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MESURES D’ADAPTATION 1 Modes de gestion locaux du karité

IV- Conclusion

2. Résultats et discussion

2.3. MESURES D’ADAPTATION 1 Modes de gestion locaux du karité

Zanuttini (1994) analisa orações negativas nas línguas românicas com o objetivo de verificar se orações que apresentam diferentes formas sintáticas de expressar a negação sentencial compartilham a mesma estrutura sintática no nível da representação. De acordo com a autora, a projeção NegP, aquela em que marcadores negativos são gerados, ocorre em diferentes posições estruturais em diferentes línguas. Esses marcadores negativos, no entanto, seriam sempre interpretados na mesma posição em LF, posição essa que recebe o rótulo de PolP (Polarity Phrase) pela sua relação com a polaridade da sentença.

Nessa perspectiva, para que uma sentença seja negativa é preciso que alguns traços sejam checados; cada língua apresentaria diferenças com relação à checagem desses traços, o que corresponderia linearmente a diferenças na posição de Neg nas línguas. Enquanto em algumas línguas a checagem de traços se dá antes de Spell-out, o que leva ao movimento do marcador pra PolP, em outras, a checagem ocorreria após Spell-out, assim, o

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marcador negativo não necessariamente precede Tempo. Dessa forma, entende-se que marcadores negativos são gerados em diferentes posições na estrutura sintática, mas são uniformemente interpretados em outra, PolP. Zanuttini argumenta, então, que as línguas românicas apresentam duas projeções sintáticas para a expressão da negação sentencial: a projeção NegP, onde os marcadores são gerados, e a projeção PolP, onde os marcadores são interpretados. A estrutura negativa proposta pela autora é ilustrada abaixo:

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A proposta de Zanuttini parte, principalmente, da análise dos marcadores negativos nas línguas românicas. Segundo a autora, há línguas em que os marcadores negativos são pré-verbais e outras em que esses são pós-verbais. E, considerando os pressupostos da Teoria X-barra, argumenta que os marcadores pré-verbais são elementos Xᵒ, uma vez que bloqueiam tanto o movimento de verbo quanto o movimento de pronomes clíticos, que dependem de Tempo, enquanto os marcadores pós-verbais, por não inteferirem em operações de movimento, são considerados projeções máximas (XPs). Há ainda línguas em que marcadores pré- e pós-verbais coocorrem, o que ocorre devido ao enfraquecimento

Neg’ Neg NegP T’ TP Pol’ PolP VP

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fonético do marcador negativo pré-verbal, que deixa de ser capaz de negar a sentença sozinho:

(23) a. *Je ne suis Amélie eu neg sou Amélie

b. Je ne suis pas Amélie eu neg sou não Amélie

Ainda sobre marcadores pré- e pós-verbais, Zanuttini argumenta que uma análise unificada não é capaz de dar conta dos dados das várias línguas românicas e propõe a existência de duas projeções NegP distintas. Uma projeção NegP (NegP-1) gerada mais alta que TP e que o seleciona como complemento e uma outra projeção de NegP (NegP-2) gerada abaixo de TP e cuja distribuição não é um requerimento selecional:

(24) a. b.

Segundo Zanuttini, o tipo de marcador negativo usado em uma língua está correlacionado com a presença (ou ausência) de uma restrição na distribuição de indefinidos negativos. Assim, há línguas que empregam marcadores negativos pré-verbais para negar a sentença inteira e que não permitem que um indefinido ocorra numa posição pós-verbal (exemplo 25) e línguas que permitem marcadores negativos pós-verbais para

T’ T TP Neg non ... nen T’ T TP ... NegP-1 Neg’-2 NegP-2 Neg’-1

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negar a sentença que não requerem a coocorrência de outro elemento negativo o c- comandando (exemplo 26).

(25) a. *Ho visto nessuno. (italiano) eu vi ninguém

b. Non ho visto nessuno. neg eu vi ninguém c. Nessuno ha dito niente. ninguém tem visto nada

(26) a. Hoo vist nissun. (Milanês) eu vi ninguém

b. L’ha mangiaa niént. eu comi nada

c. Gh’e vegnuu nissùn. cl é vindo ninguém

(Zanuttini 1994: 441-442)

Uma questão importante no que diz respeito a marcadores negativos pré- e pós- verbais tem a ver com o tipo de elemento que ocorre em NegP-1 e NegP-2, a saber, núcleos e projeções máximas. Conforme aponta Zanuttini, elementos em NegP-1 são sempre núcleo enquanto elemento em NegP-2 são sempre projeções máximas. Para a autora, se supormos que há uma relação estreita entre sintaxe e semântica, NegP pode ser vista como o locus sintático da expressão semântica da negação sentencial, determinando seu escopo. Através dos trabalhos de Polock (1989) e Beletti (1990) em que marcadores negativos são gerados numa mesma posição sendo a diferença em ordem linear derivada de movimento, Zanuttini observa que somente marcadores negativos que são núcleos podem ser movidos para uma projeção mais alta. Somando esse dado ao fato de que em línguas em que os marcadores negativos são pré-verbais há uma estreita relação desses com Tempo, ela sugere, então, que em todas as línguas a negação sentencial precisa ser expressa em uma posição mais alta que Tempo.

Considerando a proposta de Chomsky (1993) de que a estrutura oracional contém apenas dois conjuntos de elementos, projeções lexicais e projeções funcionais, a autora argumenta que uma vez que projeções funcionais precisam ser licenciadas por um

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processo de checagem de traços, o que irá requerer que um item lexical combine seus traços subindo até essa posição, então, a negação oracional precisa de uma projeção cujos traços precisam ser checados. Uma vez que essa projeção pode expressar qualquer valor polar, Zanuttini a rotula de PolP. A projeção PolP estaria presente em todas as línguas se diferenciando de língua para língua na propriedade de seus traços, podendo esses serem fracos ou fortes. Lembrando que na Teoria de Checagem de traços, traços fortes precisam

ser checados antes de Spell-out, enquanto traços fracos são checados em LF. Continuando suas considerações sobre a categoria PolP, Zanuttini (1995)

também propõe que marcadores de negação ocorreriam nessa categoria. A autora, no entanto, faz uma distinção entre marcadores de negação fortes e fracos, em que marcadores fortes seriam aqueles capazes de negar a sentença independentemente e marcadores fracos aqueles que precisariam de outra partícula negativa pós-verbal. A distinção forte/ fraco para os marcadores negativos influiria ainda na posição em que esses aparecem na estrutura sintática; enquanto os marcadores fortes são gerados em PolP, marcadores fracos ocorreriam em adjunção ao núcleo de uma categoria funcional independente.

Em estudo posterior, Zanuttini (1997) analisa a posição dos marcadores negativos com relação à posição do verbo e de advérbios em TP e AspP, seguindo a hierarquia de advérbios de Cinque. De acordo com a autora, marcadores negativos apresentam propriedades diferentes dependendo da posição em que ocorrem. E, com isso, apresenta evidências de pelo menos quatro posições para marcadores negativos na estrutura sintática:

(27) [NegP1 Non [TP1 V+Agr [NegP2 mica [TP2 [AdvP already] [NegP3 niente [Asp perf. V past part

[Asp gen/progr [AdvP always [NegP4 NO]]]]]]]]

Um ponto importante com relação às propriedades de cada item negativo em determinada posição sintática é a caracterização desses enquanto forte e fraco. Zanuttini chama de forte os itens capazes de negar a sentença sozinhos, enquanto os marcadores fracos são aqueles que não possuindo essa propriedade coocorrem sempre com outros

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marcadores. O quadro abaixo sintetiza a distribuição sintática dos itens, bem como a sua caracterização como forte ou fraco.

NegP-1 Adjoin TP1 NegP-2 TP2 NegP-3 Asp

Perf Asp Imperf NegP-4 Italiano Non Clítico negativo Verbo principal ou auxiliar Italiano mica Piemontês pa already Italiano niente Piemontês nen No more always Milanês no

forte fraco Mica – fraco

Pa - forte

forte forte

pressuposicional

Quadro 1 - Distribuição sintática dos itens negativos

Aqui é interessante observar que, diferentemente do que Zanuttini propõe, o clítico negativo no PB é forte, sendo perfeitamente capaz de negar a sentença sozinho Eu

num moro em São Paulo. Voltaremos a essa questão mais a frente.

Também com relação ao que é apresentado no quadro acima, Zanuttini distingue marcadores que são pressuposicionais. De acordo com a autora, a leitura pressuposicional depende tanto do item lexical quanto da sua posição. O pa do piemontês só é pressuposicional se está em NegP2, já que esse item pode aparecer numa posição mais baixa sem valor pressuposicional.

Poletto (2009) retoma o trabalho de Zanuttini (1997) e promove um paralelo entre a distribuição sintática dos tipos de negação e sua origem etimológica, que é uniforme para cada tipo de negação. Com isso, a autora tenta formular a hipótese de uma única projeção funcional NegP como um conjunto complexo de projeções, um “circuito” em que cada posição tem seu próprio valor semântico.

A partir da estrutura proposta por Zanuttini, Poletto cria um paradigma de marcadores negativos. O primeiro marcador negativo, pré-verbal (NegP1), corresponde ao item padrão do italiano Non, e é tratado pela autora como marcador negativo escalar. Os itens nessa posição, clíticos em todos os dialetos estudados pela autora, precisam obrigatoriamente da coocorrência de outro marcador negativo. A coocorrência de itens que carregam traços negativos numa mesma sentença sem que o resultado seja uma oração

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afirmativa é tratada como um fenômeno da Concordância Negativa3 (Zanuttini 1989; Haegeman e Zanuttini 1991).

Os itens em NegP2 são tratados pela autora como minimizadores, uma vez que em sua origem etimológica todos os elementos indicavam pequena quantidade. Eles são também reduzidos fonologicamente, não como clíticos, mas como pronomes fracos. Esses itens só ocorrem conjuntamente com NegP1, em concordância negativa, em alguns dos dialetos estudados pela autora. Já os elementos em NegP3 aparecem mais baixo que o advérbio already e mais alto que always e são tratados como quantificadores negativos, porque os marcadores negativos são originalmente quantificadores significando nothing. Esse tipo de item negativo é compatível com imperativos verdadeiros. Esses elementos também coocorrem com NegP1 em concordância negativa.

NegP4 é sempre tônico e tem a mesma forma do marcador negativo que ocorre em sentenças negativas com pro. Segundo Poletto (Op. Cit.), esse último tipo de elemento é um Foco negativo. Está sempre localizado à direita no final da oração, nunca sofre concordância negativa com quantificadores negativos e pode ser usado em imperativas.

Com essa distinção e em concordância com o NegP complexo de Pollock (1989), Poletto propõe que NegP tem uma estrutura funcional interna, sendo todos os marcadores negativos parte de um único constituinte:

(28) [NEGP [focus/Operator NO [scalarP non [MinQ mica [QP niente [ExistentialP]]

Para Poletto, no entanto, uma estrutura como “No la go miga magnada NO” deve ser diferenciada do fenômeno da concordância negativa, que, segundo a autora,

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Por Concordância Negativa entende-se a coocorrência de um marcador negativo e um quantificador negativo numa mesma sentença. Segundo estudos que tratam da negação (Jespersen (1965), Zanuttini (1989), Pollock (1989), Haegeman e Zanuttini (1991)), a existência de mais de um elemento negativo numa mesma sentença em concordância ocorre em um número de línguas, como o flamengo ocidental e o francês. Veja alguns exemplos abaixo: ... Valère niemand nie (en)-kent

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ocorreria entre NegP1 e quantificadores negativos, e trata dados desse tipo como dupla negativa4.

Segundo a autora, quando ocorre uma dupla negativa (NegP1 + NegP4), o NO é sempre movido de dentro de NegP para uma posição de foco. Assim, quando No está na posição inicial, a sentença o segue e quando No está na posição final de sentença, há o movimento de todo o CP para uma posição por ela chamada de GroundP, na área do Tópico mais alto que Foco. Com esse último dado, a cartografia de uma sentença considerando todas as possibilidades de estrutura interna de NegP seria próxima da que se segue:

(29) [Spec GroundP [IP] [Ground° [CPFocus NO [FinP… [ScalarP [NegP [Focus/ Operator [ScalarP non

[TP…[MinP [[MinQ mica [QP [ExistentialP [VP]]]]]]