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METHODOLOGIE D’INVENTAIRE

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Ripisylves à Frêne élevé

AMPHIBIENS ET REPTILES

A. METHODOLOGIE D’INVENTAIRE

Como a atribuição de Caso pode ser estrutural ou inerente, primei- ramente retomamos brevemente esses conceitos, a fim de explicitar sua relação com os traços morfossintático-semânticos da referencialidade, da definitude e da especificidade.

Assumimos, seguindo Chomsky (1981,1995), que todos os DPs têm Caso a eles atribuído pelo menos abstratamente.

Segundo Sigurđsson (2003), o Caso é a relação entre o DP e seus arredores sintáticos, e esta relação pode ser semanticamente associada ou não. Caso semanticamente associado é o Caso inerente, enquanto o não associado semanticamente é o Caso estrutural. Tanto o Caso estrutural como o inerente podem, mas não precisam, ser refletidos por um caso morfológico.

As diversas línguas utilizam diferentes meios para a marcação de Caso na superfície da sentença: (i) marcação dos DPs (argumentos ou adjuntos); (ii) marcação nos verbos ou outros predicadores, por meio da flexão de concordância com os argumentos; (iii) marcação refletida em uma ordem específica dos constituintes na sentença; é possível também a combinação desses meios.

Sobre a relação entre Casos abstratos e casos morfológicos, os es- tudos de Sigurđsson (2003) mostram a existência de uma flexibilidade nas línguas naturais. Com base em dados do islandês, o autor mostra que o mesmo Caso abstrato pode ter várias realizações fonológicas, e que uma forma casual morfológica pode servir como realização para diversos Casos abstratos.

Sigurđsson apresenta exemplos do islandês que nos auxiliam a analisar o fenômeno do caso nominativo múltiplo em japonês quanto a: ocorrências de sujeito padrão nominativo; DP focalizado, que é marcado por –ga; objeto nominativo; e a alternância genitivo/nominativo. Essa análise também colabora para a explicitação do emprego do item de vo- cabulário –wa como tópico da predicação da sentença ou como tópico contrastivo.

Segundo a tradição gerativista, o Caso abstrato pode apresentar propriedades sintáticas e semânticas, e se subdivide em Casos estruturais e Casos inerentes18.

Os Casos estruturais dizem respeito à sintaxe e expressam fun- ções gramaticais como a de sujeito e a de objetos. É denominado Caso estrutural porque é atribuído a um DP com base em uma determinada configuração sintática. Em contrapartida, Sigurđsson reforça que Ca- sos inerentes são considerados reflexos diretos dos papéis temáticos (Fillmore, 1968). Por exemplo, casos oblíquos como Dativo ou Instru- mental refletem os papéis temáticos de um DP, atribuídos por um item lexical na estrutura D.

Sigurđsson (2003) discute a correlação entre os conjuntos de Casos universais inerentes e os seus expoentes, ou seja, suas realiza- ções nas línguas naturais. Os Casos abstratos não diferem de traços como o de tempo ou o de aspecto, supostamente presentes em todas as línguas, mas são expressos abertamente de formas diversas, mesmo em línguas correlatas.

Vários trabalhos e discussões surgiram em consequência da ideia de Chomsky (1981) em que Caso é um traço universal das línguas. Em relação aos Casos inerentes, nas línguas que marcam morfologicamen- te o caso, além do papel temático do argumento, outras informações de natureza semântica são marcadas, como aspecto, modo, tempo verbal, negação, variação léxica e estilo.

Com relação aos casos morfológicos no japonês, eles indicam rela- ções semânticas com traços como a referencialidade e a definitude sobre o DP marcado morfologicamente com –wa tópico e com –ga nominativo.

Negrão e Viotti (2005) afirmam que a distinção entre Casos estru- turais e inerentes acarreta vários problemas. Ao comparar suas proprieda- des, defendem que as diferenças entre os dois tipos de Casos podem ser insuficientes para justificar uma distinção tão rígida como a proposta pela teoria gerativista. Afirmam que é fundamental um mapeamento detalhado 18 Tema abordado no capítulo 3, seção 3.2.

das interpretações semânticas específicas para determinar a relação entre o sistema computacional e sua interface com outros sistemas cognitivos externos à faculdade da linguagem.

As autoras adotam a ideia de Chomsky (2002) de que há uma dis- tribuição complementar entre a explicitação de propriedades temáticas, que elas associam ao Caso, e a explicitação de propriedades informacio- nais, relacionadas à propriedade de deslocamento de seus constituintes. Para elas, além de o Nominativo e o Acusativo mapearem o argumento sujeito e o argumento objeto de um predicador, esses Casos permitem a interpretação dos diferentes papéis semânticos associados a esses argu- mentos, além da indicação de outras funções semânticas. Isso pode ser exemplificado em japonês com a alternância genitivo/nominativo no DP genitivo focalizado na periferia esquerda da sentença. Quando esse DP genitivo não está focalizado, a marcação morfológica do nominativo é agramatical.

Outro fenômeno do japonês ocorre com a partícula de Caso nomi- nativo –ga e a partícula de tópico –wa. Quando afixadas ao DP sujeito, indicam a entidade participante do evento, sujeito da predicação. Enquan- to –ga introduz o DP sujeito no discurso, -wa acompanha o DP sujeito já referido anteriormente e por isso marcado com o valor positivo para os traços de definitude e de informação pressuposta discursivamente. Essa distinção é tema do capítulo 7.

O tratamento do Caso na teoria chomskiana concebe o caso morfo- lógico como uma manifestação de PF (Forma Fonológica) e trata o Caso abstrato como um fenômeno da sintaxe que não é necessariamente ex- presso ou refletido em PF. No entanto, parece claro que não pode haver conflito de informações.

Caso inerente e Caso estrutural são Casos abstratos e, ao se realiza- rem morfologicamente em japonês, têm significados e funções múltiplas. O marcador de nominativo –ga indica o sujeito (focalizado ou não) e tam- bém o DP genitivo focalizado (contrastivamente). O DP objeto é marcado com -ga nominativo quando o predicado é estativo, mas nos contextos de outros predicados, como o transitivo, por exemplo, o objeto é marcado canonicamente com o –o acusativo.

Na próxima seção, apresentaremos os conceitos de referencialida- de, definitude e especificidade, seu tratamento como categorias universais e como traços semânticos que se realizam morfologicamente na superfí- cie da sentença. Investigaremos também o marcador de caso nominativo –ga e o marcador de tópico -wa, verificando quais os traços de referencia- lidade e definitude que esses marcadores trazem consigo.

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