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Mesures en faveur de la location professionnelle de navires de plaisance

Dans le document RAPPORT SÉNAT N° 410 (Page 81-87)

O

Decreto Federal de 1911 autorizava a abertura de instituições do ensino superior por parte da iniciativa privada com a mon- tagem de cursos e expedição de diplomas equivalentes às congêne- res públicas. Foi criada desta maneira a Universidade Livre de São Paulo, com curta duração, que deflagrou uma celeuma em torno da necessidade de criação de uma faculdade de Medicina oficial do estado, dividindo os profissionais médicos e com discussões veicu- ladas pela imprensa e fortes reações da opinião pública. Porém, a concretização da fundação da Faculdade de Medicina de São Paulo acabou acontecendo em 1912, tendo na sua direção o médico Ar- naldo Viera de Carvalho, então Diretor da Santa Casa e com muito prestígio na época. Alfonso Bovero, filho de médico condotto foi con- vidado a conduzir a cadeira de Anatomia na recém-fundada Facul- dade, estabelecendo uma sólida relação com o Hospital Umberto I no desenvolvimento de pesquisas e criação de novos laboratórios.

Sob a presidência de Alfonso Bovero, em 1923 foi fundada a Associazone Italiana per lo Studio e I´Incremento dele Discipline Medi- che, anexa ao Hospital Umberto I. Face ao caráter científico de tal

empreitada, foram criados uma publicação e um foro de debates congregando médicos brasileiros e italianos: a Revista Ars Medica. Surgia assim uma das mais volumosas bibliotecas científicas da capital, repercutindo não somente na comunidade científica pau- lista, como também em todos os setores da colônia italiana, coinci- dindo com a consolidação do próprio projeto do hospital.

Além de Alfonso Bovero na cadeira de Anatomia, a Faculdade de Medicina contou com Alessandro Donati à frente da organiza- ção da Patologia Geral e Antonio Carini na cadeira de Microbiolo- gia e Imunologia.

Na primeira edição da Revista Ars Médica vem a informação sobre o funcionamento de um Laboratório Cardiológico na Casa de Saúde Francisco Matarazzo, dirigido pelos drs. Luigi Manginelli e Priore, e um Laboratório de Análises sob a direção do Professor Alessandro Donati.

Dessa maneira consolidou-se algo como um consórcio entre a Faculdade de Medicina e o Hospital Umberto I. (SALLES, 1994).

E

m artigo publicado em 1930 pelo Diário de São Paulo (Assis Chateaubriand) a chamada jornalística tinha o seguinte títu- lo, “O Estado Matarazzo” e cujo excerto destacava:

Existe um Estado Brasileiro. Entre as vinte unidades da Fe- deração, e mais o Distrito Federal e o Território do Acre, exis- te um Estado economicamente rico como São Paulo e mais rico, como volume de riqueza, do erário do Distrito Federal ou de Minas ou do Rio Grande do Sul. Referimo-nos ao “Esta- do Matarazzo” que afortunadamente não se localiza apenas no país de Piratininga, pois abraça a geografia econômica do inteiro Brasil.. Enquanto São Paulo tem uma renda bruta de 400 mil contos, Minas de 140 mil, Rio Grande do Sul de 130 mil e a prefeitura carioca de 270 mil, o parque industrial Matarazzo encaixa 350 mil contos. Não há dúvida, portanto que o conde Francisco Matarazzo financeiramente e econo- micamente constitui o segundo Estado do Brasil.” (Apud. CENNI, 1975, p.263.)

Francesco Antonio Maria Matarazzo aportou no Brasil em 1881, proveniente de Castelabate, província de Salerno, Região da Campânia, onde nasceu em 9 de março de 1854. Era o primogênito entre nove filhos de Costábile Matarazzo e Mariângela Jovane.

No período entre o falecimento do pai e sua vinda para o Bra- sil, ele tentou acomodar-se à sua cidade usufruindo ainda do pres- tígio paterno, que era proprietário e advogado local. Com a sua morte, teve que interromper sua carreira nas armas, pois estava se

As razões para a emigração certamente se baseavam nas con- dições econômicas desfavoráveis para a agricultura a partir de 1880 e nas crises econômicas posteriores à unificação italiana que afeta- ram sobremaneira os proprietários de terra. (MARTINS, 1976).

Além da mulher Filomena Sansivieri e dois filhos (eles tive- ram 13) Francesco vinha com o intuito de se lançar na atividade comercial, vislumbrando uma oportunidade de negócio diante da escassez de produtos importados no Brasil.

Trouxe uma carga de toucinho que, ao seguir de navio para o cais no Rio de Janeiro acabou por naufragar e não tinha seguro. Sobraram-lhe algumas liras, e ele acabou se estabelecendo em So- rocaba que, na época, era um centro tropeiro e ponto terminal da estrada de ferro Sorocabana (1875-1971), para onde convergiam os produtos da vasta zona que se estendia até os confins do Paraná.

Contou com a ajuda de um conterrâneo sapateiro ali estabe- lecido que exercia a posição de conselheiro municipal, o que lhe facultou acesso a numerosos amigos, permitindo-lhe abrir um co- mércio (um botequim ou uma venda). A casa comercial foi aberta em maio de 1882, porém sua atividade era exercida percorrendo a região com tropa de carga e negociando com os fazendeiros locais. A oportunidade de fabricação de banha foi decidida com o objetivo de substituir sua importação na época. Assim nasceu uma pequena indústria em Sorocaba (nada mais que uma prensa de madeira e um tacho de metal usados para extrair e derreter a ba- nha de porco), seguida de outra em Capão Bonito do Paranapane- ma. (MARTINS, 1976; CENNI, 1975).

A ideia de vender banha de porco em lata foi um grande acha- do, substituindo a que vinha em barricas de madeira dos EUA, pois a nova embalagem permitia maior durabilidade, evitava o desper- dício e propiciava maior lucro. Em curto espaço de tempo, ela co-

meçou a se destacar, vendendo para o mercado interno a preços competitivos.

Entre os anos de 1890 e 1895, já em São Paulo, a Matarazzo e Irmãos (Giuseppe, Andrea e Luigi) estabeleceu-se na rua 25 de Março, agora mais ativa no negócio de importação de bens de con- sumo, comercializando farinha de trigo dos EUA e até mesmo arroz da Cochinchina, porém sem deixar de atender ao mercado interno com a banha (a empresa já com contava uma fábrica em Porto Ale- gre), em substituição ao similar importado.

Imagem 37. Produção e envasamento de banha em lata em Jaguariaíva, PR. Fonte: Acervo do Museu Histórico Municipal Conde Francisco Matarazzo.

A atuação, tanto na produção interna como também no mer- cado importador, permitia menos riscos com o capital, obtendo as- sim uma taxa mínima de reprodução satisfatória. Em 15 de Março de 1891 os empreendimentos comerciais de Francesco se intensifi- caram com a fundação da Matarazzo S.A., que incluiu a participa- ção de 43 acionistas, com a finalidade de fabricar, refinar, comprar e vender banha e comprar e vender fumo, toucinho e outros produ- tos do Rio Grande do Sul e do sul do Estado de São Paulo.

A estratégia econômica de Matarazzo nesse período entre 1890 e 1891 foi totalmente contrária à das práticas vigentes que caracterizaram o Encilhamento, marcadas pela organização de- senfreada de sociedades anônimas voltadas à aquisição de esta- belecimentos industriais que já vinham funcionando de maneira artesanal, ou então partindo para a aquisição de casas bancárias e transformando-as em bancos com nomes pomposos.

Essas transações permitiram a Matarazzo desmobilizar parte de seu capital industrial para aplicação no comércio, beneficiando- -se de uma conjuntura favorável à alienação dos estabelecimentos fabris. Com a constituição da Companhia Matarazzo, as fábricas bastante rudimentares de Sorocaba e Porto Alegre foram vendidas por Rs70:000$000, que um ano antes, talvez incluindo-se a de Capão Bonito, haviam sido avaliadas em Rs 49:000$000.

O cenário interno apresentava-se desfavorável às importações face à dívida externa e aos desequilíbrios da balança de pagamentos do país, período de início do governo Campos Sales (1898). Em con- trapartida, havia oportunidade para produção industrial nacional. A guerra hispano-americana iniciou-se no ano de 1898 (ane- xação das Filipinas e Porto Rico e “independência” de Cuba) gerando escassez de farinha que era importada dos EUA. Com a oportunida- de batendo à porta, Matarazzo imediatamente fretou um navio e

buscou farinha na Argentina, comprando de um primo estabeleci- do ali, e passou a abastecer todo o mercado sozinho.

A partir daí, ele estudou o negócio de um moinho de farinha e, com a ajuda de técnicos ingleses e do London Bank (um mil e quinhentos réis), e dos equipamentos e máquinas da Henri Simon & Co de Manchester, Francesco construiu e edificou a sua primeira fábrica no bairro do Brás, próxima à linha de trem São Paulo Railway com desvio para carga e descarga de 52 vagões. Nascia o Moinho Matarazzo, advento pioneiro em São Paulo. (MARTINS, 1976).

Imagem 38. Inauguração Moinho Matarazzo, 1900. Fonte: Acervo Iconográfico USP.

A partir desse ponto, os empreendimentos de Matarazzo se- guiram em um contínuo de expansão, com a abertura de mais dois moinhos, a seção de sacaria de algodão para embalar a farinha que em pouco tempo se tornaria mais uma indústria, a Fiação e Te- celagem Mariangela em 1901 ou 1904 produzindo vestuário, pois percebeu que as mulheres das fazendas utilizavam a sacaria para fazer roupas. A partir dos caroços do algodão e de seu processa- mento surge a fábrica de óleo Sol Levante em 1907. Aproveitando também o caroço prensado, há a fabricação de sabão e glicerina. (CENNI, 1975).

Em 1898 a família passa a ocupar um palacete na recém-i- naugurada Avenida Paulista no número 1.230, esquina com a Rua Pamplona. A Vila Matarazzo, com projeto dos arquitetos Giulio Saltini e Luigi Mancini foi a segunda residência a ser construída ali. Matarazzo passa a fazer parte da nata da sociedade. O processo projetual e de remodelação da mansão, entre 1938 e 1940, respon- sável pela imagem que perdurou até sua demolição, foi de autoria de Tomaso Buzzi. (MATEUS, 2013).

Imagem 39 (sup. esq.). Moinho Matarazzo, 1910. Fonte: Acervo Iconográfico USP. Imagem 40 (sup. dir.). Indústrias Matarazzo no

Belenzinho, na década de 1930, Tecelagem. Imagem 41 (inf. dir.). Residência Matarazzo, Av. Paulista,

Fábrica Matarazzo (IRFM). Martins afirma que foram duas as ra- zões para as transformações legais de 1911: a necessidade de desen- volver as atividades bancárias do grupo de um lado, centralizando a sua reintegração funcional de modo a garantir que o capital rea- lizasse internamente o maior número possível das suas multiplica- ções. De outro, a possibilidade de atração de novos capitais. A partir dessa atividade bancária, Matarazzo conseguiu o monopólio das remessas de imigrantes no Estado de São Paulo para a Itália, permi- tindo que essa poupança se constituísse em um capital de terceiros no balanço da sociedade, além da cobrança de ágio nas operações. (MARTINS, 1976).

Tabela 9. Fonte: MARTINS, 1976, p. 36.

Ano Capital Índice 1887 20:000$000 100 1900 2.010:000$000 10.050

1911 8.500:000$000 42.500

Crescimento do Capital Nominal

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