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A Rancho Ecofrutícola diz que a rede não influencia nas suas decisões.

Para a Fundação 25 de Julho as decisões são escolhas dos produtores, não há interesse em participar desse processo. Somente quando há algo fora da conformidade na produção orgânica é que a Fundação chama a atenção do produtor e procura orientar na resolução do problema.

O Lacaf busca atender certas demandas da Ecovida o que muitas vezes influencia suas decisões, da mesma forma acontece também no Centro Vianei.

5.4.4.2 Gestão Ecovida NLC

Por ter estrutura horizontal e descentralizada a Ecovida promove a gestão participativa nas quais as decisões são tomadas em conjunto. Os espaços para a tomada de decisões operacionais são as reuniões mensais dos grupos de produtores, as reuniões bimensais dos núcleos nas quais representantes dos grupos estão presentes.

Nas questões gerais da rede as decisões são tomadas:

- Nas plenárias de núcleos da rede: Esta é uma das principais instâncias deliberativas. Só é remetido para assembleia da rede questões que não obterem consenso, a homologação da criação de novos núcleos e a eleição da coordenação geral. É composta por no mínimo dois representantes de cada núcleo regional e se reúne semestralmente. - Nas plenárias de núcleos dos estados: São convocados os núcleos dos estados para aprofundar e encaminhar questões relativas à rede nos estados.

- Nos encontros ampliados e assembleia geral: Conta com representantes de todos os núcleos da rede e da coordenação geral. Realiza discussões políticas, trocas de experiências, oficinas temáticas e feira para apresentação de produtos. Durante o encontro acontece a assembleia geral, que homologa a criação de núcleos, elege a coordenação geral, e decide sobre assuntos remetidos pelas plenárias dos núcleos.

As reuniões do NLC acontecem em diferentes locais e a cada vez determinado grupo responsabiliza-se em organizar a reunião e receber

os participantes. Ao observar quatro reuniões ocorridas em 2015 foi possível presenciar assuntos como:

- Aspectos financeiros voltados ao pagamento dos custos das visitas de verificação.

- Definição da capacitação para certificadores.

- Levantamento de assuntos a serem abordados no encontro anual do núcleo.

- Discussão da situação da comercialização via boxe na Ceasa.

- Levantamento de possibilidades de recursos financeiros via instituições públicas.

- Oferta insuficiente de sementes orgânicas no mercado.

- Organização das visitas de verificação nas propriedades que solicitaram a certificação.

- Retorno da avaliação da rede realizada pelo MAPA.

- Compartilhamento de dúvidas oriundas das visitas de verificação realizadas pela Comissão de Avaliação.

- Comercialização conjunta de produtos.

As decisões operacionais dos produtores são autônomas, quando este tem alguma dúvida ou necessita de ajuda leva à reunião do grupo do qual faz parte, caso o grupo não consiga resolver a questão, a coordenação tem o dever de auxiliar, caso a coordenação não consiga atender ao solicitado, a questão é levada a uma reunião de núcleo. 5.2.5 Evolução da rede

5.2.5.1 Atores Ecovida NLC

Na visão da agroindústria Rancho Ecofrutícola o mercado de orgânico apresenta forte demanda para geleias de morango e frutas vermelhas, contudo, existe a restrição de matéria-prima para atender a essa demanda. Essas frutas são oriundas de cultivo próprio e de propriedades próximas as quais pertencem ao grupo Harmonia da Terra que integra o NLC. A propriedade pertencente à agroindústria tem capacidade de produzir 25.000 pés de morango, entretanto, possui somente 10.000 pés devido ao fato de não ter mão de obra disponível para trabalhar na lavoura. Segundo a entrevistada, o mercado em que atua é a Grande Florianópolis, mas seria possível entrar em outros mercados como Joinville/SC, Blumenau/SC, Porto Alegre/SC e Curitiba/SC, ofertando a geleia de morango, caso houvesse aumento e

garantia de produção dessa fruta. Como não houve ampliação da produção, as vendas de 2014 em relação a 2013 foram iguais as do período anterior. Em 2015 foi ampliada a produção tanto na quantidade quanto na variedade e há perspectiva de crescimento. Não crescer é uma opção da proprietária, ela prefere ir devagar.

Na visão da Rancho Ecofrutícola existe potencial de crescimento para a Ecovida tendo em vista as questões social, cooperativa e participativa que estão presentes. Falta profissionalizar, maior disposição dos produtores para serem inspecionados e construírem espaços adequados para embalarem sua produção ou criarem uma agroindústria. Uma questão levantada nesse aspecto de crescimento é a limitação no aumento da quantidade de produtores. A rede possui agricultores neo-rurais e agricultores mais velhos, cujos filhos em geral não têm interesse em continuar com a atividade. Os neo-rurais não possuem histórico de trabalho na agricultura e muitos possuem outra atividade que exercem em paralelo.

Na percepção do entrevistado da Epagri Major Gercino é visível o crescimento dos produtores da rede em relação á saúde e aos ganhos coletivos como valorização do trabalho, reconhecimento de cidadania, compartilhamento de conhecimento e cooperação.

A Fundação 25 de Julho vê a diminuição da quantidade de jovens no meio rural, atraídos pelo trabalho nas cidades e a valorização das terras produtivas causada pela especulação imobiliária nos centros urbanos, como fatores inibidores do crescimento da produção rural. Contudo, a produção orgânica em áreas de preservação caminha no sentido oposto, abrindo oportunidades para o incremento da produção. Outro ponto destacado foi o abastecimento das grandes e médias cidades, o crescimento é certo, vai se produzir cada vez mais longe e entregar ao consumidor mais caro. A produção orgânica nas áreas de preservação permanente é um elemento importante para o abastecimento. No que toca ao crescimento da produção orgânica, a Fundação diz que a aposta é nos jovens, tendo em vista que nos últimos anos a formação técnica e superior tem se voltado à produção agroecológica, criando um grupo de especialistas nessa área. Para a Fundação, ainda que lentamente, a quantidade de produtores certificados e em conversão aumentou entre 2005 e 2015. Vale lembrar que existem produtores orgânicos que não se interessam em obter a certificação porque fazem venda direta. Nessa linha, a Fundação aponta que a demanda por produtos orgânicos é maior do que a oferta, no momento o

trabalho da produção orgânica deve ser pautado no crescimento para atender tal demanda. Ao questionar o entrevistado sobre o crescimento dos agricultores que fizeram a conversão para orgânico, que são a maioria, a resposta foi que se não houvesse aumentado o produtor teria voltado ao convencional, e não há histórico de que alguém tenha feito isso. Em suma, na visão da Fundação 25 de Julho o mercado de orgânicos é promissor, porém faltam produtos para atender à demanda.

O Grupo Compras Coletivas Ecossolidárias tem mantido, nos últimos anos, a quantidade de compradores por ciclo num patamar entre 60 e 90, tal quantidade depende do ciclo de compra, pois não há obrigação de que o consumidor compre em todos os ciclos. O grupo acaba de passar por uma reorganização de parte de seus processos, utilizando uma nova plataforma para realizar as compras. No momento, não há objetivo de crescimento, mas de melhorar o que vem sendo feito. O número de fornecedores e a quantidade de itens disponíveis aumentaram nos últimos anos. O entrevistado afirma que a perspectiva de crescimento é positiva, tendo em vista que a compra de produtos orgânicos tem público receptivo e fiel.

Na visão do Centro Vianei houve e ainda está em curso mudanças na postura do produtor orgânico, nas palavras do entrevistado

“Qualquer um de nós - seja agricultor, seja professor, seja estudante, seja industrial – vive um momento de mais acomodação. Se você tiver tudo na mão ou alguém que faça por você, você se acomoda. Eu acho que o momento dos agricultores, das organizações, é o momento de sair – já saíram da acomodação. E eu diria que o termo mais apropriado seria empoderar. Eles estão mais empoderados do que no passado. Mais empoderados em conhecimento, em recursos financeiros, em organização da cadeia produtiva, mais empoderados em leis, mais empoderados em formação.”

Essa postura tem gerado crescimento na rede tanto no volume da produção quanto na quantidade de produtores. O processo de crescimento da Ecovida é contínuo, porém, ressalta o entrevistado, exige certo tempo para os produtores atenderem todas as exigências da produção orgânica. Tal crescimento vai ainda além, envolvendo melhora da qualidade de vida do produtor decorrente de maiores ganhos financeiros, melhores condições de trabalho, melhora na saúde, acesso a

diferentes formações profissionais, desenvolvimento de redes de relacionamento profissional, de aspectos culturais e da autoestima.

A legislação para produção orgânica no Brasil foi criada em 2003 e passou a vigorar em 2011. Na percepção do MAPA, no início do período de vigor da lei a quantidade de produtores certificados diminuiu, pois cada certificadora, inclusive a Ecovida, tinha regras próprias. Certificadoras e produtores tiveram que se adaptar às novas normas estabelecidas pelo governo em todo o país. Depois dessa fase, segundo o MAPA, a quantidade de produtores participantes da rede vem crescendo a maioria oriunda da produção convencional a fim de fazer a conversão para orgânica, sendo que um dos motivos observados é a busca pela certificação participativa.

Ao ser questionado sobre o crescimento da Ecovida o Lacaf diz que houve aumento de produtores, mas o que mais se desenvolveu foi a demanda pelos produtos orgânicos. Se comparado 2003 com 2014, os pontos de venda de orgânicos mapeados na Ilha de Santa Catarina mais que dobraram, nas palavras do entrevistado “o orgânico passou a ser um bom negócio”. A ampliação dos pontos de comercialização traz consigo o aumento dos agentes comerciais. Frente ao exposto, o entrevistado demonstrou preocupação no sentido de que muitos agentes comerciais não possuem os princípios da Ecovida e que isso poderia influenciar negativamente o desenvolvimento da rede.

A melhora na qualidade de vida do produtor, para o Lacaf, passa também pela garantia de poder vender sua produção, portanto é necessário oferecer algum tipo de segurança para que ele possa fazer o caminho de transição para o orgânico. O trabalho do boxe na Ceasa trabalha nesse sentido.

5.4.5.2 Gestão Ecovida NLC

A gestão avalia que existe uma demanda crescente de produtores, tanto no NLC quanto na rede. Isso é motivado pela busca da certificação, pela mídia que divulga a necessidade de preservação do meio ambiente e a importância dos produtos orgânicos, pelos problemas de saúde que o produtor convencional vem enfrentando na utilização de agrotóxicos, pela busca de diminuição dos custos de produção, e pelo aumento do valor agregado aos produtos agrícolas e pela perspectiva de negócios futuros para esse tipo de atividade.

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