de cada um; o homem caminha incessantemente em busca do amor divino, sem deixar, com tudo, de prestar assistencia e conforto de espirito a outros seres humanos, dos quaes o aperfeiçoado se torna depois mentor. Em torno desses principios corre o desenvolvimento da novella, cujos heroes nos apparecem sucessivamente, em tres phases evolucionaes, duas terrestres, com leves referencias a outras anteriores, e uma “astral”, a ultima.

A estreiteza de nossas columnas priva-nos do prazer de apresentar aos nossos queridos leitores um resumo da novella.

O poder de imaginação com que Zilda Gama descreve, em 325 paginas, o perenne evoluir de três pessoas entrelaçadas pelo destino, merece a nossa franca adnmiração; e procurando render uma justa homenagem ao seu mérito literário, confessamo-nos arrebatados por seu formoso talento (REFORMADOR, 1919, p. 65).

O romance Do Calvário ao Infinito de Zilda Gama também recebeu visibilidade na imprensa espírita e ocupou, em agosto e em novembro de 1922, as páginas centrais da revista

Reformador. O artigo de agosto traz o parecer de Manoel Quintão a respeito do novo romance

e o enfoque dado por ele à questão autoral da obra:

Tendo-me sido proporcionado o ensejo de opinar em primeira mão sobre o valor de outra obra identica, originariamente, nos seus meios como nos seus fins, permitte-me (dirigia-se ao diretor da Livraria) achane o encargo dizendo que, do ponto de vista doutrinario, só me cabe confirmar, ampliando-os, os conceitos emittidos a respeito do

Na Sombra e na Luz.

Naquele, como neste trabalho altamente romantico, o que para logo resalta é a impressão de que a contextura, o plano e o desdobramento da obra superam a vulgaridade intellectual do meio ambiente, para attingir a possibilidade de sua origem, ou seja, da que lhe attribue sua interprete mediumnica.

Fosse ella sua autora, simples e puramente, não haveria como negar-lhe o titulo de mais illustre e fecundo de nossas romancistas.

Para quem conhece e viveu em si a obra formidavel do Antheu da Legende des siècles, de Notre Dame de Paris e tantas obras primas do genio francez, não pode haver duvidas quanto aos traços accentuados de sua entidade, na perpetração destas duas obras. Falo, bem entendido, para os espiritas, que sabem nada haver de insolito nestas

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demonstrações de além-tumulo. Dos outros, os scepticos, só conviria falar para inquirir de como explicariam o phenomeno. Nevrose, talvez, ou quiçá prodigios de sub-consciencia... Isto, os de boa fé, admittindo que os haja, pois os de má fé gritariam e talvez gritem – Impostura, farça!

Neste caso, a elles a glória da consagração de um astro de muita grandeza, na constellação da nossa litteratura e unico no genero, por mal delles.

Mas eu não creio que Zilda Gama, por mais cabedal litterario que lhe presumamos, escrevesse romances assim. Essa facundia de imaginação, essa subtileza de entrechos, essa homogeneidade e firmeza de concepção, essa mobilidade de meios pela unidade de fins não se improvisam e são antes do tempo conquistas demoradas de acerbo labor.

A qualquer dos mais dourados pavões litterarios do nosso tempo e do nosso meio, daria eu um anno para a gestação e outro para demonstração de obra semelhante e garanto que a não faria, tão opulenta e digna do seu paranympho. Ainda porque, para tal, mistér lhe fôra fazer um estudo profundo e proficuo da doutrina espirita, em todos os seus matizes ascendentes e consequentes.

Nesses periodos, bem expresso se acha, sem que precisemos additar-lhes coisa alguma, quanto vale o Do calvário ao infinito, como obra de litteratura e como obra doutrinaria, como obra recreativa e como obra de educação moral. Lamentamos apenas que, para não ser confundida com outra já existente, tambem preciossima e egualmente mediumnica – Do Calvario ao Apocalypse – ditada pelo elevado espirito de Bittencourt Sampaio, não houvesse a nossa prezada irmã acquiescido em fazer ligeira alteração, de nenhum modo prejudicial, no titulo da que vimos tratando. Feito este ligeiro reparo, concluiremos apropriando-nos de mais estas palavras do companheiro a cujo parecer nos reportámos: ... o livro terá magnifica acceitação e não devemos perder de vista que esta – a romantica – é das melhores senão a melhor e mais fecunda fórma de propaganda para educação dos lares pela mulher, o que vale dizer: das gerações que despontam para o acatamento integral da Verdade Espírita (QUINTÃO, pp. 319-320).

Em artigo de novembro de 1922 sem autoria esclarecida, intitulado “Do Calvário ao Infinito”, temos a seguinte observação sobre o romance:

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