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Os tratamentos não influenciaram a concentração de K total (KT) no escoamento superficial (TABELA 19). No entanto, os resultados indicam uma tendência de maior concentração no tratamento dejeto líquido de suíno (D) do que nos demais, em toda as chuvas. É provável que a ausência de diferença estatística esteja relacionado com a grande variabilidade dos dados, a semelhança do que ocorreu no trabalho de CASSOL et al. (2002).

TABELA 19 - CONTRASTE DE MÉDIAS DA CONCENTRAÇÃO (mg L-1) DE K TOTAL (KT) NO ESCOAMENTO SUPERFICIAL DE TRÊS CHUVAS SIMULADAS (C1, C2, C3) APLICADAS SOBRE OS TRATAMENTOS DEJETO LÍQUIDO DE SUÍNO (D), ADUBO MINERAL (NPK) E TESTEMUNHA (T).

TRATAMENTO CONTRASTE CHUVA D NPK T T vs D, NPK D vs NPK --- mg L-1 de KT --- C1 11,077±2,24 9,08±1,55 8,03±0,86 ns ns C2 10,09±0,77 9,68±1,21 7,98±0,74 ns ns C3 20,90±1,67 17,46±2,15 14,44±1,39 ns ns CONTRASTE C1 vs C2, C3 ns Ns * C2 vs C3 ** ** **

ns = não significativo pelo teste F; *significativo à 5% de probabilidade pelo teste F; **significativo à 1% de probabilidade pelo teste F.

Comparativamente com as concentrações de PT, as concentrações de KT foram maiores, principalmente nos tratamentos NPK e T. Nestes tratamentos a concentração do K no escoamento superficial, em todas as chuvas, foi igual ou superior a três vezes a concentração de PT, concordando com BERTOL et al. (2004). Estes resultados se devem, provavelmente, ao fato do K ser mais solúvel e móvel no solo do que o P, bem como a uma maior concentração do K no solo, em relação ao P, já que os maiores valores da relação concentração de PT/concentração de KT ocorreram no tratamento T, que representa as condições do solo natural. A elevada concentração de K no solo natural, se deve ao sistema de manejo do solo que era conduzido na área experimental (semeadura direta), o qual favoreceu o acúmulo de K na superfície devido a lixiviação deste elemento dos tecidos vegetais que se acumularam sobre o solo (GIACOMINI et al., 2003).

Na comparação entre chuvas, os resultados indicam que a concentração de KT no escoamento superficial da chuva C3 foi maior do que nas demais chuvas, em todos os tratamentos. Os resultados evidenciam que a chuva de maior intensidade proporcionou uma perda de K em torno de 100% maior do que a perda causada pelas demais chuvas. Assim, pode-se dizer que houve, neste caso, uma relação semelhante das diferenças de concentração de K nas enxurradas das chuvas e das intensidades das chuvas que ocasionaram as referidas enxurradas. No entanto, se for considerado o fato de que a chuva C3 foi a última a ser aplicada, na série de três, poder-se-ia esperar que, no tratamento D, a diferença entre a concentração de K na enxurrada desta chuva e das chuvas iniciais (C1 e C2) fosse menor, pois, segundo CERETTA et al. (2003), a quase totalidade do K presente no esterco de suínos está

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 C1 C2 C3 Total Chuvas K total perdido (g ha -1) T NPK D 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 C1 C2 C3 Chuvas % de perda T NPK D na forma solúvel, portanto, em condições de ser transportado pelas enxurradas das primeiras chuvas. A razão desta tendência não ter ocorrido pode ser creditado ao fato de que o dejeto líquido é absorvido preferencialmente pelos grandes agregados do solo (BHATNAGAR et al., 1985), os quais só foram transportados pela chuva C3, em razão da sua maior intensidade.

A quantidade de KT perdido, estimado para um hectare, bem como o seu percentual de perda em relação ao total do K perdido, em cada tratamento e em cada chuva (FIGURA 23 - A), mostra que, entre tratamentos, a maior perda ocorreu no tratamento D. Os maiores valores, apresentados pelo tratamento D, refletem o maior volume de enxurrada produzida neste tratamento em relação aos demais, principalmente nas chuvas C1 e C2, já que não houve diferença na concentração de KT na enxurrada entre tratamentos.

FIGURA 23 - K TOTAL (g ha-1) PERDIDO (GRÁFICO A) COM O ESCOAMENTO SUPERFICIAL DE TRÊS CHUVAS SIMULADAS (C1, C2, C3), APLICADAS SOBRE OS TRATAMENTOS DEJETO LÍQUIDO DE SUÍNO (D), ADUBO MINERAL (NPK) E TESTEMUNHA (T) (VALORES ESTIMADOS PARA 1 ha), E PERCENTAGEM (%) DE PERDA EM CADA CHUVA (GRÁFICO B) EM RELAÇÃO AO TOTAL DAS CHUVAS.

Na comparação entre chuvas, as quantidades de KT perdidas na chuva C1 foram em torno de duas vezes maiores do que na chuva C2, porém, foram em torno de 8 vezes menores do que na chuva C3. Estas diferenças refletem o efeito do volume de enxurrada nas chuvas C1 e C2 e o efeito combinado do volume de

enxurrada e da concentração de sedimentos na chuva C3. As perdas, em termos percentuais, confirmam o efeito do volume de enxurrada na quantidade de KT perdida em cada chuva, bem como a combinação deste efeito com a concentração de KT na enxurrada, no tratamento D (FIGURA 23 - B).

O percentual de KT perdido com o escoamento superficial em relação ao K aplicado como NPK e como dejeto líquido de suíno foi maior no tratamento D do que no tratamento NPK, em todas as chuvas (FIGURA 24). As diferenças entre tratamentos foram decrescentes na seqüência direta das chuvas. Considerando a maior solubilidade do K contido no dejeto líquido de suíno, e tendo em vista que a quantidade de K aplicado em cada parcela com este tipo de adubo (4,881 g) foi aproximadamente 60% superior a quantidade aplicada na forma de NPK (3,040 g), poder-se-ia esperar que as diferenças das perdas entre tratamentos fossem maiores, uma vez que, até mesmo na chuva C1, onde houve a maior diferença, o tratamento D foi superior em apenas 50% ao tratamento NPK. Esta tendência provavelmente se deve ao fato de que no intervalo de tempo entre a aplicação dos adubos e a aplicação das chuvas (16 h), parte do dejeto de suíno, por ser líquido, infiltrou no solo, ficando, assim, relativamente protegido das perdas com a enxurrada. Assim, pode-se considerar que ao aplicar dejeto de suíno na forma líquida, mesmo na superfície do solo, sem incorporação, os riscos de perda de K não são superiores aos riscos de perda quando aplicado como adubo mineral que, por estar na forma sólida, não tem a possibilidade de infiltrar no solo, permanecendo, portanto, na superfície, ficando assim mais exposto às perdas.

FIGURA 24 - PERCENTAGEM (%) DE K TOTAL PERDIDO NO ESCOAMENTO SUPERFICIAL DE TRÊS CHUVAS SIMULADAS (C1, C2, C3), APLICADAS SOBRE OS TRATAMENTOS DEJETO LÍQUIDO DE SUÍNO (D), NPK, EM RELAÇÃO AO TOTAL DE K APLICADO NOS TRATAMENTO DEJETO LÍQUIDO DE SUÍNO (D = 4,881 gPARCELA) E ADUBO MINERAL (NPK = 3,04 g/PARCELA).

O percentual de perdas do K em relação a aplicado, quando a comparação é feita entre chuvas, observa-se que em ambos os tratamentos houve uma grande influência da intensidade das chuvas. Esta influência pode ser observada pelo fato de que o percentual perdido na chuva C1 foi em torno de 100% superior as perdas da chuva C2 que teve uma intensidade em torno de 20% menor do que a chuva C1, e por sua vez a chuva C3 teve um percentual de perdas em torno de 700% maior do que a chuva C1 no tratamento NPK e de 450% maior no tratamento D, sendo que a intensidade da chuva C3 foi em torno de 62% maior do que a chuva C1.

A quantidade total de K perdido através das enxurradas, em relação ao aplicado pode ser considerada baixa. No entanto, tais resultados certamente não refletem as perdas totais, uma vez que, parte do K aplicado pode ter lixiviado para as camadas mais profundas do solo (CERETTA et al., 2003). As perdas reduzidas de K pelo escoamento superficial também foi constatado por HERNANI et al. (1999) que avaliando o transporte deste elemento pela enxurrada, em condições de semeadura direta, constataram perdas anuais de 1,6% do total de adubo aplicado.

0 1 2 3 4 5 6 7 C1 C2 C3 Total Chuvas % de K total perdido NPK D

6.3.10. Concentração de Cálcio total e Magnésio total no escoamento

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