• Aucun résultat trouvé

Os resultados obtidos conduzem esta pesquisa para a seguinte afirmação: O conceito de estratégia foi considerado pela maioria das microempresas de Ponta Grossa, no Paraná, no período entre 1999 a 2002.

São 14% de empresas que planejam ações para enfrentar a concorrência e ganhar clientes (estratégia como plano) e 41% de empresas que competem a partir da repetição de um padrão de ações observado como eficiente (estratégia como

padrão).

O conceito de estratégia utilizado pelas microempresas está relacionado às definições de Mintzberg apresentadas no capítulo 2 - as estratégias realizadas

(padrões de decisões e ações) que tanto podem ter sido deliberadas (preconcebidas), como podem ter surgido de forma emergente (padrões realizados na ausência de uma intenção).

As respostas mostram que a partir da atuação das pessoas, individual ou coletivamente, foi possível às microempresas aprenderem a respeito de uma situação. Dessa forma, as estratégias realizadas referem-se às ações e decisões tomadas pelos membros da organização, algumas formalizadas num plano; e uma grande maioria referem-se às ações e decisões repetidas por um certo período, por terem sido consideradas eficazes. São, portanto, padrões repetitivos de atividades com uma lógica implícita, que une as partes, tal como concebe a escola do

aprendizado, nas abordagens de Mintzberg (2000).

Tendo observado que as microempresas que atuam com produtos padronizados e servem consumidores em geral têm uma preocupação em diferenciarem-se de seus concorrentes, priorizando um ou outro critério que normalmente é levado em consideração pelo cliente, torna-se importante lembrar que, segundo Porter (1991), efetividade operacional é a capacidade de a empresa desempenhar atividades semelhantes melhor que os concorrentes, e isso só pode ser conseguido por meio de uma estratégia. Caso contrário, a empresa estará somente melhorando seus processos, tornando-os mais eficientes, mas nem sempre são eficazes para permitir que as empresas tornem-se lucrativas e cresçam.

Nesse sentido é válida a crítica que Mintzberg (2000, p. 167) faz com relação à escola do aprendizado. Uma empresa “sob o regime do incrementalismo - aquele beliscar constante ao invés de uma boa mordida” poderá ter seu direcionamento central dissolvido em manobras táticas. E tática não é sinônimo de estratégia. Segundo Tavares (2000) é o conjunto de táticas que forma a estratégia, e para uma empresa ser bem-sucedida, a estratégia precisa estar apoiada em todos os componentes táticos da empresa. Por sua vez, as táticas devem apoiar-se mutuamente, serem coerentes e complementares para que possam constituir-se em estratégia. A estratégia engloba todos os processos da empresa e se estiver funcionando abrangerá um período maior de tempo; ao contrário da tática que tem uma finalidade específica, em determinado momento. Esse deve ser um cuidado tomado pelas microempresas.

Quando uma empresa dissolve seu direcionamento em manobras táticas pode ocorrer o que se observou nesta pesquisa: 41% são empresas que trabalham de forma reativa aos problemas que surgem. Não têm uma estratégia.

Percebe-se ainda que as mudanças nas microempresas emergiram das decisões tomadas no dia-a-dia, ou seja, de rotinas. Pelo fato de as rotinas serem atividades interligadas, as mudanças realizadas em uma rotina, determinam mudanças maiores no processo. Mintzberg ao abordar sobre a escola do

aprendizado, mostra a partir da teoria evolucionária, a possibilidade de uma empresa

influenciar o seu processo de mudanças, retirando as rotinas que foram ineficazes e inserindo novas rotinas que são criadas a partir da experimentação ou da observação das práticas dos concorrentes. A partir dessas abordagens, percebe-se que essa tem sido a prática da maioria das microempresas entrevistadas.

Também, a partir da percepção de que 82 % dos microempresários contam com funcionários auxiliando nos processos, vale comentar que Mintzberg, ao se referir sobre a escola do aprendizado, descreve como surgem as idéias para mudanças estratégicas. Nessa concepção, as idéias dependem da iniciativa e das aptidões dos empreendedores internos ou seja dependem das pessoas que atuam na base da hierarquia das organizações – os funcionários empreendedores. Nesse sentido, as grandes mudanças realizadas nas microempresas podem ter sido influenciadas pela visão de seus funcionários sobre as necessidades da empresa. Esse é um ponto importante na gestão das empresa. A valorização dos funcionários e abertura para participação deles nas decisões da empresa precisam ser levadas em consideração pelos microempresários.

Faz parte ainda das concepções da escola do aprendizado, abordada por Mintzberg, a teoria do caos - a qual chama a atenção das organizações para estarem preparadas para as mudanças e para a adaptação contínua a novas e imprevisíveis situações, sendo esse um requisito para a gestão estratégica.

No entanto, os resultados da pesquisa indicam que a maioria das microempresas ainda não está consciente da necessidade de preocupar-se constantemente com o ambiente no qual está inserida. Isso pode comprometer o gerenciamento da empresa, principalmente, porque a falta de acompanhamento do ambiente externo pode levar a empresa a não perceber a necessidade de mudança, e dessa forma, padrões que foram eficazes no passado podem não ser suficientes para vencer a concorrência. Mesmo que a esses padrões acrescentem-se novas

rotinas, pode ser tarde demais. O segredo não está em a empresa realizar mudanças constantes, está em saber o que mudar e quando mudar.

Torna-se importante destacar, com base no referencial teórico apresentado, que a formulação e a implementação de estratégia são um único processo, não podem ser vistas pelos empresários como processos separados: primeiro formulação de uma estratégia, depois sua aplicação prática. Mintzberg diz que as pessoas pensam a fim de agir, e também agem a fim de pensar; ao tentarem realizar coisas, se for observado que elas funcionam, esses experimentos gradualmente convergem em padrões estratégicos viáveis.

Percebe-se que a estratégia concebida como um processo de aprendizagem das empresas viabiliza esse processo de formulação e implementação, desde que não descuidem de acompanhar as mudanças e de procurar se adaptar continuamente às novas situações que demandam do ambiente externo - sendo esse um requisito para a gestão estratégica.

De acordo com os objetivos específicos desta pesquisa, o que se propõe na seqüência deste trabalho são algumas sugestões de medidas a serem tomadas pelos microempresários para que realmente a gestão estratégica se efetive e que as empresas possam crescer. São medidas embasadas nas abordagens de autores referenciados neste trabalho.

Documents relatifs