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Partie II : Le bilan thermique stagnustre, méthodologie de calcul et analyse de trois étangs

Chapitre 3 : Méthodes et outils de mesures de géographie limnologique

3.1 Instruments de mesures thermique, hydrologique et météorologique

3.1.3 Mesures complémentaires de la qualité de l’eau des plans d’eau

2.1. O equilíbrio entre papéis profissionais e familiares 2.1.1. Aspectos gerais

Mesmo existindo uma quantidade apreciável de estudos centrados sobre o conflito de papéis e suas consequências, a análise das relações entre papéis profissionais e familiares não se esgota nesta perspectiva. A "Teoria da Valorização do Papel" (Theory of role enhancement) constitui-se como um dos primeiros quadros teórico, que parte do pressuposto de que o trabalho profissional pode influenciar positivamente a família, e vice-versa (Sieber, 1974). A tese fundamental do autor baseia-se no princípio segundo o qual o desempenho simultâneo de vários papéis, ou a acumulação de papéis, facilita o acesso a recursos, que podem ser úteis para o desempenho de outros papéis (por exemplo, os recursos económicos provenientes do exercício de uma actividade profissional podem ser utilizados na melhoria das condições de vida familiar). Assim, os recursos obtidos, bem como, as competências individuais desenvolvidas no exercício concomitante de vários papéis, podem desencadear resultados positivos, tanto no domínio familiar, como no domínio profissional. Alguns estudos demons+raram a influência positiva do exercício de uma actividade profissional remunerada, no exercício mais satisfatório do papel parental (Orthner & Pittman, 1986; Kirchmeyer, 1992; Hughes & Galinsky, 1994). Outros estudos comprovaram que os sentimentos de bem-estar físico e psicológico, decorrentes do exercício do papel profissional, têm repercussões positivas na vivência do papel familiar (Barnett & Hyde, 2001). Parece, portanto, que a possibilidade de investir em vários papéis de vida pode ser vista como um estímulo e um desafio, que potencia o desenvolvimento do indivíduo e do casal.

Assim, o conceito de equilíbrio de papéis (role balance) de Marks & McDermid (1996) realça que, apesar do mesmo indivíduo poder estar intensamente envolvido num ou noutro papel, consoante as circunstâncias, o "equilíbrio dos papéis" apresenta- se como uma orientação geral, ou corresponde a uma certa predisposição para integrar os múltiplos papéis de vida. Esse equilíbrio organiza-se, deste modo, em torno de comportamentos que actuam transversalmente em todos os papéis de vida e que permitem alcançar um equilíbrio satisfatório, ao nível da concretização de cada um deles (Marks & McDermid, 1996). De acordo com esta perspectiva, o indivíduo faz ajustamentos constantes, transferindo aspectos positivos de um papel para outro, tanto na profissão como na família, de modo a que o resultado final traduza um

sentimento de equilíbrio. Contudo, é de realçar que este equilíbrio é dinâmico e sustentado pelas experiências e aprendizagens que são transferidas do trabalho para a família, e vice-versa. Para a análise da conciliação da vida familiar e profissional, um equilíbrio satisfatório entre os papéis podem ter repercussões no bem-estar psicológico dos indivíduos, tal como foi encontrado nos estudos de Marks & MacDermid(1996).

2.1.2. Percepção das diferenças de género no equilíbrio de papéis

Se o género representa, como foi visto anteriormente, um factor de diferenciação na análise do conflito entre papéis profissionais e familiares, também seria, de algum modo, esperado que o mesmo pudesse acontecer ao nível da percepção de equilíbrio no exercício desses papéis e dos seus efeitos. Assim, e dado que o conceito de equilíbrio de papéis está associado ao sentimento de harmonia no seu desempenho, se retomarmos as questões associadas à distribuição do trabalho pago e do trabalho não pago na família, as crenças acerca do equilíbrio de papéis podem ser diferentes para homens e mulheres. Apesar dos estudos não serem abundantes, destacam-se algumas que comparam as percepções de homens e de mulheres sobre o equilíbrio de papéis e que identificam os factores que estão associados ao seu sucesso para uns e para outros (Milkie & Peltola, 1999; Marks, Huston, Johnson & McDermid, 2001). Por um lado, o facto das responsabilidades familiares das mulheres tenderem a ser maiores às quais acrescem as suas responsabilidades profissionais, leva-as a apresentarem percepções de equilíbrio de papéis inferiores às dos homens (Milkie & Peltola, 1999). Algumas mulheres afirmam, que o trabalho e a família surgem frequentemente como domínios competitivos, os quais, exercendo pressões constantes, as levam a ter dificuldade em sentir o equilíbrio de papéis (Milkie & Peltola, 1999).

Marks, Huston, Johnson & McDermid (2001) sugerem que o equilíbrio de papéis familiares e profissioniais pode variar em função da ideologia acerca dos papéis de género. Os autores partiram do pressuposto de que a percepção de equilíbrio de papéis nas mulheres será maior, quando as suas atitudes relativas ao género forem menos liberais, portanto mais tradicionais. Na sua perspectiva o ajustamento é mais fácil nas famílias tradicionais, porque existe uma divisão clara entre o papel feminino e masculino. Também no caso masculino, os autores postulam

CAPÍTULO 3. A CONCILIAÇÃO DOS PAPÉIS FAMILIARES E PROFISSIONAIS

a existência de uma relação negativa entre o liberalismo perante os papéis de género e o equilíbrio nesses papéis, uma vez que um maior liberalismo significaria renunciar aos benefícios do contexto social de género tradicional, onde o papel masculino de sustentador económico da família é valorizado e dispensa a participação noutros papéis familiares. As hipóteses dos autores foram aliás confirmadas.

O mesmo estudo permitiu ainda destacar dois aspectos particularmente inovadores. O primeiro diz respeito à influência do factor económico: quando aumentam os constrangimentos económicos, o sentimento de equilíbrio diminui, sendo esta realidade verificada em ambos os géneros. Um segundo relaciona-se com o domínio da partilha de tarefas, dado que o sentimento de equilíbrio aumenta, tanto para homens como para mulheres, quanto maior envolvimento existe nas actividades com as crianças. Este aspecto é de especial importância para as mulheres, que salientaram que o envolvimento dos seus companheiros no cuidado das crianças contribui para o seu sentimento de equilíbrio de papéis. Deste estudo, destaca-se ainda a importância, para a percepção de equilíbrio de papéis das mulheres, de conciliarem o seu papel maternal e profissional de uma forma satisfatória. Apesar de este tema ter sido analisado desde os anos 80, parece que ainda hoje se toma relevante encontrar respostas-concretas sobre o modo de conciliar a maternidade com a actividade profissional remunerada, ou de obter reconhecimento pelo trabalho que a maternidade implica sobre a forma a por um lado, ultrapassar algumas discriminações que são documentadas pela literatura assim como para fomentar e melhorar o empenho dos homens no sua tarefa parental (Hare-Mustin & Marecek, 1989; Matláry, 2002; Unger, 1998; Voydanoff, 1999). Assim, sem negar a influência positiva do feminismo igualitário que pretendia uniformizar os sexos, levando as mulheres a imitar os homens, o feminismo de género dos nossos dias assenta no desenvolvimento condições sociais que preservem a igualdade de género para as esferas do trabalho e da família tendo em conta as especificidades de homens e mulheres (Ferreira, 1993, Ferreira & Tavares, 2000; Fontaine et al., 2004; Matláry, 2002; Unger, 1998; Ridgeway & Smith-Loven, 1999). A este propósito, Matláry (2002) refere: "tendo vivido a minha vida adulta num ambiente social e político dominado pelo feminismo igualitário, considero que, em termos gerais, ele foi muito positivo para as mulheres e penso que os homens aprenderam muito sobre a co-responsabilidade na família e a igualdade no trabalho" (p. 18). Em síntese, verifica-se que o género, enquanto ideologia, influencia a participação diferencial dos homens e mulheres nos papéis profissionais e familiares

e, aparece, desde logo, associado a uma maior dificuldade em percepcionar o equilíbrio de papéis, por parte das mulheres, quando comparadas com os homens.

2.2. Modelo da facilitação entre papéis profissionais e familiares

Apesar dos efeitos promissores do equilíbrio dos papéis para o bem-estar individual e familiar, parecem existir poucos estudos que investiram na identificação dos mecanismos de transferência entre papéis (comportamentos, atitudes ou mesmo valores) que são responsáveis pelo sentimento de equilíbrio (Marks, Huston, Johnson & McDermid; 2001). Pelo contrário, na literatura, numerosos autores defendem a possível existência dos efeitos positivos e experiências positivas, que ocorrem ao nível de um dos papéis de vida o outro {positive spillover effect) (Edwards & Rothbard, 2000). Greenberg, O'Neil, & Nagel (1994) referem que, em geral, os aspectos positivos do trabalho (como, por exemplo, trabalhos com elevados níveis de complexidade nas relações com pessoas, actividades que envolvem desafios e estimulação) apareceram associados a comportamentos parentais que se caracterizam pela flexibilidade na disciplina e frequentes demonstrações de carinho. Os resultados apoiam o facto de que as condições de trabalho afectam directamente o exercício do papel parental, sobretudo ao nível do humor, e podem contribuir directamente o desenvolvimento de competências parentais. Outros estudos documentam a importância das experiências e sentimentos de apoio familiar, mais concretamente do cônjuge, para se lidar melhor com as exigências do papel profissional (Grzywacz & Marks, 2003).

Recentemente, o modelo de Edwards & Rothbard (2000) salienta que as interacções entre os papéis são contínuas, logo, os aspectos positivos do desempenho de um papel, traduzidos em atitudes e comportamentos, podem influenciar positivamente o desempenho de outros papéis.

Baseando-se neste modelo, Klute, Crouter, Sayer, & McHale (2002) efectuaram um estudo, junto de 167 famílias de duplo emprego, onde analisaram a influência das experiências de trabalho e das atitudes acerca dos papéis familiares ao nível da partilha de tarefas domésticas. Os resultados confirmam que, tanto os homens como as mulheres que assumiam valores elevados de autonomia no exercício da sua profissão apresentam atitudes menos tradicionais relativamente aos papéis na família, independentemente do nível educacional ou do número de horas de trabalho. Estes resultados contribuíram para sustentar a hipótese de que as experiências de trabalho

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podem socializar os indivíduos através da modelação dos seus valores, os quais estão ligados a um tipo de relacionamento e de prática mais igualitária na vida do casal, verificando-se, por conseguinte, uma interferência positiva entre papéis. Mais recentemente, e na mesma linha, o estudo de Rogers & May (2003), de carácter longitudinal, dá conta da relação positiva, existente ao longo do tempo, entre a satisfação com a vida conjugal e a satisfação com o papel profissional, sugerindo, assim, a existência de uma influência positiva do papel familiar, neste caso conjugal, no exercício do papel profissional.

Ainda na tentativa de clarificar as relações positivas estabelecidas no exercício de papéis profissionais e familiares, surge o modelo da facilitação trabalho-família concebido por Grzywacz & Bass (2003). Trata-se também de um fenómeno bidireccional, em que o envolvimento de cada indivíduo num papel pode facilitar o envolvimento no outro papel. Recuperando este aspecto do modelo de Edwards & Rothbard (2000) e de Campbell-Clark (2000) assume, contudo, que a combinação das características individuais e das características do contexto, que tipificam cada papel, vai gerar uma estrutura causal através da qual pode emergir o processo de facilitação entre trabalho e família. Este consiste essencialmente na transferência de aspectos positivos de um papel para outro papel. Este modelo assume, assim, a existência de dois pressupostos relativos à influência de um papel sobre o outro: primeiro, a própria conceptualização do modelo defende que o trabalho e a família são domínios interligados e que se beneficiam mutuamente. Segundo, deve ser concebido de forma independente, relativamente ao conflito trabalho-família. Para clarificar este último pressuposto, Grzywacz & Bass (2003) indicam, que, do mesmo modo que saúde é mais do que a ausência de doença, também a facilitação entre trabalho-família é mais do que ausência de conflito. Para o autor, trata-se de um processo mais complexo, que não se esgota em conceitos como compensação, ajustamento ou estabelecimento de fronteiras flexíveis. É um processo adaptativo, de ajustamentos dinâmicos do indivíduo enquanto parte de um sistema geral onde se integram os papéis profissionais e familiares.

Um dos principais interesses deste modelo, relativamente aos anteriormente apresentados, prende-se com o facto de ser uma tentativa para encontrar uma conjugação entre o conflito e a conciliação de papéis. Pretende, assim, encontrar uma combinação optimizada, que constitui um estímulo ao nível do desempenho individual, profissional e familiar. Contudo, a aplicação deste modelo de análise ao contexto empírico da conciliação de papéis é ainda escassa, dado o pouco tempo de existência

da teoria. Apenas o estudo de Grywacz & Bass (2003) aponta para a diminuição de problemas de ansiedade, de depressão e de comportamentos aditivos (consumo de álcool) em famílias nas quais a facilitação excede o conflito de papéis. Contudo, seriam necessários mais estudos para corroborar a validade empírica deste modelo.

Para concluir, duma forma geral, os estudos que tiveram a preocupação de analisar os efeitos da transferência positiva entre papéis são ainda bastante escassos. Fazem uma análise global da vida do casal e não se preocupam com as diferenças de género. De facto, no que diz respeito ao modelo da facilitação de papéis, muito provavelmente pelo facto de ser ainda uma linha de investigação recente, poucos são também os estudos que tentam sustentar empiricamente o modelo teórico apresentado. Também não encontramos estudos que documentem diferenças de género nesse processo.