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O enfoque institucional considera a instituição como o motor da inovação, facto que se reflecte em qualquer das teorias consideradas no presente trabalho: teoria de redes, teoria evolucionista e teoria institucional.
A teoria de redes, ainda que numa óptica sobejamente empreendedora, analisa a inovação ou a criação de novas empresas, como resultado de todo um conjunto de relacionamentos estabelecidos segundo uma rede social, na qual as partes estão inseridas. Já a teoria evolucionista pressupõe que tal acto é puramente determinado por factores do meio envolvente, que ora determinam o nascimento, ora determinam a morte das instituições. Por último, a teoria institucional analisa a influência dos factores ambientais na função empresarial, na inovação e na criação de empresas, considerando a instituição o factor idealizado pelo Homem para configurar e orientar a sua interacção. A teoria parte do princípio que as instituições constituem as “regras do jogo” na sociedade, isto é, as forças restritivas, impostas pelo Homem, que balizam a acção humana na sociedade.
3.2.1. Teoria de Redes
Perante a teoria das redes, a actividade empresarial insere-se e desenvolve-se mediante uma rede de relações sociais, pelo que a criação da empresa necessita de um conjunto de relações referentes à troca de informações, bens e serviços, bem como de conteúdos normativos e de expectativas, que os indivíduos, quando inseridos na rede, podem ter
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perante os outros, derivados de certas características ou atributos (Veciana, 1999). Segundo Hakansson e Ford (2002: 133), uma rede pode ser definida de forma abstracta como “uma
estrutura onde um número de ligações se relaciona com outras através de linhas específicas”.
Um dos contributos mais visíveis ao nível teórico, explicativo do papel das redes no processo de empreendedorismo e de criação de empresas, deriva do modelo de rede da criação da organização desenvolvido por Larson e Starr (1993), que expõe e explica a transformação de relacionamentos sociais concebidos enquanto díades unidimensionais e inseridas numa rede estável, multi-dimensional e inter-organizacional.
O modelo de rede da criação da organização comporta três estágios distintos de evolução dos relacionamentos sociais, em que o objectivo último é a obtenção de recursos críticos, sejam eles de natureza económica ou não económica, ao longo do processo de criação da empresa. Assim, no primeiro estágio, o empreendedor recorre às díades essenciais que, no segundo estágio, são convertidas em relacionamentos sócio-económicos e, no terceiro estágio evoluem para processos múltiplos de relacionamentos (Larson e Starr, 1993). De acordo com os autores do modelo, em cada estágio existe um processo interactivo que contempla a exploração, a selecção e a utilização de díades de rede, com o objectivo de transformar um conceito de negócio numa empresa emergente e inovadora.
Tendo em conta os aspectos supra mencionados, a formação da empresa, concretamente ao nível da inovação, resulta, assim, da cristalização de relacionamentos sociais estáveis e geradores de proveitos, que têm lugar no plano das organizações.
O conceito de redes organizacionais é abrangente e, de um modo geral, pressupõe duas ou mais organizações envolvidas em relacionamentos de longo prazo, tendo como objectivo principal dinamizar os diversos processos organizacionais para o alcance da competitividade, num ambiente cada vez mais turbulento (Simões, 2009).
A teoria de redes evidencia que as empresas estabelecem redes, parcerias ou cooperações, visando o desenvolvimento de competências sustentáveis. O relacionamento estabelecido entre as empresas possibilita a troca de experiências entre os parceiros, qualquer que seja a proximidade ou a distância existente (Turnbull, Ford e Cunningham, 1996; Veciana 2008).
27 Vários investigadores evidenciam os benefícios proporcionados pelo estabelecimento de redes, tais como a redução dos custos de desenvolvimento tecnológico e de entrada no mercado; a minimização dos riscos de desenvolvimento e de entrada no mercado; a obtenção de economias de escala na produção; a atenuação do tempo de desenvolvimento e comercialização de novos produtos e a partilha de conhecimento, entre outros (Tidd, Bessant e Pavitt, 2003; Braunerhjelm, 2008; Huang e Chang, 2008; Weber e Khademian, 2008).
3.2.2. Teoria Evolucionista
A teoria evolucionista, baseada nos princípios biológicos, parte do pressuposto que o meio envolvente determina o nascimento, o crescimento e a morte das organizações (Hannan e Freeman, 1977; 1989), atribuindo-se um papel chave à análise da variedade ambiental, uma vez que esta determina, em grande parte, a dinâmica tecnológica e organizacional (Coriat e Weinstein, 2002).
De acordo com Hannan e Freeman (1977; 1989), o principal objectivo da teoria consiste em identificar e determinar os factores do meio envolvente, nomeadamente económicos, políticos ou estruturais, capazes de causar variações na taxa de criação de novas empresas. Neste âmbito, Veciana (1999) identifica três pressupostos básicos da teoria:
1. formas de organização existentes num determinado momento são incapazes de se adaptar às mudanças de contexto devido à sua inércia interna;
2. alterações de contexto produzem novas formas de organização e novas empresas; 3. mudanças nas populações das organizações devem-se, fundamentalmente, a
processos demográficos de criação (nascimento) e dissolução (morte) das organizações.
Assim, segundo Veciana (1999), a teoria evolucionista analisa as condições do ambiente que determinam a taxa de criação de novas empresas, a taxa de mortalidade e a taxa de mudança nas organizações. O primeiro aspecto, isto é, a criação de novas empresas, depende principalmente de três factores do meio envolvente: a densidade da população, a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade de períodos anteriores. Acresce que a criação de
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empresas constitui um veículo importante da inovação, dado que dessa criação pode resultar inovação, a qual será introduzida no mercado pela nova empresa.
Por sua vez, a criação de empresas e a inovação estão também relacionadas com o conceito de diversidade organizacional que, segundo Dosi, Teece e Winter (1992), Malerba e Orsenigo (1996) e Coriat e Weinstein (2002), pode ser analisada sob três dimensões: (i) diversidade da empresa, relacionada com as especificidades estratégicas que, de certa forma, moldam a direcção e o desenvolvimento de capacidades específicas e sistemas de rotina; (ii) diversidade sectorial, enquanto conjunto de características dos regimes e ambientes de inovação selectivos, que podem induzir trajectórias sectoriais específicas; (iii) diversidade nacional, ligada à especificidade dos sistemas nacionais de inovação, especialização de perfis e quadros institucionais e culturais.
Em síntese, o contributo da teoria passa por explicar, por um lado, como e porquê novas organizações emergem em determinados sectores, indústrias e espaços económicos e, por outro lado, como é que tais processos de criação podem ser conducentes ou, até mesmo resultar em actividades inovadoras.
3.2.3. Teoria Institucional
A partir da década de 50 do século XX, surgiram os estudos empíricos do desenvolvimento das economias, baseados nas contribuições da teoria institucional. Philip Selznick e Douglass North assumem-se como uns dos principais mentores, procurando demonstrar como o crescimento a longo prazo ou a evolução histórica de uma sociedade é condicionada pela formação e evolução das suas instituições (Gala, 2003).
Ora, as instituições constituem estruturas de carácter social, das quais fazem parte elementos simbólicos, actividades sociais e recursos materiais, condicionadores da acção humana, nomeadamente através da criação de fronteiras e limites legais, morais e culturais (Scott, 2001). Tais instituições podem ser de âmbito formal ou informal. Relativamente às primeiras, consideram-se as leis e constituições formalizadas e escritas que, normalmente, são decretadas pelo Estado ou por qualquer outro organismo regulador. Já as instituições informais compreendem as normas ou códigos de conduta, produtos da própria sociedade (North, 1990).
29 Neste sentido e de acordo com o preconizado pela teoria, uma evolução institucional pode ser mais importante do que os avanços tecnológicos, a acumulação de capital e os recursos materiais, tendo consequências directas ao nível do desenvolvimento económico (North, 1990; Scott, 1992). Como tal, North (1990) defende que a solução do problema económico dos países reside em regras ou arranjos institucionais que estimulam ou inibem as actividades económicas, pelo que o crescimento económico depende da construção de uma matriz capaz de estimular a acumulação de capital físico e humano.
Paralelamente à ideia de matriz institucional, North (1990) defende a existência do conceito de instituições eficientes, sendo que uma matriz institucional eficiente se caracteriza pelo facto de ser capaz de estimular um agente ou uma organização a investir numa actividade individual, que gere retornos sociais superiores aos seus custos sociais. No entanto, tal eficiência, depende, segundo o autor, da dinâmica política e cultural da sociedade e da capacidade desta em se adaptar a adversidades a longo prazo. Contudo, no contexto da sociedade, ainda de acordo com North (1990), as organizações assumem o papel de agente principal, nomeadamente a partir do momento em que passam a interagir com outras organizações, comungando de um mesmo sistema de significados, resultando dessa interacção a performance económica das sociedades. Para o investigador, a teoria institucional pode ser analisada sob a forma de um jogo com diferentes “players” ou “jogadores”, no qual as instituições são “as regras do jogo” da sociedade, enquanto que o papel de “jogadores” compete às organizações. Saliente-se que, se por um lado as instituições são um esboço do que devem ser as organizações, por outro lado, as organizações podem contribuir directamente para a definição e transformação das regras institucionais.
As regras institucionais insurgem-se, assim, como um elemento necessário à organização, sendo comummente aceites por todos os agentes individuais, na medida em que têm como objectivo directo a redução da incerteza. Ora, na maioria dos contextos empresariais, onde se verifica uma elevada especialização e divisão laboral, baseadas em unidades autónomas e descentralizadas, as instituições têm claramente, como missão, a redução da incerteza e a coordenação dos diferentes agentes individuais, uma vez que tal actividade possibilita alguma regularidade de acção, também conducente a um comportamento melhorado e mais eficiente (Coriat e Weinstein, 2002).
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Para os institucionalistas, as organizações incorporam orientações previamente estabelecidas na sociedade, as quais contribuem para a regulamentação da sua actividade, visando ainda a sua sobrevivência. Mais importante do que os recursos financeiros são o conjunto de valores, das normas sociais e exigências a que as organizações se devem conformar para obter legitimidade (Meyer e Rowan, 1977; Scott, 1992).
Em conclusão, a história das sociedades resume-se, de acordo com North (1990), à evolução das matrizes institucionais e às consequências económicas, políticas e sociais advindas de todo o processo.