Com base na revisão bibliográfica e nos resultados obtidos, é possível dizer que a compactação do solo poroso melhora seu desempenho nos seguintes aspectos:
Aumento da resistência.
Aumento da rigidez e consequente redução da deformabilidade.
Uniformiza recalques.
Confere estabilidade ao solo natural quanto ao colapso, pela diminuição de tensão aplicada ao solo natural, desde que a extensão horizontal do solo compactado seja maior que a área da aplicação da carga e desde que a espessura do solo compactado seja adequada ao projeto.
Impermeabiliza a superfície, dificultando a chegada de água ao solo natural, abaixo do solo compactado.
A compactação do solo poroso é uma solução que pode viabilizar o uso de fundações diretas em solos colapsíveis, dentro de certos limites de tensão, sendo de fácil execução e de baixo custo.
Para as provas de carga executadas, com a proporção entre a espessura da camada compactada (Z = 0,5m) e o diâmetro (B = 0,80m) da placa de 62,5%, e com solo compactado a 100% da massa específica aparente seca máxima, obtida no ensaio de Proctor com Energia Normal, obteve-se: em comparação com o solo natural, aumento de 44,1 % do coeficiente de recalque, e aumento de 83,6% a tensão de ruptura e da tensão admissível. A camada de solo compactado influenciou significativamente no comportamento do solo, diminuindo sua deformabilidade e aumentando sua resistência
A compactação do solo poroso estudado, provocou um aumento de seu módulo de deformabilidade entre 7 a 9 vezes. Essa proporção é válida tanto para a obtenção do módulo por ensaios triaxiais quanto por provas de carga.
Os valores de módulo de deformabilidade obtidos pelos ensaios triaxiais foram cerca de 5 a 6 vezes menores dos que os obtidos pelas provas de carga.
Grandes espessuras de aterro, o que é comum em pisos industriais em grandes centros, aumenta significativamente o coeficiente de recalque (K). Por exemplo, para uma espessura de 8m de solo compactado, o coeficiente de recalque aumenta cerca de 7 vezes, em relação ao solo natural.
Para espessura entre 0,20m a 0,50m de solo compactado, neste trabalho foram obtidos valores de coeficiente de recalque (k) entre 7,7 a 72,5 MPa/m (Tabela 4.7). Packard (1996) utiliza valores de k de 14, 28 e 56 MPa/m (valores em unidades daptadas por OLIVEIRA, 2000) em seu método de dimensionamento para cargas veículares (Anexo A). A correlação com CBR apresentada por Rodrigues et al. (2006) conduz a valores de k entre 20 a 70 MPa/m (Figura 2.10). A Figura 2.11 da ACI 360R-06 apresenta valores de k entre 27 a 190 MPa/m. Ou seja, os valores encontrados neste trabalho estão dentro de valores encontrados na literatura.
Para os casos de carregamentos estudados, a correlação com índice CBR forneceu resultados de coeficiente de recalque próximos aos das provas de carga até uma espessura de solo compactado com cerca de 0,50m. Há que se considerar que a espessura de solo compactado influência fortemente no valor do coeficiente de recalque do solo estudado, o que não é levado em conta no método que correlaciona o coeficiente de recalque com o Índice CBR. Tal fato pode ser significativo para espessuras maiores de solo compactado.
Os valores de coeficiente de recalque obtidos por meio de ensaios triaxiais foram os menores entre os métodos utilizados. Devido a estes resultados, e à complexidade de amostragem e de realização do ensaio, essa metodologia não mostrou ser adequada para os casos estudados.
Os modelos computacionais analisados neste trabalho, baseados no método dos elementos finitos, forneceram resultados muito próximos com os resultados do método clássico de Westergaard (1926).
A região de influência da carga concentrada nos modelos estudados foi de cerca de 1,0 vezes o raio de rigidez para a placa de concreto (nc=1,0). Para o solo, o valor variou significativamente entre os dois casos de suporte estudados (caso com solo natural e caso com camada de 0,50m de solo compactado), não fornecendo uma boa correlação para o critério de acréscimo de tensão adotado.
Para o caso de condição de suporte com coeficiente de recalque igual a 37 MPa/m, o ângulo de espraiamento de tensão ao longo da placa de concreto foi 83º, para todos os casos de espessura analisados.
Para cargas concentradas, o valor do coeficiente de recalque influencia pouco no dimensionamento de pisos industriais, justificando o uso de métodos mais simplistas para sua obtenção, como a correlação com o índice CBR. Nesses casos, a camada de solo compactado pode ser menor que 0,50m para uniformização do suporte e estabilização contra colapso.
Para cargas distribuídas, o valor do coeficiente de recalque tem grande influência no dimensionamento de pisos industriais, justificando o uso de métodos mais confiáveis para sua obtenção, como a prova de carga sobre placa.
Para se definir o método a ser utilizado na obtenção do coeficiente de recalque em um projeto de piso industrial no solo estudado, deve-se avaliar qual o tipo de solicitação que governará o dimensionamento (se carga concentrada ou distribuída).
Sendo carga concentrada a carga governante, pode-se utilizar a correlação com CBR. No entanto, deve-se estabelecer uma espessura mínima de solo compactado para se obter um valor de K próximo ao valor obtido em prova de carga. Como também para promover uma uniformização do suporte e certa proteção quanto ao colapso. A adoção de uma espessura até 0,50m de solo compactado se mostrou adequada aos resultados dessa pesquisa.
No caso de carga distribuída governando, é necessária uma análise mais detalhada da deformabilidade do solo. Sendo o tamanho do empreendimento determinante para se viabilizar o uso de provas de carga, que certamente fornecerão valores mais precisos do coeficiente de recalque. A partir de certa área de piso, o uso de provas de carga resultará em significativa redução de custos para pisos industriais no solo estudado. No entanto, sempre quando houver camadas de solo mais compressíveis ao longo da profundidade, a área carregada deve ser cuidadosamente analisada, pois esta poderá influenciar camadas profundas não consideradas nas provas de carga. A placa de 80cm de diâmetro influi significativamente em solos até cerca de 1,60m de profundidade, uma área carregada de dimensões 5mx5m influi camadas de cerca de 10m de profundidade (considerando bulbo de tensões com duas vezes a menor dimensão da área carregada).
É necessário avaliar com atenção o método de dimensionamento de piso e a forma de considerar a deformabilidade do solo, dependendo das características das solicitações, que podem variar de cargas menores móveis, se assemelhando a pavimentos, até cargas de grande intensidade estáticas, atuando em grandes áreas, se assemelhando a casos de fundações de
edifícios. Nessa análise, é fundamental avaliar a magnitude dos recalques, pois para os resultados obtidos está implícito ordem de grandeza de recalques máximos da ordem de 1 a 2 mm.