“1. Guarda o mês de o abib e farás pesah a YHWH teu Elohim porque
em mês de o abib te fez sair YHWH teu Elohim desde o Egito de noite. 2. E sacrificarás pesah a YHWH, teu Elohim, gado miúdo e gado graúdo no local que escolher YHWH, para fazer residir o nome Dele ali. 3. Não comerás sobre ele/com ele algo fermentado, sete de dias comerás com ele ázimos, pão de aflição, porque com pressa saíste desde a terra do Egito, para que recordes o dia de o teu sair desde a terra de Egito, todos dias de tuas vidas. 4. E não aparecerá contigo fermento em todo teu território sete de dias, e nem pernoitará de a carne que sacrificares pelo entardecer no dia o primeiro para o amanhecer. 5. Não poderás sacrificar o pesah, num de os teus portões, que YHWH, teu Elohim, o que dá para ti. 6. Porque se ao local que escolher YHWH, teu Elohim para fazer residir nome dele ali, sacrificarás o pesah pelo entardecer, como entrar o sol, época determinada de teu sair desde o Egito. 7. E cozinharás e comerás no local que escolher YHWH, teu Elohim, nele e te virarás pelo amanhecer e andarás para tuas tendas. 8. Seis de dias comerás ázimos, mas no dia o sétimo, assembleia festiva a YHWH, teu Elohim, não farás obra”.
Vamos aprofundar os estudos analisando o conteúdo de Deuteronômio, suas frases, estrofes, termos e seus vocábulos. Usaremos a tradução apresentada no início deste capitulo, levaremos em conta o contexto histórico, e social do povo de Israel. Nesta primeira etapa vamos analisar os versos 1-8 de Deuteronômio 16.
A primeira expressão que vamos destacar no v.1 é a expressão “mês de Abib” (ביִבאָָׁה ש ֶדֹח־ת ֶא). Esta expressão aparece duas vezes em nosso texto, considerado o primeiro mês do ano religioso hebraico, chamado de Nisã depois do exílio babilônico. Foi na época
do Êxodo 12,2 que ele aparece pela primeira vez como o mês do pesah. Também conhecido como o “mês das espigas verdes” Êx 9,31; Lv 2,14, este mês judeu, começava entre o final de Março e o final de Abril, segundo a antiga tradição coincidia com o êxodo do Egito e o rito pascal, os dois estavam ligados. A terminologia mais antiga sugere que a lei em sua presente forma data de uma época em que a terminologia cananita ainda estava em uso corrente. O fato de que Abib era na primavera, leva à conclusão que esta era uma Festa da primavera e já que foi no mês de abib que YHWH tirara a Israel do Egito, a historicização dessa Festa foi relativamente fácil para Israel.
O termo do v.1, 6 “te fez sair” (ךָ ֲאיִצוֹה), faz referência a libertação do povo de Israel do cativeiro que eles viviam no Egito, e faz menção da libertação do Egito “de
noite” (הָׁלְיָׁל). Podemos ver que o povo saiu as presas e não observamos uma preparação
para a viajem que eles iriam fazer. Uma outra ênfase que encontramos “YHWH o teu
Elohim” (ךָיֶהלֱֹא הָׁוהְי) são as palavras que ocorre mais vezes dentro da perícope, (15 vezes),
quase todos os versos da perícope v. 1, 2, 5, 6, 7, 8, 10, 11, 15, 16, 17, observe que teu
Elohim é uma afirmação para o povo que YHWH era o Elohim deles, e que o povo devia
adorar somente a YHWH como Deus e que não existia nenhum outro Deus. Esta expressão é muito forte dentro da perícope, vemos uma repetição clara, onde o autor lembra a todo momento Deus para o povo.
A palavra “pesah” (חַסֶפ) pode ser vista no v. 1, 2, 5, 6, faz uma referência para o povo com respeito ao termo v. 3, 6 “o teu sair desde a terra do Egito” (םִי ַרְצ ִמ ץ ֶר ֶא ֵּמ ךָ ְתאֵּצ) podemos ver o pesah como um momento de libertação do povo da terra do Egito. São oferecidas duas explicações diferentes para o significado do substantivo pesah: Primeira são derivações do verbo psh, que apoiam as interpretações de pesah, uma derivação que alguns estudiosos veem como meramente secundário, popular etimológica dos lexomas historicamente não relacionados entre si e tenta em vez de derivar o significado de pesah de uma consideração histórica dos arredores de Israel. Já na segunda os pesquisadores interpretam pesah, como um rito da passagem, um festival lunar, um ritual de inspeção, e apoiam o significado de psh como “passar por ou poupar”, outros a interpretam como uma dança ritual ritmada retratando o Êxodo como uma dança lunar, ou como um rito de fertilidade derivado dos saltos de fertilidade do longo dessas linhas interpretativas (BOTTERWECK, 2011, pg. 1).
Para o pesquisador Mckenzie (1984) a palavra pesah tem um significado e etimologia incertos. No uso, o termo parece designar tanto a Festa como a manducação do animal no banquete festivo. O ritual do pesah é apresentado pela primeira vez no livro de
Êx 12,1-28, onde está relacionado com a Festa dos Ázimos. O rito consiste de um banquete em que um cordeiro de um ano é comido. O cordeiro devia ser assado inteiro, e aquilo que não era comido no banquete devia ser queimado antes do dia seguinte. Os participantes do rito comiam em pé e vestidos para viagem. Borrifava-se sangue nos umbrais das portas para afastar o anjo destruidor, que matou os primogênitos dos egípcios. A Festa mencionada em Deuteronômio 16,1-5 modifica a prática ritual: a imolação do cordeiro torna-se um ato quase sacrifical que deve ser realizado só no santuário, e o banquete também deve ser comido no santuário (MCKENZIE, 1984, pg. 696).
Segundo o pesquisador Champlin (2001) a Festa do pesah que aparece em Deuteronômio, e observada anualmente por Israel, durante toda a sua marcha pelo deserto, agora estava sendo transferida para o santuário central, em Jerusalém. Logicamente, isso foi feito por antecipação, mas acabou ocorrendo na realidade. Yahweh-Elohim baixou as ordens acerca da festividade original, determinando a sua transferência. E o único Deus (o Eterno Todo-poderoso, de acordo com os nomes usados) foi honrado dessa maneira. (CHAMPLIN, 2001, pg. 818).
O “pesah” (חַסֶפ) e o “pães ázimos” (תוֹצּ ַמ) estavam estreitamente relacionadas. Os v.1-2 e 5-7 descrevem o pesah; os v.3-4,8 descrevem a Festa dos pães ázimos. Essas duas Festas deviam lembrar o povo de Israel da obra redentora de YHWH a favor deles. A importância do rito pascoal na celebração dos ázimos e a consequência subordinação dos ázimos à pesah, mostram a importância crescente da Festa do pesah no povo de Israel. De rito familiar (Êx 12) passou a ser uma Festa nacional, no santuário central. Para compreender a importância do pesah e a sua união com os ázimos, nada melhor do que mostrar a estrutura de Deuteronômio 16,1-7:
A. Observa o mês de Abib, celebrando o Pesah em honra a Javé, teu
Deus, porque foi uma noite do mês de Abib que Javé, teu Deus, te fez sair do Egito (v.1).
B. Imolarás para Javé, teu Deus o Pesah, gado grande e miúdo, no lugar
que Javé tiver escolhido para fazer habitar o seu nome (v.2).
C. Não comerás pão fermentado com estas vítimas. Durante sete dias, comerás pão sem fermento... (v.3a).
D. Pão da aflição, pois saíste da terra do Egito ás pressas. Para que te
lembres assim durante toda a tua vida do dia em que saíste da terra do Egito (v.3b).
E. Não se encontrará fermento durante sete dias, em todo vosso
território. E da carne que tiveres imolado á tarde do primeiro dia, nada se guardará para a manhã seguinte (v.4).
O ponto central da estrutura de Deuteronômio é construir por duas referências à saída do Egito e pela “historização” dos ázimos. A saída do Egito encontra também um
eco importante nos marcos externos, que iniciam e concluem, além do motivo do pesah (A/A’). Do pesah se fala em B/B’, onde são detalhadas as circunstâncias locais (em A/A’ se acrescentam as circunstâncias temporais). O rito do pesah é especificado em C/C’, ponto de enlace entre o pesah e os ázimos (LÓPEZ, 2004, pg. 258).
Consequentemente o termo do v.2 “e sacrificarás pesah” (חַסֶפ ָׁתְחַבָׁזְו), este sacrifício do pesah devia ser tomado de ambos, “o gado graúdo” (ר ָׁקָׁבוּ) “e o gado miúdo” )ןאֹצ(, enquanto que para o pesah propriamente dita, indicava-se um cordeiro (Êx 12,3). A fim de indicar o pesah de maneira mais específica, chamada de “a carne que sacrificares à tarde” (ב ֶרֶעָׁב חַבְז ִת ר ֶש ֲא ר ָׁשָׁבַה־ן ִמ).
Os animais que podiam ser sacrificados vinham dos rebanhos: touros e carneiros Nm 28.19,24. Em Lv 1,14-16 e II Cr 30,21-24; 35,7-9 encontramos as cinco espécies de animais que podiam ser sacrificadas. O animal apropriado para os sacrifícios era o carneiro, posteriormente, porém outros animais passaram a ser incluídos. O touro não substituiu o carneiro conforme alguns têm pensado. O Targum de Jonathan distingue entre tipos de oferendas. O animal original era o carneiro. Outras oferendas chegaram a acompanhar o original, extraídas dos rebanhos, especialmente no caso das ofertas pacíficas (CHAMPLIN, 2001, pg. 819).
Outro termo a ser analisado aparece nos v.2, 7, 11, 15, 16 é “no local que escolher
YHWH” (הָׁוהְי רַחְבִי־רֶשֲא םוֹקָׁמַב) ou seja, no local central de adoração que veio a substituir
todos os demais santuários: o templo de Jerusalém. Quanto a essa “escolha”, feita por YHWH, podemos ver Deuteronômio 12,5 que fala da centralização do culto.
Com o passar do tempo e com reformas feitas referente a Festa do pesah, observamos que o livro da lei em Deuteronômio, centraliza o local de sacrifício do pesah ao povo. Antes cada família fazia a sua celebração em suas casas, agora surge um novo local. Esta mudança pode ser compreendida por meio da expressão “no local que escolher
YWHW teu Elohin”, (ךָיֶהלֱֹא הָׁוהְי רַחְבִי רֶשֲא םוֹקָׁמַב) que está em Deuteronômio 14,22.24.25;
15,19; 16,2.7.6.11.15.
O pesah deve ser mantido no lugar "YHWH optou por colocar nele seu nome" (v. 2b). O santuário originalmente mencionou a lei Deuteronômista, não é clara. Mas para colocar em prática a lei, e manter o reino do sul, só podia ser entendido que foi construído o templo de Salomão em Jerusalém.
Quando analisamos o v.6, 7 de Deuteronômio podemos ver que nesse santuário deveria ir todo o povo de Israel para passar a noite do pesah (v.6, 7a), e na manhã seguinte, aqueles que tomaram parte no culto deve ir "para as suas tendas", ou seja, para as suas
casas (v.7b). Com isso, o pesah é convertido novamente, como nos tempos antigos, em uma Festa de peregrinação, quando tinha sido uma Festa de família há séculos. Através da ligação do pesah para o santuário de Jerusalém devia garantir a pureza do ritual e garantir a unidade do povo. Sempre em tempos de dificuldades e perigos religiosos, tem sido motivado a força na unidade e é levado a unidade a pensar em se fortalecer. No entanto, para o legislador Deuteronômista, a prescrição não foi ditada simplesmente por interesses práticos. A lei da unidade de culto surgiu como uma consequência lógica da unidade dogmática fundamental do YHWH (HAAG, 1980, pg. 84).
Para o pesquisador Römer (2008) existe apenas um único santuário legítimo em Israel49, que corresponde ao templo de Jerusalém, embora o nome da cidade nunca seja mencionado nem no Deuteronômio nem em todo o Pentateuco50. A centralização do culto implica também centralização da economia e da política, como mostram as leis coligidas em Deuteronômio 13-18 (RÖMER, 2008, pg. 11).
Muitos pesquisadores acreditam e avançam a hipótese de que o pesah era uma combinação de duas Festas independente no início e alegam que a união destas Festas foi uma consequência da centralização no templo de Jerusalém, tornando uma tendência prática cultual de restringir o lugar do culto sacrificial a um único santuário. É usado o livro de Deuteronômio para comprovar esta tese. Baseado no relato em 2 Reis 23, também é muito frequentemente assumir que a primeira tentativa de centralizar o culto e, consequentemente o pesah foi levada a cabo pelo rei judaico Josias no sétimo Século (PROSIC, 2004, pg. 35).
Para a pesquisadora Prosic (2004) os objetivos na centralização nunca se materializaram completamente. Apesar de se tornar o templo de Jerusalém nunca se tornou o único templo onde YHWH foi adorado. Mesmo tão tarde quanto o período de Hasmoneo, lá era o templo em Leontopolis, enquanto os samaritanos, mesmo depois de João Hircanus destruiu seu santuário, obstinadamente se recusou a reconhecer a autoridade de Jerusalém e continuou a considerar o Monte Gerizim como o lugar escolhido por YHWH.
A controvérsia entre os israelitas de Jerusalém e os samaritanos em relação ao templo que será o único lugar legítimo do culto sacrificial talvez derive do livro do Deuteronômio que, embora insista em um único santuário, nunca dá realmente a
49 Nos livros bíblicos, “Israel” é muitas vezes um termo altamente ideológico que denota, a partir de uma
perspectiva interna, os verdadeiros adoradores da divindade Javé.
50 Esta discrição pode ser explicada primeiramente pela ficção literária do Deuteronômio, segundo o qual a
eleição de Jerusalém ainda não é efetiva, já que o povo não entrou na terra e ainda não existe uma monarquia (davídica). De modo mais geral, Jerusalém nunca é mencionada no Pentateuco, apesar de algumas alusões claras (Gn 14; Dt 12). Este fato permitiu que o Pentateuco se tornasse a Escritura Sagrada não só para os judaítas, mas também para os samaritanos (para os quais o lugar santo de Javé é o monte Garizim).
localização precisa do lugar ao qual o culto sacrificial deve ser restringida. Na maioria das vezes, ele se refere a ele como o lugar que o Senhor escolherá para seu nome morar dentro. Tanto quanto acadêmicos habitualmente conectar este lugar escolhido com Jerusalém, o ponto é que ele poderia igualmente se referir ao Monte Gerizim ou para o assunto qualquer outro local, enquanto o templo estiver na terra prometida e dedicado a Javé (PROSIC, 2004, pg. 36).
As leis do livro de Deuteronômio são instituídas para o futuro do povo de Israel. Quando falamos da centralização do templo, podemos dizer que a centralização é parte de um futuro idealizado e, como tal, uma projeção que ainda não foi encontrada e nesta perspectiva, é possível afirmar que, em termos históricos, o Deuteronômio precedeu a centralização. Por outro lado, é igualmente possível afirmar que, em vez de ser uma base sobre a qual as disputas entre os judeus e os samaritanos foram construídas, a sua omissão em Deuteronômio para nomear o templo central é um reflexo da realidade e pretende ser um estratagema diplomático para dar legitimidade a Jerusalém e Gerizim.
Não podemos afirmar que o período histórico em que a legislação deuteronômica foi formada. O que é importante é que, em termos de ligação da prática cultual a um único lugar, há uma correspondência significativa entre a realidade da centralização e as exigências do Deuteronômio.
Esse fato melhora significativamente a credibilidade deste livro bíblico como fonte de informação. Nos tempos imediatamente antes da destruição do segundo templo, o culto sacrificial, incluindo a observância das três principais Festas, foi realizado principalmente no lugar escolhido de YHWH, como estipulado no Deuteronômio. Embora os efeitos da centralização nas Semanas e Tendas dificilmente atraiam a atenção dos estudiosos, além de reconhecer que eles deveriam ser realizados no santuário central, o Pesah é assumido como tendo sido muito afetada por eles, tanto estrutural quanto funcionalmente. A linha básica do raciocínio é que a observância do sacrifício do pesah, originalmente um rito familiar realizado nas habitações familiares, foi transferido para o templo central, mudando assim o seu caráter em uma Festa do templo de peregrinação.
A transformação levou à sua fusão com a Festa do pão Ázimos, o festival de peregrinação original. Esta explicação baseia-se principalmente na diferença assumida na apresentação do pesah nas fontes do Êxodo e nas comparações entre suas descrições e a do Deuteronômio. As presumivelmente mais velhas fontes de E e J, que designam pão Ázimos como uma Festa de peregrinação sem mencionar explicitamente o sacrifício do pesah, são tomadas como prova de que este último não tinha o caráter de uma peregrinação antes da
centralização, uma vez que o Deuteronômio exige explicitamente que ela seja realizada no templo no primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos. É uma Festa de peregrinação que dura sete dias e está marcada por dois traços distintivos, o sacrifício dos animais do pesah (PROSIC, 2004, pg. 38). A centralização destas duas Festas tinha como objetivo fortalecer o santuário central e unir o povo para uma adoração a YHWH no local onde ele havia escolhido para ali morar. Embora o Deuteronômio não ser bem claro o local onde o povo devia adorar a YHWH, podemos ver que os dados nos levar ao templo de Jerusalém como local de adoração.
O termo “pão de aflição” (יִנֹע םֶחֶל) que aparece no v. 3, assim chamado por causa de sua associação com os terrores sofridos por Israel no Egito. Esse pão era insosso, tal como as experiências dos filhos de Israel no Egito tinham sido sem atrativos. Esse pão fazia-os lembrar da servidão e das privações pelas quais tinham passado. A circunstância que ditava que não se deveria comer pão levedado acabou florescendo como uma Festa separada, a dos Pães Ázimos. Alguns estudiosos supõem que essa Festa já existisse, e acabou historicamente associada à Festa da Páscoa.
O povo de Israel, ao sair apressadamente do Egito, não foi capaz de fermentar a sua massa, o que mostra a conexão e as circunstâncias históricas. Mediante as celebrações anuais, Israel relembrar-se-ia de como YHWH os tirara do nada para a redenção na Terra Prometida. A Festa do pesah e do Pães Ázimos nunca deveria ser esquecida. Servia de memorial permanente do Poder divino, que os tinha libertado. Ação de graças e fidelidade eram atitudes requeridas da parte do povo israelita, nessas comemorações.
O termo do v.7 “e cozinharás” ( ָׁתְל ַשִבוּ), para o pesquisador Pfeiffer (2001), esta palavra faz referência a refeição do pesah, são encontradas em Êx 12,1-51 e Deuteronômio 16,1-8. A palavra traduzida como "cozinhar" (ן ִכַׁל) aqui, é traduzido "ferver" em outros lugares (por exemplo, Êx 23,19, 1 Samuel 2, 13-15). Isto parece contradizer Êx 12,9, onde os israelitas são orientados a não comer o pesah cru ou cozido. No entanto, 2 Cr 35,13 relata a celebração de uma Festa do Pesah, durante o reinado de Josias, e explica que as pessoas "cozidos (ן ִכַׁל) os sacrifícios do pesah sobre o fogo aberto. O uso de ן ִכַׁל com "fogo" (כ ְשׁ) sugere que a palavra poderia ser usada para falar de ferver ou assar.
As referências à pesah imediatamente depois dessa designação v.5, 6 também devem ser tomadas evidentemente nesse sentido restrito. 7.a cozerás, e comerás criam sem necessidade, um conflito com Êx 12,9, traduzindo o verbo beishal por “cozer”. Só a adição específica de “com água” ou “em panelas” é que dá a este verbo hebraico o significado definido de “cozer”. Quando definido mais extensamente com “no fogo”, significa
claramente “assar”. Em si mesmo ele é ambíguo. Esta ambiguidade em Deuteronômio 16,7 deve-se ao fato que a maneira de se preparar o sacrifício para a refeição já fora estabelecida e não era atual preocupação de Moisés (PFEIFFER, 2001, pg. 231).
Para Haag (1980) especificamente falando do "sacrifício" (zbh; v.2, 4, 6) do pesah, enquanto prescrição yahvistica (Êx 12,21) e a prescrição sacerdotal no pesah (Êx 12, 6) fala de imolar (sbt) o pesah. Certamente a imolação do animal pascal teve, desde os tempos antigos, um caráter sacrificial. Mas enquanto o Código Sacerdotal insiste em eliminar o caráter sacrificial, barramos na legislação Deuteronômica que empenha em insistir precisamente, e enquadrar o pesah, através da sua ligação ao templo, no rito do culto de sacrifício que foi feito lá. Era permitido cozinhar v.7 o pesah e, portanto divido em pedaços, uma posição formal e determinada no Êx 12,9; Nm 9,12. Esta inovação foi necessária porque a vítima sacrificial também tomou o gado maior (HAAG, 1980, pg. 85).
Levinson (2000) explica uma anomalia chave na lei do pesah em Deuteronômio 16,1-7, restringindo o sacrifício de animais do rebanho: "Vá, selecione genealógicos animais para suas famílias e abate o cordeiro pascal" (Êx 12,21). Também fornece instruções de reparação específica.
Devem comer o cordeiro na mesma noite, comerão assado no fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Não coma dele cru, nem cozido em água, mas sim assado sobre o
fogo, com a cabeça, pernas e órgãos internos (Êx 12,8-9). Deuteronômio diverge a partir
destes requisitos, tanto na especificação do animal para abate e nos meios para a sua preparação:
׃םָֽׁ ָׁש וֹ ֶ֖מְש ןַ֥ ֵּכַשְל ה ָָׁ֔והְי ר ַֹ֣חְבִי־רֶשֲא ֙םוֹקָׁמַב ר ָָׁ֑קָׁבוּ ןא ֹֹ֣צ ךָי ֶֶ֖הלֱֹא הַ֥ ָׁוהיַל חַסֶּ֛ ֶפ ָׁתְחַ֥ ַבָׁזְו
E sacrificarás páscoa a YHWH teu Elohim gado miúdo e gado graúdo no local que escolher YHWH para fazer residir nome dele ali (Dt 16,2).
ֶָֽׁלָׁהֹאְל ֶָׁ֖תְכַלָׁהְו רֶק ָֹ֔בַב ָׁתיִֹ֣נָׁפוּ וֹ ָ֑ב ךָי ֶֶ֖הלֱֹא הַ֥ ָׁוהְי רֶּ֛ ַחְבִי ר ַ֥ ֶשֲא םוֹ ֕קָׁמַב ָָׁ֔תְלַכָֹׁ֣אְו ָׁ֙תְלַשִבוּ
׃ךָי
E cozinharás e comerás no local que escolher YHWH teu Elohim nele e virarás pelo amanhecer e andarás para as tuas tendas (Dt 16,7).
Para explicar a divergência do Deuteronômio, Levinson oferece esta sugestão: a extensão do foco do cordeiro pascal a qualquer animal de rebanho ou bando está em consonância com forte interesse do Deuteronômio no rebanho, e rebanho como estando entre as bênçãos típicas da terra (Dt 7,13; 12,6). O vocabulário da lei em geral, incluindo a
"ferver" em vez de "assar", está de acordo com esta tendência no livro. Pesah é, portanto,
sujeita às exigências da construção teológica do Deuteronômio (LEVINSON, 2000, pg. 277).
No v. 8 encontramos o termo “assembleia festiva” (ת ֶרֶצֲע). O sétimo dia da Festa era dia de assembleia solene a YHWH te Elohim (aseret). O termo é usado para descrever reunião de gente para celebração de ritos públicos de qualquer espécie, especialmente no sétimo dia do pesah ou no oitavo dia da Festa das Tendas, considerada uma reunião de grande número de pessoas com determinado objetivo (THOMPSON, 1982,pg. 188).
Outra expressão que encontramos no v. 8 e deve ser destacada é “seis de dias
comerás ázimos” (תוֹצַּמ לַכאֹת םיִמָׁי תֶשֵּש) essa festividade prolongava-se por seis dias, e o
sétimo dia era um sábado santo em que havia uma assembleia solene. Em outros trechos é