Chapitre I : La problématique du trafic routier
1 La problématique du trafic routier
1.4 Algorithmes de commande du trafic
1.4.1 Mesures des paramètres de trafic
A maioria dos países com um número significativo de surdos congénitos tem uma língua gestual própria. Em Portugal4 existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e nos Estados Unidos existe a American Sign Language (ASL), referindo apenas alguns exemplos.
No contexto da língua gestual, define-se por gesto, um movimento ou sequência de movimentos necessários à representação de uma ideia. A execução de um gesto pode ser decomposta em três componentes: movimento dos membros superiores, configuração e orientação das mãos, e expressão facial. O indivíduo que gestua5, isto é, que executa gestos, terá de ter sempre uma mão dominante (usualmente a direita), a sua mão principal e mais natural à realização a língua gestual.
As línguas gestuais não são reproduções da língua escrita e falada. Cada língua gestual utiliza expressões faciais e movimento corporal para criar uma linguagem própria: com características sintáticas, gramaticais e semânticas, idênticas às das línguas faladas. A língua gestual impõe
4 Para mais informações sobre o contexto socio-cultural dos surdos portuguesa consultar o Anexo 1. 5
32 também que a representação contextual dos sentimentos, pensamentos e do raciocínio seja transmitida, e não só as frases e palavras.
Em LGP, uma das formas de expressar os sentimentos é pela adição dos gestos ―triste‖, ―contente‖ ou ―aborrecido‖ à frase, para nomear alguns. No entanto, a expressão dos sentimentos é representada principalmente pelo uso e reforço do gesto com expressões faciais. Por exemplo, a expressão facial do sorriso associado à frase em Língua Portuguesa (LP) ―Eu passei no exame de código‖ transmite uma ideia positiva e de felicidade. A intensidade da expressão facial também define o nível de entoação que se quer dar ao sentimento. A expressão facial define o sentido emocional da mensagem, assim como também, serve para distinguir gestos em que a configuração manual do gesto (i.e. movimento dos braços e configuração da mão) seja igual, mas que tenham significados diferentes. Vejamos a frase em LP, ―O meu irmão chama-se João‖, em LGP o gesto para ―irmão‖ se for acompanhado de expressão da boca ―som papa”, representa a frase referida. Caso o mesmo gesto seja acompanhado com a expressão ―bochecha direita cheia”, então corresponde à palavra ―igual‖.
Muitas vezes uma palavra tem uma correspondência direta com um gesto, porém, isso nem sempre acontece. A palavra ―médico‖ surge da combinação do gesto ―doente‖ seguido do gesto ―auscultar‖. Nesse caso, considera-se ―médico‖ um gesto não atómico, composto pelos gestos atómicos ―doente‖ e ―auscultar‖.
A glosa passa para um registo escrito a forma como a estrutura da LGP se organiza. Os exemplos em seguida que traduzem textualmente os gestos de LGP usam este método. A LP tem como estrutura frásica sujeito-verbo-objeto (SVO), por exemplo, consideremos a frase: "Eu vou à escola", onde "EU" é o sujeito, "VOU" o verbo, e "ESCOLA" o objeto. A LGP tem dois tipos de estrutura frásica possíveis: sujeito-objeto-verbo (SOV) e objeto-sujeito-verbo (OSV). A frase anterior ficaria ―ESCOLA EU IR‖ (glosa), usando sintaxe OSV. O verbo aparece no infinitivo e no fim da frase. As preposições, os artigos definidos e indefinidos são omitidos na língua gestual portuguesa.
Quem se expressa em língua gestual, especialmente um surdo congénito, pensa ―visualmente‖ e gestua diretamente da forma como pensa. Na prática, a ordem das palavras reflete a importância que se quer dar a cada uma. Consideremos um exemplo, no qual um sujeito quer dizer a alguém que vai ao cinema e está muito entusiasmado. A primeira coisa que o sujeito pensa é no cinema e depois em ir para lá. Então o sujeito gestuará: ―CINEMA EU IR‖ (OSV). Por outro lado, se o sujeito estiver sereno em relação a um passeio, e ocorrer-lhe a ideia de ir ao cinema, geralmente gestuaria:
―EU CINEMA IR‖ (SOV).
Conceitos gramaticais
A marcação do género é realizada somente nos seres animados. É utilizado o prefixo ―mulher‖ para marcar o género feminino, enquanto o masculino geralmente é caracterizado pela
33 ausência da marca ―homem‖. Para exemplificar o feminino, considere-se a palavra ―rainha‖, esta é traduzida pelo gesto ―mulher‖ seguido do gesto ―rei‖. Todavia existem exceções, por exemplo, palavras como ―pai‖ / ―mãe‖, ou ―carneiro‖ / ―ovelha‖, têm um gesto distinto para cada género.
A concordância de número pode ser realizada por várias maneiras: repetição do gesto; por redobro (i.e. realização do gesto por ambas as mãos); incorporação de um número (por ex.: ―LIVRO CINCO‖); ou por incorporação do sufixo ―muitos‖. Normalmente, nestas situações os gestos são
acompanhados de reforço da expressão facial.
Para a marcação do tempo verbal é utilizado por sufixação o gesto de ―passado‖ ou ―futuro‖ à forma infinitiva do verbo, marcando o respetivo tempo verbal.
Os tipos de frase interrogativa e exclamativa requerem o uso da expressão facial durante toda a frase. No caso da interrogativa, esta pode ser combinada com pronomes interrogativos que surgem no final da frase. Como exemplo, a frase em LP “Onde Vais?”, ficaria em LGP ―TU IR ONDE?‖. Quanto à marcação da forma negativa, pode-se acrescentar o gesto ―não‖ no fim da frase, ou realizar-se simultaneamente a frase e o movimento natural da cabeça referente a ―não‖.
Português Gestual
O Português Gestual (PG) utiliza o vocabulário da LGP numa estrutura frásica igual à da LP. Serve unicamente para mostrar a ordem dos gestos com a sintaxe do Português, e não transmite de maneira válida o pensamento de um surdo congénito. O PG é considerado um sistema artificial, destinada a ouvintes, ao contrário da LGP que é uma língua natural. Em cada língua gestual existe este sistema equivalente, por exemplo, no Reino Unido, existe o Sign Supported English (SSE), que utiliza o vocabulário da língua gestual britânica com a estrutura frásica da língua inglesa.