B. Analyse
1. Les mesures du Mexique sont-elles justifiées au titre de
A coleta de dados foi realizada através de entrevistas semi- estruturadas e observação, no período de agosto a novembro de 1995 com três (3) famílias (Ametista, Diamante e Esmeralda). Aproveitei os dados obtidos em duas (2) famílias (Rubi e Safira), no período de setembro a novembro de 1994, quando da minha prática assistencial em disciplinas do Curso de Mestrado, no sentido de ampliar os dados sobre a vivência familiar da mulher hipertensa.
O número de encontros em cada residência variou de seis (6) a nove (9), sendo poucas entrevistas com todos os familiares juntos. Embora meu propósito fosse ter o maior número possível de encontros com todos os componentes da família no mesmo local e momento, os que mais freqüentemente aconteceram foram: O casal da Família Ametista e da família Esmeralda, mãe e
filha da Família Diamante e Esmeralda. Também um grande número de encontros realizei com as mulheres hipertensas, pois as mesmas queriam falar mais que os outros familiares, mesmo quando explicava que o meu interesse era ouvir igualmente a todos os componentes da família.
A dificuldade em conseguir que todos os membros da família se reunissem para participar das entrevistas, deu-se por vários motivos: trabalho, passeios, estudo, viagem, internações hospitalares e restrição por parte de uma cliente.
Acho importante salientar que conhecer a família, significa entrar na intimidade das pessoas, algo muito difícil e complexo. Minha relação com alguns membros foi mais superficial, porém com outros, foi profunda e riquíssima, de um aprendizado inigualável para a pesquisadora.
O uso paralelo de duas ou mais técnicas de coleta de dados foi previsto com a finalidade de uma complementar e reforçar a outra, ou mesmo, para sugerir novo direcionamento ao estudo.
Para HAGUETTE (1992), a entrevista é um processo de interação social entre duas ou mais pessoas, na qual o entrevistador tem por objetivo conhecer o(s) entrevistado(s) e obter informações, colhidas através de um roteiro previamente elaborado, baseado em tema de interesse do pesquisador. No presente estudo, as entrevistas foram planejadas para serem do tipo semi- estruturadas e obedeceriam a um roteiro com questões abertas (Anexo 1), com possibilidade de acrescentar questões que a própria família levantasse, ou aquelas que a entrevistadora achasse pertinente.
A seqüência programada para as entrevistas foi muito difícil de ser seguida, principalmente quando era com a mulher hipertensa, que, ao iniciar um tópico, estendia-se para outros assuntos. Isto, contudo, permitiu um aprofundamento na história pessoal dessas mulheres. Quando organizava os
dados e percebia que faltavam alguns, retornava à fonte. Na primeira família, tive necessidade de fazer um número maior de entrevistas (9), devido ao fato de ser principiante na técnica de registro de observações e entrevistas. Já na segunda família, o número de visitas foi menor para a coleta de dados, porém, numa família acompanhei consultas e procedimentos para diagnóstico de problema de saúde da mulher hipertensa (9 visitas). Na última família, a coleta de dados foi mais rápida (6 visitas), pois já dominava a metodologia e sentia mais confiança.
A observação foi realizada concomitante às entrevistas, assim como antes e após as mesmas.
O ato de observar, para TRIVINOS (1987, p. 153): "não é simplesmente olhar, mas sim destacar, de um conjunto, algo específico." É um olhar direcionado por objetivos concretos, é um olhar que procura algo, é um processo investigatório.
Para haver confiabilidade e fidedignidade na coleta de dados através da observação, KERLINGER (1980), LÜDKE, ANDRÉ (1986) recomendam que a mesma seja um procedimento sistemático, padronizado e controlado, visto que a observação sem alguns cuidados, ficaria totalmente sob a influência da história pessoal do observador.
A forma como a observação deve ser realizada, é assim explicitada por TRIVINOS (1987, p. 155): "o pesquisador precisa descrever as ações, comportamentos e atitudes tal como eles se oferecem à sua observação."
Para planejar a observação foi necessário definir com antecedência "o quê" e "como" observar. O que observar neste estudo foram os aspectos físicos das residências e as atitudes demostradas pelos componentes das famílias, durante as visitas efetuadas. Inicialmente, foi realizada a descrição de como a pesquisadora viu e percebeu os membros da família e o processo de comunicação verbal, não-verbal, expressões faciais e postura corporal, tais como rugas de
expressão, sorrisos francos ou sorrisos tristes, olhar triste e cansado, apresentação pessoal que denotem desleixo, despreocupação consigo ou interesse em parecer melhor, falar com fluência, com reticências, repetir palavras, desculpar-se com freqüência, esfregar mãos, bater ritmadamente os pés, ficar apática, não querer participar das falas ou não deixar outros falarem, falar ansiosamente, falar em tom muito alto ou muito baixo...
A descrição foi feita de forma concreta, tentando evitar a minha subjetividade, assim como a isenção da minha opinião no momento da coleta de dados.
Apropriadamente, TRIVINOS (1987), assim como LÜDKE, ANDRÉ (1986), colocam a reflexão após o processo de observação como uma etapa de suma importância para a consolidação dos dados já coletados, assim como novo direcionamento e reformulação nas questões metodológicas do estudo. O comportamento do observador, tanto na fase da descrição como na da reflexão do processo de observação, conforme TRIVINOS (1987, p. 157) "deve ser de permanente estado de alerta intelectual", visto que não pode deixar de "ver" tudo o que se passa, porém não perdendo de vista os objetivos do estudo investigatório.
A validação dos dados coletados e a devolução dos resultados foram feitas com as famílias, no último encontro, isto porque há um compromisso social do pesquisador com as famílias pesquisadas, pois concordo com LAZARSFELD, SEWELL, WILENSKY (1987), quando colocam que o sociólogo e outros profissionais que lidam com fenómenos sociais, através do método científico, devem dar retorno da pesquisa, com isso trazendo algum benefício ao grupo social envolvido com o estudo.